terça-feira, julho 30, 2019

POLÍTICA

Bolsonaro diz que Glenn talvez ‘pegue uma cana’ no Brasil.




O presidente Jair Bolsonaro disse neste sábado (27.jul.2019) que o jornalista norte-americano Glenn Greenwald pode acabar sendo preso no Brasil já que não se adequa em portaria publicada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, que facilita a extradição de criminosos.

O site The Intercept Brasil, do qual Glenn faz parte, tem publicado uma série de reportagens com conversas entre o ex-juiz e procuradores da operação Lava Jato, no caso que ficou conhecido como Vaza Jato.

Em visita ao Rio de Janeiro, onde participou de cerimônia de brevetação de paraquedistas, Bolsonaro avaliou que o jornalista teria sido “malandro” por ter se casado com o deputado federal David Miranda (Psol-RJ) e adotado crianças brasileiras.





“Ele (Glenn) não se encaixa na portaria. Até porque ele é casado com outro homem e tem meninos adotados no Brasil. Malandro, malandro, para evitar 1 problema desse, casa com outro malandro e adota criança no Brasil. Esse é o problema que nós temos. Ele não vai embora, pode ficar tranquilo. Talvez pegue uma cana aqui no Brasil, não vai pegar lá fora não”, afirmou.

A portaria publicada na 5ª feira (25.jul.2019) pelo ministério de Moro estabelece que pessoas consideradas perigosas “ou que tenham praticado ato contrário aos princípios e objetivos dispostos na Constituição Federal” poderão ser deportadas sumariamente ou ter seu visto de permanência no Brasil reduzido ou cancelado.

O presidente defendeu a medida, dizendo que poderia até ter feito 1 decreto sobre o tema. “Quando o Moro falou comigo, que teria carta branca, eu teria feito um decreto. Tem que mandar para fora quem não presta. Não tem nada a ver com o caso dele (Glenn)”, completou.

Bolsonaro lembrou que foi 1 dos únicos congressistas, segundo ele, que foi contra projeto do ex-chanceler Aloysio Nunes sobre imigração. Para Bolsonaro, o Brasil está “escancarado” para quem vem de fora o que não acontece nem nas casas dos brasileiros, que as fecham para dormir. Ele nega, contudo, que seja de alguma forma xenófobo.

“Pela lei, se chegar aqui um navio com 5.000 pessoas de qualquer lugar do mundo, já sai com hospedagem. Não é assim! Não sou xenófobo, mas na minha casa entra quem eu quero, e a minha casa no momento é o Brasil. Se 1 cara for pego por suspeita de tráfico, sequestro, esses crimes brabos, é suspeito apenas, sai daqui! Já tem bandido demais no Brasil! Esse é o sentimento dele (Moro) e o meu também, parabéns ao Moro”, disse.

Glenn responde Bolsonaro: ‘Não tem poder de ordenar prisões’.


O jornalista Glenn Greenwald


O jornalista Glenn Greenwald, editor do site The Intercept Brasil, respondeu neste sábado à declaração do presidente Jair Bolsonaro de que “talvez ele poderia pegar uma cana aqui no Brasil”. No Twitter, o jornalista afirmou que o presidente “não tem poder” para ordenar prisões e que “ainda existem tribunais em funcionamento”.

"Ao contrário dos desejos de Bolsonaro, ele não é (ainda) um ditador. Ele não tem o poder de ordenar pessoas presas. Ainda existem tribunais em funcionamento. Para prender alguém, tem que apresentar provas para um tribunal que eles cometeram um crime. Essa evidência não existe." https://twitter.com/UOL/status/1155153316470513666 …

-Glenn Greenwald

Greenwald também comentou que o governo não tem prerrogativa para deportá-lo e que ele não irá deixar o Brasil. “Eu tenho o poder de sair do Brasil, voluntariamente – e tinha esse poder o tempo todo. Mas não fiz e não vou, apesar dessas ameaças. Por quê? Porque sei que não tem nada contra mim. Vou defender a democracia do país dos meus filhos”.

À frente do Intercept, Greenwald tem publicado desde o início de junho reportagens baseada em conversas vazadas do procurador Deltan Dallagnol com o ministro da Justiça, Sergio Moro, e com outros integrantes da força-tarefa da Lava Jato.

Em evento no Rio de Janeiro, Bolsonaro falou sobre a portaria baixada por Moro nesta sexta-feira que prevê a “deportação sumária” de estrangeiros considerados perigosos. “Ele não se encaixa na portaria. Até porque ele é casado com outro homem e tem meninos adotados no Brasil. Malandro, malandro, para evitar um problema desse, casa com outro malandro e adota criança no Brasil. Esse é o problema que nós temos. Ele não vai embora, pode ficar tranquilo. Talvez pegue uma cana aqui no Brasil, não vai pegar lá fora não”, disse Bolsonaro.

Sobre os comentários sobre o seu casamento com o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ), Greenwald afirmou que a ilação de Bolsonaro é “nojenta”. “Sugerir que alguém adotaria – e cuidaria de – 2 filhos para manipular a lei é nojenta. O Brasil tem 47.000 crianças em abrigos. A adoção é linda e deve ser encorajada, não zombada”, escreveu ele.

Deltan recebeu R$ 33 mil por palestra de empresa de tecnologia citada na Lava Jato.


“Isso é um pepino pra mim. É uma brecha que pode ser usada para me atacar”, disse o coordenador na Lava Jato a colegas sobre a palestra à empresa citada na operação.


De acordo com a Folha de S.Paulo, coordenador da força-tarefa da Lava Jato usava grupo no Telegram para consultar colegas sobre possíveis ‘pepinos’ a serem gerados por sua participação em eventos.

O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato, recebeu R$ 33 mil para fazer uma palestra para a empresa de tecnologia Neoway, uma das citadas em delação na operação. A informação está em mensagens e documentos obtidos pelo The Intercept Brasil, analisados em parceria com a Folha de S.Paulo, divulgados nesta sexta-feira (26). 

De acordo com a reportagem, a primeira menção à Neoway em um documento de colaboração, em 2016, ocorreu dois anos antes da palestra, que se deu em março de 2018. 

Deltam se aproximou integrantes do grupo, segundo a reportagem da Folha, “com objetivo de viabilizar o uso de produtos dela [Neoway] em um trabalho da força-tarefa”. Em seguida, gravou um vídeo no qual “enaltece” o uso de tecnologia em investigações”.

À Folha, Deltan Dallagnol afirmou que, ao aceitar dar a palestra, não tinha conhecimento de que a empresa havia sido citada na Lava Jato. “Não reconheço a autenticidade e a integridade dessas mensagens, mas o que posso afirmar, e é fato, é que eu participava de centenas de grupos de mensagens, assim como estou incluído em mais de mil processos da Lava Jato. Esse fato não me faz conhecer o teor de cada um desses processos.” 

De acordo com a reportagem, depois de quatro meses da palestra, pela qual recebeu R$ 33 mil, o procurador afirmou a colegas, em um chat, ter descoberto a citação pelo lobista Jorge Luz, que atuou no favorecimento junto à Petrobras e subsidiárias para o MDB. 

“Isso é um pepino pra mim. É uma brecha que pode ser usada para me atacar (e a LJ), porque dei palestra remunerada para a Neoway, que vende tecnologia para compliance e due diligence, jamais imaginando que poderia aparecer ou estaria em alguma delação sendo negociada”, afirmou o procurador na conversa, segundo a Folha. A reportagem diz ter reproduzido o trecho exatamente como escrito na mensagem de Deltan aos colegas procuradores no chat do Telegram. 

Por conta disso, Deltan e outros procuradores deixaram as investigações sobre Jorge Luz. 

A reportagem da Folha destaca que o grupo no Telegram da força-tarefa da Lava Jato para conversar sobre a delação de Jorge Luz foi criado em fevereiro de 2016, portanto, dois anos antes da palestra feita pelo procurado da República. 

Logo em seguida, em março, comentaram no chat sobre um documento no qual o delator menciona a Neoway em um projeto de tecnologia da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras. 

Houve ainda outras situações em que Dallagnol recebeu convites que representavam conflitos de interesse e consultou seus pares. Um exemplo a participação em um evento da Odebrecht Ambiental. Após consultar os colegas, o procurador recusou o convite. 

Procurada pela Folha, a Neoway disse ter pago a Deltan Dallagnol e demais palestrantes “valores compatíveis com o mercado para atividades dessa natureza, com total observância às leis”.

Hackers da República

Esta semana, na terça (23), foram presas quatro pessoas suspeitas de integrar uma quadrilha que invadiu celulares de diversas autoridades. Na quinta (25), o Ministério da Justiça informou que até mesmo o presidente Jair Bolsonaro foi alvo de ataques dos hackers. 

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, associou o grupo ao site The Intercept, ligação não citada pelo juíz Vallisney Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal de Brasília, que mandou efetuar as prisões. 

Bolsonaro defende indicação de Eduardo: ‘Não botaria para pagar vexame’.


Deputado Eduardo Bolsonaro chegou a dar coletiva de imprensa para comentar, à época, a possível indicação, quando afirmou ser credenciado para o cargo e disse que abriria mão de seu cargo se fosse preciso


O presidente Jair Bolsonaro disse neste sábado (27.jul.2019), em visita ao Rio de Janeiro, que não escolheria o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para ser embaixador do Brasil nos Estados Unidos se fosse para ele passar vergonha. Nesta semana, o Itamaraty encaminhou ao governo norte-americano o nome do congressista, que é filho do presidente, para o cargo.

“Vocês acham que eu botaria um filho meu em 1 posto de destaque desse pra pagar vexame? Eu quero 1 contato imediato, rápido, com o presidente norte-americano. Como eu tive dificuldade agora pra tratar a questão do navio iraniano que está aqui no Brasil”, afirmou.

Desde que Bolsonaro revelou sua vontade de indicar Eduardo para a embaixada, a decisão suscitou críticas e elogios. Levantamento do Paraná Pesquisas divulgado em 18 de julho mostrou que 64,9% da população discorda da nomeação.

Na internet, os memes se multiplicaram com piadas a respeito do presidente indicar o próprio filho para a “missão”, como ambos vêm se referindo ao caso. Eduardo chegou até a citar que fritou hambúrguer durante 1 intercâmbio no país ao apresentar suas credenciais para o posto.

O presidente chegou a afirmar que pretende sim “beneficiar” seu filho nessa questão. “Lógico que é filho meu, pretendo beneficiar meu filho, sim. Pretendo, está certo. Se puder dar 1 filé mignon ao meu filho, eu dou. Mas não tem nada a ver com filé mignon essa história aí. É realmente aprofundar 1 relacionamento com 1 país que é a maior potência econômica e militar do mundo”, disse.

Para que o deputado de fato exerça a função, ainda precisa ser sabatinado e ter o nome aprovado pela Comissão de Relações Exteriores do Senado.

Desde 1966, só diplomatas de carreira assumem embaixada do Brasil nos Estados Unidos.




Indicação de Eduardo Bolsonaro, cujo nome está sendo avaliado pelos EUA, quebra tradição e causa indignação no Itamaraty.

Caso o presidente Jair Bolsonaro confirme a indicação do filho Eduardo ao cargo, quebrará uma tradição já consolidada na política externa brasileira: nomear à embaixada brasileira nos EUA, considerada a mais importante da diplomacia do País, apenas quadros do próprio Itamaraty. A prática não foi quebrada nem mesmo durante os anos de chumbo da ditadura militar. 

Nos 114 anos da embaixada brasileira nos Estados Unidos — desde 1905 —, 31 embaixadores passaram pelo cargo. Apenas seis não trilharam carreira diplomática, ou seja, foram indicações pessoais dos presidentes da República da época. O último deles assumiu em 1964. Foi o ex-governador baiano Juracy Magalhães, que ficou na vaga até o ano seguinte. 

Indicado pelo então presidente Humberto Castelo Branco, Juracy foi agraciado com o cargo devido à sua intensa atuação nas articulações junto ao governo norte-americano que ajudaram a viabilizar a chegada de Castelo Branco à Presidência da República. 

De acordo com um levantamento do partido Cidadania, as seis indicações que não consideraram o requisito da carreira diplomática, mas sim aproximações pessoais, aconteceram antes de 1964. Além de Juracy Magalhães, foram outras quatro pessoas: Walther Moreira Salles, que ocupou a vaga duas vezes (1952 a 1953, e 1959 e 1961), Amaral Peixoto (1956 e 1959), Oswaldo Aranha (1934 e 1937) e Joaquim Nabuco (1905 e 1910). Nenhum deles, porém, era filho de presidente da República.

A cadeira em Washington está vazia desde 3 de junho, quando o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, exonerou Sérgio Amaral e o transferiu para o escritório de representação da pasta em São Paulo.

Indicado durante o governo de Michel Temer, o ex-embaixador é historicamente ligado ao PSDB. Amaral já foi porta-voz no Palácio do Planalto e ministro de Fernando Henrique Cardoso. Fernando Meirelles de Azevedo Pimentel, encarregado de negócios, responde pela embaixada em Washington interinamente até a confirmação do próximo nome para ocupar o cargo. 

Indignação entre os diplomatas

Nos corredores do Itamaraty, há um temor de emitir opiniões abertamente. Mas existe também um clima de indignação geral. De acordo com fontes com quem o HuffPost conversou reservadamente, a inconformação não é tanto pelo fato de Eduardo Bolsonaro não ser funcionário de carreira do MRE. “Mas por não estar à altura do posto, normalmente ocupado por diplomatas de carreira ou políticos com seriedade semelhante”, afirma uma das fontes.

Os críticos reforçam que todos os nomes de embaixadores nos EUA que não eram da diplomacia já tinham um histórico político mais longo. (Leia abaixo sobre os ex-embaixadores indicados por afinidade)

Embaixadores brasileiros em outros países também acompanham com preocupação a situação. Temem pela imagem do País no exterior “em termos civilizatórios”. “[Preocupa] Que essa indicação prejudique negociações que exijam maturidade política, já que o presidente atende caprichos dele e do filho”, destaca um diplomata ouvido pelo HuffPost. 

Mais um ponto de atenção no Itamaraty é quanto ao chanceler. Alguns avaliam que a nomeação do filho do presidente — que terá, inevitavelmente, uma linha direta com o pai — vai fragilizar o ministro, já que muita coisa passará “por cima” de Ernesto Araújo. “O que fragiliza o ministro fragiliza a instituição”, completa o diplomata. 

Próximas etapas 

Nesta quarta-feira (24), o Itamaraty enviou uma consulta formal aos Estados Unidos sobre o nome de Eduardo Bolsonaro para a embaixada. Contudo, esse procedimento já havia sido feito informalmente. 

Após a resposta dos EUA — cuja expectativa é que seja positiva —, Jair Bolsonaro já pode formalizar aqui no Brasil a indicação, publicando a mensagem presidencial no Diário Oficial da União. 

Essa mensagem segue para o Senado, onde a indicação passa por sabatina na Comissão de Relações Exteriores (CRE) e é votada em seguida. Depois passa por votação também no plenário da Casa. As duas análises ocorrem de forma secreta e se dão por maioria simples. 

Mesmo entre aliados do governo, a intenção de Bolsonaro em indicar o filho causou surpresa. Porém, nos corredores do Senado, apesar do constrangimento, a avaliação da maioria é que Eduardo Bolsonaro deve ser aprovado para a embaixada. A articulação, porém, é expor o presidente Bolsonaro ao máximo e desgastar o filho ao limite na CRE. 

Os 5 embaixadores nos EUA indicados por proximidade com os presidentes*

Joaquim Nabuco (1905 a 1910)

Designado pelo presidente Rodrigues Alves, foi o primeiro embaixador do Brasil nos Estados Unidos. Ficou conhecido por defende o abolicionismo, com longa trajetória política e intelectual. Integrou também a missão diplomática brasileira em Londres. 

Oswaldo Aranha (1934 a 1937)

Amigo e aliado de Getúlio Vargas, por quem foi indicado, colaborou nas articulações pós 1930. Chefiou o Ministério da Fazenda no primeiro governo Vargas. Embaixador, aproximou-se de Franklin Roosevelt.

Amaral Peixoto (1956 a 1959)

Casado com Alzira Vargas, filha de Getúlio Vargas, foi indicado à Embaixada nos EUA por Juscelino Kubitschek. Foi interventor e governador do Rio de Janeiro. Atuou na aproximação do Brasil com as forças Aliadas na Segunda Guerra. Em Washington, ajudou na retomada de relações comerciais entre Brasil e URSS. Também participou ativamente junto ao governo dos EUA para criação da OPA (Operação Pan-Americana). 

Walther Moreira Salles (1952 a 1953 e 1959 a 1961)  

Foi designado primeiro por Getúlio Vargas e, depois, por Juscelino Kubitschek. FoI uma das figuras mais influentes da elite brasileira da época, com trânsito no governo americano antes mesmo de ser embaixador. Atuou para viabilizar a assinatura, em 1952, de um acordo bilateral regulamentando a troca de materiais estratégicos brasileiros por equipamentos militares. 

Juracy Magalhães (1964 a 1965) 

Designado por Castelo Branco, o ex-líder da UDN foi um dos principais articuladores do movimento que depôs João Goulart e deu início à ditadura militar, em 1964. Nos bastidores, foi encarregado de articular politicamente o nome do militar para assumir a Presidência da República. Na Embaixada, Juraci intercedeu na renegociação da dívida externa brasileira e a efetivação, no Congresso Americano, do Convênio Internacional do Café, que acabou aprovado após uma negociação de Juracy com o governo da Colômbia.

*fonte: FGV 

A frase "o risco tá bem pago" de Dallagnol diz muito mais do que pode parecer.



Cinema nacional + mulheres: os pavores de Jair Bolsonaro | Galãs Feios



O QUE AS PESSOAS ACHAM DE EDUARDO BOLSONARO EMBAIXADOR NOS EUA?




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