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CONFISSÕES DO DIVÃ







Os textos apresentados nesta seção buscarão ilustrar situações, angústias, problemas e experiências vivenciadas por alguns homens gays. Não existem experiências universais, comuns a todos os homens gays, cada um de nós é constituído e atravessado por diversas características que tornam a sua experiência única.  Nossa principal ideia aqui é pensar em possibilidades de enfrentamento para as questões aqui representadas, que em menor ou maior grau podem ser semelhantes com alguma das histórias vivenciadas por você. Essas histórias não são uma representação literal de histórias reais e sim textos fictícios.

O Dr. Alexandre é formado em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atua como psicólogo clínico no Espaço Recontar na região de São José / SC. Fundamenta seu trabalho pelos princípios da Psicologia Sistêmica. Compreender os fenômenos psicológicos sistemicamente significa, literalmente, “colocá-los” dentro de seu contexto, estabelecendo a natureza das suas relações.

Você pode fazer perguntas e sugerir temas que nosso psicólogo responderá com todo prazer.

Bem, vamos ao tema de hoje:

É possível aprender a amar?
Alexandre de Souza Amorim, Psicólogo
alexandresouza.psicologo@gmail.com


 


Conheci Lucas em um grupo do whatsapp. Nos encontramos pessoalmente algumas semanas depois e ficamos. Ele é super divertido e é bonito. Saímos mais algumas vezes, fomos à praia e ao cinema. Dois meses se passaram e continuamos a ficar. Ele viajou e senti sua falta, nada muito desesperador. Quando voltou me pediu em namoro e eu aceitei. Completamos 11 meses de namoro e eu ainda não sinto que o amo. Ele vive falando que me ama e fazendo planos para o futuro. Ele é carinhoso, companheiro e fiel. Mas ainda assim, mesmo parecendo um príncipe encantado eu não o amo ainda. Não consigo dizer que o amo, por que não seria verdade. E no fundo do meu coração eu queria amar ele, mas não sei se vai acontecer. Vamos completar um ano de namoro e nada ainda. É possível aprender a amar?
Alexandre, 24 anos

           
Olá Xará. O amor é algo que acontece e não tem prazo definido para começar ou terminar. Além disso, as pessoas têm sua própria forma de amar, de sentir e demonstrar esse amor. Uns amam aqueles que desencadeiam uma paixão avassaladora no inicio, outros preferem deixar acontecer aos poucos. Ainda há aqueles que só amam pessoas com quem tem relações tempestuosas e emocionantes, enquanto outros amam os que lhe trazem a calmaria. Em geral é possível encontrar certo padrão nas pessoas que amamos e os mesmos são difíceis de mudar, já que definimos nossa forma de amar ao longo da vida.

O amor é único e possui características próprias admiráveis. Você geralmente não o percebe chegar, nem está pensando nele e quando ele se faz sentir logo já se apresenta como maior e mais importante que os outros sentimentos. Você pode morrer de ódio da pessoa que está amando que ainda assim não para de pensar nela.

Sorrateiro que só, ele vai tomando corpo e aos poucos a gente percebe uma dependência absurda com relação ao outro. Sentimentos essa dependência principalmente nos momentos de desamparo. Imediatamente precisamos ligar para pessoa amada para lhe contar algo de ruim e simplesmente compartilhar com ela um momento de felicidade. Às vezes pode até parecer que aquela pessoa não faria falta em nossa vida, pois temos tantas outras, mas quando a ausência é sentida percebemos que ninguém e absolutamente ninguém ao final das contas pode ocupar o lugar que aquela pessoa deixou.

Perder alguém que se ama pode ser uma experiência enlouquecedora. Pegue como exemplo uma criança que perde seu animal de estimação. Ela fica sem dormir, sem comer, chora compulsivamente, vai do luto a uma profunda depressão, e às vezes ficam até muito doentes. Você fica pasmo frente a todo aquele sofrimento, por que enquanto o animal estava ali no dia a dia ele até parecia invisível para a criança, apenas lhe fazia companhia nos momentos de necessidade e solidão. O animal se esforçava por atenção e mesmo quando era enxotado como se fosse nada ele não deixava de tentar. Somente a sua ausência foi capaz de demonstrar o quanto a rotina fica vazia sem a sua presença, sem a sua companhia, sem as suas tentativas incansáveis de estar perto.

Quando você pergunta se é possível aprender a amar, alguém prontamente poderia responder que não por que o amor não pode ser ensinado.

Eu discordo. Acho que sim, podemos aprender a amar. Mas não é algo que se aprenda sob controle. Aprender a amar é um exercício difícil, é conseguir olhar para trás, para sua própria história e pensar sobre tudo que te fez chegar até aqui. Foram suas experiências que te levaram a gostar de ir ao cinema, a gostar de passar horas conversando com os amigos, a preferir gatos a cachorros, a adorar ficar sozinho e a tantas outras coisas que são só suas. É preciso se compreender, conseguir amar a si para depois aprender a amar o outro.

Não é impossível e é preciso paciência, tempo e esforço. Porém lembre-se há inúmeras formas de amar, ou seja, não precisa ser desesperador para ser amor.

É preciso considerar também que “aprendemos a amar” desde o dia em que nascemos, é a maneira com que fomos e somos cuidados pelas pessoas a nossa volta que determinam nossa compreensão e aprendizado sobre o amor. E isso é uma construção continua, desde nossas relações familiares, aos amigos, os namoros e como outras pessoas que atravessam nossa vida. É na troca de cuidados e de carinho que valorizamos e aprendemos sobre o amor. Se tivemos experiências dolorosas, difíceis ou ausência de cuidado e afeto, fica mais difícil  recuperar/construir isso depois.




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Postado por Mac Del Rey | (0) Comente aqui!

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