sexta-feira, agosto 16, 2019

DIREITOS

Estudantes protestam contra cortes do governo Bolsonaro na educação.


ESTUDANTES PROTESTAM CONTRA CORTES DO GOVERNO BOLSONARO NA EDUCAÇÃO


RIO, SALVADOR E SÃO PAULO - A União Nacional dos Estudantes (UNE) realiza nesta terça-feira, 13, manifestações em todo o País para protestar contra os cortes na área da educação. Os estudantes defendem ainda a autonomia das universidades e são contrários ao programa Future-se, do Ministério da Educação (MEC). O projeto tem o objetivo de atrair investimentos privados para as instituições públicas e regulamentar a participação das organizações sociais na gestão.

De acordo com a UNE, o Future-se tem o objetivo de "sucatear para depois privatizar" a educação. Às 10h30, os atos desta terça já eram o assunto mais comentado no Twitter Brasil com as hashtags #Tsunami13Agosto e #TsunamiDaEducação.




Em Brasília, manifestante protesta contra o presidente Jair Bolsonaro (PSL), a quem pede para que 'tire a mão do IFG (Instituto Federal de Goiás)'


Autoridades e instituições ligadas ao tema se manifestaram sobre os protestos. A Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) afirmou que o contingenciamento de R$ 348 milhões divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) na semana passada "afetará a compra e a distribuição de centenas de livros didáticos que atenderiam crianças do ensino fundamental de todo o País".

Já a presidente nacional da União da Juventude Socialista (UJS), Carina Vitral, afirmou que enquanto o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o ministro da Educação, Abraham Weintraub, não "arredarem o pé dos cortes e ataques ao povo" os estudantes não deixarão as ruas.

Intitulado "3º Grande Ato em Defesa da Educação", as manifestações ocorrem, segundo a UNE, em mais de 150 cidades dos 26 Estados e no Distrito Federal. Os dois primeiros protestos foram nos dias 15 e 30 de maio.

São Paulo

Na capital paulista, centenas de estudantes, professores e manifestantes de movimentos sociais ocupam parcialmente o vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp) na tarde desta terça. Terceiro protesto convocado desde o anúncio de contigenciamento de 30% em verbas de universidades federais, a concentração para o ato fechou a Avenida Paulista apenas no sentido da Rua da Consolação, por onde uma passeata deve seguir em direção à Praça da República.


Em São Paulo, a concentração dos protestos contra os cortes na área da educação ocorreu no vão do Masp, na Avenida Paulista


"Acho que a população está mais indignada, porque os efeitos dos cortes na educação começam a aparecer agora", diz o presidente da UNE, Iago Montalvão. Ele diz que o protesto também é motivado por atos recentes do presidente do Jair Bolsonaro, como a demissão do diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ricardo Galvão. "Estão negando a ciência, negando o método científico."

Os manifestantes também criticam o mais recente programa anunciado pelo Ministério da Educação, o Future-se, que promete autonomia financeira a universidades federais. A UNE classifica o projeto como uma "tentativa envergonhada de privatização das universidades". A proposta da pasta inclui o repasse a organizações sociais (OS) de projetos em áreas de ensino, pesquisa e inovação.

"Esse projeto foi apresentado em qualquer diálogo com a academia, o que é bem preocupante", afirma o estudante Guilherme Bianco, que cursa Ciências Sociais na Universidade Estadual Paulista (Unesp) e integra a executiva da UNE.

Balões e bandeiras de várias entidades de classe foram colocados no vão livre do Masp, entre elas do Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo (Apeoesp), do sindicato dos professores municipais (Aprofem), da UNE, de entidades que representam estudantes secundaristas, da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e da Central Única Trabalhadores (CUT).

O congelamento de 30% do orçamento das universidades federais ainda mobiliza o movimento. Segundo a CUT, 32 cidades no Estado de São Paulo estão mobilizadas em protestos pela educação.

"Balbúrdia é cortar dinheiro da educação", dizia uma das faixas confeccionada pelos estudantes, em referência a uma entrevista do ministro Abraham Weintraub ao Estado, no fim de abril.

No entanto, o movimento tenta afinar o discurso com outras bandeiras da oposição ao governo Bolsonaro, como o coro "Lula Livre" e a crítica à reforma da Previdência. Partidos como PSOL e PSTU marcam presença no ato.

"Nós temos de criar um clima de discussão em torno das nossas propostas, não reação às deles", considera o professor Francisco Fonseca, que dá aulas de Ciência Política na Pontifícia Universidade Católica (PUC) e na Fundação Getúlio Vargas (FGV). "O que a extrema direita quer é interditar o debate público no Brasil."

Alguns manifestantes também carregam cartazes com o rosto de Fernando Santa Cruz, morto na ditadura militar, pai do atual presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz. "Herói dos estudantes", diz o cartaz confeccionado pela UNE.

Há algumas semanas, Bolsonaro gravou um vídeo em que diz que contaria a Felipe como o pai foi morto.

Rio de Janeiro

Centenas de pessoas se reúnem ao redor da Igreja da Candelária, no centro do Rio de Janeiro, na tarde desta terça.


No Rio de Janeiro, a concentração do protesto ocorreu nas proximidades da Igreja da Candelária, no centro da cidade


Realizado simultaneamente em várias cidades brasileiras, o ato foi convocado pelas redes sociais pela UNE, pela CUT e por outras entidades da sociedade civil. No Rio, a maioria dos manifestantes é estudante de escolas públicas. Às 16h30, lideranças estudantis discursavam em carro de som. A Polícia Militar observava, e o ato transcorria de forma pacífica.

Por volta das 18 horas, os manifestantes devem seguir em caminhada até a sede da Petrobrás, também no centro do Rio. Normalmente o ponto final dos protestos é a Cinelândia ou a estação férrea Central do Brasil, mas o destino foi alterado, segundo os organizadores, para que o ato sirva também como protesto contra a venda de ativos da petroleira estatal.

Salvador

Estudantes, professores e outras categorias da sociedade civil participaram de manifestação em Salvador na manhã desta terça. Com faixas, cartazes e bandeiras, eles começaram a se concentrar na Praça do Campo Grande, na região central da cidade, por volta das 9 horas, e, de lá, saíram em caminhada até a Praça Castro Alves, provocando lentidão no trânsito naquela região.

O ato contou ainda com a presença de centrais sindicais, a exemplo da Central Única dos Trabalhadores da Bahia (CUT-BA) e de políticos do PT e PCdoB.

"Com essas manifestações, estamos defendendo a democracia e a soberania nacional. Somos contra os cortes na educação e a reforma da Previdência, que está tramitando no Senado, além da privatização das universidades públicas, entre outras medidas que vem sendo adotadas pelo governo Bolsonaro”, disse Cedro Silva, presidente da CUT-Bahia.

Já o representante da UNE, Natan Ferreira, explicou que o movimento dessa terça é uma continuidade das manifestações iniciadas no mês de maio. "Por muito tempo estivemos distantes da universidade, mas, hoje, queremos participar e reivindicar. A revolta com esse governo é porque a gente conseguiu democratizar o espaço universitário, e não podemos deixar voltar atrás", comentou.

A presidente do Sindicato dos Professores das Instituições Federais de Ensino Superior da Bahia (Apub), Raquel Nery, revelou que as mobilizações tendem a se fortalecer a partir de agora. "Cobrar respeito e melhorias tem que ser sempre o nosso papel, enquanto entidade pública."

Durante a caminhada, os manifestantes, em menor número do que o de atos anteriores, gritavam palavras de ordem contra o governo e a favor do "Lula livre". Para os organizadores, 30 mil pessoas participaram do ato. A Polícia Militar não fez estimativa.

Veja abaixo onde ocorrem os atos de estudantes nas capitais brasileiras, em 13 de agosto (horários locais)

Região Norte

Acre: Praça da Revolução, Rio Branco, às 16 horas
Amazonas: Praça da Saudade, Manaus, às 15 horas
Amapá: Praça da Bandeira, Macapá, às 13 horas
Pará: Praça da República, Belém, às 8 horas
Rondônia: Praça Três Caixas D'Água, Porto Velho, às 16 horas
Roraima: Praça do Centro Cívico, Boa Vista, às 16 horas
Tocantins: Praça dos Girassóis, Palmas, às 9 horas

Nordeste

Alagoas: Centro de Educacional de Pesquisas Aplicadas (Cepa), Maceió, às 8 horas
Bahia: Praça do Campo Grande, Salvador, às 9 horas
Ceará: Praça da Gentilândia, Fortaleza, às 8 horas
Maranhão: Praça Deodoro, São Luís, às 15 horas
Paraíba: Liceu Paraibano, João Pessoa, às 14 horas
Pernambuco: Rua Aurora, Recife, às 14 horas
Piauí: Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Teresina, às 8 horas
Rio Grande do Norte: Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) Central, Natal, às 14h30
Sergipe: Praça General Valadão, Aracaju, às 15 horas

Sudeste

Espírito Santo: Teatro Universitário, Vitória, às 16 horas
Minas Gerais: Praça da Assembleia Legislativa, Belo Horizonte, às 16 horas
Rio de Janeiro: Largo da Candelária, Rio de Janeiro, às 15 horas
São Paulo: Museu de Arte de São Paulo (Masp), São Paulo, às 15 horas

Sul

Paraná: Praça Santos Andrade, Curitiba, às 18 horas
Rio Grande do Sul: Esquina Democrática, Porto Alegre, às 18 horas
Santa Catarina: Largo da Catedral, Florianópolis, às 16 horas

Centro-Oeste

Distrito Federal: Museu da República, Brasília, às 9 horas
Goiás: Praça Universitária, Goiânia, às 15 horas
Mato Grosso: Praça Alencastro, Cuiabá, às 14 horas
Mato Grosso do Sul: Rua 7 de Setembro, Campo Grande, às 7 horas

Índios protestam na Esplanada dos Ministérios.


Os indígenas se concentraram em frente ao Congresso Nacional após a marcha


Centenas de pessoas participam da 1ª Marcha das Mulheres Indígenas na manhã desta 3ª feira (13.ago.2019) na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Os indígenas protestam contra o governo de Jair Bolsonaro, por demarcação de terras, contra o feminicídio e outros.






ÍNDIOS DO BRASIL

A população indígena brasileira é de 818 mil. Segundo a Secretaria Especial de Saúde Indígena, são:

732.262 indígenas distribuídos em 5.614 aldeias;
305 povos diferentes, que falam 274 línguas distintas;
688 terras indígenas (60,4 % regularizadas);
Ocupam 12,6% do território brasileiro.

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