terça-feira, abril 30, 2019

POLÍTICA

'O presidente está indo na contramão da História', diz presidente da Sociedade Brasileira de Sociologia.


Para Bolsonaro, é prioridade investir em cursos que “gerem retorno imediato ao contribuinte, como: Veterinária, Engenharia e Medicina”. 


Proposta de Bolsonaro e MEC de reduzir recursos para cursos de Sociologia e Filosofia deixa pesquisadores em alerta.

O apoio do presidente Jair Bolsonaro à ideia do ministro da Educação, Abraham Weintraub, de reduzir os recursos públicos para cursos de ciências humanas deixou em alerta a academia brasileira. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Sociologia, professor da Universidade de Brasília (UnB) Carlos Benedito, a decisão mostra que o presidente não tem “conhecimento da realidade da área”.

?É uma declaração extremamente criticável porque demonstra não ter o mínimo conhecimento do que as ciências sociais fazem. É de uma equipe de obscurantistas que está governando este País, hostil à ciência”, criticou Benedito.

"Vários países têm editais para fazer políticas públicas com engenheiros, químicos, físicos e chamam sociólogos para integrar esses projetos porque eles têm impactos sociais econômicos para as populações."

-Carlos Benedito, presidente da Sociedade Brasileira de Sociologia




O professor lamentou as diretrizes do atual governo. “Estamos indo contra uma tendência mundial de apoiar as ciências, sejam naturais ou sociais. A posição do ministro e do presidente estão na contramão da História. É o que posso dizer com muita tristeza e indignação: estamos hoje em uma situação onde o País está começando a dar marcha ré. ”

No Facebook e no Twitter, o presidente e o ministro endossaram a ideia de investir em cursos que “gerem retorno imediato ao contribuinte, como: Veterinária, Engenharia e Medicina.”

Na avaliação do professor, o governo deveria fomentar uma universidade pública forte, com liberdade de pesquisa. “Isso está sendo complicado porque sempre aparece notícia colocando em julgamento, em suspeição, as universidades, os educadores”.  

Entre os exemplos negativos citados por Benedito está uma declaração do presidente de que poucas universidades no Brasil fazem pesquisa. A informação não é correta; o Brasil está entre os 15 países que mais produzem estudos científicos no mundo. ”É um desconhecimento absurdo dos rankings das universidades. São declarações que fazem parte de uma estratégia muito bem calculada para desarticular as universidades públicas, desqualificá-las perante à população, para ameaçar e amedrontar.”

Hostilidade

Não é a primeira vez que o ministro da Educação faz ataques às ciências sociais. Em entrevista ao príncipe e hoje deputado federal Luiz Philippe Bragança em 2018, com a proposta de apresentar o plano de governo de Bolsonaro, Weintraub ligou os cursos de Sociologia à esquerda e à proliferação do “marxismo cultural”.  

Para Benedito, as ciências sociais no Brasil são hostilizadas por quem confunde antropologia e sociologia com ideologia e opiniões comuns.

“A Sociologia é uma ciência como a Física, como a Química, como a Biologia, tem procedimentos rigorosos com seu modo de proceder a realidade. Hoje, ela tem uma condição muito importante em todos os países do mundo, com contribuição muito importante no sentido de fornecer subsídios para elaboração de políticas públicas.”


Em entrevista, Mourão afirma que 'se Bolsonaro não me quiser, é só me dizer'



O vice-presidente Hamilton Mourão ao lado do presidente Jair Bolsonaro, em cerimônia que lembra data de comemoração dos militares.


Vice-presidente, general Hamilton Mourão, falou à revista Veja e sinalizou que, caso o presidente queira, ele pode renunciar ao cargo.

“Se ele (Bolsonaro) não me quer, é só me dizer. Pego as coisas e vou embora”, disse o general Hamilton Mourão, vice-presidente da República, em entrevista à revista Veja neste sábado (27), sobre crise entre ele e a família Bolsonaro.

Mourão ainda disse, incomodado, segundo a publicação, que ”é um soldado da nação” e que, no governo, “tudo o que faz é tentar ajudar o presidente e não o contrário”. Mas que, sim, pode renunciar ao cargo se o presidente pedir.

“O presidente nunca me disse para parar, para não falar com essa ou aquela pessoa. Então, entendo que não estou fazendo nada de errado. Mas se ele quiser que eu pare…”, disse à publicação da Editora Abril.

A crise entre Carlos e Mourão nesta semana


Me parece aquela briga de bêbado de madrugada. Tem que pegar um e levar para casa. Você sabe que não vai dar em nada", disse o líder Major Olímpio (PSL-SP).


Carlos Bolsonaro, em seu Twitter, se referiu ao vice-presidente como “o tal de Mourão” e “queridinho da imprensa”, destacou uma fala do general de 11 de setembro, em que ele disse para “acabar com a vitimização” em torno do atentado a Jair Bolsonaro, ocorrido 5 dias antes, e chamou de “estranho” o encontro de Mourão com políticos que, segundo ele, detestam o presidente. 

Mourão não é o primeiro desafeto público de Carlos no primeiro escalão do governo do pai. Gustavo Bebianno perdeu o posto de ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República após se desentender com ele.

Carlos acusou Bebianno de mentir ao dizer que falou com Bolsonaro enquanto ele estava internado no hospital sobre o escândalo envolvendo o PSL. Carlos chegou a divulgar um áudio privado que seu pai gravou e enviou por WhatsApp para Bebianno, dizendo que não falaria com o ministro.

Em encontro com jornalistas no Palácio do Planalto nesta semana, Bolsonaro comparou a crise com o vice-presidente a um casamento. “Estamos dormindo juntinhos a noite toda (...). “Durante o dia, brigamos sobre quem lava a louça”, disse. “E sobre quem faz a grama”, completou Mourão.

A metáfora ligada ao matrimônio tem sido uma constante no repertório do presidente, que em diversos momentos já fez uso dela para explicar as dificuldades que tem com seus interlocutores políticos.

Em sua fala, o presidente ainda sinalizou que, se no futuro houver uma reeleição, o atual vice fará parte de sua chapa. “O casamento entre eu e Mourão é até 2022, no mínimo; até lá, vamos ter que dormir juntos”, disse.

A repercussão no Congresso Nacional

Parlamentares do PSL, partido do presidente, tentam, publicamente, acalmar os ânimos. Na quarta-feira (24), líderes do partido consultados pelo HuffPost Brasil assumiram haver um desgaste causado pela troca de farpas, mas também abusaram de metáforas para tentar minimizar os ataques do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) ao general da reserva.

“Me parece aquela briga de bêbado de madrugada. Tem que pegar um e levar para casa. Você sabe que não vai dar em nada. É só prejuízo”, afirmou o líder do PSL no Senado,

Major Olímpio (PSL-SP). “Filho do Bolsonaro não vai deixar de ser filho, nem o Mourão vai deixar de ser vice-presidente”, completou.

O líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (PSL-GO), por sua vez, comparou a crise a relacionamentos românticos, a exemplo do que geralmente faz o próprio presidente Bolsonaro. “Se até namorado briga, imagina o filho do presidente... é uma porção de briga de poder. Um quer mandar. O outro quer mandar”, disse.

Haddad: militares ‘entraram numa fria’ ao apoiar Bolsonaro.




O candidato à Presidência pelo Partidos dos Trabalhadores em 2018, Fernando Haddad, 56 anos, criticou as desavenças entre o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) e o vice-presidente Hamilton Mourão.

“No Twitter, o presidente, os filhos, 1 escondendo senha do outro, uma molecagem com o vice-presidente. Eu acho que os militares entraram numa fria ao avalizar uma pessoa que nem pro Exército serviu”, afirmou Haddad em entrevista ao Poder360 nesta 5ª feira (26.abr.2019).

O ex-prefeito de São Paulo afirmou que o presidente Jair Bolsonaro não é preparado para o cargo.

“Nós temos que torcer para ele incorporar alguém que tenha estatura mínima exercer à Presidência da República. Todos os dias os brasileiros rezam com isso. Para que caia a ficha de onde ele está, para que ele se porte com o mínimo de dignidade na condução dos assuntos nacionais”, disse.

Haddad criticou também o fato de Bolsonaro ter vetado uma propaganda do Banco do Brasil. “O presidente da República vetou uma propaganda do Banco do Brasil porque discordou da presença de negros no comercial. Como se o presidente tivesse atribuição de censurar publicidade das empresas”.

Assista a seguir a entrevista gravada em vídeo (23min10s) no estúdio do Poder360 na 5ª feira (26.abr.2019):



EQUIPE DA FAZENDA JÁ TEME DEMISSÃO DE GUEDES



CORRUPÇÃO DE 40 MILHÕES PARA APROVAR REFORMA DA PREVIDÊNCIA DO BOLSONARO.



RODRIGO MAIA DIZ QUE RELAÇÃO COM BOLSONARO PIOROU



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