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MINHA VIDA GAY

Filho trans de candidato ao governo do Rio pede afastamento do trabalho por medo de bullying.




Segundo informações da colunista Mônica Caruso, do jornal O Globo, Erick Witzel, filho do juiz Wilson Witzel, candidato ao Governo do Estado do Rio de Janeiro pelo PSC, pediu afastamento do trabalho até o fim das eleições.

Transexual, o jovem de 24 anos trabalha como cozinheiro do Fasano Al Mare, em Ipanema, Zona Sul do Rio de Janeiro. Segundo a publicação, o motivo para a falta no trabalho seria o receio de sofrer bullying dos colegas.

Filho mais velho do político que disputa o segundo turno junto com Eduardo Paes (DEM), Erick ganhou destaque na mídia após fazer um desabafo em seu Instagram, lamentando o resultado da votação do primeiro turno.

HISTÓRIA DA VIDA REAL: Memórias que ficam gravadas.




Era uma noite de quinta-feira em novembro de 2017. Sai do trabalho e passei no mercado perto de casa para comprar algumas coisas. Estava cansado e a única coisa que queria era ir embora logo. Enquanto me dirigia à um corredor específico cruzei com um rapaz de social, mais ou menos da minha altura (1,80m) barba bem aparada e postura ereta. Era lindo e foi inevitável observá-lo. Eu, sem botar fé naquilo, olhei para frente e segui enchendo o carrinho.




Alguns corredores depois, quando já havia esquecido dele, o encontrei novamente perto da seção de brinquedos. Dessa vez fiquei atento a alguma reação, pois medroso do jeito que eu era, não teria coragem de tomar uma atitude. Fiquei por perto, esperando. E ele veio. Não acreditava que falaria comigo, porque ele era simplesmente lindo e atendia fisicamente todos os meus “pré-requisitos” de qualidade. Me perguntou se estava tudo bem e o que eu queria comprar no mercado. Caracas! A voz dele era maravilhosa, másculo mas gentil. Eu continuava tenso mas fui me permitindo interagir com ele.




Fomos andando pegando as coisas que faltavam e falando sobre trabalho, estudo, descobri que ele tinha 24 anos (e eu 25), tinham batido no carro dele naquela tarde, que trabalhava ali perto e, assim como eu, não era assumido, morava com os pais e era solteiro. Confesso que não sabia exatamente onde aquela conversa daria. E isso me dava medo, não tinha coragem de trocar o whatsapp, mas aquela seria a única forma de mantermos contato. E ele, além de todos os atributos físicos, tinha algo ainda melhor: em nenhum momento caímos no teor sexual. Parecia uma paquera saudável, de adolescente.




O acompanhei até o estacionamento e ele insistia para darmos uma volta. Disse que não, mas poderíamos pegar o celular um do outro – sim, tive coragem – demos um abraço e segui para minha casa. 




No caminho, ele mandou uma mensagem, perguntando se nos veríamos ainda, e eu, já encantado, disse que se dependesse de mim, com certeza.




Com o tempo, nossas conversas diárias foram se intensificando, e já falávamos sobre tudo, a única dificuldade era nos encontrarmos, pois sempre tínhamos compromisso em dias alternados. Até que em uma determinada quarta-feira conseguimos. Sai do trabalho e combinei de encontra-lo no shopping onde ele fazia academia. Cheguei e em seguida ele chegou. Estava de banho tomado, acabado de sair do treino e me levou na Johnny Rockets. Fizemos os pedidos e, entre uma dança e outra dos garçons, falamos de praticamente tudo, demos risada como se nos conhecêssemos a anos, mas eu, inseguro, ainda não sabia se dali sairia algo além de uma amizade. 




Ao sairmos, ele fez questão de me levar, entramos no carro, ele me olhou e em seguida me beijou. Que beijo! Nossa, que beijo! Durante o trajeto, pegávamos um na mão do outro, ou na perna do outro e quando parávamos no semáforo ele beijava minha mão. Estava tão bem com aquela situação que nem liguei para as pessoas que nos viam de dentro dos ônibus. 




Ao me despedir, ganhei outro beijo incrível e cheguei em casa feliz como a muito tempo não ficava.




As conversas continuaram e sempre que possível saíamos e ele permanecia sendo carinhoso comigo. Namoramos? Não. Eu não tinha estrutura para isso. Minha vida não estava dentro de um armário apenas, estava dentro de uma mala, escondida no fundo do mar, mas ele, ele me fez repensar isso. Pela primeira vez pensei seriamente em assumir um namoro, mesmo que só para mim. De certa forma eu estava disposto. Mas ele não...




Comecei a entender que ele talvez não fosse tão seguro quanto demonstrava e pensar em um relacionamento sério não estava em seus planos de curto prazo. Pior: conforme o tempo passava eu me apaixonava mais por ele enquanto ele, na mesma proporção se afastava mais de mim. Chegou a passar semanas sem me mandar mensagem e quando pensei que tivesse sumido de vez, reapareceu, me convidando para ir ao cinema. É claro que eu aceitei. No início foi estranho, porque parecíamos dois conhecidos sem muita intimidade que estavam se encontrando ao acaso, mas quando começou o filme, ele colocou meu braço ao redor do seu pescoço e deitou-se em meu ombro. Ao longo da sessão me beijou várias vezes e foi extremamente carinhoso. Ele nunca foi tão amoroso como naquele momento, mas a pulga atrás da minha orelha permanecia. Por que ele sumiu e de repente pareceu voltar ao normal?No hora de ir embora, dentro do carro, nos beijamos como nunca antes também.





Foi provavelmente o melhor beijo que tive na vida. Em seguida perguntei porque ele tinha sumido e a resposta era que o problema era com ele e nada comigo. Ok. Resolvi dar mais uma chance, mas nem tive oportunidade. Ao sair do carro, ele voltou a demorar nas respostas do whatsapp, raramente falava comigo e eu, cada vez mais apaixonado, nutrindo uma esperança de que aquele noite seria o começo de uma relação. Aos poucos foi caindo a ficha de que o sentimento era apenas meu, e eu, chorando, não sabia o que fazer com ele. Decidi partir para uma última jogada: mandei um texto me declarando, falando tudo que sentia, que estava apaixonado e queria que ele participasse do meu futuro. A resposta, além de demorar um dia para vir, não podia ser mais fria: “nossa, nunca recebi algo assim, não sei o que responder...” Na verdade, sabia sim. Se não sabia o que responder para uma pessoa que diz que te ama, é porque o sentimento não é recíproco.



Com uma dor no coração, mas esclarecido sobre quais as nossa reais chances, exclui o número dele do meu celular. Queria ser forte para não pensar mais nele, mas não consegui. Ao adicioná-lo novamente na minha agenda, percebi que dessa vez foi ele quem me excluiu. 




Parece que eu resolvi um problema dos dois e que o nosso último beijo, o melhor da minha vida, foi na verdade a nossa despedida.





"Nós não podemos dizer o suficiente "eu conto" para as pessoas que amamos."


(Enviado por José, um visitante do Blog- *LEMBRAMOS QUE AS IMAGENS SÃO MERAMENTE ILUSTRATIVAS* )

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Postado por Andy | (0) Comente aqui!

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