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CONFISSÕES DO DIVÃ







Os textos apresentados nesta seção buscarão ilustrar situações, angústias, problemas e experiências vivenciadas por alguns homens gays. Não existem experiências universais, comuns a todos os homens gays, cada um de nós é constituído e atravessado por diversas características que tornam a sua experiência única.  Nossa principal ideia aqui é pensar em possibilidades de enfrentamento para as questões aqui representadas, que em menor ou maior grau podem ser semelhantes com alguma das histórias vivenciadas por você. Essas histórias não são uma representação literal de histórias reais e sim textos fictícios.


O Dr. Alexandre é formado em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atua como psicólogo clínico no Espaço Recontar na região de São José / SC. Fundamenta seu trabalho pelos princípios da Psicologia Sistêmica. Compreender os fenômenos psicológicos sistemicamente significa, literalmente, “colocá-los” dentro de seu contexto, estabelecendo a natureza das suas relações.


Você pode fazer perguntas e sugerir temas que nosso psicólogo responderá com todo prazer.

Bem, vamos ao tema de hoje:


Mentir demais pode ser uma doença?

Alexandre de Souza Amorim, Psicólogo
alexandresouza.psicologo@gmail.com

 

Somos um grupo inseparável de três amigos. Um de nós começou a namorar faz algum tempo, exatamente um ano e dois meses. Porém seu namorado é extremamente mentiroso. Conta histórias que no começo achamos incríveis, mas depois começamos a perceber o excesso. Todo dia algo extraordinário acontece com ele. Tipo salvar velhinhas surdas de serem atropeladas, achar dinheiro (pelo menos uma vez no mês) ou ainda ter encontrado alguém famoso no banheiro do shopping. Sério! Todas essas mentiras ele já contou. Já quase foi selecionado para um Reality Show da TV e por aí vai. Fica insuportável ficar na companhia dele, já tentamos conversar com nosso amigo que namora o cara, mas ele acha que estamos exagerando ou com ciúmes. Acredita em absolutamente tudo o que ele fala. Desconfiamos que fosse um problema mais sério, mentir demais pode ser uma doença?
Marlon, 22 anos

           
É comum ouvirmos que "sempre devemos dizer a verdade", mas o fato é que TODOS nós já mentimos algumas vezes na nossa vida. Existem diversas razões para isso. Há também casos em que a pessoa é incapaz de dizer a verdade, ou tem uma compulsão por mentir, esses são chamados de mentirosos compulsivos ou mitômanos.

Se todos falássemos a verdade sempre à vida em sociedade poderia se tornar um verdadeiro caos. Mentimos para não magoar, mentimos por que às vezes a verdade é inconveniente, mentimos para evitar uma briga, mentimos por medo de sermos punidos, mentimos por vergonha e por uma série de outras razões.

Mentir se torna um caso patológico quando deixa de ser corriqueiro, "de vez em quando" e passa a ser diário ou muito freqüente. Quando você passa a mentir em todas as esferas da sua vida (família, amigos, trabalho, etc). Alguns mentem para obter alguma vantagem ou enganar alguém, o que muitas vezes é associado a uma "falta de caráter".

Há duas condições psiquiátricas que tratam a mentira como patológica. A pseudolalia e mitomania. A Pseudolalia é uma mentira compulsiva resultante de um longo vício de mentir. Assim como o cleptomaníaco, que rouba objetos sem valor pelo vício de roubar, o mentiroso compulsivo mente por mentir. O que diferencia a mentira patológica ou pseudolalia da mentira “socialmente aceita” são a ausência de culpa, a intencionalidade e a freqüência com que o indivíduo pratica o ato. Já o mitômano não mente sobre tudo, como um mentiroso compulsivo, com objetivos de ter vantagens. Ele mente sobre um ponto específico, de onde vem o problema dele, as carências dele. Por exemplo, uma pessoa não tem amigos, mas conta histórias constantes de finais de semanas e outros momentos incríveis que teve com “seus amigos” (que na verdade não existem). O mitômano diferente do mentiroso compulsivo acredita nas próprias mentiras, claro que no fundo ele sabe que não é verdade, mas a mentira é uma fuga da realidade na qual ele se apega para não tomar atitudes mais drásticas (como o suicídio).

As hipóteses para o desenvolvimentos desses transtornos encontrados na literatura psiquiátrica e na psicologia relacionam-se em geral com: Um histórico de conflitos familiares, uma grande dificuldade em lidar com a sua realidade, necessidade de aceitação ou ainda um quadro de baixa autoestima.

Em geral as conseqüências são mais graves para o próprio, pois suas "vitimas" se afastam e ele acaba tornando-se uma pessoa solitária. Ele pode ficar de frente algumas vezes com a realidade da qual pretende fugir e isso pode ser bastante nocivo. As formas de tratamento requerem acompanhamento psiquiátrico e/ou psicológico, pois é comum que esse se torne um ciclo vicioso difícil de ser superado sozinho.



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Postado por Mac Del Rey | (0) Comente aqui!

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