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HOMOSSEXUALIDADE

Dois pais ou duas mães: como explicar essa configuração de família  aos filhos?


Explicar para as crianças que elas têm dois pais ou duas mães nem sempre é uma tarefa fácil, mas é bastante necessária


Para psicóloga infantil, vale conversar com os pequenos e deixar claro que "o que mais importa é o amor, não qual o 'modelo familiar'" apresentado

Ter uma conversa com os filhos sobre sexualidade nem sempre é fácil. A questão "será que eles vão entender?" é uma das muitas dúvidas de pessoas LGBT+ quando o assunto é explicar para essas crianças sobre não ser hétero. Mas e quando a discussão é sobre a configuração familiar, de ter dois pais ou duas mães? 

O cantor Ricky Martin contou recentemente à revista "OUT" sobre ter essa conversa. Casado com o pintor Jwan Yosef, os artistas são pais dos gêmeos Matteo e Valetino, de 9 anos. Na entrevista, ele afirma que os filhos perguntam o motivo de terem dois pais . "E eu respondo que somos uma família moderna. Quero que as pessoas vejam a mim e a minha família e pensem 'não há nada de errado'. É parte da minha missão como pai."

A psicóloga infantil e familiar Carol Braga concorda com a abordagem de Ricky Martin. "Sempre digo que devemos educar nossos filhos por meio do amor, sendo assim, deve ressaltar que o amor nunca vai mudar. Também é importante ressaltar que no fundo todos somos iguais e que o que existe são diferentes formas de expressar esse amor."

A profissional explica que a conversa sobre a configuração familiar, mostrando que a criança tem pais do mesmo gênero, é muito importante, principalmente por causa da visibilidade e local de fala dos grupos LGBT+ atualmente. "É uma forma de mostrar para os filhos a realidade, que antes era pouco conhecida", afirma. "A ideia é que este 'modelo de família' seja cada vez mais evidente. O que mais importa é o amor, não qual o 'modelo familiar'", completa.

Quando ter essa conversa?

Além de saber como falar, também é preciso descobrirqual a melhor forma de ter essa conversa. De acordo com a especialista, ela deve acontecer em um momento tranquilo, onde a criança esteja em um ambiente confortável, e de preferência a sós. 

O melhor momento para falar sobre o assunto, seja sexualidade ou explicar as diferentes configurações familiares, vai depender da maturidade da criança e esse é um fator que deve ser analisado pelos pais. "É fundamental que os pais ou as mães estejam mentalmente fortalecidos e equilibrados, tendo em mente possíveis reações negativas da criança", explica.

Se esse for o caso, é necessário que os pais ou mães estejam preparados para enfrentar este momento delicado, algo que vai se dissolvendo aos poucos através do amor e, principalmnete, do diálogo.  Os pais devem estar prontos para responder as dúvidas e qualquer questionamento que a criança tenha sobre o ambiente familiar em que vive.

Mesmo assim, também é preciso ter em mente que muitas vezes vai ser necessário dar um tempo para cada filho processar a informação à sua maneira. "Cada um tem seu tempo de assimilação das informações, a criança deve ter seu espaço para reflexão, não deve bloquear seus sentimentos. A compreensão dos pais neste momento é imprescindível."

É diferente explicar isso para crianças e adolescentes? 

A questão da idade dos filhos entra muito em questão. Carol Braga afirma que ter essa conversa ainda na infância ou já quando os filhos são mais velhos pode, sim, influenciar na reação e aceitação deles. 

"Quando é explicado na infância, é mais esperado que a criança encare isso de forma natural. Em outras idades, as crianças podem ter adquirido algumas outras bagagens de vida e podem ter mais dificuldade para aceitar a realidade", explica. "Por isso, sempre digo aos meus pacientes: a educação deve ser atribuída desde os primeiros dias de vida, é a partir deste momento que os valores que perdurarão ao longo da vida serão transmitidos."

Ajuda externa.

A profissional também recomenda que haja acompanhamento psicológico tanto para os pais quanto para os filhos porque o assunto não afeta apenas o núcleo familiar. "Apesar de hoje em dia se ter um espaço maior para falarmos a respeito, ainda não é algo entendido pela sociedade porque sai do padrão esperado."

Por que contar?

Se a principal questão for ter ou não esse tipo de conversa, a resposta deve ser sempre positiva. Esconder algo que define quem você é, como a sexualidade, pode gerar impactos negativos para as crianças e, inclusive, tornar a crianção mais difícil. "É importante que os pais nunca escondam quem realmente são, a transparência é um dos pilares para o relacionamento familiar harmonioso", afirma a profissional. 

Assumindo a sexualidade.

E se o que ainda está em debate entre você e o seu parceiro ou parceira é sobre assumir a sexualidade para os filhos, os conselhos são o mesmos e você também pode seguir o exemplo da jornalista  Fernanda Gentil e focar no diálogo aberto . 

"Lembrem de não se importarem com tudo o que dizem sobre nossa vida — o que vale é que a mamãe fala com vocês em casa, olhando nos seus olhos. Não é o que vestimos que muda quem somos, e sim o que fazemos. Lembrem também, sempre, do nosso amor, que não tem cor, sexo ou raça", foi a mensagem dela para os filhos em 2016, logo depois que assumiu publicamente o relacionamento com a também jornalista Priscila Montandon.

O mais importante nesse momento é ter em mente que tudo é um processo. Sair do armário e se assumir para a família é uma dúvida frequente na vida das pessoas LGBT+ e envolve, primeiramente, a descoberta de que se é não-heterossexual. Depois, vem a aceitação da própria sexualidade. E só então, a externalização disso.

As crianças nem sempre precisam ser as primeiras a saber, mas uma conversa franca sobre o assunto e também a explicação sobre a configuração familiar de ter dois pais do mesmo gênero são os passos iniciais  para uma relação honesta entre pais e filhos. 

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Postado por Andy | (0) Comente aqui!

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