sexta-feira, julho 19, 2019

POLÍTICA

Oposição diz ter votos para barrar Eduardo Bolsonaro em embaixada.




A oposição ao governo deJair Bolsonaro (PSL) no Senado conta os votos para barrar a indicação do filho mais novo do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), ao posto de embaixador nos Estados Unidos. Nas cálculos do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), líder da oposição na casa, seu grupo tem, hoje, os 41 votos suficientes para impedir a nomeação.

Randolfe, entretanto, reconhece que a atuação do Palácio do Planalto pode mudar o cenário e avalia que o fato de o voto ser secreto beneficia o plano de Bolsonaro de emplacar seu filho no principal posto da diplomacia brasileira no exterior. Para evitar isso, ele planeja fazer com que os senadores que votarem contra anunciem seus votos — uma forma de constranger aqueles parlamentares que ficarem em silêncio.

“O Senado deve cumprir seu papel e não passar por este constrangimento. Seria muito desgastante e vergonhoso para a instituição aprovar o filho do presidente para um dos principais postos da diplomacia. O senhor Eduardo Bolsonaro não é da carreira do Itamaraty e não tem condições técnicas nem atributos para o cargo”, afirma Rodrigues.





O senador Angelo Coronel (PSD-BA) afirma que Bolsonaro menospreza os diplomatas de carreira ao indicar seu filho para o posto em Washington (EUA). “Ser filho do presidente, falar inglês, fazer hambúrguer e ser amigo da família Trump não são predicados pra assumir importante cargo em detrimento de outros nomes de carreira, gabaritados. Ele terá que mostrar o seu currículo e sua capacidade para sua indicação ser aprovada. Está parecendo capricho do pai querendo agradar o filho”, avalia.

O presidente Jair Bolsonaro disse que, da parte dele, “está definido” que seu filho será indicado para assumir a embaixada do Brasil na capital americana. A possibilidade vem gerando reações negativas até mesmo dentro da base aliada e entre os bolsonaristas nas redes sociais. A indicação ainda não foi oficializada, mas Bolsonaro afirmou já ter conversado com presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Randolfe Rodrigues também afirma que, assim que a mensagem presidencial chegar ao Senado para oficializar a indicação, seu partido, a Rede, entrará com uma ação no Supremo para tentar impedir que a análise seja feita, inviabilizando a nomeação desde o início. O processo deve se basear no entendimento da corte que veda o nepotismo e nos princípios da moralidade e da impessoalidade na administração pública, previstos no artigo 37 da Constituição.

Eduardo Bolsonaro cita como 'credencial' pós-graduação não concluída.




O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) tem citado uma pós-graduação em Economia como uma das credenciais que o qualificariam para assumir a embaixada brasileira em Washington. O filho “03” de Jair Bolsonaro, no entanto, ainda não se formou. Falta entregar o trabalho de conclusão de curso, iniciado em março de 2016.

Em um vídeo que divulgou na sexta-feira passada, em seguida à manifestação do presidente da República de que poderia indicá-lo ao posto nos EUA, Eduardo fez a menção em seu currículo. “Sou formado em direito pela UFRJ, advogado concursado, passei na prova da OAB, escrivão de Polícia Federal, uma pós-graduação em Economia, falo inglês, português e espanhol”, disse.

A especialização é em Escola Austríaca de Economia, uma vertente do pensamento econômico liberal cujo maior expoente é o austríaco Ludwig von Mises. A pós-graduação lato sensu, que confere o título de especialista, é uma iniciativa do Instituto Mises Brasil em parceria com o Centro Universitário Ítalo Brasileiro, sediado em São Paulo. Eduardo fez parte da primeira turma. Seus colegas de turma se formaram em agosto de 2017, mas ele não.

O parlamentar, no entanto, ainda pode concluir a pós-graduação. Ele recebeu mais tempo para apresentar uma monografia ou um artigo científico. Quem se forma obtém um título de especialista na Escola Austríaca de Economia.

A reportagem enviou perguntas ao Instituto Mises Brasil sobre a situação de Eduardo no curso. A instituição confirmou que ele ainda não concluiu a pós. Procurado por meio de sua assessoria, o deputado não se manifestou.

De acordo com um de seus professores, que preferiu não se identificar, o deputado era calado e tentava absorver e entender os liberais.

O curso procurado por Eduardo tem atraído diversos deputados federais. Na turma que iniciou as aulas em 2019, há quatro: Tiago Mitraud (PSL-MG), Paula Belmonte (Cidadania-DF), Felipe Barros (PSL-PR) e Carlos Jordy (PSL-RJ).

Conselheiros tentam dissuadir Bolsonaro de indicar filho à embaixada dos EUA.


Eduardo Bolsonaro e o pai se encontraram com Donald Trump em Osaka, no Japão, durante a cúpula do G20.


Senadores governistas articulam aprovação de nome de Eduardo Bolsonaro em sabatina no Senado.

Embora Jair Bolsonaro tenha confirmado nesta terça-feira (16) a intenção de indicar o filho Eduardo como embaixador dos Estados Unidos, o presidente tem sido aconselhado por pessoas próximas a recuar. Aliados o instruem, nos bastidores, dos riscos e do desgaste de levar a ideia adiante. Desde o anúncio do interesse de Bolsonaro na semana passada, a avaliação é que a decisão pode provocar uma onda de acusações de nepotismo e causar uma associação não desejada do governo com corrupção, conforme afirmaram fontes ouvidas pelo HuffPost.

Jair Bolsonaro tem ouvido as pessoas próximas, mas prefere manter sua posição. Porém, para que ela seja de fato efetivada, a decisão de indicar Eduardo precisa ser publicada no Diário Oficial da União (DOU) — o que ainda não tem data para ocorrer. Como o Congresso Nacional entra em recesso parlamentar nesta semana, os conselheiros palacianos esperam ter sucesso em reverter o pensamento de Jair até o fim de julho.

Em paralelo ao movimento que ocorre nos corredores do Palácio do Planalto, aliados do governo já começaram a articular no Senado, onde o nome do deputado federal precisa ser avalizado. A intenção é que, caso o presidente se mantenha firme a favor do filho, a votação na Casa ocorra ainda em agosto.

Líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) disse ao HuffPost que está convicto da aprovação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada dos EUA, caso ela se concretize. Segundo ele, o governo é maioria tanto na Comissão de Relações Exteriores (CRE) quanto no plenário.

Após sabatina na CRE, há uma votação secreta do nome indicado a embaixador. Se aprovada na comissão, a indicação é apreciada pelos senadores em plenário, onde a votação também é secreta.

"Não se trata de nepotismo. É uma indicação política. Se é conveniente e oportuno, é uma prerrogativa única do presidente.!"

-Major Olímpio (PSL-SP), líder do PSL no Senado

Recurso por nepotismo

Porém, se o presidente realmente decidir levar adiante sua ideia, vai enfrentar resistências que vão além do processo legislativo. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que integra a CRE, pretende recorrer judicialmente contra a nomeação do 03 — como Bolsonaro chama o terceiro filho — tão logo ela seja publicada no DOU.

“Vou entrar com uma ação popular contra a nomeação. Ela fere claramente a vedação contra o nepotismo. É totalmente contra a Constituição”, disse o parlamentar, para quem a intenção do presidente representa um “retrocesso republicano”.

Para Randolfe, não há “precedentes na História do País em que o único atributo para ser indicado a um cargo seja ser filho do presidente”. O senador ainda que é uma tradição da política externa que os cargos em embaixadas sejam ocupados por chanceleres em fim de carreira ou ex-presidentes.

"Não há precedentes na História do País em que o único atributo para ser indicado a um cargo seja ser filho do presidente."

-Randolfe Rodrigues (Rede-AP), líder

Prerrogativa do presidente

Aliado do presidente, o líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP) rebateu o colega. “Não se trata de nepotismo. É uma indicação política. Existem precedentes no Supremo Tribunal Federal. Se é conveniente e oportuno, é uma prerrogativa única do presidente da República”, argumento ao HuffPost.

O senador ressaltou que Eduardo é um parlamentar “com mais de um milhão de votos, tem proximidade com o governo, o que ao invés de problema, é solução”. Major Olímpio afirma ter a intenção de ser relator do caso quando ele for debatido na Comissão de Relações Exteriores no Senado.

Mimar os filhos com poder ou ser presidente da República: A escolha de Jair.


O clã Bolsonaro, da direita para esquerda: Flávio, Jair, Eduardo e Carlos


Bolsonaro confunde papéis de pai e presidente e coloca em xeque discurso antissistema que o elegeu.

O Brasil de Bolsonaro não é só do presidente Jair. Uma família inteira está no comando do País. 

É o clã de Jair que dá as cartas em um governo marcado por controvérsias e com popularidade já decrescente.

A insistência de Jair em tornar o filho embaixador nos Estados Unidos é só mais um capítulo desta novela em que imperam os laços de família.

Eduardo é o favorito do pai para assumir a embaixada. Uma decisão inédita em democracias e alvo de merecidas críticas de senadores (não só da oposição), diplomatas, jornalistas que cobrem relações internacionais há décadas.

Ao confundir os papéis de pai e presidente, Bolsonaro repete a velha receita patrimonialista brasileira. O público se torna uma extensão do privado.

O Palácio do Planalto e a Esplanada dos Ministérios agora são quintal da família.

É o Brasil de Bolsonaros.

Eduardo frita hambúrgueres (ou frango frito). Fala inglês, espanhol. Tem “vivência internacional”; fez até intercâmbio. E é filho de Jair, o presidente. Logo, já pode assumir uma função que só diplomatas muito experimentados teriam condições de exercer.

Carlos tweeta. Se briga com o pai, deixa a conta de Jair inacessível. Seu método de fritura, com poucos caracteres, já eliminou militares do primeiro escalão do governo. Derrubou também aliado outrora fundamental para o PSL — Gustavo Bebianno. Ele é filho de Jair, o presidente. Logo, pode despachar como chefe de Estado no Twitter e fazer as vezes de RH do governo.

Flávio emudece. É o mais distante do governo, mas não deve ser coincidência. Seu nome está envolvido em suspeita de um esquema criminoso em seu antigo gabinete de deputado estadual no Rio. A investigação, aliás, foi suspensa ontem por decisão no STF (Supremo Tribunal Federal). Ele é filho de Jair, o presidente. Logo, pode minimizar o sumiço de Fabrício Queiroz, seu ex-assessor com movimentações milionárias e atípicas que envolveram a família Bolsonaro.

Essa postura de Jair, de dividir o poder entre seus filhos, é o que há de mais velho na política brasileira.

É uma prática oposta ao discurso que o elegeu: antissistema, adversário da corrupção, o outsider ainda que de dentro.

Os conselheiros palacianos tentam dissuadir o presidente da ideia de Eduardo embaixador. Entendem que a preferência pelo filho gera profundos questionamentos éticos — e de competência. Sobretudo para quem se diz inimigo de corruptos.

Pois é, já passou da hora de Jair escolher.

Ou continua mimando os filhos com poder e privilégios...

Ou se torna o único Bolsonaro do governo — e assume a responsabilidade e o decoro que seu cargo exige.

Será que o coração de pai vai continuar falando mais alto que o compromisso com a República e o País?

"Se a capitalização é tão boa assim, por que vocês não colocam os militares nela?"



Eduardo Bolsonaro embaixador nos EUA?



Rolês de Eduardo Bolsonaro provam que ele deve ser embaixador | Galãs Feios




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