terça-feira, junho 18, 2019

POLÍTICA

Moro sugeriu a procuradores nota contra 'showzinho' da defesa de Lula, diz site.


The Intercept Brasil divulgou novas mensagens atribuídas a Sérgio Moro nesta sexta-feira (14).


Novos trechos de conversas atribuídas ao então juiz Sérgio Moro e a procuradores da Operação Lava Jato foram publicadas pelo site The Intercept Brasil na noite desta sexta-feira (14). A suposta troca de mensagens mostra que o ministro da Justiça, Sérgio Moro, sugeriu aos procuradores do MPF (Ministério Público Federal) a divulgação de uma nota que rebatesse a defesa de Lula após depoimento do ex-presidente à Lava Jato em 2017.

De acordo com o site, às 22h04 do dia 10 de maio de 2017, data do depoimento, Moro digitou uma mensagem para o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima perguntando o que ele havia achado do depoimento de Lula no processo do tríplex do Guarujá.

Santos Lima respondeu: “Achei que ficou muito bom. Ele começou polarizando conosco, o que me deixou tranquilo. Ele cometeu muitas pequenas contradições e deixou de responder muita coisa, o que não é bem compreendido pela população. Você ter começado com o tríplex desmontou um pouco ele”.



“A comunicação é complicada pois a imprensa não é muito atenta a detalhes”, respondeu Moro.

Às 22h12, de acordo com o Intercept, Moro aconselhou: “Talvez vcs devessem amanhã editar uma nota esclarecendo as contradições do depoimento com o resto das provas ou com o depoimento anterior dele”.

Um minuto depois, Moro completou: “Porque a Defesa já fez o showzinho dela.”

“Podemos fazer. Vou conversar com o pessoal. Não estarei aqui amanhã. Mas o mais importante foi frustrar a ideia de que ele conseguiria transformar tudo em uma perseguição sua [de Moro]”, respondeu o procurador.

De acordo com o site, na sequência, Santos Lima copiou o diálogo que teve com Moro em chat privado e colou em outro chat privado, com o coordenador da Lava Jato, Deltan Dallagnol.

O Intercept também publicou mensagens de Santos Lima escritas em outro chat com os procuradores da força-tarefa que já discutiam a possibilidade de abordar publicamente o depoimento de Lula.  

Nesse grupo, Santos Lima alertou Dallagnol que havia enviado uma mensagem privada para ele. Ele se referia às mensagens que trocara com Moro. Em seguida, o coordenador da Lava Jato defendeu a publicação da possível nota:

“Temos que avaliar os seguintes pontos: 1) trazer conforto para o juízo e assumir o protagonismo para deixá-lo [Sergio Moro] mais protegido e tirar ele um pouco do foco; 2) contrabalancear o show da defesa. E o formato, concordo, teria que ser uma nota, para proteger e diminuir riscos. O JN [Jornal Nacional] vai explorar isso amanhã ainda. Se for para fazer, teríamos que trabalhar intensamente nisso durante o dia para soltar até lá por 16h.”

Em um outro grupo com membros da assessoria de imprensa do MPF, segundo o Intercept, Dallagnol mandou um mensagem também justificando a publicação da possível nota.

“As razões para eventual manifestação são: a) contrabalancear as manifestações da defesa. Vejo com normalidade fazer isso. Nos outros casos não houve isso. b) tirar um pouco o foco do juiz que foi capa das revistas de modo inadequado.”

Um dos assessores, que não teve o nome divulgado, chegou a rebater: “Mudar a postura vai levantar a bola pra outros questionamentos”.

Os procuradores divulgaram no dia seguinte a nota na qual expunham o que julgavam ser as contradições de Lula, como teria orientado Moro. No final desse mesmo dia, segundo o Intercept, Dallagnol enviou outra mensagem a Moro dizendo:

“Informo ainda que avaliamos desde ontem, ao longo de todo o dia, e entendemos, de modo unânime e com a Ascom [assessoria de comunicação], que a imprensa estava cobrindo bem contradições e que nos manifestarmos sobre elas poderia ser pior.”

De acordo com o Intercept, o coordenador da Lava Jato seguiu: “Decidimos fazer nota só sobre informação falsa, informando que nos manifestaremos sobre outras contradições nas alegações finais.”

Outro lado

Em nota divulgada em seu perfil nas redes sociais, o procurador regional da Lava Jato Carlos Fernando dos Santos Lima afirmou desconhecer “completamente as mensagens citadas” e tachou as reportagens do Intercept de “rodada de mentiras”.

“Creio que o ‘órgão jornalístico’ deve uma explicação de como teve acesso a esse material de origem criminosa, e quais foram as medidas que tomou para ter certeza de sua veracidade, integridade e ausência de manipulação”, criticou Santos Lima.

O Intercept afirma que procurou a assessoria do ministro Sérgio Moro na sexta (14) e apresentou com antecedência as conversas destacadas na reportagem. Em resposta, recebeu uma nota dizendo:

“O ministro da Justiça e Segurança Pública não comentará supostas mensagens de autoridades públicas colhidas por meio de invasão criminosa de hackers e que podem ter sido adulteradas e editadas, especialmente sem análise prévia de autoridade independente que possa certificar a sua integridade. No caso em questão, as supostas mensagens nem sequer foram enviadas previamente.”

Demissão de Santos Cruz é vitória de ala ideológica e deve mudar Comunicação.




Secretário de Comunicação, Fabio Wajngarten, que deve deve ganhar mais liberdade, vinha reclamando de "equívocos" sob o guarda-chuva de Santos Cruz.

A demissão do general Santos Cruz da Secretaria de Governo da Presidência, anunciada na última quinta-feira (13), terá impacto direto no direcionamento da Secretaria de Comunicação (Secom). O novo rumo significa, antes de mais nada, vitória da ala ideológica do governo, que inclui o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) e o guru do bolsonarismo Olavo de Carvalho, que criticavam abertamente Santos Cruz. 

As diferenças entre Olavo e o general se acirraram no fim de março. Na época em que o ministro estava sendo “fritado” por Olavo, o presidente trocou a chefia da Secom, que era subordinada ao militar, e nomeou Fabio Wajngarten.

Desde a troca na Secom, as críticas continuaram e, em alguns momentos, se acirraram. Wajngarten chegou a reclamar publicamente de como era o órgão antes de ele assumir. Afirmou que os funcionários estavam desmotivados e que havia muito a ser corrigido. 

A aposta é que, de agora em diante, Wajngarten ganhe mais liberdade.

“Confesso que até a nossa chegada, a Secom estava totalmente destroçada. A gente reoxigenou todo mundo que atuava lá. Acho que a gente vem cumprindo com muito êxito o que nos foi dado”, disse o secretário em uma comissão no Senado, no fim de maio.

Em outro momento no colegiado, o secretário afirmou que ainda estava ganhando espaço. “Nem tudo são flores. A gente ainda tem muito para corrigir, entendo que ainda há equívocos na comunicação.” 


O secretário negou ingerência dos filhos do presidente na comunicação oficial. Disse que Bolsonaro deu à Secom liberdade total para trabalhar tecnicamente.


A expectativa é que esse espaço seja conquistado com a presença do general Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira, comandante militar do Sudeste, com sede em São Paulo, indicado para suceder Santos Cruz.

O governo também trabalha com a possibilidade de tirar a Secom do guarda-chuva da Secretaria de Governo e a acomodar na Presidência.

Histórico de rixas

As críticas de Olavo à ala militar haviam cessado no fim de abril, mas foram retomadas no fim de maio. O principal alvo seguiu sendo Santos Cruz.

Entre os motivos que levavam à ala ideológica a reclamar de Santos Cruz estava a postura firme em relação à comunicação e os freios impostos pelo militar à influência dos próprios filhos de Bolsonaro.

Para iniciar um dos principais ataque, olavistas voltaram a declarações do general Santos Cruz dadas havia mais de um mês - e que nem tinham tido repercussão à época. 

Em entrevista à rádio Jovem Pan no início de abril, o general afirmou que era preciso evitar distorções nas redes sociais. “Tem de ser disciplinado, até a legislação tem de ser aprimorada, e as pessoas de bom senso têm de atuar mais para chamar as pessoas à consciência de que a gente precisa dialogar mais, e não brigar”, disse.

Olavo reagiu um mês depois. “Controlar a internet, Santos Cruz? Controlar a sua boca, seu merda”, escreveu no Twitter em maio.

A quantidade de ataques a Santos Cruz foi tamanha que o ex-comandante do Exército e atual assessor do Gabinete de Segurança Institucional, general Villas Boas também partiu para cima de Olavo. 

No Twitter, o general chamou o “guru” de “verdadeiro Trotsky de direita” e disse que, no momento em que o país busca coesão, Olavo age no sentido de acentuar as divergências.

Insatisfação militar

Embora Bolsonaro tenha indicado outro general para o cargo de Santos Cruz, há um desconforto entre os militares em relação à força da ala olavista.

A demissão de Santos Cruz traz a memória do que ocorreu com Gustavo Bebianno, primeiro ministro do governo a ser demitido após pressão de Carlos Bolsonaro. Bebianno foi braço direito do presidente em toda campanha eleitoral, mas não contava com a simpatia dos filhos nem da ala ideológica do governo.

De acordo com o Estadão, o chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, segue sendo conselheiro do presidente, mas seus colegas não estão mais tão confiantes. 

Ciente do dano que causaria aos colegas militares, Bolsonaro avaliou bem a hora de demitir de Santos Cruz. O fez após consultar o ministro da Defesa, Fernando de Azevedo e Silva, e o comandante do Exército, general Edson Pujol. Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira é o primeiro militar da ativa a integrar o governo.

Ramos e Bolsonaro são amigos, dividiram o quarto na Escola Preparatória de Cadetes. A presença do general da ativa em atividades no Planalto já era considerada rotineira antes de ele ser indicado para integrar o governo.

MORO, GLOBO e os Ajustes de estratégias. Entenda o que pode ocorrer.



Bom dia 247 (16.6.19): Globo já detona Moro.



Entrevista do Lula com Juca Kfouri e José Trajano na TVT.




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