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CONTOS DO LEITOR


No Vermelho Daquele Quarto
Henrique Machado

 

A porta se fechara com brutalidade, produzindo um barulho que provavelmente ecoaria por todo o apartamento. O quarto, que possuía uma iluminação em tons avermelhados, em poucos instantes fora tomado pelo perfume do desejo que tais corpos emanavam. A melodia que pairava pelos ares daquele cômodo era feita de um respirar ora lento e profundo, ora rápido e tomado pelo desejo.

Os dois garotos se observavam. O fogo da juventude corria pelas veias daqueles corpos esguios. Tinham ambos seus poucos 17 anos. A sensação de que a qualquer momento poderiam ser descobertos, apenas deixava toda aquela situação ainda mais excitante. Um deles, o mais alto, se dirigia em direção ao segundo. Seus olhos se encontraram por um instante. O desejo queimava em seus olhares. Qualquer um que estivesse ali seria envolvido por essas chamas da liberdade, da sexualidade, da sensualidade. Ficaram ali alguns muitos minutos, apenas se observando. Vez ou outra, os olhos se desviavam. 

Percorriam um o corpo do outro, analisando cada detalhe daquelas duas obras repletas de excitação. Mas ao final do percurso, os olhares se encontravam novamente, e o desejo tornava a entrar em combustão, com chamas cada vez mais intensas.

 

Os corpos, envoltos pelos sons que emitiam, se aproximavam acompanhando as respirações. Passos largos para respirações profundas. Passos curtos para respirações rápidas. Ambos, agora perto, sentiam o corpo um do outro. Percorriam cada parte com suas mãos e olhos. Sentiam cada curva, cada músculo contraído, cada cicatriz. As veias salientes exibiam o tesão que corria por cada centímetro dos corpos daqueles dois jovens. Os corações que batiam cada vez mais rápido, agitados pelo tentação que havia tomado conta daquele quarto vermelho. Nessas explorações e descobertas, os lábios dos dois jovens, sedentos por beijos, se tocaram enfim. Lábios molhados. Beijos intensos. Mordidas leves e sedentas. Não era o suficiente, eles queriam mais. Muito mais!

O mais baixo interrompe a sequência de beijos, e com seus lábios percorre o pescoço de seu amante. Um percorrer lento, acompanhado por leves beijos na pele do rapaz. Às vezes sua boca subia. Um beijo rápido acontecia, e logo em seguida se direcionava para as orelhas. Ambos puderam sentir a excitação em suas calças. O volume não permitia negar a existência daquela vontade de todas as outras coisas que poderiam ser feitas naquele lugar.

Os garotos, então, começam a se despir. Botões se desabotoando para um lado. Zíperes abertos para o outro. Cadarços desamarrados. Agora a luz avermelhada não só iluminava aquele quarto, mas também os corpos jovens que ali se encontravam. A vermelhidão, refletida nos músculos de ambos, apenas exaltava ainda mais a beleza viril daqueles rapazes. Um deles sequer fora capaz de impedir que seus olhos analisassem a forma como o corpo do amante parecia ainda mais sexy, agora despido e iluminado.

Um deles, num ato de selvageria, limpa a mesa que estava atrás de seu amante. Fotos, bandejas, metais. Todos esses objetos tocaram o chão, e o som de tais quedas fora logo abafado pelo som de um dos corpos se debruçando pela mesa. O outro se unia a esse corpo. Os beijos agora não se detinham apenas na boca ou pescoço. Os lábios deslizavam pelos peitorais, abdomens, virilhas. Até que finalmente encontravam o símbolo máximo daquele prazer absoluto que recheava o cômodo.

 

E ali, num quarto com sua iluminação avermelhada, em cima de uma mesa recentemente desarrumada, dois corpos tomados pelo desejo se uniram. A liberdade, o perigo, a juventude, a sensualidade. Tudo estava em perfeita harmonia. Assim como as respirações, os gemidos, os sons emitidos pelos atritos entre os dois corpos. Uma explosão de prazer, agitação, desejo e satisfação fez com que o cômodo ficasse marcado para sempre, ou até que um deles o limpasse para que repetissem tudo aquilo que viveram naquele dia.


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Postado por Mac Del Rey | (0) Comente aqui!

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