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POLÍTICA

Resistência a Mourão chega ao Congresso, mas críticas são minimizadas entre militares.




Declarações e comportamento do vice-presidente têm causado mal-estar entre aliados e filhos de Bolsonaro.

Que o vice-presidente, general Hamilton Mourão, dispensa rodeios para falar o que pensa não é novidade. No entanto, a espontaneidade do vice ao falar com jornalistas nas últimas semanas, período em que assumiu a presidência temporariamente por duas vezes, incomodou o entorno de Jair Bolsonaro.




Desde então, a lista de autoridades próximas ao presidente resistentes a Mourão não para de crescer. Além de ter sido alvo de críticas de familiares do presidente, do guru da direita Olavo de Carvalho e do ex-assessor de Donald Trump Steve Bannon, o vice-presidente entrou na mira de parlamentares que inicialmente não se importavam com seus comentários, mas que passaram a se contrapor a ele.

A gota d’água teria sido a declaração “feminista” de que o aborto deve ser uma opção da mulher, em entrevista ao jornal O Globo. Mourão ponderou o tema e afirmou: “A questão do aborto também é algo que tem que ser bem discutido, porque você tem aquele aborto onde a pessoa foi estuprada, ou a pessoa não tem condições de manter aquele filho. Então talvez aí a mulher teria que ter a liberdade de chegar e dizer ‘preciso fazer um aborto’”.

Na bancada evangélica, a declaração soou como uma afronta. “O pensamento dele é incompatível com o de Bolsonaro”, afirmou ao HuffPost Brasil o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), que é candidato à presidência da bancada.

"O pensamento de Mourão é incompatível com o de Bolsonaro.!

-Deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ)

Fora do grupo de religiosos, a rejeição é em relação à efetividade do vice enquanto presidente interino. Integrantes de diversos partidos com afinidade à pauta bolsonarista reclamam que os trabalhos legislativos começaram sem uma autoridade do governo capaz de dar a palavra final em assuntos relacionados ao Congresso.

Estão todos à espera do retorno do presidente, que segue internado em São Paulo, se recuperando da cirurgia para retirada da bolsa de colostomia.

Receoso em deixar Mourão no comando do País, Bolsonaro esperava voltar aos trabalhos 48 horas depois da operação, que ocorreu no dia 28. Complicações na recuperação, entretanto, têm deixado o mandatário fora do controle do País e, consequentemente, paralisado os trabalhos do Planalto.

“As 3 primeiras semanas do Congresso são essenciais para o bom relacionamento com o Executivo, para o governo montar sua base. Sem o presidente e com um vice que não ajuda, duvido que a Câmara paralise suas atividades para esperar uma resposta do Planalto”, afirmou ao HuffPost um parlamentar do DEM.

Mas a principal resistência a Mourão está na família de Bolsonaro e em nomes próximos aos filhos Eduardo e Carlos Bolsonaro. Tanto o estrategista da campanha de Donald Trump, Steve Bannon, quanto Olavo de Carvalho deram declarações contrárias ao vice nos últimos dias.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Bannon, que se encontrou recentemente com Eduardo Bolsonaro, afirmou que Mourão é “desagradável e pisa fora da sua linha”. “Como um observador de fora, me parece que o vice-presidente Mourão gosta de falar muito sobre política externa. Mas, até onde sei, o presidente Bolsonaro não lhe atribuiu responsabilidades e parece que foi uma decisão sábia”, acrescentou Bannon.

Incomodaram ao americano, especialmente, as ponderações recentes feitas por Mourão à polêmica proposta de Bolsonaro de mudar a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém.  

Olavo de Carvalho também engrossou as reclamações em relação ao vice. Chegou a levantar a bola de que Mourão é inimigo e competidor de Bolsonaro em vez de ser seu auxiliar.

E enumerou as declarações do general que não agradaram aos setores mais conservadores, entre elas a de que era uma “questão humanitária” a Justiça liberar o ex-presidente Lula para ir ao velório do irmão Vavá e de que ameaças a parlamentares são um “crime contra a democracia” - Mourão comentava o caso de Jean Wyllys, deputado federal eleito pelo PSOL-RJ que desistiu de tomar posse após receber ameaças. 

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Postado por Andy | (0) Comente aqui!

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