Slide 1 Slide 2 Slide 3

CONTOS DO LEITOR



Amigo Íntimo
Por Nina
(Texto extraído do romance “Diário de Nino”)
 
Prólogo 
Kazuya Ninomura, ou Nino, como é conhecido por todos, é apaixonado por Toshio Otsuka, líder da banda pop da qual faz parte, e tem com ele um relacionamento secreto. No entanto, após uma premiação, ele se depara com o namorado aos beijos com uma mulher e descobre que possui planos de passar com ela a noite. Shojiji Raiki, outro integrante do grupo, preocupado com seu estado depressivo, tenta consola-lo de uma forma bem peculiar. Será que o consolo será benéfico para Nino?

 

Consegui libertar minha boca dos lábios ansiosos de Shoji por tempo suficiente para perguntar:
- Shoji, o que você está fazendo?
- Eu sei que você não me ama, Nino... Mas... – Ele escondeu o rosto no vão do meu pescoço, as palavras saiam tão baixo que eu mal conseguia entender.
- Vocês são tudo que eu tenho... Eu não consigo sentir seu desespero sem... sem partilhar.

Eu passei meus dedos por seus cabelos negros e lisos. Há quanto tempo estaríamos torturando nossos amigos com nosso desejo desenfreado sem perceber? Shoji era o mais forte de nós todos, sempre nos apoiávamos nele nos nossos momentos de dúvidas e desespero.

Era ele que ouvia nosso desabafo e que muitas vezes recebia nossa revolta quando não conseguíamos segurar a ira. E agora, por conta do desejo de Otsuka de manter a farsa do homem perfeito, Shoji acabara envolvendo seus próprios sentimentos na nossa história. E, pelo volume que pressionava minha coxa, seu corpo também.


Eu não tinha visto nada de errado em tomar banho com meu amigo. Nós nos conhecíamos há quase mais de dez anos, quando ainda éramos apenas adolescentes, sem perspectiva de um futuro de sucesso.


 


Várias vezes havíamos dividido vestiários, camas, futons – sempre sem nenhuma intenção maldosa. Claro que eu admirava Shoji, como todos os demais. Ele tinha uma presença forte, uma beleza sóbria e era ainda muito mais culto do que todos nós juntos.


Mas, por mais adorável que ele fosse, meu coração estava sufocado pelo líder do grupo. Hoje, consciente da verdade, podia entender que meu amor por ele era quase tão antigo quanto o próprio grupo. Não podia me lembrar de ninguém que houvesse preenchido minha mente e meu coração da mesma maneira que Otsuka. Todos os membros eram muito queridos, mas ele tinha sido o único a fazer com eu me preocupasse com algo além de mim mesmo.

- Shoji... Eu amo você... E você é muito lindo, mais desejável do que qualquer um homem poderia ser. – eu respondi, com o coração sincero.


 


Sho novamente cobriu os meus lábios com os dele, salgados e úmidos das lágrimas que derramava também.

- Eu sei que não sou eu que você deseja agora. Mas... Me deixa consolar seu coração, Nino... Só hoje. – ele pediu, mergulhando o rosto no meu cabelo.


Eu sabia o quanto deveria ser difícil pra ele dizer aquelas palavras, afinal, eu vira o conflito na mente de Otsuka. O conflito que havia nos levado, ambos, àquele momento.

- Você tem certeza do que quer? Eu sempre achei... Eu estou confuso, aqui. – respondi, rindo.


Era verdade que o desejo de Shoji por mim havia despertado meu corpo. A pele quente e nua, os músculos fortes pressionando todo meu corpo na cama, o beijo áspero e violento... Todas essas coisas haviam ativado o meu próprio desejo. Seria bom partilhar um momento de prazer com alguém a quem eu não estava completamente submisso, como era o caso de Otsuka.

- A gente precisa racionalizar isso? Precisa entender a razão ou pensar no futuro? – ele perguntou, me olhando nos olhos pela primeira vez.


Desta vez fui eu quem o puxou pra mim, procurando os lábios cheios de Sho. Deixei que minha mão vagasse pelas curvas do corpo dele, tão diferente do corpo magro e compacto do meu namorado. Eu o abracei com as pernas, evolvendo toda aquela carne macia e musculosa. Deixei que minha língua acariciasse sua orelha, dando pequenas mordidas em todo o percurso até o peito musculoso que me prendia à cama.


 

Sho se deitou ao meu lado, percorrendo meu corpo com as mão ásperas e fortes. Não havia desespero, como em minha paixão por Otsuka, mas pude entender que o desejo podia ser brando, tranqüilo e, ao mesmo tempo, delicioso.

- Eu desejei você muitas vezes, Nino... – ele confessou, mordendo meu abdômen e arrancando um gemido baixo da minha garganta.


Suas mãos separaram minhas pernas e, sem que eu adivinhasse o que ele faria a seguir, ele me capturou com a boca carnuda, me fazendo arquear o corpo para trás. Várias vezes eu me peguei desejando trocar essa carícia Otsuka, mas nunca havia me permitido tomar a iniciativa. Eu não podia imaginar meu namorado fazendo a mesma coisa, não com todos os pensamentos preconceituosos que ele nutria a respeito

- Shoji... O que você... ? – eu comecei a perguntar, mas fui interrompido por uma onda de prazer que invadiu meu corpo. Estava apenas começando?


 


Minhas mãos se entrelaçaram no cabelo do meu amigo, logo eu comecei a controlar o ritmo de seus movimentos, mal conseguindo respirar de tanto prazer.

- Isso não é justo. – reclamei, entre os arquejos da minha respiração. –  Você não está se divertindo nada com isso.


Ele parou o que estava fazendo, apenas para dizer:

- Hoje é a sua vez de se divertir.

Sua língua reiniciou a manobra sensual que havia sido interrompida, agora de uma forma mais lenta e exigente. Em um dado momento, ele me engoliu por inteiro, iniciando movimentos mais rápidos e profundos que me fizeram gritar. Eu não iria agüentar mais tempo.

- Sho... ji... para com isso... eu vou... – mas não tive tempo de explicar o que ia acontecer.

Tentei puxá-lo para mim, mas ele manteve o beijo, fazendo meu corpo se contorcer em uma deliciosa agonia. Todo o meu corpo parecia pulsar, como se todo meu corpo agora fosse apenas coração. Era muito diferente do prazer que eu experimentara com Otsuka na tarde anterior, mas era algo sublime, que eu jamais poderia esquecer.

Puxei o rosto de Shoji para mim, cobrindo aquela boca deliciosa de beijos ansiosos.

- Dorme agora, Nino... Tudo vai ser diferente amanhã. – ele disse, me abraçando forte.

Mas eu não poderia dormir agora. Por mais que estivesse satisfeito, meu corpo ainda vibrava e estava plenamente desperto. E eu podia sentir na minha coxa que o desejo dele ainda estava bem vivo. Eu tinha dúvidas quanto a minha capacidade de retribuir a mesma carícia que recebera de Shoji, mas eu queria satisfazê-lo de alguma forma.

Assim, eu deslizei minha língua pelo seus pescoço, arrancando gemidos suaves. Deixei que minha mão explorasse seu corpo, fechando-se sobre o ponto em que eu podia controlá-lo. Ele me puxou pela cintura, descansando a cabeça no meu ombro. Eu busquei sua boca, enquanto aumentava a intensidade da minha carícia. Quando senti vir a primeira onda de prazer, me virei de costas, guiando-o para dentro de mim.


Ele me abraçou, o coração acelerado. Talvez ele não estivesse preparado para aquilo. Eu comecei a me movimentar em um ritmo suave, sabendo que deveria ser incômodo para também. Mas logo ele se adaptou aos movimentos e iniciamos uma dança lenta e forte um contra o outro. Ele beijava a minha nuca, fazendo sua língua gerar arrepios que se espalhavam por cada célula do meu corpo.



- Arigatou, Nino... – ele sussurrou, me penetrando mais forte e arrancando um gemido que misturava dor e prazer, como tudo naquela noite.

Alcançamos juntos o clímax, abraçados tão forte que parecíamos ter apenas um coração. Ficamos assim por um tempo, simplesmente partilhando o calor um do outro. Podia sentir a respiração suave em minha orelha, um beijo rápido no meu pescoço. Dormimos assim, unidos como dois amigos devem ser, partilhando dos mesmos sonhos.


Na manhã seguinte, acordei um pouco confuso. Estava mergulhado em um abraço apertado, mas algo no meu coração dizia que eu estava muito triste. Custei a lembrar completamente de tudo que acontecera Shoji ainda dormia, ressonando suavemente no meu ouvido. Eu já acordara abraçado com ele assim outras vezes, principalmente no início, quando viajávamos por vários dias e eu sentia falta da minha casa e das paisagens conhecidas. Mas, claro, aquela era a primeira vez em que acordáramos nus no dia seguinte. Eu não pude impedir um sorriso.


Apesar de tudo, o prazer que Shoji havia me dado tinha sido um enorme presente.

Tentei me desvencilhar e levantar, mas meu amigo me puxou de volta no sono. Quanta força ele possuía!

- Shoji... Preciso levantar! - falei, baixinho. Não queria acordá-lo, ainda era madrugada e nós havíamos dormido muito tarde.

- Só mais um pouco... - ele disse, me abraçando mais.

- Shoooooji... - falei, tentando me desenroscar dele.


Agora ele havia acordado. Me olhou sonolento e, de um salto, se sentou na cama.

- Onde? O que... Ah... - pelo visto eu não era o único confuso.

- Ohayou gozaimasu! - eu disse, sorrindo.

- Ohayou! - ele respondeu, meio envergonhado. - Ah, Nino-kun... Gomennasai...

- Pelo que? - eu perguntei, surpreso. - Sabe-se lá o que eu teria feito se tivesse passado a noite sozinho?


Ele deu um sorriso triste.

- Mesmo assim. Eu me sinto... como se eu tivesse me aproveitado de você... - mas ele não pode evitar o riso.


A idéia de Shoji se aproveitando de mim era simplesmente ridícula.

- Olha, não sei você, mas eu aproveitei muito! - brinquei, piscando o olho.


Era bom poder rir da situação, depois de todo pesadelo de culpa e medo que rondava meu romance com Otsuka. Não havia muito espaço para a descontração, apenas um forte desejo e um pânico intenso a cada mudança de humor dele. Eu ainda estava devastado, mas estava me sentindo muito mais leve.

- Onde você vai a essa hora? - ele perguntou, depois de conferir o relógio. Eram cinco e meia da manhã e o sol nem havia nascido.

- Tomar um banho... A gente dormiu sujo desse jeito mesmo, mas agora está me incomodando.

- Eu não dormi, acho que desmaiei! - ele se deitou de bruços, me imitando. -

Eu te machuquei, Nino-kun?

- Claro que não! - eu o acalmei, passando a mão de leve em seus cabelos. - Foi tudo maravilhoso, não se preocupe.


Ele enfiou a cabeça no travesseiro, o que não me deixou entender o que ele dizia. Depois da terceira tentativa, eu ouvi:

- Foi a minha primeira vez.

- Hein? - me assustei. - Com um homem, você quer dizer?

Ele apenas sacudiu a cabeça no travesseiro, sem me encarar.

- Mas... Como, Shoji?! Eu sempre vejo você cercado de mulheres. - então lembrei. - Está certo que nunca vi sair dos lugares com nenhuma, mas...

- Eu sou muito tímido, Nino-kun... - ele virou o rosto pra mim, talvez porque tenha percebido que eu não ia apontar meu dedo em sua cara e ficar rindo dos problemas dele, como Masamune ou Junno certamente teriam feito. - Sempre me senti mais à vontade com vocês...

- Mas... Nunca rolou nada? Nem com outra pessoa?

- Uma vez, só. - o rosto dele ficou vermelho. - Quando o Masa teve aquele problema com a modelinho safada que quase destruiu a vida dele...

- Você dormiu com o Masamune? - agora eu estava chocado. - Eu jurava que...

- Eu não dormi com ele! Acabei de te dizer que ontem... - ele não terminou, corando de novo.

Eu estava achando a conversa extremamente engraçada. Shoji Raiki, o famoso jornalista, rapper, a masculinidade em pessoa da Plastic Storm me confessando que era virgem? Até ontem, pelo menos...

- Eu fui visita-lo, estavam surgindo aqueles boatos de que o grupo acabaria por causa dele, ele ainda estava se recuperando. Enfim, ele estava confuso e se sentindo sozinho. A gente se beijou e... foi isso.

- Só isso? Só isso faria você ficar dessa cor, Shoji?

- Ah... É que você conhece o Masa! Ele levou na brincadeira, como se fosse coisa de amigo só. De vez em quando ele me provoca de novo.

- Sério? Mas... e você?

- O que tem eu?

- Você gosta dele?

- Não, Nino-kun! Eu sei lá do que eu gosto... - respondeu, emburrado.

Não pude evitar de me dobrar e engatar numa gargalhada gostosa.

Graças a Deus por Shoji, pois eu jamais imaginaria que poderia rir novamente tão rápido. De repente, meu corpo reagiu. Eu desejava meu amigo mais uma vez. Não era como o Riida, que eu precisava invadir e possuir a qualquer custo. Mas eu estava sentindo um calor gostoso na região mais sensível do meu corpo. Eu colei meu corpo no dele, puxando seu rosto para um beijo.

Shoji não fugiu de mim, como Otsuka havia feito. Simplesmente me abraçou mais forte, também sem nenhum desespero. O carinho de duas pessoas que eram amigas e se amavam com tranquilidade.

Realmente não havia razão para se preocupar com o futuro. Fomos juntos para o para o banho, deixando pra trás todo o rastro de dúvidas e inseguranças que existia em nossos corações.

Mais tarde, Shoji me deixou de carro na agência. Era dia de dar o último acerto em relação à viagem e ao que seria feito nos Estados Unidos. Conversando com meu amigo durante o café-da manhã, algo havia ficado muito claro na minha mente: eu precisava me afastar de Otsuka o mais rápido possível. Agora que eu havia sentido a alegria de ter de novo o controle do meu corpo e do meu desejo, eu não queria mais ser um escravo submisso de seus caprichos.

- Você tem certeza de que é isso que você quer? Não seria melhor conversar com ele antes de partir? - ele perguntou, preocupado.

- Hai! Arigatou, Shoji! Por tudo! - eu disse, beijando-o de leve nos lábios.

- Eu estarei por perto. Sempre que você precisar...

Trocamos um abraço apertado, o que fez com que meus olhos se enchessem de lágrimas. Mas agora, não era mais pela dor profunda que havia me consumido ao ver Otsuka com outra pessoa. Havia tristeza ainda, mas, principalmente, gratidão. Eu não poderia desejar um amigo melhor.

- Sayonara, Shoji Raiki...



Poderá gostar também de:
Postado por Mac Del Rey | (0) Comente aqui!

0 comentários:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...