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HOMOSSEXUALIDADE

"Me situando no mundo: a história do movimento LGBTQ+".



Por Bruno Ferreira


Entrar em contato com sua identidade, descobrindo e acolhendo cada pedacinho de sua personalidade — inclusive os defeitos — é uma das tarefas mais difíceis e mais satisfatórias que um indivíduo deve percorrer no caminho de se entender quem é. Parte importante desse processo é se reconhecer enquanto parte uma coletividade, de um dado momento histórico e de uma força conjunta.

Quando começamos a nos entender enquanto LGBTQ+, tendemos a acreditar que estamos sozinhos, que somos poucos ou que nosso futuro está definido por escolhas que, na maioria das vezes, não são nossas. Mas isso não é verdade. Essas impressões que temos são recorrentes, sobretudo, devido à sistemática falta de representatividade e visibilidade na mídia, na escola e nos meios de comunicação sobre as vivências LGBTQ+. Esse resgate histórico é importante para nos situar dentro de um movimento que, a quase todo momento, é externo à nós, mas que nos ajuda a refletir sobre nosso futuro e sobre o nosso papel na construção de uma outra realidade.

No ano de 1969, em um bar chamado Stonewall Inn, na cidade de Nova York, um grupo de gays, lésbicas, pessoas transgênero e drag queens reagiu à uma das violentas abordagens policiais no local, enfrentando-a com pedras e garrafas. Naquela época, dezenas de leis discriminatórias eram aplicadas à população LGBTQ+, como aquela que os proibia de se reunir à noite ou o enquadramento da homossexualidade enquanto doença mental no CID (hoje, a homossexualidade não é mais considerada uma doença mental e o movimento trans* luta para que a transgenereidade deixe de figurar, também, nesta lista).

Este dia é reconhecido mundialmente como o Dia Internacional do Orgulho Gay e marca um contraponto na trajetória daqueles que, historicamente, foram patologizados e discriminados: durante a Alemanha Nazista, por exemplo, mais de 100.000 homossexuais foram presos e entre 5.000 e 15.000 deles foram enviados à campos de concentração, onde foram submetidos, dentre outras violências, à diversos experimentos de cura da homossexualidade.

Desde então, os direitos LGBTQ+ deram grandes passos. Em 1970, cerca de dez mil pessoas se reuniram para o que viria a ser a I Parada do Orgulho Gay e em 1977, os Estados Unidos elegeram seu primeiro político abertamente homossexual, Harvey Milk. No Brasil, a história do movimento LGBTQ+ começa a ganhar força pouco depois, com o lançamento do jornal “O Lampião” em 1979, que reuniu pela primeira vez, um grupo de homossexuais inclinados a se organizar e lutar por seus direitos.

Atualmente, se analisarmos os avanços dos direitos e garantias LGBTQ+ perceberemos que vivemos realidades extremamente discrepantes. Nos países ocidentais, como os Estados Unidos, o Canadá e alguns países da Europa, como a Irlanda, os direitos LGBTQ+ são largamente garantidos pelos Estados. O casamento igualitário é uma realidade em cerca de 22 países e grande parte deles têm políticas públicas voltadas para a saúde e proteção da população LGBTQ+. A adoção por homossexuais e leis anti-discriminação também são presentes em grande parte desses países.

Uma assustadora realidade, entretanto, persiste em outra parte do globo. Em pelo menos 75 países, relações homossexuais são punidas e, em sete deles, a pena é de morte. Em 2013, Uganda aprovou uma lei que pune homossexuais com prisão perpétua, o que auxilia-nos na percepção que muitas dessas leis não são resquícios de tempos passados e que não são mais aplicadas hoje: não, o avanço conservador sobre as pautas de gênero e de sexualidades é capaz de criar essas aberrações jurídicas — que vão contra diversas leis internacionais de direitos humanos — ainda hoje.

No Brasil, é possível observar essas duas realidades simultaneamente. Enquanto o casamento igualitário é garantido por uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) desde 2013, observamos uma retração nas pautas progressistas e de direitos humanos no Congresso Nacional e na sociedade, sobretudo com o avançar da bancada representante de setores conservadores da igreja evangélica.

Essa análise conjuntural é importante para nos localizarmos enquanto integrantes de uma grupo que, embora seja amplamente diversificado, traz em si um histórico de luta por visibilidade e por tratamento legal igualitário. Enquanto outras minorias lutam para ter seus direitos respeitados, a população LGBTQ+ luta para ter seus direitos reconhecidos legalmente.

Além disso, nos situar dentro desse cenário de transformações, avanços e desafios nos permite reconhecer nosso senso de responsabilidade nessa história: nosso futuro e o futuros dos próximos jovens LGBTQ+ depende diretamente das decisões e escolhas que fizermos hoje, bem como das lutas que decidamos travar.

É um ótimo tempo para ser LGBTQ+! Se fizermos um esforço para imaginar o futuro, tenho certeza que conseguiremos enxergar um amanhã mais igualitário e justo para todos: cabe a nós construí-lo!

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Postado por Andy | (0) Comente aqui!

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