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DIREITOS

Como Fazer a Transição de Homem a Mulher.


Fazer a transição física de homem a mulher — ou seja, tornar-se uma mulher transgênero — é um processo único e individual para cada pessoa, sem formas "certas" ou "erradas". Enquanto algumas mulheres trans optam pela cirurgia de redesignação sexual (CRS), outras preferem só a terapia de reposição hormonal. Independentemente dos detalhes, toda essa empreitada é longa, cara e arriscada, mas pode levar a resultados além dos esperados! Seja paciente e cerque-se dos amigos e familiares que lhe deem apoio.

Parte 1- Preparando-se para fazer a transição.




1. Pense se quer mesmo fazer a transição. Viver como transgênero (uma pessoa que não se identifica com o sexo e gênero com o qual nasceu) é diferente de viver como transexual (uma pessoa que mudou ou quer mudar de sexo por meio de intervenção e tratamentos médicos).[1] A transição é irreversível, arriscada, demorada e custosa. Antes de prosseguir, decida se é mesmo o que quer. Relate suas experiências em um diário e discuta o processo com um amigo ou grupo de apoio que seja próximo e de confiança.

*Se não houver um grupo de apoio à comunidade trans na sua cidade, encontre algo na internet.





2. Faça uma pesquisa. Leia e descubra o possível sobre os benefícios, os riscos e os custos do processo de transição. Aprenda a diferença entre cada procedimento, prepare-se para enfrentar o preconceito e faça uma estimativa do quanto vai ter de investir. Para isso, você pode recorrer a vários recursos. Encontre informações na internet (usando palavras-chave como "LGBTQ", "transição", "transgênero" etc.), pegue livros emprestados em uma biblioteca local, peça sugestões a membros do seu grupo de apoio etc.!

*Cada transição é única e específica ao indivíduo que passa por ele. Talvez você não precise de muitas sessões de terapia de remoção de pelos ou não tenha de colocar implantes de seios depois da terapia de reposição hormonal, por exemplo. Mesmo que não queira passar por tudo isso, ainda é bom se informar sobre cada etapa do processo; afinal, quanto mais conhecimento tiver, mais informada vai ser a sua decisão.




3. Comunique sua decisão às pessoas mais próximas. Decidir se, quando, onde e como você vai falar sobre o assunto com seus amigos e familiares é uma questão delicada! Assim como a transição em si, fazer ou não essa revelação também depende do indivíduo. Faça o que lhe parecer certo! Se ficar mais à vontade tendo conversas particulares, fale com cada um separadamente; se preferir falar a todos de uma vez, reúna as pessoas em um só lugar. Você não precisa contar que vai fazer a transição para todos que conhece, e sim com os mais próximos. Conte sua história, peça ajuda e dê tempo e espaço para eles digerirem a informação.




4. Comece a pensar no aspecto financeiro do processo. A transição é muito cara e, embora alguns planos de saúde cubram partes dela, é muito difícil achar algo que arque com todas as despesas. Ligue para a sua rede de assistência médica e pergunte se ela cobre custos de terapia, reposição hormonal, remoção de pelos, implantes de seios, vaginoplastia etc. Se não tiver plano de saúde ou se ele não cobrir os tratamentos e procedimentos, não se desespere! Peça ajuda a algum amigo ou familiar que entenda de questões financeiras para pensar em um plano e, quando tiver algo mais concreto em mãos, comece a poupar dinheiro.

*A vaginoplastia custa, em média, R$30.000,00 (depende de vários fatores, como hospital, região, médico etc.). Sessões de remoção de pelos a laser podem ter valores cobrados por hora, dia, mês etc.,[7] assim como sessões de terapia de reposição hormonal (algo que a pessoa vai ter de fazer pelo resto da vida).

*A duração do processo de transição vai depender da sua situação financeira.




5. Comece a exercitar a sua voz feminina antes de fazer a terapia de reposição hormonal. É muito difícil perder peso quando se está tomando hormônios! O mesmo vale para a sua voz: passe a trabalhar nela, tentando encontrar o tom, a ressonância e outros detalhes perfeitos.[10] Tente transferir a voz do peito à cabeça — ou seja, fale em tons mais agudos, como se imitasse a Minnie Mouse. Conforme avança, pratique exercícios vocais mais avançados, controlando a laringe e o pomo de Adão.[11]

*Coloque dois dedos sob o pomo de Adão e levante-o para deixar a voz mais aguda. Com o tempo, seus músculos vão se ajustar e fazer isso naturalmente.

Parte 2: Consultando um terapeuta.




1. Consulte um terapeuta profissional. Antes de começar a fazer a terapia de reposição hormonal ou qualquer cirurgia, busque um terapeuta que seja especializado em questões de gênero. Peça indicações a amigos na comunidade trans, faça uma pesquisa na internet e entre em contato com a pessoa que mais lhe parecer interessante.

*Se possível, fale com outros pacientes desse terapeuta para descobrir informações como taxas, práticas, formação e nível de aceitação.

*Tire todas as suas dúvidas com o terapeuta. Pergunte o que ele acha da terapia de gênero e quantos de seus pacientes já passaram por cirurgias ou reposição hormonal.

*Se não se sentir à vontade com o terapeuta, não tenha medo de encontrar outra pessoa!




2. Busque um diagnóstico. Ao longo das sessões, o terapeuta vai avaliar a sua situação individual e fazer um diagnóstico. Se concluir que você apresenta alguns sintomas de forma consistente, como repulsa pelos órgãos genitais, desejo de apagar sinais do seu sexo biológico e/ou a certeza de que seu sexo biológico é diferente do seu gênero, ele vai chegar à conclusão de que o seu caso é de disforia de gênero.

*Você deve apresentar esses sintomas por pelo menos seis meses.

*Seja honesto consigo mesmo e com o terapeuta.

*Ter disforia de gênero não torna ninguém doente ou anormal; só quer dizer que a pessoa não se sente bem vivendo com o sexo biológico. A comunidade médica só faz essa especificação para poder conceder aos pacientes os medicamentos, a terapia e/ou as cirurgias de que eles precisam.

*Sentir tristeza não é um dos sintomas da disforia de gênero. Se estiver deprimido ou ansioso, fale com o terapeuta para fazer mais um tratamento.





3. Trace um plano de tratamento. Depois do diagnóstico de disforia de gênero, o terapeuta vai lhe oferecer algumas opções de ação — não com o objetivo de fazer você mudar de ideia, mas sim ajudar a aceitar o que sente e aliviar a tensão na sua vida. Além de continuar fazendo terapia, o médico também pode recomendar sessões de reposição hormonal com o acompanhamento de um generalista ou endocrinologista.

*Se ainda não tiver passado pela puberdade, o terapeuta pode receitar medicamentos bloqueadores.




4. Termine a sua transição social de gênero. Antes de fazer a cirurgia de redesignação sexual (CRS), você vai ter de completar a transição social antes de passar pelo procedimento médico em si, tendo de "viver" com o gênero com que se identifica por um período (que pode ir de um a dois anos). Nele, vai se vestir, ir trabalhar, participar de reuniões familiares, praticar exercícios e ir às compras como mulher — para saber melhor como é ser mulher. Depois disso, o terapeuta vai lhe ajudar a decidir se a CRS é mesmo a melhor opção.

*Enquanto passa pelo processo, continue tomando hormônios, removendo pelos do corpo e do rosto e treinando sua voz feminina.

Na próxima atualização,  parte final.


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Postado por Andy | (0) Comente aqui!

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