sexta-feira, agosto 16, 2019

POLÍTICA

Comissão da Câmara aprova texto que proíbe nomear parente para embaixada.




O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que será indicado pelo pai, o presidente Jair Bolsonaro, para ser embaixador em Washington.

A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira, 14, em rápida votação, proposta do deputado Roberto de Lucena (Podemos-SP) que proíbe o nepotismo na administração pública federal, incluindo a nomeação de parentes para o cargo de embaixador, como o presidente Jair Bolsonaro pretende fazer – ele vai indicar o filho Eduardo para ocupar o cargo em Washington.

O texto aprovado na Comissão trata a prática como ato de improbidade administrativa e fixa pena de detenção de três meses a um ano para quem descumprir a regra. O veto à nomeação de parentes como embaixadores foi incluído em emenda do relator, Kim Kataguiri (DEM-SP) – a iniciativa também incluiu ministros de Estado. No parecer, Kataguiri afirma que o nepotismo é uma “injustiça patente que demonstra profundo desprezo pela coisa pública e, por consequência, desrespeito ao pagador de impostos”. Ele lembrou que, em 2008, o Supremo Tribunal Federal aprovou uma súmula vinculante proibindo autoridades de nomearem cônjuge ou parente até terceiro grau para cargos públicos. O texto, porém, deixou de fora as nomeações para cargos políticos, como os de ministro ou de secretário estadual.





O andamento da proposta é mais uma dificuldade no caminho de Eduardo Bolsonaro para ocupar o mais importante posto diplomático do país no exterior. No Senado, 40 dos 81 senadores assinaram uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) apresentada pelo senador Styvenson Valentim (Podemos-RN), que veda a prática de nepotismo na administração federal. Para aprovar a indicação de seu filho, Bolsonaro precisa do apoio de ao menos 41 membros da Casa. O nome do deputado, que preside atualmente a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara, deverá ser analisado pelo Senado.

O texto aprovado nesta quarta-feira na comissão da Câmara altera o capítulo que trata das proibições aos servidores públicos, previstos no Regime Jurídico Único (Lei 8.112/90). Hoje ela apenas proíbe o servidor de manter sob a sua chefia imediata em cargo ou função de confiança cônjuge, companheiro ou parente até o segundo grau. Entre outros casos, o projeto considera nepotismo a nomeação para cargo ou a contratação temporária de cônjuge, companheiro ou parente até o terceiro grau da autoridade nomeante ou de servidor da mesma unidade investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento.

Os casos de nepotismo cruzado, em que uma unidade contrata o parente de alguém de outra e vice-versa, também são abrangidos pelo projeto. Conforme o texto, fica proibida ainda a contratação de empresa que tenha como sócio cônjuge, companheiro ou parente até o terceiro grau da autoridade contratante ou de servidor da mesma unidade administrativa investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento. O projeto será analisado agora pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois seguirá para o plenário – se for aprovado, vai para o Senado.

Alemanha diz que postura de Bolsonaro mostra que país fez a coisa certa ao cortar investimento.




No domingo, o presidente disse que o Brasil “não precisa” de dinheiro da Alemanha para preservação da Floresta Amazônica.

A ministra alemã do Meio Ambiente, Svenja Schulze, afirmou que a postura do presidente Jair Bolsonaro confirma que o país europeu está fazendo “exatamente a coisa certa” ao suspender investimentos em projetos de preservação da floresta Amazônica.

No domingo (11), ao ser questionado sobre o corte na verba, o presidente afirmou que o Brasil “não precisa disso”.

“Apoiamos a região amazônica para que haja muito menos desmatamento. Se o presidente não quer isso no momento, então precisamos conversar. Eu não posso simplesmente ficar dando dinheiro enquanto continuam desmatando”, disse a ministra à Deutsche Welle.

Ela afirmou ainda que pretende manter o diálogo aberto com o Brasil. Para Bolsonaro, a Alemanha estava tentando comprar a Amazônia.

“Investir? Ela não vai comprar a Amazônia. Vai deixar de comprar a prestação a Amazônia. Pode fazer bom uso dessa grana. O Brasil não precisa disso.”

Ele também questionou a intenção de outros países em relação ao Brasil. “Você acha que grande países estão interessados com a imagem do Brasil ou em se apoderar do Brasil?”

Ao jornal “Tagesspiegel”, Schulze argumentou que o aumento no desmatamento foi o motivo para a tomada da decisão. Na avaliação dela, o País não parece interessado em preservar a floresta.

“A política do governo brasileiro na região amazônica deixa dúvidas se ainda se persegue uma redução consequente das taxas de desmatamento”, disse.

Inicialmente, segundo a reportagem, a ministra disse que serão suspensos projetos de 35 milhões de euros, o equivalente a R$ 155 milhões.

O desmatamento na Amazônia vem crescendo nos últimos meses. Em junho houve um crescimento de 88% em comparação ao mesmo período do ano passado e em julho, foi de 278% — também em comparação ao mesmo período do ano anterior.

O que acontece quando um ‘negador da ciência’ se torna presidente.




“Os negadores da ciência sempre estiveram por aí. Essas pessoas não aumentaram de volume, mas — com o presidente — ganharam mais autoconfiança.”

Para o presidente Jair Bolsonaro, a preocupação com o meio ambiente é “psicose” e os dados sobre o desmatamento no Brasil são “mentirosos”.

A relação do presidente com a Ciência causa certa apreensão desde a época da campanha, mas tem se intensificado com as suas últimas declarações.

Na sexta (9), ele chegou a sugerir que um repórter fizesse “cocô um dia sim, um dia não” para diminuir o impacto ambiental.

No entanto, existe um grupo específico de influenciadores digitais que vem se organizando principalmente nas redes sociais para apresentar contra-argumentos aos discursos do presidente.

Para os divulgadores científicos ouvidos pelo HuffPost Brasil, as falas de Bolsonaro legitimam ideias como a da terra plana e a de que o aquecimento global seria uma invenção de ambientalistas.

No entanto, para eles, o presidente se torna um alvo fácil de desconstrução quando decide questionar fatos tão básicos quanto a importância de manter as florestas para a melhoria do agronegócio no País.

“Os negadores da ciência sempre estiveram por aí. O fato é que agora um deles se tornou o presidente, e não o contrário. Essas pessoas não aumentaram de volume, mas ganharam mais autoconfiança”, analisa Paulo Pedrosa, biólogo e autor do livro Darwin sem frescura.


Há 9 anos, Pedrosa, mais conhecido como Pirulla, ajuda a divulgar dados científicos no Youtube e no Instagram. 


Em seu canal, onde tem mais de 800 mil inscritos, ele trata de temas como o debate se existe ou não uma ideologia de gênero, explica como acontece a evolução das espécies e quais são as influências da religião na ciência. 

Pirulla diz que sempre recebeu críticas dos chamados negacionistas quando apresentava dados sobre aquecimento global, por exemplo.

Porém, em sua opinião, o grupo de pessoas que defende que a Terra é plana é o único que tem aumentado consideravelmente nos últimos dois anos. Uma pesquisa do Datafolha feita em julho de 2019 monstrou que 7% dos brasileiros acreditam que a Terra é plana.

Para o divulgador científico, esse crescimento não pode ser ligado diretamente à eleição de Jair Bolsonaro, mas faz parte de um movimento que é anterior ao próprio presidente.

“Existe um movimento negador da Ciência que já se perpetua em todo o mundo. Eu me preocupo muito mais com o impacto das ideias de Olavo de Carvalho, por exemplo. Acompanho ele desde 2012 e, em 2014, sinalizei que ele estaria começando um movimento importante. As pessoas riram de mim e me disseram que ele era um velhinho lunático”, diz.

O efeito Olavo de Carvalho no governo

Carvalho, tido como “guru ideológico” do governo Bolsonaro, já recebeu elogios do presidente e nos primeiros meses deste ano protagonizou conflitos entre as alas militares e seus seguidores no governo.

Filósofo conservador, em seus cursos e redes sociais, o “guru” já acusou Isaac Newton de “espalhar burrice” e chamou a teoria da evolução de Charles Darwin de “tosca” e “confusa”.

Para Estevão Slow, divulgador científico no Canal do Slow, ao se aproximar de Olavo de Carvalho, o governo Bolsonaro passou a validar um discurso “obscurantista e anti-iluminista”. 

"Questionar metodologias faz parte do método científico. O problema é quando esse questionamento tem uma base política e não científica."

-Estevão Slow, divulgador científico

“Parece que existe uma guerra cultural para se fazer valer certas ideias esdrúxulas. E eu me questiono o quanto desse movimento de desinformação é intencional ou não para confundir as pessoas”, diz.

Segundo Slow, os discursos anti-científicos ganham ainda mais força na internet, em que “todo mundo pode ter uma voz”. 

“A internet é nova e deu muito espaço para muita gente. Mas às vezes, são opiniões sem qualquer embasamento científico, simplesmente porque ‘é legal ser do contra’”, analisa.


De acordo com Slow e Pirulla, muitas pessoas que acessam os vídeos no Youtube e no Instagram não têm conhecimento sobre alguns fatos científicos e acabam se informando nos canais. 


“As pessoas têm dificuldade em entender o funcionamento das coisas. É díficil, por exemplo, compreender a evolução das espécies”, explica Slow. 

O ataque aos dados e à produção científica

Ao questionar a Ciência e colocar a fala do presidente acima da de especialistas, o governo cria um “estardalhaço” para que que os bolsonaristas repercutam a desinformação.

Essa é a leitura de Leonardo Carvalheira, biólogo e apresentador do canal Dispersciência. 

“Existe um padrão de comentários em temas como o formato da terra e as mudanças climáticas. Há uma enxurrada de críticas aos dados científicos e a gente questiona se existem grupos articulados para atacar a divulgação de dados que vão contra as posições do governo, por exemplo”, reflete Carvalheira. 

Na tentativa de combater a desinformação, os divulgadores científicos se uniram para fortalecer o selo Science Vlogs Brasil, uma espécie de “atestado de qualidade científica” que é atribuído aos de canais no Youtube.

Especialistas influentes, como o médico Drauzio Varella, se uniram ao movimento para divulgar os conteúdos produzidos pelos canais que fazem parte do selo. 

?É um movimento de resposta que estamos tentado articular para que as falas do presidente que firam os dados científicos tenham sempre um contra-argumento disponível para o público”, explica Carvalheira.



Mais do que os ataques online, no entanto, preocupa aos divulgadores científicos a situação de cientistas no Brasil.


Para Pirulla, há um sentimento de descrédito da Ciência que atinge as instituições, como as universidades, e coloca os pesquisadores em uma posição delicada.

“Agora, quem produzir dado científico que for discordante do governo será alvo de autoritarismo?”, questiona.

O que pensa o presidente

A opinião de Bolsonaro em relação à Ciência se tornou mais evidente nos últimos dias nos discursos sobre meio ambiente. Ao falar sobre aquecimento global, o presidente diz, às vezes em tom irônico, acreditar nos dados da Ciência. 

“Eu acredito na ciência e ponto final. Agora o que que a Europa fez para manter as suas florestas, as suas matas ciliares? O que que eles fizeram? Querem dar palpite aqui?”, afirmou o presidente. 

Em outro momento, Bolsonaro se declarou “defensor do meio ambiente”, mas não de uma forma “xiita”. O presidente também questiona a atuação de pesquisadores e instituições em defesa das pautas ambientais.

“Não vou admitir mais Ibama sair multando a torto e a direito por aí, bem como ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). Essa festa vai acabar”, declarou.

Ele também tem brigado com os dados de desmatamento. Recentemente,disse que os números do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) sobre desmatamento são incorretos. 

O sistema do Inpe é reconhecido mundialmente, com monitoramento diário de desmatamento e detecção de queimadas.

Na ocasião, o presidente afirmou que deseja “preservar o meio ambiente mas não vamos entrar na psicose ambiental”.

10 "balela" do nosso presidente só esse mês



Política nas Veias - 15/08/2019 - A revolta de Delta e Robito!




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