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CONFISSÕES DO DIVÃ






Os textos apresentados nesta seção buscarão ilustrar situações, angústias, problemas e experiências vivenciadas por alguns homens gays. Não existem experiências universais, comuns a todos os homens gays, cada um de nós é constituído e atravessado por diversas características que tornam a sua experiência única.  Nossa principal ideia aqui é pensar em possibilidades de enfrentamento para as questões aqui representadas, que em menor ou maior grau podem ser semelhantes com alguma das histórias vivenciadas por você. Essas histórias não são uma representação literal de histórias reais e sim textos fictícios.

O Dr. Alexandre é formado em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atua como psicólogo clínico no Espaço Recontar na região de São José / SC. Fundamenta seu trabalho pelos princípios da Psicologia Sistêmica. Compreender os fenômenos psicológicos sistemicamente significa, literalmente, “colocá-los” dentro de seu contexto, estabelecendo a natureza das suas relações.

Você pode fazer perguntas e sugerir temas que nosso psicólogo responderá com todo prazer.

Bem, vamos ao tema de hoje:


Suicídio - Como posso ajudar meu filho?

Alexandre de Souza Amorim, Psicólogo
alexandresouza.psicologo@gmail.com


 


Há dois anos meu filho de 17 anos me contou que era gay. Infelizmente não morávamos mais junto e não pude acompanhar de perto tudo o que ele estava passando naquele momento. Eu e a mãe dele nos separamos quando ele tinha 8 anos, e apesar de uma relativa distância geográfica eu sempre tentei ser um pai presente. Ele ainda mora com a mãe e o padrasto. Que não aceitaram muito bem a sua homossexualidade. Tenho feito todo o possível para que meu filho se sinta amado e que entenda que nada mudou e nunca mudará na nossa relação. Já tentei trazer ele para morar comigo, mas ele não quis se afastar dos amigos. Recentemente ele teve uma séria briga com a mãe e o padrasto, e fiquei sabendo que ele deixou no ar que não estava feliz e que cedo ou tarde ele poderia deixá-los em paz para sempre, insinuando estar pensando em tirar a própria vida. Depois desse episódio uma amiga dele me ligou pedindo ajuda e confirmou que ele estava mesmo pensando e dizendo que iria se matar. Como posso prevenir uma tentativa de suicídio, como posso ajudar meu filho? 
Ulisses, 46 anos

           
Ulisses, o suicídio é um fenômeno complexo e possui múltiplas causas. Para enfrentá-lo eficazmente é preciso considerar toda a sua singularidade, ou seja, devem-se evitar concepções globalizantes do fenômeno e lembrar sempre que cada caso é um caso. O suicídio é hoje uma das três principais causas de morte entre jovens e adultos em todo o mundo.

É surpreendente que ainda seja tratado como um tabu, visto que de acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde ocorreu um aumento de 60% dos casos nos últimos 50 anos. É um problema de saúde pública, que deve ser enfrentado por meio da prevenção e da participação ativa da população no desenvolvimento de políticas publicas de enfrentamento do problema.

A depressão é uma dos fatores mais comuns a serem associados à causa, alertando assim para a importância de ficarmos atentos a história de vida desses sujeitos. Mapear os fatores envolvidos no surgimento da depressão pode ajudar a encontrar caminhos para acolher o sofrimento de maneira mais ampla.

A principal recomendação aos familiares e amigos é que ouçam atentamente as queixas, busquem compreender os sentimentos da pessoa (empatia); demonstrem aceitação e respeito, expressem sua preocupação, seu cuidado e sua afeição e acima de tudo não julguem ou recriminem os sentimentos ou atitudes da pessoa. Converse com a pessoa e não a deixe sozinha. Ao conversar, procure ouvir mais e falar somente o necessário, muitas vezes à pessoa só precisa de alguém que as escute com atenção.      

            Outra recomendação importante é que assim que possível acompanhe a pessoa a um profissional de saúde para obter ajuda especializada e orientação. Uma medida de precaução é restringir o acesso a ferramentas potencialmente destrutivas dentro de casa - como arma, remédios e substâncias tóxicas - para prevenir o uso delas em um momento de impulso.

Fique atento as frases de alarme, como por exemplo, “não aguento mais”, “eu queria sumir” e “eu quero morrer”. Não ignore qualquer sinal! São praticamente pedidos de socorro e é preciso conversar sobre isso.

Entenda que nem todo suicida de fato quer morrer. É apenas um impulso para mudar a situação, aliviar a dor. Essa ambivalência é percebida naqueles em que fracassam na tentativa e entregam-se ao desespero.

A intervenção clinica pode demandar uma combinação entre medicação e psicoterapia. Os medicamentos tratam e controlam os impulsos agressivos e a psicoterapia ajuda trabalhando na compreensão dos sentimentos e emoções envolvidos, possibilitando que o paciente crie recursos para lidar de outras maneiras com suas angústias.

Continue mostrando ao seu filho o quanto o amo, faça-se ainda mais presente nesse momento difícil pelo qual ele esta passando e ajude-o a encontrar forças para superar isso. Recomendo procurar por um profissional para ajudá-los nesse momento.




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Postado por Mac Del Rey | (0) Comente aqui!

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