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CONFISSÕES DO DIVÃ





Os textos apresentados nesta seção buscarão ilustrar situações, angústias, problemas e experiências vivenciadas por alguns homens gays. Não existem experiências universais, comuns a todos os homens gays, cada um de nós é constituído e atravessado por diversas características que tornam a sua experiência única.  Nossa principal ideia aqui é pensar em possibilidades de enfrentamento para as questões aqui representadas, que em menor ou maior grau podem ser semelhantes com alguma das histórias vivenciadas por você. Essas histórias não são uma representação literal de histórias reais e sim textos fictícios.

O Dr. Alexandre é formado em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atua como psicólogo clínico no Espaço Recontar na região de São José / SC. Fundamenta seu trabalho pelos princípios da Psicologia Sistêmica. Compreender os fenômenos psicológicos sistemicamente significa, literalmente, “colocá-los” dentro de seu contexto, estabelecendo a natureza das suas relações.

Você pode fazer perguntas e sugerir temas que nosso psicólogo responderá com todo prazer.

Bem, vamos ao tema de hoje:

Sempre quando ele bebe, eu passo muita vergonha
Alexandre de Souza Amorim, Psicólogo
alexandresouza.psicologo@gmail.com


 


O meu namorado tem um problema com o álcool, quando começa a beber, tem dificuldade em parar. Sempre quando ele bebe, eu passo muita vergonha e não sei que atitude tomar. Ele pode ficar meses sem beber, mas se vamos a uma balada ou em uma festa familiar ou de amigos e ele bebe, não consegue se controlar. Expõe nossa intimidade, brigas, segredos, ele age feito um louco, dança sem a menor coordenação e só para quando cai no chão. No outro dia é sempre a mesma coisa, ele jura que nunca mais vai acontecer que nunca mais vai beber uma gota de álcool, mas sempre repete tudo novamente. Eu estou bastante cansado e gostaria de saber como posso ajudá-lo?
Vinícius, 33 anos

           
Primeiro para poder ajudar alguém que bebe excessivamente é preciso entender qual é a sua relação com a bebida. Como você bem sabe, muitas pessoas fazem uso de álcool socialmente e sem perderem significativamente o controle de suas atitudes, pois conseguem manter um autocontrole. Certamente você conhece muitas pessoas assim.

Há também outro grupo de pessoas que, em geral, não tem por hábito beber, mas em uma determinada ocasião bebem demais e se tornam extremamente inconvenientes ou colocam sua integridade física (e às vezes a de outros) em risco. A primeira medida é tentar afastar essa pessoa de situações das quais ela possa tomar atitudes nocivas, por exemplo, não permitir que dirija (obviamente), que se envolva em discussões ou brigas, na tentativa de tentar evitar que ela tenha atitudes das quais irá se arrepender depois. Os bons amigos costumam ser nossos anjos da guarda nesse momento, assim como um bom marido/namorado/companheiro.

Se você conseguiu fazer isso com sucesso, espere passar o efeito do álcool e tenha uma conversa apontando os riscos que você tentou evitar, para que sirva de alerta para que a pessoa tente não se expor da próxima vez.

Porém nem sempre isso funciona. Algumas pessoas têm muita dificuldade de estabelecer limites no consumo ou saber o reconhecer que se afastar é o melhor para ela naquele momento. Continuam bebendo sem se preocupar com as consequências.

Além de tudo isso, temos níveis de dependência, que se baseiam na intensidade dos fatores acima.

As suas chances de conseguir ajudar o seu namorado vão depender, em primeiro lugar, do grau de dependência dele e da consciência que ele tem dos problemas que causa sempre que bebe excessivamente. Depende muito também da relação que vocês têm, sobretudo da confiança um no outro.

É fundamental que a aproximação para falar sobre o assunto seja afetuosa, com respeito pela pessoa, sem acusá-la ou culpá-la por sua dependência ou pelas conseqüências. Quando você acusa, você automaticamente estimula que a pessoa reforce suas defesas e a negue que esteja enfrentando problemas.

É importante que ele esteja aberto para receber ajuda e isso às vezes leva algum tempo. Quando esse momento chegar converse sobre os prazeres de beber (por que eles existem), mas também sobre o que tem de prejudicial. Ponderar os motivos que tem para mudar e focar nas melhorias que podem ser alcançadas.

Entenda que mesmo depois de tudo isso, para ele será um processo muito difícil, podendo ser demorado e possivelmente com momentos de dúvidas e recaídas. Não é fácil. É preciso parceria, compreensão, paciência, apoio e disposição.

Tanto você quanto ele, se achar necessário, busquem por apoio de especialistas, isso irá auxiliá-los a alcançarem o objetivo mais rapidamente.



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Postado por Mac Del Rey | (1) Comente aqui!

Um comentário:

  1. Eu passo por situação parecida, com pouca frequência mas desagradável também. Por gostar muito da pessoa já tenho feito o acima recomendado, mas tem hora que cansa.

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