terça-feira, maio 28, 2019

POLÍTICA

Qual pode ser o impacto das manifestações para o futuro do governo Bolsonaro?


Desafio de Bolsonaro é reunir apoio popular que possa fortalecê-lo nas negociações com o Congresso


Em meio a uma crise em seus apenas cinco meses de governo, o presidente Jair Bolsonaro e aliados convocaram os brasileiros a ocuparem as ruas em defesa de sua administração neste domingo.

A convocação, que nasceu como tentativa de resposta às manifestações realizadas em cerca de 200 cidades no dia 15 contra os cortes no Orçamento da Educação, ganhou inicialmente um viés de enfrentamento contra os demais Poderes (Congresso e Supremo Tribunal Federal) e assumiu depois um caráter de defesa das agendas do governo, como a Reforma da Previdência e o pacote anticrime elaborado pelo ministro da Justiça, Sergio Moro.

Na tentativa de dar um ar mais espontâneo ao movimento, o presidente desistiu de comparecer aos atos. "Por tratar-se de uma manifestação livre e espontânea, [o presidente] não quer associá-la ao governo", disse à imprensa o porta-voz a Presidência, general Otávio Rêgo Barros, como justificativa. Em relação ao movimento deste fim de semana, o atual desafio do governo Bolsonaro é reunir apoio popular expressivo que possa fortalecê-lo nas negociações com o Congresso Nacional, onde não construiu uma base de apoio. A estratégia embute risco alto - se a mobilização for pequena, Bolsonaro ficará ainda mais fraco na segunda-feira.



Manifestações assumiram caráter de defesa de agendas do governo como pacote anticrime de Moro



Termômetro

Embora as pesquisas de opinião mostrem queda da popularidade de Bolsonaro, ele tem ainda uma "máquina" importante de mobilização nas redes sociais e grupos de WhatsApp, como ressalta a cientista política Rosemary Segurado, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

"Acompanho alguns desses grupos e estou vendo uma convocação forte. É muito arriscado tanto dizer que vai ser um fracasso quanto que vai ser um êxito, mas certamente as manifestações serão um termômetro do apoio ao presidente, um recado sobre essa atuação", afirma.

"E dependendo de como for esse recado podemos ter algumas reconfigurações dentro do governo", pondera.

Entenda a seguir os possíveis impactos da mobilização para a administração Bolsonaro.


Protesto pró-Bolsonaro antes das eleições; grande número de manifestantes neste domingo mostraria que presidente ainda tem base expressiva


Cenário 1: manifestações lotam ruas do país

Nos últimos dois meses, pesquisas de diferentes institutos mostram uma queda na popularidade de Bolsonaro. A última delas, realizada pelo Ipespe (Instituto de Pesquisas Sociais, Polícias e Econômicas) sob encomenda da XP investimentos, mostrou avaliação negativa de apenas 36% da população, ficando pela primeira vez numericamente à frente da avaliação positiva, que oscilou 1 ponto para baixo e atingiu 34%. Nesse cenário, um grande número de manifestantes na rua mostraria que, mesmo não tendo apoio da maioria da população, Bolsonaro detém uma base expressiva fiel e mobilizada em seu favor.

Pablo Ortellado, professor de gestão de políticas públicas na USP, lembra que a experiência prévia do bolsonarismo com convocação de manifestações - pouco antes do segundo turno das eleições, em 21 de outubro, em ato no qual Bolsonaro afirmou que "marginais vermelhos serão banidos da nossa pátria" - conseguiu atrair número expressivo de manifestantes.

Mas aquela manifestação contou também com a convocatória de outros grupos identificados com a direita, como o Movimento Brasil Livre e o Vem Pra Rua - que não estão participando dos atos deste domingo, pela avaliação de que ele pode ter um viés autoritário e a defesa de fechamento de instituições como o Congresso e o STF.

"Se a manifestação deste domingo for muito bem-sucedida, pode marcar uma mudança na liderança do antipetismo", opina Ortellado.

"O movimento bolsonarista ficaria com o antipetismo todo para si, sem precisar dividi-lo com esses outros movimentos (à direita). Seria um ganho de influência para seguir mais livremente sua estratégia, de governar polarizando e dependendo apenas de uma parcela menor, mas extremamente comprometida do eleitorado. Algo semelhante a o que Donald Trump faz nos EUA", afirma ainda.

Na avaliação do cientista político Rafael Cortez, da consultoria Tendências, uma mobilização expressiva pode conter a queda de popularidade de Bolsonaro e aumentar seu capital político na negociação com o Congresso. Apesar disso, não acredita que seria suficiente para solucionar a crise, já que permaneceria a tensão entre a posição de Bolsonaro de se contrapor ao "mainstream político" e a necessidade de apoio dos partidos no Parlamento.

"Mesmo com uma grande mobilização devem permanecer ainda problemas estruturais da administração Bolsonaro, que é fundamentalmente um choque entre a identidade do governo e as necessidades do presidente dentro desse modelo de presidencialismo de coalizão", ressalta.

"E dia 30 (próxima quinta) há novos protestos convocados contra o governo, o que deve manter a forte polarização."


Segundo analistas, manifestações minguadas demonstrariam reprovação de Bolsonaro


Cenário 2: convocação fracassa e poucos saem às ruas

Manifestações minguadas seriam um recado claro de reprovação da forma como Bolsonaro tem conduzido o governo. Nesse sentido, ruas esvaziadas talvez forcem uma "moderação" ao estilo de Bolsonaro, opina Ortellado.

Para Rafael Cortez, esse cenário pode até ser positivo para a governabilidade se causar um "choque de pragmatismo no governo", enfraquecendo setores mais ideológicos da gestão, que pregam uma "cruzada contra o esquerdismo e a política tradicional".

"Um fracasso dos protestos pode ser um divisor águas para o Planalto entender a necessidade do pragmatismo. Pode mudar o balanço de poder no governo", destaca.

Cortez reconhece, porém, que há o risco de isso não ocorrer, já que Bolsonaro tem mantido o discurso radicalizado da eleição.

"O sucesso eleitoral do presidente não veio por um movimento de moderação. O que o elegeu foi justamente estar distante do centro por conta de uma demanda de ruptura da população, seja com a política tradicional seja com a esquerda. A própria maneira como a convocação dos protestos foi feita é um indicativo da falta de tato para buscar a moderação no governo", analisa.

Já Rosemary Segurado acredita que nem mesmo um fracasso das manifestações será capaz de moderar Bolsonaro. Segundo ela, esse cenário levará à mais instabilidade e dificuldade para aprovar reformas, aumentando a pressão de empresários e investidores sobre o governo.

Cenário 3: manifestação não 'bombam', nem fracassam totalmente
Outro cenário possível é que sejam atos de dimensão intermediária. "Daí, vai depender de quem preferir ver o copo mais cheio ou mais vazio. Bolsonaro certamente vai tender a ler que 'estamos ganhando'. Será necessário analisar, também, onde os protestos estarão, uma vez que o bolsonarismo é muito entranhado no interior do país."

Nesse cenário, se os protestos não forem grandes nas grandes cidades (São Paulo, Rio e Brasília) mas tiverem capilaridade - ou seja, acontecerem em múltiplos locais do interior -, "vão ser lidos como um sinal de força, na mesma configuração da greve dos caminhoneiros (de maio de 2018, cujas ações mais expressivas ocorreram fora dos grandes centros urbanos)".

Para Segurado, o mais provável é que as manifestações tenham tamanho mediano, mas isso deve ser insuficiente para fortalecer o presidente. "A situação é muito delicada. Então, a mobilização tem que ser muito expressiva para convencer os deputados a apoiar o governo. Se for mais ou menos, não é bom para o governo, pode ser um revés", afirma a professora.

Cortez também considera que esse cenário seria negativo, mantendo o impasse na relação entre governo e Congresso. "Se a manifestação for um sucesso ou um fracasso, teremos um fato novo que pode interferir na governabilidade. Manifestações medianas deixam a situação na mesma", acredita.

PSL baixa o tom para não esvaziar manifestações de 26 de maio.


Para protestos de hoje, deputados do PSL deixaram de lado críticas à velha política e ao STF.


Deputados focam na defesa da reforma da Previdência e no projeto de lei anti-crime e deixam de lado críticas à velha política e ao STF.

Após mais uma semana de idas e vindas no relacionamento entre o governo Jair Bolsonaro e o Legislativo, integrantes do PSL, partido do presidente da República, baixaram o tom sobre as manifestações marcadas para este domingo (26), em busca de não esvaziar as ruas e de evitar atritos com o Congresso. Parlamentares negam que os atos incluam bandeiras como o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF).

Uma das vice-líderes do governo e organizadora de atos a favor do impeachment de Dilma Rousseff na capital federal em 2015, a deputada Bia Kicis (PSL-DF) disse que o foco é no apoio a medidas como a reforma da Previdência e o projeto de lei anti-crime do ministro da Justiça, Sérgio Moro, ambas em tramitação na Câmara.

De acordo com a parlamentar, a mobilização surgiu em 14 de abril, em uma reunião do grupo Direita São Paulo, na capital paulista, e não tem uma relação direta com o governo. “Lá decidiram fazer uma manifestação em apoio à reforma da Previdência e outras pautas do governo e marcaram para 26 de maio. Não tem nada a ver com o governo. E aí o movimento foi crescendo”, afirmou ao HuffPost Brasil.

Nos últimos dias, hashtags a favor dos atos no domingo estiveram entre os tópicos mais comentados do Twitter. A mobilização é vista também como uma resposta aos protestos de 15 de maio, contra os cortes na educação, em pelo menos 220 cidades.

Levantamento que circula entre apoiadores dos atos pró-governo apontam a expectativa de participação de 350 municípios, incluindo o exterior. Há uma descentralização da organização, mas os grupos Avança Brasil, Consciência Patriótica e Movimento Brasil Conservador também são apontados como responsáveis pelos atos.

Movimentos como o Vem pra Rua e o Movimento Brasil Livre (MBL), conhecidos pela força nas manifestações pró-impeachment de Dilma, decidiram ficar de fora, o que mostra uma divisão no campo da direita.

Nesta sexta-feira, o deputado e filho do presidente, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), criticou frase de um dos líderes do MBL, deputado Kim Kataguiri (DEM-SP), sobre a relação entre Executivo e Legislativo.

Ao responder a questionamento da revista Crusoé sobre a possibilidade de impeachment de Bolsonaro, Kim Kataguiri disse que “ou a gente tem um parlamentarismo branco em que o presidente vira uma rainha da Inglaterra ou a gente passa por um processo de impeachment dependendo da votação do crédito suplementar”, em referência a projeto em que o governo pede acréscimo de R$ 240 bilhões no orçamento e que precisa ser aprovado até 30 de junho.

Após a repercussão da entrevista,  o deputado disse que a decisão de não participar dos protestos “se dá pelo fato de acreditar que o resultado pode ser prejudicial à reforma da Previdência e até mesmo para o próprio governo”.

Governo quer se descolar de manifestações

Entre governistas, há um esforço para descolar a mobilização do Planalto. Bia Kicis negou que Bolsonaro tivesse dito que participaria. “O presidente chegou a compartilhar um vídeo sobre a manifestação porque ele se sente agradecido pelo apoio, mas é só isso. [Ela] Não foi chamada pelo governo e nem faria sentido ser”, disse. Na última semana, o ex-deputado incentivou as manifestações e depois disse que não iria.

Dentro do PSL, há uma divisão sobre aderir aos protestos. A líder do governo no Congresso, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), disse que não participaria por recomendação do Planalto.“Há uma orientação do presidente da República para que os integrantes do governo não participem justamente porque representam o governo”, afirmou a jornalistas na última quinta-feira (23).

No mesmo dia, Bolsonaro criticou a inclusão de pautas extremistas nos protestos. “Quem defende o fechamento do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional está na manifestação errada”, disse em café com jornalistas no Palácio do Planalto.

Na avaliação de Kicis, é preciso separar “pessoas que querem causar tumulto” e eventuais infiltrados nos atos com bandeiras extremistas. Ela admitiu, contudo, que pode haver demonstrações de descontentamento com o STF devido à criminalização da homofobia.

“Com decisão de criminalizar a homofobia, de fazer crime sem lei, o próprio STF criar tipo penal, é possível que pessoas se manifestem contra isso, mas é um direito da população demonstrar desagrado com decisões. Ninguém falou em fechar STF. Nunca fez parte da pauta”, disse a vice-líder.

Na última quinta, o plenário da corte formou maioria para equiparar discriminação a pessoas LGBT ao crime de racismo. Críticos entendem que o Judiciário extrapola funções que caberiam ao Legislativo nesse caso.


O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), chegou a anunciar o rompimento de relações com o líder do governo na Casa, deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO).


Velha política

Entre integrantes do PSL, alguns defendem o impeachment de ministros do Supremo e são críticos ao centrão, associado ao que seria a “velha política”. Isso tem provocado tensão entre parlamentares e dificultado a aprovação de propostas do governo, como medidas provisórias.

Nesta semana, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), chegou a anunciar o rompimento de relações com o líder do governo na Casa, deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO), mas o clima melhorou após reunião na quinta. No encontro, o democrata se comprometeu em convidar Vitor Hugo para as reuniões na residência oficial. Ele havia criticado as reuniões fechadas, com poucos líderes.

Adepto ao discurso de críticas ao presidencialismo de coalizão, o major compartilhou uma charge sugerindo que para negociar com o Congresso era necessário um saco de dinheiro. O incômodo de Maia foi exposto em reunião de líderes na última terça-feira (21).

De acordo com Bia Kicis, a charge foi compartilhada em um grupo de WhatsApp fechado do PSL com a legenda “parte da população acredita que Congresso não nos representa, que há corrupção e estamos aqui para mostrar que é diferente”. “Rodrigo Maia recebeu mal porque achou que poderia ser uma crítica ao Congresso por parte do líder do governo. Não se tratou disso em nenhum momento”, afirmou.

A reconciliação do presidente da Câmara com Vitor Hugo foi articulada pela deputada Carla Zambelli (PSL-SP), também adepta das manifestações de domingo.

Na visão dela, as manifestações não vão prejudicar a relação entre os poderes, mas podem incentivar deputados a votarem conforme decisões pessoais e não orientações partidárias. “As ruas vão saber, como sempre souberam, separar o joio do trigo. A ideia é que essa manifestação venha a ajudar os deputados que querem votar conforme sua própria consciência ou ideia de seus eleitores mas não podem votar porque os caciques e lideranças muitas vezes não deixam”, afirmou ao HuffPost Brasil.

Zambelli disse que conversou com o presidente da Câmara sobre os protestos e que o democrata tem sido importante para o avanço de pautas governistas.

Apesar de baixarem o tom nas críticas ao Parlamento, integrantes do PSL entendem que a expectativa pelos protestos pressionou os congressistas a aprovarem a medida provisória (MP) 870/2019, da reforma administrativa. O texto deve ser votado no Senado na próxima terça-feira (28). Se não for aprovado até 3 de junho, o governo pode ser obrigado a recriar ministérios para a antiga estrutura, de 29 pastas.

O avanço na Câmara só foi possível após articulação envolvendo Rodrigo Maia e o centrão, grupo de partidos de centro e de direita que reúnem cerca de 200 deputados.

Governistas divergem se foi uma vitória ou não para o Planalto. O governo abriu mão de o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) ficar nas mãos de Sérgio Moro. Alguns integrantes da base defendem brigar por uma alteração no texto que garanta que o órgão que auxilia investigações fique subordinado ao Ministério da Justiça, mesmo com o risco de a MP vencer.

Manifestantes fazem atos pró-Bolsonaro em várias cidades.


Ato pró-Bolsonaro durante a campanha, em 2018.


Simpatizantes de Jair Bolsonaro (PSL) realizam neste domingo, 26 de maio, manifestações em várias cidades do Brasil em apoio ao presidente da República. De acordo com os organizadores, cerca de 350 cidades devem ter atos pró-Bolsonaro, mas os protestos não têm adesão de toda a base governistas nem o apoio dos principais movimentos da direita anti-PT — MBL e Vem Pra Rua já descartaram a participação.

Convocados pelas alas alinhadas ao ideólogo Olavo de Carvalho, os protestos de 26 de maio causam divergências até mesmo entre os parlamentares da bancada do PSL. Embora apoie as manifestações (e as use como uma estratégia para medir forças com o Congresso e atrair um apoio num momento que seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, é alvo de uma investigação por lavagem de dinheiro), a presença do presidente Jair Bolsonaro nas ruas neste domingo ainda é incerta.

Os manifestantes protestam também contra o bloco parlamentar chamado Centrão, a quem acusam de "achacar" o Planalto, contra o Supremo Tribunal Federal e a favor da reforma da Previdênciae do pacote anticrime do ministro Sergio Moro. Nos grupos bolsonaristas, circulam mensagens muito mais radicais, pedindo o fechamento do Congresso, por exemplo.




Bolsonaro promove atos "espontâneos" pelo Twitter

Há dias o presidente aplica um vai-e-vem de discursos a respeito dos protestos. Seu porta-voz chegou a dizer que os atos eram "espontâneos", mas seu Twitter não deixa dúvidas sobre o engajamento. Um pouco depois das 10h da manhã, o presidente começou a publicar imagens da mobilização, como fazia na campanha, em sua conta, seguida por 4 milhões de seguidores.



Kim Kataguiri: “O Governo Bolsonaro é refém de si mesmo”


Um dos efeitos mais visíveis da convocatória dos atos pelo "bolsonarismo puro" foi o racha nos movmentos de direita. Leia a entrevista do deputado Kataguiri, do MBL

Eu acho que é pouco provável que hoje haja algum processo de impeachment. É possível, mas pouco provável. A maior tendência é que a gente tenha um parlamentarismo branco, em que o presidente se isole e que a pauta principal fique com o Congresso Nacional.
É o que aposta Kim e é o que sonha também o mercado financeiro, que pôs fé em Bolsonaro como presidente capaz de aprovar reformas liberais.

Quem se mobilizará por Bolsonaro?

Nesta semana, pesquisa Atlas Políticos mostrou que, pela primeira vez, a desaprovação ao Governo Bolsonaro superou a aprovação. "O que a pesquisa mostra é que ainda existe um percentual grande da população que apoia o presidente e eu não ficaria surpreso se há manifestações expressivas a favor do presidente e, dias depois, manifestações expressivas contra ele. É só um resultado da polarização da sociedade que continua", analisou do diretor do Atlas, Andrei Roman. Para ele, ainda é cedo para dizer se Bolsonaro conseguirá estancar a queda de apoio. "Depende de produzir resultados na economia e na queda do desemprego", diz.

Emparedar o Congresso: grupos endossados pelo Governo ridicularizam até aliados

Um dos campos onde pulsa o "bolsanarismo puro" são grupos de WhatsApp que, apesar de difíceis de monitorar, são reveladores das estratégias de mobilização usadas pelo Planalto e seu entorno desde a eleição. A convocatória dos atos para este domingo está repleta de mensagens que ridicularizam inclusive aliados táticos do Governo, como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Maia é descrito como alguém que lidera o bloco parlamentar, o Centrão, que quer "achacar" e tirar dinheiro do Governo. Bolsonaro, que fez carreira nestes partidos, usa a tática de sempre: morde e assopra. Ora endossa as críticas, como fez ao compartilhar texto que falava de um Brasil "ingovernável", ora critica os "radicais" que ele diz não controlar. O Congresso e seus líderes fora do "bolsonarismo puro" ainda parecem atordoados na nova era, tentando reagir ao "plebiscito de aeroporto" eterno das redes sociais.

Batalha no Twitter já começou

Bolsonaro precisa que a manifestação seja um sucesso, com bastante gente na rua, para se fortalecer dentro da própria coalizão que o elegeu e o pressiona.  Outro campo de batalha estratégico é o Twitter, onde a guerra de hashtags já começou na manhã deste domingo. Brasil nas ruas, pró-Planalto, é seguido de perto por uma que satiriza os atos.

De forma alguma é coincidência que Bolsonaro tente um autogolpe no momento em que o filho zeroum é investigado por desvio de dinheiro público, lavagem de dinheiro e organização criminosa. E no momento em que essa investigação pode alcançar outros familiares e também o chefe do clã."

Bom dia!

Iniciamos agora nossa cobertura em tempo real das manifestações de apoio ao Governo Bolsonaro. Leia a reportagem de Joana Oliveira a respeito do racha que a convocatória provocou na coalizão de direita que ajudou a eleger o presidente.

Essa situação criou um racha na direita, mas isso não significa, necessariamente, que Bolsonaro se enfraquecerá. Pode indicar apenas que ele pode prescindir desses grupos maiores para incidir sobre o antipetismo

DIA 26: O Que Vai ACONTECER nas Manifestações Amanhã?



DIA 26 DE MAIO | O FRACASSO BOLSONARISTA



Estudantes x fracasso retumbante



FLÁVIO BOLSONARO PODE SER PRESO POR ATRAPALHAR INVESTIGAÇÕES



Rejeição ao governo supera aprovação pela primeira vez



Kim Katapiroka e Gentili são o Brasil que (não) deu certo | Galãs Feios



NORDESTE CANCELA BOLSONARO | Galãs Feios




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