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DIREITOS

Dilema de homem trans: "Não vou a hospital para não ser chamado pelo nome civil".

 
Dante em 2014 e agora, como homem trans
 
 
Na adolescência, antes de Dante entender que era um homem trans, ele acreditava ser uma mulher lésbica. Hoje, fala abertamente sobre seu gênero, mas ainda precisa enfrentar medos e dilemas por ser transgênero

Desde criança, Dante Olivier sentia que era um menino. Sem saber o que era ser transgênero, ele acreditava ser uma mulher lésbica e passou por uma adolescência difícil em busca de se conhecer. Apesar de se aceitar, Dante, de 21 anos, ainda enfrenta dificuldades diárias por ser um homem trans, que inclui não ir em hospitais para não ser chamado por seu nome civil. 
Dante conta um pouco de sua experiência e sua transição em seu perfil no Instagram. Nas primeiras fotos, de 2013, o jovem de Recife ainda era tratado como uma garota. Aos poucos, foi ganhando contornos masculinos e virou o homem trans. Dante deixou brincos e roupas mais femininas de lado e se reconhece com os fios de barba no rosto. Em um papo com o iGay, ele dá detalhes da transição.
 


Quem eu sou?

A adolescência não foi um período fácil para ele que não entendia porque não estava desenvolvendo seu corpo como as outras meninas de sua idade. “Comecei a me forçar a reproduzir comportamentos que eu considerava femininos para tentar me encaixar”, ele conta. Nesta época, Dante não se identificava com um homem trans e acreditava ser uma mulher lésbica, tendo um relacionamento de um ano com uma menina.

Dante já tinha escutado sobre a existência de mulheres trans , mas ele não sabia que também era possível existirem homens trans. Por meio da mídia, ele conheceu a história do T. Brant , conhecido como uma “menina que agia como menino”. “Eu também procurei por vídeos de homens trans, mas só achei conteúdos de gringos”, conta Dante. Ele então percebeu que era transgênero.

Quando entrou na faculdade, aos 19 anos, ele começou a conviver com pessoas mais abertas e se envolver mais no movimento LGBT , o que fez com que ele se aceitasse mais e quisesse iniciar a transição. Para começar, ele decidiu procurar ajuda profissional e fazer um acompanhamento através do Sistema Único de Saúde (SUS). Logo, Dante começou a falar com um psicólogo e a tomar hormônios.

Ainda sem coragem de se assumir para os pais, Dante mudava de roupa na escada do prédio antes de sair de casa e utilizava um binder - uma peça de roupa que achata os seios. “Eu já tinha contado para os meus pais que eu era homossexual, mas fiquei com medo de como eles iriam reagir quando eu contasse que era trans”, revela Dante.
Com a ajuda do psicólogo, ele teve coragem de contar a verdade aos pais, que não ficaram surpresos. “Eles já tiveram o baque quando eu contei que era lésbica e eles já estavam esperando eu contar que era trans”, explica Dante. Além do apoio dos pais, ele também se cercou de amigos que o ajudaram e o aceitaram.

Dificuldades enfrentadas por pessoas trans.

De acordo com Dante, os homens transgêneros têm uma facilidade em passar mais despercebidos da sociedade do que mulheres trans. “O hormônio da testosterona é bem mais forte e a barba também ajuda nesse aspecto”, explica Dante. Para ele, um dos maiores desafios das pessoas trans é ter seu gênero desvalorizado, como se ele não fosse real. “Se uma pessoa percebe que está falando com alguém trans, ela começa a fingir que isso não existe e continua chamando pelo pronome errado”.

A dificuldade de aceitação também se reflete na hora de se candidatar a uma vaga de emprego. “Você não sabe se deve mandar currículo com o nome social ou civil e nunca sabe como as pessoas vão reagir ao chegar lá com os documentos originais”, afirma Dante. Além disso, ele diz que é muito mais provável que as pessoas cis - não transgêneros - sejam contratadas para não “sujar a imagem da empresa”.

O medo do preconceito também se reflete na hora de procurar ajuda médica sendo um homem trans. “Eu não vou mais no hospital porque não quero passar pelo constrangimento de ser chamado pelo meu nome civil”, conta Dante. Ao invés disso, ele só recebe atendimento médico no SUS porque sabe que será chamado pelo nome social.


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Postado por Andy | (0) Comente aqui!

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