Slide 1 Slide 2 Slide 3

HOMOSSEXUALIDADE

Dom Barbudo, ícone fetichista e primeiro Mr. Leather Brasil.




Dom Barbudo, ícone da cena Leather no Brasil, foi o primeiro concorrente brasileiro no concurso International Mr. Leather

Fausto Fardado comanda a coluna Masmorra do Fausto, no iGay, e hoje entrevista o ícone da cena Leather brasileira Dom Barbudo.

Dom Barbudo é referência no meio Leather, um fetiche que envolve jaquetas de couro, quepes e diversos acessórios feitos desse material. No papo com a coluna, ele conta como a experiência de ser o primeiro brasileiro em um concurso internacional de Leather e ainda lembra como começou nesse meio. 

O especialista ainda dá dicas para quem conhecer e começar a se aventurar no universo Leather. Ele reconhece que muitos ainda encaram esse fetiche com estranheza, mas seu conselho é seguir os instintos: "Estranho é passar pela vida sem o sentimento de felicidade plenitude e prazer". Veja os detalhes da entrevista: 

Fausto Fardado:  O que são os concursos Internacional Mr. Leather e Mr. Leather Brazil, qual a sua importância?  

Dom Barbudo: Podemos dizer que os dois concursos são voltados para a escolha de homens que vestem couro e tem como diretriz a Difusão da Cultura Leather, mas é muito mais que isso. Na verdade o concurso IML (Internacional MR. Leather) iniciou como um concurso de beleza, mas depois com o advento da AIDS, acabou tendo também esta finalidade, a filantrópica, pois tornou-se um grande evento que envolve não só o concurso, mas também eventos paralelos, como debates, cursos, feira de produtos ligados ao Leather e à prática do BDSM, festas entre outros. Ao final do evento todo o dinheiro arrecadado é doado para instituições e a comunidade gay.

Já o Mr. Leather Brazil, é um concurso nacional que escolhe seu representante para a comunidade Leather Brasileira . Serve também para indicar nosso candidato no Concurso Internacional. Vale lembrar que fui o primeiro ganhador do concurso brasileiro enquanto o internacional vai para a sua 40ª edição, por este motivo a diferença de finalidades, mas um dia também chegaremos lá.

Fausto Fardado: Como foi a recepção no concurso internacional como o primeiro brasileiro na disputa? 

Dom Barbudo: Foi muito calorosa. Desde o primeiro momento que cheguei ao hotel fui recebido com muita gentileza e presteza, não só pela equipe, mas percebia uma alegria dos jurados e do público em geral.

Um dos momentos mais emocionantes da viagem foi quando fui apresentado a um senhor, que pertence a comunidade há mais de 50 anos, e ele me agradeceu por ter levado o Brasil a participar, me abraçou e chorou. Olhou nos meus olhos e disse: 'Você representa o início da minha jornada e da nossa comunidade lá no começo de tudo'.  Citei ele, pois acredito que representa toda a emoção e recepção das pessoas com quem compartilhei esses momentos.

Por todo este contexto, ter ficado em 10º lugar entre os 63 candidatos presentes foi um feito histórico para nosso país, considerando uma primeira participação, depois de 38 anos de existência do concurso.

Fausto Fardado: Quais foram os requisitos para o concurso fora do Brasil? 

Dom Barbudo: O principal requisito para participar do evento é ser escolhido através de um concurso regional ou ser patrocinado por uma entidade de couro. Este bar ou clube não pode praticar ou ter como linha geral a difusão de práticas como bareback (sexo sem preservativos), por exemplo.

Já lá no concurso, que acontece durante quatro dias, as eliminatórias envolvem várias etapas, como avaliação da imagem de couro, discurso, interação com o público, entrevista psicológica, entre outros.


Relação com o Leather e o BSDM 


Dom Barbudo foi o primeiro Brasileiro a concorrer ao concurso International Mr. Leather


Fausto Fardado:  Como se deu seu primeiro contato com esse meio? 

Dom Barbudo: Digamos que foi instintivo desde a infância, quando já desejava a jaqueta do meu tio, mas eu não sabia o que isso representava. Depois, seguiram os filmes pornográficos com apelo Leather e fetichista e, até então, por pura ingenuidade, acreditava que tudo isso era enredo ou história para os filmes. Foi só no ano de 1999 em uma viagem internacional que fui, por acidente, a um bar Leather, com algumas cenas de dominação e tudo o que eu desejava e imaginava se materializou. Desde então, meu universo é este: das roupas de couro e das práticas de BDSM. 

Fausto Fardado: Como você vê o desenvolvimento da cena no Brasil?

Dom Barbudo: A cena no Brasil depende de alguns heróis que vêm mantendo e proporcionando, com muita dificuldade, possibilidades para que possamos nos reunir, nos conhecermos e, quem sabe, formarmos uma comunidade, a exemplo do que existe fora do nosso país.

Com a difusão da informática, esta história avançou bastante nos últimos anos, mas estamos na estrada há bastante tempo. Lembro que há mais de 15 anos éramos pouquíssimos e nas festas eram raros os caras vestidos em Leather, mas hoje em dia além desses, temos outras pessoas que trazem seus fetiches para as festas e com encontros regulares, estamos nos unindo e formando um grupo cada vez maior de simpatizantes ou mesmo praticantes da cultura. 

Fausto Fardado: Como surgiu a ideia para criação de sua masmorra?

Dom Barbudo: Quando me dedico a algo, entro de cabeça e com a masmorra não foi diferente. Eu sabia que para praticar com intensidade, precisava de um lugar específico para isso, com um clima e cenário característico, além de um espaço para guardar as minhas roupas e acessórios. Este espaço não poderia ser no mesmo local onde moro, são universos diferentes e que não se misturam.

O Studio 57, apelido que dei para a minha masmorra, virou uma referência, não só por que é lá que pratico as minhas sessões, mas é um espaço livre, um território onde as pessoas que pisam podem vivenciar com segurança seus desejos e fetiches mais íntimos.

Para os amigos também é um refúgio ou um ponto de encontro. De certa forma, a masmorra é o meu terreno livre para viver meus desejos, fetiches e a essência do meu prazer. 

Fausto Fardado: Inicialmente quais eram as referências adotadas por Leather Man no Brasil?

Dom Barbudo: Não só inicialmente, mas ainda hoje, por falta de grandes lojas físicas de produtos Leather, temos a tendência de importar, não só o modelo, mas também as roupas como jaquetas, calças, botas, etc... de outros países  e por isso a nossa identidade ainda é bem parecida com aqueles da Europa ou dos Estados Unidos, lugares onde a cultura teve seu surgimento e difusão.

Fausto Fardado: Existem práticas específicas de fetiche do adepto do Leather?

Dom Barbudo: Muitos caras que vestem couro tem desejos pelo vestuário e toda a representação deles, como um jaqueta de motoqueiro, por exemplo, que remete à masculinidade, ao poder de um cara que se veste assim, então é natural que as pessoas mantenham as vestimentas em um momento sexual, ou mesmo nas preliminares.

Por este motivo também o couro, o Leather, está ligado às práticas do BDSM, pois é muito comum encontrar os acessórios em couro, como algemas, chicotes, vendas, luvas, botas. Tudo remete ao cheiro e à textura e cria-se a cena, tendo o couro como um dos maiores desejos.

Fausto Fardado: Quais conselhos para quem quer entrar no meio Leather? 

Dom Barbudo: Que não deixe de viver seu desejo pela falta do vestuário, pois isto se adquire com o tempo. Que leia e informe-se sobre os códigos de comportamento e que entregue-se ao fetiche, pois a melhor coisa do mundo é permitir-se viver sua essência e ser feliz com isso, sem julgamentos ou medo da coletividade, que muitas vezes pode achar estranho ou diferente. Estranho é passar pela vida sem o sentimento de felicidade plenitude e prazer.

A calça, jaqueta, botas, luvas, quepe, isso tudo um dia se compra, mas nada disso tem graça se não for intenso, verdadeiro e fizer parte da essência do indivíduo. O prazer é muito pessoal e de foro íntimo, entregue-se e viva intensamente e com segurança, obviamente. 

Para saber mais sobre fetiche, BDSM, Dominação e Submissão, Leather e temas relacionados a esse universo, clique aqui e acompanhe a coluna Masmorra do Fausto no iGay.

Poderá gostar também de:
Postado por Andy | (0) Comente aqui!

0 comentários:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...