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CONFISSÕES NO DIVÃ


 



Os textos apresentados nesta seção buscarão ilustrar situações, angústias, problemas e experiências vivenciadas por alguns homens gays. Não existem experiências universais, comuns a todos os homens gays, cada um de nós é constituído e atravessado por diversas características que tornam a sua experiência única.  Nossa principal ideia aqui é pensar em possibilidades de enfrentamento para as questões aqui representadas, que em menor ou maior grau podem ser semelhantes com alguma das histórias vivenciadas por você. Essas histórias não são uma representação literal de histórias reais e sim textos fictícios.

O Dr. Alexandre é formado em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atua como psicólogo clínico no Espaço Recontar na região de São José / SC. Fundamenta seu trabalho pelos princípios da Psicologia Sistêmica. Compreender os fenômenos psicológicos sistemicamente significa, literalmente, “colocá-los” dentro de seu contexto, estabelecendo a natureza das suas relações.

Você pode fazer perguntas e sugerir temas que nosso psicólogo responderá com todo prazer.

Bem, vamos ao tema de hoje:

Nunca namorei!

Alexandre de Souza Amorim, Psicólogo
alexandresouza.psicologo@gmail.com


 


Tenho 20 anos e nunca namorei ou tão pouco beijei alguém do mesmo sexo. Desde muito novo eu sempre tive alguns complexos comigo mesmo. Achava-me gordo, feio e ridículo. Estes complexos aliados à timidez sempre me impediram de conhecer outros homens. Aliás, apaixonei-me por um colega de turma, declaradamente gay, mas o fato de achar que ele tinha outros caras bem mais interessantes do que eu me fazia atacar a comida e me isolar. Hoje estou na faculdade e a minha vida deu uma reviravolta. Apesar de ter emagrecido, continuo a me sentir mal comigo. Tenho tendência a ficar isolado e invento mil desculpas para não estar com os meus amigos. Na verdade, para além de me sentir complexada sinto-me "quase que humilhado", pois os meus amigos falam de experiências anteriores, de namoros que eu nunca tive. Não sei como mudar isso. Aos meus amigos digo que não quero saber de namorados e não acredito no amor, mas no fundo sinto o contrário. Gostaria de saber se deveria recorrer à terapia...
Arnaldo, 20 anos


Na transição do período que socialmente compreendemos como adolescência para a chamada idade adulta as preocupações com a imagem e com o amor são os principais focos de tensão.

A necessidade de alcançar, de se encaixar nos estereótipos de beleza é muito grande, logo qualquer diferença em relação ao grupo de amigos pode criar angústia e desespero. Para muitas pessoas é mais fácil gerir estas dificuldades centrando-se na comida ou em qualquer outra forma de satisfação imediata do que exteriorizar o seu problema.

Mas a verdade é que nos fechar em uma bolha é o pior remédio, já que não só acentuamos o problema, como nos impedimos de ver alguma saída.

A grande vantagem de deixar reconhecermos e compartilharmos a forma como nos sentimos é perceber que existem muitas pessoas com dificuldades semelhantes e que é possível ultrapassar o problema.

Existem muitos rapazes com mais de 20 anos que nunca viveram uma experiência amorosa e que, por isso, se sentem inferiores às outras pessoas. Mas é importante "descatastrofizar" esta situação e colocar mãos à obra.

O primeiro passo é colocar de lado o isolamento. Fechar-se em casa só aumentará o seu problema.

Depois, é preciso interiorizar, compreender que, independentemente da atração física e da paixão, aquilo que verdadeiramente sustenta uma relação amorosa é a amizade entre os cônjuges. São o companheirismo e a cumplicidade que fortalecem uma relação.

Os amigos ajudam-nos a amadurecer e preparam-nos para os desafios de um namoro. Em geral, quem tem dificuldades para fazer (e manter) amigos, tem dificuldades em construir relações afetivas saudáveis e duradouras. E aí precisaria de outra abordagem para lidar com essa situação. Não é o seu caso, você tem amigos, sinal de que há características em você que atraem (ao invés de repelir) as pessoas.

Finalmente, em vez de se centrar nas humilhações e embaraços, procure olhar para as coisas positivas da sua vida e do seu dia-a-dia. Se for capaz de reconhecer a beleza da sua vida, os outros também o serão e, mais cedo ou mais tarde, o amor surgirá (Se as dificuldades permanecerem, vale a pena sim procurar por uma ajuda especializada para lhe ajudar nessa caminhada).



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Postado por Mac Del Rey | (0) Comente aqui!

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