terça-feira, agosto 13, 2019

POLÍTICA

Toffoli se reuniu com autoridades contra movimento para afastar Bolsonaro.


Dias Toffoli, Rodrigo Maia, Jair Bolsonaro e Davi Alcolumbre: reuniões para evitar crise institucional


O ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou, em entrevista exclusiva a VEJA, que o Brasil esteve à beira de uma crise institucional entre os meses de abril e maio — e disse que sua atuação foi fundamental para pôr panos quentes numa insatisfação que se avolumava. Toffoli não deu muitos detalhes, mas a combinação explosiva envolvia uma rejeição dos setores político e empresarial e até de militares ao presidente Jair Bolsonaro. Um grupo de parlamentares resolveu tirar da gaveta um projeto que previa a implantação do parlamentarismo.

Simultaneamente, um dos generais próximos ao presidente chegou a consultar um ministro do Supremo para saber se estaria correta a sua interpretação da Constituição segundo a qual o Exército, em caso de necessidade, poderia lançar mão das tropas para garantir “a lei e a ordem”. Em outras palavras, o general queria saber se, na hipótese de uma convulsão, teria autonomia para usar os soldados independentemente de autorização presidencial.




Longe de Brasília, a insatisfação também era grande. Empresários do setor industrial incomodados com a paralisia da pauta econômica discutiam a possibilidade de um impeachment do presidente.

Quando o caldo ameaçou transbordar, o presidente Bolsonaro, o ministro Dias Toffoli, o deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara, e o senador Davi Alcolumbre, presidente do Senado, além de autoridades militares, se reuniram separadamente mais de três dezenas de vezes para resolver o problema.

Convencidos de que a situação caminhava em uma direção muito perigosa, costuraram um pacto que foi negociado em vários encontros. Resultado: a Praça dos Três Poderes ficou, ao menos momentaneamente, pacificada.

Dias Toffoli: ‘O STF deve oferecer soluções em períodos de crise’.


PACTO - Toffoli: “O Supremo deve ter esse papel moderador, oferecer soluções em momentos de crise”


Dependendo do observador, a imagem acima pode ter vários significados. Para o ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ela retrata o triunfo da pacificação, um exemplo de como o poder moderador do Judiciário pode agir para evitar rupturas e preservar a estabilidade da democracia. Em entrevista a VEJA, o ministro confirmou que o Brasil esteve à beira de uma crise institucional entre os meses de abril e maio — e disse que sua atuação foi fundamental para pôr panos quentes numa insatisfação que se avolumava. Toffoli não deu muitos detalhes, mas a combinação explosiva envolvia uma rejeição dos setores político e empresarial e até de militares ao presidente Jair Bolsonaro. O cenário, de fato, era preocupante naquele momento. No Congresso, a reforma da Previdência, a principal e mais importante bandeira econômica da atual administração, não avançava. O governo, por sua vez, acusava os deputados de querer trocar votos por cargos e verbas públicas. O impasse aumentou quando um grupo de parlamentares resolveu tirar da gaveta um projeto que previa a implantação do parlamentarismo. Se aprovado, Bolsonaro seria transformado numa figura meramente decorativa, um presidente sem poder. Em paralelo, vazamentos atribuídos ao Ministério Público mostravam que a investigação sobre o senador Flávio Bolsonaro, o Zero Um, tinha potencial para gerar mais constrangimentos e desgastes do que se supunha no início. A família presidencial teria se beneficiado da chamada “rachadinha”, um artifício ilegal empregado por políticos para embolsar parte dos salários de seus funcionários. Simultaneamente, uma ala do Exército começou a discutir a incapacidade do presidente de governar, enquanto outra, mais radical e formada por militares de baixa patente, falava em uma sublevação contra as “instituições corruptas”. Um dos generais próximos ao presidente chegou a consultar um ministro do Supremo para saber se estaria correta a sua interpretação da Constituição segundo a qual o Exército, em caso de necessidade, poderia lançar mão das tropas para garantir “a lei e a ordem”. Em outras palavras, o general queria saber se, na hipótese de uma convulsão, teria autonomia para usar os soldados independentemente de autorização presidencial.

Longe de Brasília, a insatisfação também era grande. Empresários do setor industrial incomodados com a paralisia da pauta econômica discutiam a possibilidade de um impeachment de Bolsonaro. O ideal, diziam, era que houvesse uma brecha jurídica que permitisse a convocação de novas eleições. Foram informados de que não havia brecha. Em caso de impedimento, assumiria o vice-presidente, o general Hamilton Mourão. “Se é para trocar, melhor que seja logo”, pregavam. Na época, Carlos Bolsonaro, o filho Zero Dois, afirmou que estaria em andamento uma conspiração golpista, apontando o dedo em direção aos militares que despacham no Palácio do Planalto, mas sem citar nomes.

Mensagens hackeadas podem beneficiar Lula, diz Gilmar Mendes.





O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes disse que mensagens hackeadas podem ser usadas em julgamento

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, disse nesta sexta-feira (9) que a corte pode considerar usar as provas obtidas a partir da invasão dos celulares de autoridades no julgamento do processo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Após participar de uma palestra em São Paulo, o ministro foi questionado por jornalistas sobre o assunto e disse que a corte já discutiu o uso de provas obtidas de maneira ilícita, como a invasão nos aplicativos de mensagens feita por hackers nos aparelhos de Sergio Moro e Deltan Dallagnol.

“A prova, mesmo ilícita, em alguns casos serve para isentar determinada sanção ou inocentar alguém”, declarou Gilmar.  Questionado sobre a possibilidade dessas provas serem usadas para beneficiar Lula no julgamento do habeas corpus pela corte, o ministro disse “pode ser”.

Na época em que as mensagens foram trocadas, Moro era juiz federal e Dallagnol, procurador da força-tarefa da operação Lava Jato. Investigações feitas pela operação foram usadas para condenar o ex-presidente por corrupção envolvendo a Petrobras no caso do tríplex do Guarujá.

Em suas declarações nesta sexta, Gilmar também atacou Moro. “Daqui a pouco ele pode reivindicar salário na Justiça do Trabalho, acumulou funções”, disse sobre as suspeitas de que Moro, enquanto juiz federal, interveio na força-tarefa da operação Lava Jato. “Certamente juiz não pode ser chefe de força-tarefa”, disse antes. 

Ao sair da palestra que foi convidado para ministrar por uma associação de advogados, Gilmar enfrentou protesto de cerca de 50 pessoas vestidas com roupas verde-e-amarelo em defesa da operação Lava Jato. Recentemente, o ministro proibiu qualquer investigação que envolva o jornalista Glenn Greenwald e a origem das mensagens hackeadas que vêm sendo divulgadas pelo site The Intercept Brasil.

Na mesma ocasião, Gilmar disparou farpas contra a chamada “República de Curitiba” em crítica aberta à operação Lava Jato. “Esse modelo que se desenhou, essa chamada República de Curitiba, isso não tem abrigo na Constituição”, disse.

“O barraco tem nome e sobrenome. Raquel Dodge”, o retrato da procuradora-geral segundo a Lava Jato.


A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, no STF em 2017.


“Caros. O barraco tem nome e sobrenome. Raquel dodge”. A frase, escrita pelo procurador Januário Paludo a seus colegas da Operação Lava Jato em um chat do Telegram em 11 de março deste ano, é emblemática da cáustica avaliação que a força-tarefa de Curitiba tem da procuradora-geral que os comanda. As conversas dos procuradores, enviadas ao The Intercept por uma fonte anônima e analisadas em conjunto com EL PAÍS, apontam que Dodge, o posto mais alto do Ministério Público, era vista como uma espécie de inimiga interna pela própria operação. E que os procuradores chegaram a discutir a possibilidade de repassar informações secretamente a jornalistas para pressioná-la a liberar ao STF delações, entre elas, a de Léo Pinheiro, da construtora OAS, uma testemunha-chave de casos que incriminam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A relação estreita que, de acordo com os procuradores, existe entre Gilmar Mendes e Raquel Dodge é o cimento que constrói o muro de desconfiança e desdém que separa Curitiba da procuradora-geral da República. É um sentimento que vem desde o começo da gestão dela, em setembro de 2017. Em 20 de junho daquele ano, dias antes de Dodge ser apontada para o cargo pelo então presidente Michel Temer, Dallagnol diz aos colegas: “Bastidores: - Raquel Dodge se aproximou de Gilmar Mendes e é a candidata dele a PGR", escreve o procurador. Em outra conversa, já em 2018, o coordenador da Lava Jato afirma que Dodge só não confronta Mendes porque “sonha” com uma cadeira no Supremo assim que seu mandato na PGR terminar. A suposta aproximação com o ministro do STF, no entanto, é só uma das queixas da Lava Jato de Curitiba com Dodge. Para os procuradores liderados por Dallagnol, a procuradora-geral é um obstáculo incontornável também por ser dona da caneta que tanto libera orçamento à força-tarefa como envia ao Supremo os acordos de delações premiadas que envolvem autoridades com foro privilegiado, como a de Léo Pinheiro. Curitiba depende de Dodge de uma forma ainda mais fundamental: já em contagem regressiva para deixar a PGR em 17 de setembro, é ela que determinará se a força-tarefa continuará existindo no ano que vem, uma vez que a atual autorização expira em 9 de setembro.

No mapa dos embates entre Brasília e Curitiba, o que mais aparece nas mensagens como um ponto nevrálgico dessa relação é a morosidade de Dodge para homologar os acordos de delação, o combustível que manteve a Lava Jato acesa durante seus cinco anos. Peças-chaves da investigação, como Léo Pinheiro, o empreiteiro da OAS que incriminou o ex-presidente Lula em sua primeira condenação, o caso do triplex, ainda não tiveram suas delações validadas pelo STF. Assinado em dezembro de 2018 com a PGR, o acordo de Léo Pinheiro não foi, até hoje, enviado por Dodge ao Supremo.

Procurada, a assessoria de imprensa da PGR afirmou que  "não se manifesta acerca de material de origem ilícita" ou sobre acordos de delação, "que possuem caráter sigiloso". A força-tarefa da Lava Jato também afirmou à reportagem que não faria comentários. Em outras ocasiões, disse que "não reconhece as mensagens que têm sido atribuídas a seus integrantes nas últimas semanas. O material é oriundo de crime cibernético e tem sido usado, editado ou fora de contexto, para embasar acusações e distorções que não correspondem à realidade".

Nos bastidores, discute-se que o empreiteiro da OAS teria citado membros do STF em seu relato, e que a procuradora-geral planeja postergar a decisão para a próxima gestão. "Russia acabou de perguntar se evoluiu LP", questionou o procurador Athayde Ribeiro Costa, no chat OAS-Curitiba–acordo, em 28 de junho de 2018. Ele se referia a um questionamento do juiz Sergio Moro, apelidado de Russo pela força-tarefa, sobre a delação de Léo Pinheiro. “Pessoal, advogados de outros potenciais colaboradores ligando querendo saber da evoluçao das negociaçoes. Brasilia precisa resolver nossas pendencias, senao esse povo todo vai fazer acordo com a PF”, respondeu a procuradora Jerusa Viecili, referindo-se ao fato de que as defesas poderiam buscar a Polícia Federal diretamente para fechar uma delação premiada. Neste e em outros diálogos, o EL PAÍS optou por manter todas as frases com a grafia original, sem nenhuma edição.


Procurador Athayde Ribeiro Costa inicia a conversa referindo-se a um questionamento do juiz Sergio Moro, apelidado de Russo pela força-tarefa, sobre a delação de Léo Pinheiro. Procuradores conversam sobre possibilidade de perder delações para a Polícia Federal por falta de resposta da PGR.


No chat, os procuradores reclamam que Dodge sairia de férias entre 3 e 17 de julho, sem resolver "pendências" relacionadas ao acordo. Pela agenda publicada no site do MPF, a procuradora, de fato, tirou férias no período: entre 4 e 18 de julho. No dia seguinte, o coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, propõe aos colegas, no mesmo chat, pressionar Dodge “usando” a imprensa “em off”, passando informação a jornalistas sem se identificar, uma estratégia várias vezes cogitada pelo procurador nas mensagens. "Podemos pressionar de modo mais agressivo pela imprensa", propõe. Outra opção era encostar Dodge contra a parede e apresentar um prazo limite para o encaminhamento. "A mensagem que a demora passa é que não tá nem aí pra evolução as investigações de corrupção, se queixa. “Da saudades do Janot", encerra.


Como estratégia à lentidão da PGR em responder aos acordos de delação, Dallagnol propõe aos colegas pressionar Dodge “usando” a imprensa “em off”


Os motivos da saudade do ex-procurador-geral ficam evidentes nas mensagens entre Dallagnol e Rodrigo Janot. O antecessor de Dodge mantinha uma relação bem diferente com o coordenador da força-tarefa, ao menos nas conversas mantidas pelo Telegram. Em 16 de julho de 2015, Dallagnol atribui a Janot o sucesso da Operação Politeia, que cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços do ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL) e outros políticos com foro privilegiado. “Janot, o maior diferencial é que Vc, por características pessoais, permitiu que esse trabalho integrado acontecesse, a começar pela criação da FT e todo apoio que deu e dá ao nosso trabalho. Vc merece um monumento em nossa história. Grande abraço, Deltan", escreveu. O coordenador da força-tarefa mostra nas mensagens uma relação mais próxima com o chefe, a quem parabeniza por artigos publicados na imprensa, convida para eventos, divide preocupações, responde prontamente e agradece: “Obrigado por confiar em nós”, escreveu Dallagnol em maio de 2016. Janot não se mostra tão entusiasta nas respostas. Frequentemente, respondia com joinhas (??????).


Dallagnol atribui a Janot o sucesso da Operação Politeia, que cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços do ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL) e outros políticos com foro privilegiado


o começo de abril de 2019, procuradores debatem novamente a delação de Léo Pinheiro, mostrando que a relação entre Dodge e a força-tarefa seguia tensa. Eles tentavam encontrar uma saída, para o caso da procuradora-geral desistir do acordo. “Na ponta da faca, se ela assinou cabe MS por omissão se ela não levar ao judiciário para homologar”, escreve Antônio Carlos Welter. Leva a crer que ele levanta a possibilidade de se questionar, por meio de um mandado de segurança (MS), a mencionada omissão de Dodge. O procurador Athayde Ribeiro Costa sugere que, por se tratar de um contrato, caso Leo Pinheiro tenha uma cópia assinada, “pode levar a homologacao e dizer q os depoimentos estao de posse do mp”, em referência ao Ministério Público.

Em várias oportunidades, a força-tarefa repete que Dodge “não despacha nada” e “centraliza tudo” e reclamam da lentidão. De fato, as ações da Lava Jato junto ao Supremo tiveram uma redução drástica desde que a procuradora assumiu a PGR, em setembro de 2017. De acordo com relatório liberado pelo ministro Edson Fachin em março deste ano, entre 2015 e 2018 foram homologadas 110 colaborações premiadas no Supremo. Destas, apenas uma, a delação do lobista Jorge Luz —que afirma ter feito pagamentos ao senador Renan Calheiros (MDB-AL), homologada em dezembro de 2018—, foi feita sob a gestão de Dodge. “Em 2019, não houve homologação”, afirma o documento.

"Confio que terá sabedoria para ouvir frustrações"
Se com Janot as conversas eram amistosas, com Dodge o coordenador da Lava Jato nunca chegou à liberdade dos emojis. Pelo contrário. Em 12 de agosto de 2018, o estremecimento na relação veio à tona de maneira direta no chat entre o procurador e a ocupante da Procuradoria-geral. Sem trocar nenhuma palavra, Dodge apenas envia um link para Dallagnol. Trata-se de uma nota publicada no jornal O Globo que afirmava que Dodge colecionava atritos com a Lava Jato. Dentre os problemas, cita a nota, está não ter autorizado uma viagem da força-tarefa à Suíça, onde se desenrola parte das investigações, e também a falta de uma resposta dela quanto ao pedido de suspeição de Gilmar Mendes feito pela equipe de procuradores do Rio.

No dia seguinte, Dallagnol responde à chefe negando passar informações a jornalistas. "É uma pena que problemas dentro da instituição acabem expostos na imprensa. Como lhe disse, não temos essa prática de notas", afirma. Logo depois, não esconde a insatisfação. “Várias pessoas interessadas tomaram contato com essa informação sobre a negativa da ida para a Suíça, porque estavam interessadas, inclusive a PF que já estava autorizada a ir conosco. Já quanto às infos do RJ, tomei conhecimento pela nota”, escreveu. “Confio que terá sabedoria para ouvir frustrações com serenidade, avaliar criticamente o que é pertinente e usar isso para fortalecer os relacionamentos e o trabalho que é de todos nós”.

Para além dos conselhos dados por Dallagnol à procuradora-geral, as mensagens mostram que o descontentamento com Dodge ultrapassa as trincheiras da Lava Jato. “Raquel está destruindo o MPF, achincalhando a gente…[...] teria que ser incinerada publicamente, internamente e internacionalmente”, desabafou o procurador Anderson Lodetti, em abril deste ano, em um chat que reúne procuradores além da força-tarefa. O motivo era Dodge ter se calado inicialmente, quando, em abril deste ano, Alexandre de Moraes, do STF, ordenou buscas e apreensão contra militares e procuradores no amplo inquérito sobre fake news. Num passo criticado por especialistas, Moraes abre a investigação de ofício, ou seja, por iniciativa própria e sem a participação do Ministério Público.

Mas Dodge se insurgiria contra o STF, ainda que sem sucesso, entretanto, nem isso seria suficiente para conciliar a procuradora-geral com seus liderados. A ruptura sem retorno, ao menos com a Lava Jato em Curitiba, parece ter acontecido em março deste ano, quando Dodge decidiu sobre o futuro do dinheiro de multas pagas pela Petrobras nos Estados Unidos. Dodge foi até o Supremo pedir a anulação do acordo firmado entre os procuradores e as autoridades norte-americanas que resultaria na criação de uma fundação para gerir os 2,5 bilhões de reais desviados por corrupção e devolvidos pela estatal aos cofres públicos. Foi neste contexto que foi feita a afirmação do procurador Januário Paludo, que abre esta reportagem. “O barraco tem nome e sobrenome. Raquel dodge. O Oswaldo instaurou pgea para pedir informações sobre o acordo”, disse o procurador no grupo Filhos do Januário 4. Se referia ao Procedimento de Gestão Administrativa (PGEA), uma medida administrativa utilizada pelo corregedor-geral do MPF, Oswaldo Barbosa, para ter acesso aos documentos sobre o acordo.

O futuro da PGR

Na quinta-feira, Bolsonaro afirmou a jornalistas que pretende indicar seu sucessor até a próxima segunda-feira. Em junho, a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) promoveu uma eleição para sugerir três nomes a serem indicados para o cargo pelo presidente. A chamada lista tríplice tem sido usada pelos mandatários escolherem os novos procuradores há 16 anos, embora não seja um rito obrigatório. A palavra final é sempre do presidente, que pode ou não seguir a lista. Bolsonaro não se comprometeu a segui-la. Na lista tríplice estão o subprocurador-geral Mário Bonsaglia, a subprocuradora-geral Luiza Frischeisen e o procurador regional Blal Dalloul. A recondução de Raquel Dodge e a candidatura do subprocurador Augusto Aras, tido como favorito de Bolsonaro, ampliam a disputa. O escolhido ainda precisa passar por uma sabatina no Senado antes de iniciar o mandato, que dura dois anos.

A medida drástica da Procuradoria-geral veio depois que a força-tarefa negociou diretamente com a Petrobras e com autoridades dos Estados Unidos que 80% da multa que a companhia teria que pagar pelos esquemas de corrupção ao mesmo tempo que suas ações eram negociadas na bolsa de Nova York ficasse no Brasil. O valor bilionário chegou a ser depositado em conta vinculada à 13ª Vara Federal de Curitiba, em janeiro deste ano, pela companhia. Uma fonte que acompanhou os bastidores, mas prefere não se identificar, avalia que neste momento, a corda entre procuradores e a PGR foi arrebentada. “O tiro de canhão, que realmente causou desgosto [nos procuradores] foi a ADPF [Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental, instrumento utilizado por Dodge para pedir ao Supremo a suspensão do acordo] contra a Fundação Lava Jato”, disse. A argumentação da procuradora-geral era de que caberia à União, e não aos investigadores da Lava Jato, decidir como o dinheiro será gerido. Em defesa de Dodge, a fonte afirma que a procuradora-geral só soube do acordo depois que ele já havia sido fechado. “É algo que poderia ter sido resolvido dentro de casa, não precisava de uma ADPF”, avalia, no entanto. O pedido de anulação foi acatado pelo Supremo.

“As coisas estão ruins porque o governo ainda não teve tempo de mostrar resultado”... BALELA!!!

Direita bolsonarista se afasta de João Doria, acusado de 'oportunismo'.


Doria criticou a fala de Bolsonaro sobre o presidente da OAB: distanciamento de olho em 2022.


As recentes declarações do governador paulista, João Doria (PSDB), que disse não ter alinhamento com o governo Jair Bolsonaro (PSL) e que considerou "inaceitável" a fala do presidente sobre a morte do comandante nacional da OAB, reforçaram o distanciamento entre militantes de parte da direita e o tucano.

Membros do PSL e militantes que apoiam Bolsonaro nas redes sociais chamaram o posicionamento de Doria de "oportunista" e "discurso eleitoreiro". Também condenaram o tucano por entenderem que a movimentação indica que o governador quer se colocar como uma alternativa de centro-direita a Jair Bolsonaro na próxima eleição presidencial.

O quadro pode levar a um rompimento do "bolsodoria", a aliança informal que o governador lançou durante o segundo turno das eleições de 2018 – e que foi apontada como decisiva para que o tucano derrotasse Márcio França (PSB) na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes.

"Não era o caso de ele [Doria] dar esse tipo de declaração. É claro que ele, como qualquer pessoa, pode dar a opinião que quiser. Mas então que seja coerente, que então não fique querendo se aproximar do presidente em outras ocasiões", atacou o deputado federal Coronel Chrisóstomo (PSL-RO).

João Doria agora rejeita efeito carona que o elegeu.

Para os bolsonaristas, Doria agora rejeita a "onda conservadora" que o ajudou a vencer a disputa eleitoral de 2018. "Inventou o 'BolsoDoria' e foi eleito graças a isso visto sua pequena diferença do candidato do PSB e agora já começa sua campanha dizendo que NUNCA foi alinhando com o JB [Jair Bolsonaro]", escreveu em seu perfil no Twitter o deputado estadual Gil Diniz (PSL-SP), conhecido como "Carteiro Reaça".

A aproximação entre Doria e Bolsonaro na eleição de 2018 ocorreu porque o candidato do PSDB ao Planalto, Geraldo Alckmin, não emplacou. Doria foi acusado por integrantes do partido de não ter se empenhado na campanha de Alckmin e, logo após o encerramento do primeiro turno, anunciou apoio a Bolsonaro e pouco tempo depois fez eventos públicos com a marca "bolsodoria".

Como resultado deste contexto, os bolsonaristas veem em Doria uma atitude oportunista, de um político que se aproxima quando identifica a possibilidade de colher frutos, mas que se distancia quando considera necessário.

"O Doria está adotando um discurso supostamente mais democrático, mais conciliador. É um discurso de massa, populista. Tudo para tentar agradar outras faixas do eleitorado", afirmou o militante bolsonarista Evandro Araújo, do grupo Direita DF.

Doria pode dividir a direita?

Com o mal-estar colocado, a dúvida que se estabelece é se Doria terá a capacidade de dividir o eleitorado de direita na eleição de 2022. Embora o governador hoje negue o interesse em se candidatar a presidente, seu nome é considerado dentro do PSDB como o representante natural do partido na próxima disputa. Em 2018, Doria chegou a se movimentar para concorrer ao Planalto, mas o partido acabou fechando com a candidatura de Alckmin.

A possibilidade de Doria avançar em um eleitorado que hoje está com Jair Bolsonaro passa principalmente pelo forte discurso antipetista adotado pelo governador desde o início de sua trajetória política. Por exemplo, em outubro de 2017 Doria disse que iria "levar chocolates" para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Curitiba – na ocasião, o petista ainda não estava preso, mas já havia sido condenado em primeira instância pelo então juiz Sergio Moro. Ainda antes, em 2007, Doria lançou o movimento "Cansei", que fazia oposição a Lula.

E na disputa eleitoral de 2018, Doria utilizou a retórica antipetista como uma de suas principais armas. Além de pregar o voto "bolsodoria" no segundo turno, o governador buscou pregar em Márcio França a pecha de esquerdista. Para tanto, lembrou de coligações entre o partido de França, o PSB, e o PT, e também recordou que o hoje ex-governador fez parte do Conselho da República durante o governo Lula.

O deputado Chrisóstomo não vê potencial em Doria para dividir o eleitorado. "Não vejo isso no discurso dele. Acredito que ele não tem essa capacidade", destacou.

Já o militante Evandro Araújo avalia que um cenário de "divisão da direita" é pouco provável porque, mesmo com a vitória de Bolsonaro e a ascensão de uma bancada identificada com os ideais direitistas, o segmento ainda está em pequena escala no Brasil.

"Doria não deve dividir a direita porque a direita ainda está se consolidando no Brasil. E no fim das contas, essa movimentação do governador acaba tendo um efeito positivo: acaba por filtrar os movimentos, a fazer com que a gente perceba quem realmente está ao lado de Bolsonaro. O MBL, por exemplo, é um que tem adotado mais esse discurso centrista", afirmou.

Vem à tona a verdade sobre Toffoli e Dallagnol



Toffoli diz que teve que intervir em um possível pedido de impeachment contra Bolsonaro



SUPERMORO ESTÁ MURCHANDO



As coisas ruins que o governo não quer mostrar




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