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CONFISSÕES DO DIVÃ






Os textos apresentados nesta seção buscam ilustrar situações, angustias, problemas e experiências vivenciadas por homens gays. Não são uma representação literal de histórias reais e sim textos fictícios que tem por finalidade apresentar possibilidades de enfrentamento para as questões representadas.

O Dr. Alexandre é formado em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atua como psicólogo clínico no Espaço Recontar na região de São José / SC. Fundamenta seu trabalho pelos princípios da Psicologia Sistêmica. Compreender os fenômenos psicológicos sistemicamente significa, literalmente, “colocá-los” dentro de seu contexto, estabelecendo a natureza das suas relações.

Você pode fazer perguntas e sugerir temas que nosso psicólogo responderá com todo prazer.

Bem, vamos ao tema de hoje:

Meu namorado é acomodado demais, até na vida sexual

Alexandre de Souza Amorim, Psicólogo
alexandresouza.psicologo@gmail.com


 

Tenho 32 anos e namoro há 5 com um rapaz que hoje tem 29. Há mais ou menos 4 meses decidimos morar juntos, mas não está nada fácil. Estou pensando se tento mais um pouco ou se vou embora. Sei que se eu for embora vou sofrer pra C@#$%*, pois amo muito ele. Ele sempre foi muito carinho, romântico e de fazer surpresas, principalmente no começo. Passado um tempo ele foi dando sinais de acomodação, confortável demais, não queria mais sair muito, não fazia mais surpresas. Conversamos e ele disse que me amava muito, que tudo aquilo foi necessário no inicio e que agora vivíamos outra fase tão boa quanto. Na vida sexual sempre fui muito aberto e voltado para sentir novas sensações, algo que ele sempre reclamava dizendo: “mas nós não precisamos disso”. Tenho me sentido fora das prioridades dele, necessito de mais atenção. Para ter uma noção de que não estou dramatizando, veja como é distribuído o dia dele: durante 5 dias e meio da semana trabalha (é empresário), duas noites por semana faz curso de inglês, 3 noites fica na academia até tarde (23h), no fim-de-semana uma das tardes é para jogar tênis e uma manhã para surfar. Aliado a tudo isto, o pouco tempo que me encontra é na cama e quase me ignora. É normal que se sinta cansado depois de tudo isso, mas eu o desejo muito e fico verdadeiramente triste e infeliz todas as vezes que o procuro sexualmente ou que desejo ser procurado, desejado e nada acontece. Sinto-me sem saber o que fazer, mas quero realmente pôr um fim a isto porque estou me tornar um cara que não sou (depressivo, muito inseguro e oprimido). Preciso de algumas palavras que me dêem força para me decidir.
Iran, 32 anos
   
        
Iran, embora me pareça absolutamente comum que uma relação sofra algumas mudanças ao longo de cinco anos, não posso deixar de notar que as mudanças que você destacou têm contribuído muito para alimentar seus sentimentos de desamparo e insegurança.            

            Muitos casais, à medida que o tempo passa, sentem-se mais seguros em suas relações e isso pode até implicar alguns períodos mais “mornos”, de uma certa acomodação.          

            O que não quer dizer que os sentimentos tenham desaparecido, porém pode ser meio amargo para algumas pessoas essa fase do relacionamento.

Muito mais do que apontar o dedo para acusar o seu namorado (isso só dificultará a comunicação), parece-me importante que se detenha sobre a forma como se sente. É certo que ama o seu namorado, mas não deve deixar de partilhar com ele as suas necessidades e a sua insatisfação. Independentemente das atividades de cada um, e é lógico que precisarão sentir-se mimados para que continuem a sentir-se seguros.

É até possível que o seu namorado não esteja percebendo que não está prestando muita atenção às suas necessidades, se for o caso esse é um dos motivos pelos quais você pode reivindicar essa atenção. Lembre-o de como se sentia especial e importante no início do namoro e mostre a sua vontade de continuar a sentir que é uma prioridade na vida dele.         

            Ele não tem como adivinhar o que se passa dentro de você, por mais que você deseje isso. Claro que é justo que se mostre disponível para também ouvir e se dedicar as necessidades do seu namorado, que podem ser diferentes das suas.

Alguns homens temem que a vida a dois implique algum aprisionamento, por isso procuram segurar-se a algumas atividades com medo de deixarem de ser livres.

Explique-lhe que sente a sua falta, que sente falta dos seus mimos e que, mesmo que aos olhos dele nada tenha mudado, a sua satisfação também depende da capacidade dele para ouvi-lo e para confortá-lo. Às vezes são precisas apenas pequenas mudanças para que ambos se sintam mais seguros e otimistas, mas isso depende do diálogo sincero. Não vale a pena desistir antecipadamente de uma relação sem antes tentar.




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Postado por Mac Del Rey | (0) Comente aqui!

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