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MINHA VIDA GAY

Desaparecido de Brumadinho é encontrado vivo e revela que fugiu da Família com medo da Homofobia!




O catarinense Evandro Schwirkowsky, 23 anos, entrou em contato com a família em Corupá, no Norte catarinense, na terça-feira (16). O rapaz chegou a ser dado como desaparecido na tragédia de Brumadinho, mas conta que desde então está em Salvador.

Em fevereiro, o Instituto Geral de Perícias (IGP) chegou a fazer a coleta de material genético do pai de Evandro para comparação genética das vítimas. Foi o companheiro de Evandro, Edemilson de Jesus Silva, quem acionou as equipes de resgate, informando que o namorado teria ido a Brumadinho em busca de emprego.

À NSC TV, Evandro disse que estava em Brumadinho e saiu da cidade uma hora antes do rompimento da barragem. Ele ainda conta ter voltado pra Salvador e ficou vagando pelas ruas, pois não queria voltar para casa e prejudicar o companheiro Edemilson, com medo que a família de Corupá os encontrasse.

“Eu peço perdão a todos, peço perdão ao Meu Deus, peço perdão ao meu companheiro, que foi a pessoa que mais sofreu. Fiz tudo isso porque meu pai não aceitava o fato de eu ser gay e ser casado com um homem. Estive mesmo em Brumadinho, mas, pela graça do nosso Deus, saí uma hora antes do ocorrido”, disse Evandro em vídeo.

O companheiro afirma que os dois tinham se mudado para Salvador no começo do ano, e na sequência Evandro afirmou ter ido a Brumadinho. “Ele está chorando muito. Ele vai se recompor e vai explicar”, explica o companheiro.

A reportagem tentou contato com a Polícia Civil de Corupá para informações sobre o caso de Evandro, sem sucesso até esta publicação.

Fonte: G1

A epidemia da solidão gay.




Este é o meu amigo Jeremy.

“Enquanto tem”, diz ele, “você continua usando. Quando acaba, rola uma coisa tipo: ‘Ah, ótimo, agora posso voltar para a minha vida’. Eu ficava acordado o fim de semana inteiro, ia a essas festas de sexo e depois me sentia uma merda até quarta-feira. Cerca de dois anos atrás mudei para a cocaína, porque conseguia trabalhar no dia seguinte.”

Jeremy me diz isso de uma cama de hospital, seis andares acima de Seattle. Ele não vai me contar as circunstâncias exatas da overdose que teve, só que um estranho chamou uma ambulância e ele acordou aqui.

Jeremy não é o amigo com quem eu esperava ter essa conversa. Até algumas semanas atrás, não imaginava que ele usasse nada mais pesado que martínis. Ele é elegante, inteligente, não come glúten, o tipo de cara que sempre está de camisa de botão, não importa o dia da semana. Quando nos conhecemos, há três anos, ele me perguntou se eu conhecia um bom lugar para fazer CrossFit. Hoje, quando pergunto como são os dias no hospital, a primeira coisa que ele diz é que não tem Wi-Fi e que está atrasado nos e-mails de trabalho.

“As drogas eram uma combinação de tédio e solidão”, diz ele. “Costumava voltar do trabalho esgotado na sexta à noite e pensava: ‘E agora?’ Então ligava para comprar metanfetamina e checava na internet se tinha alguma festa acontecendo. Era isso ou assistir a um filme sozinho.” 

Jeremy [1] não é meu único amigo gay que passa por um período difícil. Malcolm mal sai de casa, exceto para o trabalho, porque sua ansiedade é tão grave. Jared sofre de depressão e dismorfia corporal, que reduziram sua vida social basicamente a mim, à academia e a casos arranjados pela internet. E Christian, o segundo cara que beijei, que se matou aos 32 anos, duas semanas depois que seu namorado terminou com ele. Christian foi a uma loja de festas, alugou um tanque de hélio, começou a inalar o gás e enviou um e-mail para seu ex. Ele queria ter certeza de que o ex encontraria seu corpo.

Durante anos notei a diferença entre meus amigos heterossexuais e meus amigos gays. Enquanto metade do meu círculo social desapareceu em relacionamentos, crianças e subúrbios, a outra metade luta contra o isolamento e a ansiedade, as drogas pesadas e o sexo desprotegido.

Nada disso se encaixa na narrativa que me contaram, que contei para mim mesmo. Como eu, Jeremy não cresceu intimidado por seus pares ou rejeitado por sua família. Não se lembra de ter sido chamado de bicha. Ele foi criado em um subúrbio da costa oeste por uma mãe lésbica. “Ela saiu do armário para mim quando eu tinha 12 anos”, diz ele. “E duas frases depois me disse que sabia que eu era gay. Eu mal sabia naquele momento.” 



Foto minha com minha família, quando eu tinha 9 anos. Meus pais ainda dizem que não tinham ideia de que eu era gay. Eles são um amor.


Jeremy e eu temos 34 anos. Em nossas vidas, a comunidade gay fez mais progresso em relação à aceitação legal e social que qualquer outro grupo demográfico na história. Na minha adolescência, por exemplo, o casamento gay era uma aspiração distante. Agora, foi consagrado em lei pela Suprema Corte. O apoio público ao casamento gay passou de 27% em 1996 para 61% em 2016. Na cultura pop, passamos de sexo escondido em banheiros públicos para o reality show Queer Eye for the Straight Guy e o filme Moonlight. Personagens gays são tão comuns hoje em dia que eles podem até mesmo ter falhas.

Ainda assim, mesmo quando comemoramos a escala e a velocidade dessa mudança, as taxas de depressão, solidão e abuso de substâncias na comunidade gay permanecem iguais às de décadas atrás. Dependendo do estudo, os gays têm entre 2 e 10 vezes mais probabilidade de cometer suicídio, em comparação com os héteros. Somos duas vezes mais propensos a ter um episódio depressivo relevante. E, assim como a última epidemia que vivemos, o trauma parece estar concentrado entre os homens. Em um levantamento com homens gays que chegaram recentemente a Nova York, três quartos sofreram de ansiedade ou depressão, abusaram de drogas ou álcool ou estavam fazendo sexo desprotegido ? ou alguma combinação dos três. Apesar de toda a conversa sobre nossas “famílias escolhidas”, os homossexuais têm menos amigos próximos do que os heterossexuais ou as  mulheres gays. Em uma pesquisa com prestadores de cuidados em clínicas de HIV, um entrevistado disse aos pesquisadores: “Não é uma questão de eles não saberem como salvar suas vidas. É um
a questão de saber se suas vidas valem a pena ser salvas.”

Não vou fingir ser objetivo. Sou uma pessoa perpetuamente solteira, criada numa cidade liberal, por pais perfeitamente à vontade com um filho gay. Nunca conheci ninguém que tenha morrido de aids, nunca sofri discriminação direta e saí do armário em um mundo em que casamento, casa no subúrbio e cachorro correndo pelo quintal não são apenas viáveis, mas esperados. Também comecei e parei de fazer terapia mais vezes que baixei e deletei o aplicativo do Grindr.

“A igualdade no casamento e as mudanças no status legal foram uma melhoria para alguns homens gays”, diz Christopher Stults, um pesquisador da Universidade de Nova York que estuda as diferenças na saúde mental entre homossexuais e heterossexuais. “Mas, para muitas outras pessoas, foi uma decepção. Tipo, temos esse status legal, mas ainda falta alguma coisa.”

Esse sentimento de vazio não é apenas um fenômeno americano. Na Holanda, onde o casamento homossexual é legal desde 2001, os homens gays seguem 3 vezes mais propensos a sofrer de transtornos do humor e 10 vezes mais propensos a se envolver em “automutilação suicida”. Na Suécia, onde há uniões civis desde 1995 e casamento completo desde 2009, a taxa de suicídio de homens casados com homens é três vezes maior que a dos homens casados com mulheres.

Todas essas estatísticas insuportáveis ??levam à mesma conclusão: ainda é perigosamente alienante passar pela vida como um homem atraído por outros homens. A boa notícia, porém, é que epidemiologistas e cientistas sociais nunca estiveram tão perto de entender as razões.

"Reconheçamos ou não, nossos corpos trazem o armário consigo durante a vida adulta."


“O traço definidor dos homens gays costumava ser a solidão do armário.”


Travis Salway, pesquisador do BC Centre for Disease Control em Vancouver, Canadá, passou os últimos 5 anos tentando descobrir por que os homossexuais continuam se matando.

“O traço definidor dos homens gays costumava ser a solidão do armário”, diz ele. “Mas agora você tem milhões que saíram do armário e ainda sentem o mesmo isolamento.”

Estamos almoçando em um minúsculo restaurante de massas orientais. É novembro, e ele chega usando jeans, galochas e uma aliança.

“Gay casado, hein?”, digo.

“E monogâmico”, responde ele. “Acho que eles vão nos dar a chave da cidade.”

Salway cresceu em Celina, Ohio, cidade industrial decadente de 10.000 habitantes no Meio Oeste dos Estados Unidos, o tipo de lugar, diz ele, em que o casamento concorria com a faculdade pelos jovens de 21 anos. Salway foi intimidado por ser gay antes mesmo de saber que era homossexual. “Eu era afeminado e fazia parte do coral”, diz ele. “Era suficiente.” Então ele passou a tomar cuidado. Teve uma namorada na maior parte do ensino médio e tentou evitar os meninos ? romântica e platonicamente ? até que pudesse sair de lá.

No final dos anos 2000, ele trabalhava como assistente social e epidemiologista e, como eu, estava impressionado com a distância crescente entre seus amigos heterossexuais e gays. Salway começou a se perguntar se a história que ele sempre ouvira sobre homens gays e saúde mental estava incompleta.

Quando essa disparidade veio à luz pela primeira vez, nos anos 1950 e 1960, os médicos achavam que era um sintoma da homossexualidade em si, apenas uma das muitas manifestações do que era conhecido na época como “inversão sexual”. Com o crescimento do movimento dos direitos dos homossexuais, porém, a homossexualidade desapareceu do DSM (Manual Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais, na sigla em inglês), e a explicação mudou para trauma. Homens gays estavam sendo expulsos de suas próprias famílias, suas vidas amorosas eram ilegais. Naturalmente eles teriam taxas alarmantes de suicídio e depressão. “Era o que eu pensava, também”, diz Salway. “O suicídio gay seria produto de uma era passada, ou estava concentrado entre os adolescentes que não viam outra saída.”

Aí ele olhou para os dados. O problema não era apenas suicídio, não afligia só os adolescentes e não se manifestava apenas em áreas manchadas pela homofobia. Salway descobriu que os homens gays em todos os lugares, de todas as idades, têm taxas mais elevadas de doenças cardiovasculares, câncer, incontinência, disfunção erétil,? alergias e asma ? você diz o problema, nós temos. No Canadá, descobriu Salway, mais homens gays estavam morrendo de suicídio do que de aids, e já era assim havia anos. (Também pode ser o caso nos Estados Unidos, diz ele, mas ninguém se preocupou em estudar o tema.)

“Vemos homens gays que nunca foram atacados sexual ou fisicamente apresentando sintomas de estresse pós-traumático semelhantes aos de pessoas que estiveram em situações de combate ou que foram estupradas”, diz Alex Keuroghlian, psiquiatra do Centro de Pesquisas Populacionais em Saúde LGBT do Fenway Institute.

Os homens gays são, como diz Keuroghlian, “preparados para esperar rejeição”. Estamos constantemente analisando situações sociais para ver se não nos encaixaremos. Lutamos para nos afirmar. Repetimos nossos fracassos sociais num circuito infinito.

A coisa mais estranha sobre esses sintomas, porém, é que a maioria de nós não os enxerga como sintomas. Desde que começou a analisar os dados, Salway passou a entrevistar homens gays que tentaram o suicídio.

“Quando você pergunta por que eles tentaram se matar”, diz ele, “a maioria não menciona nada sobre ser gay”. Em vez disso, ele diz, falam em problemas de relacionamento, problemas de carreira, problemas financeiros. “Eles não acham que sua sexualidade seja o aspecto mais saliente de suas vidas. E, ainda assim, eles têm muito mais propensão a cometer suicídio.”

O termo que os pesquisadores usam para explicar esse fenômeno é “estresse das minorias”. Em sua forma mais direta, é bem simples: ser membro de um grupo marginalizado exige esforço extra. Quando você é a única mulher em uma reunião de trabalho, ou o único negro na sua turma da faculdade, tem de pensar em um nível diferente. Se você confronta seu chefe, ou decide não fazê-lo, está se conformando aos estereótipos das mulheres no trabalho? Se você não vai bem na prova, será que as pessoas pensam que é por causa da sua raça? Mesmo que você não sinta o estigma evidente, considerar essas possibilidades cobra um preço ao longo do tempo.

Para os gays, o efeito é ampliado pelo fato de que nosso status minoritário está oculto. Não só temos de fazer todo esse trabalho extra e responder a todas essas perguntas internas quando temos 12 anos, mas também temos de fazer tudo isso sem poder conversar com nossos amigos ou pais a respeito.

John Pachankis, pesquisador de estresse em Yale, diz que o dano real acontece por volta dos 5 anos que se passam entre perceber sua sexualidade e começar a contar para as outras pessoas. Até mesmo estressores relativamente pequenos nesse período têm impacto desmedido ? não porque sejam diretamente traumáticos, mas porque começamos a esperá-los. “Ninguém tem de te chamar de ‘bicha’ para que você ajuste seu comportamento, a fim de evitar essa qualificação”, diz Salway.

James, um garoto de 20 anos que basicamente saiu do armário, me diz que na sétima série, quando tinha 12 anos, uma colega lhe perguntou o que ele achava de outra garota. “Bom, ela parece homem”, disse James, sem pensar, “então, sim, talvez eu transasse com ela.”

Imediatamente, diz ele, veio o pânico. “Foi tipo: ‘Alguém percebeu? Será que contaram por aí que eu disse isso?’.”

Também passei minha adolescência assim: sendo cuidadoso, escorregando, me estressando, compensando demais. Certa vez, num parque aquático, um dos meus amigos da escola me pegou olhando para ele enquanto estávamos na fila do escorregador. “Cara, você tava me olhando?”, perguntou ele. Consegui me safar dizendo algo como: “Desculpa, você não é meu tipo” – e aí passei semanas preocupado com o que ele estava pensando sobre mim. Mas ele nunca tocou no assunto. Todo o bullying aconteceu na minha cabeça.

“O trauma para os homens gays é sua natureza prolongada”, diz William Elder, pesquisador de trauma sexual e psicólogo. “Se você passar por um evento traumático, tem o tipo de estresse pós-traumático que pode ser resolvido em 4 a 6 meses de terapia. Mas, se forem anos e anos de estressores pequenos – pequenos pensamentos, ‘será que foi por causa da minha sexualidade?’ ?, pode ser ainda pior.”

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Postado por Andy | (0) Comente aqui!

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