sexta-feira, setembro 27, 2019

DIREITOS

Invasão a terras indígenas cresce sob Bolsonaro, diz conselho ligado à CNBB.



Entre janeiro a setembro foram registrados 160 invasões para exploração ilegal de recursos naturais em 153 terras indígenas de 19 estados brasileiros.

Dados preliminares divulgados nesta terça-feira pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ligado à Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), apontam um aumento das invasões de terras indígenas nos nove primeiros meses do governo Jair Bolsonaro.

Segundo os dados da Cimi, entre janeiro a setembro foram registrados 160 “invasões possessórias, exploração ilegal de recursos naturais e danos diversos ao patrimônio” a 153 terras indígenas em 19 estados brasileiros. Em todo o ano de 2018 foram contabilizados 111 casos em 76 terras indígenas de 13 estados da federação.



O relatório do Cimi, intitulado “Violência Contra os Povos Indígenas do Brasil - dados de 2018”, aponta que ano passado ? portanto antes do atual governo ? houve aumento do número de assassinatos de indígenas (135) em relação ao ano anterior (110).

De acordo com o Cimi, o tipo de invasões mudou nos últimos anos. Enquanto antigamente os invasores entravam na terra, roubavam madeira, exploravam minérios e depois, em algum momento, iam embora, agora tem havido a invasão com intenção de lotear e permanecer nos terrenos.

“Chama a atenção o aumento da prática ilegal de loteamento das terras indígenas, especialmente na região Norte”, diz o documento.

O relatório aponta ainda que das 1.290 terras indígenas no Brasil, 821 (63%) ainda tem alguma pendência para finalização do processo de demarcação e dentro dessas, 528 não teve qualquer providência tomada pelo estado.

O presidente Jair Bolsonaro já anunciou que não pretende demarcar ou finalizar a demarcação de quaisquer novas terras indígenas durante seu governo.

Fernanda Montenegro recebe apoio de artistas após críticas de diretor.



Fernanda Montenegro acaba de lançar sua autobiografia Prólogo, Ato, Epílogo, na qual relata sua trajetória de sete décadas dedicadas ao trabalho nos palcos. Na obra, ela também aborda política, ainda que deixe as críticas para entrevistas, como fez ao comentar na Folha de S. Paulo sobre as ações do governo Bolsonaro relativas à produção cultural no país. “Agora é pior. Antes era só político, agora é também moral, por razões de comportamento. ‘Teatro é espaço do demônio'”, declarou.

Mas foi ao posar para a revista Quatro Cinco Um, que a atriz se viu envolta em uma polêmica. Na capa, ela é retratada como uma bruxa prestes a ser queimada junto com livros em uma fogueira, crítica aos recentes episódios de censura.

A foto desagradou Roberto Alvim, atual diretor do Centro de Artes Cênicas da Funarte. Em seu Facebook, ele chamou Fernanda de “sórdida”, classificou a revista como “esquerdista” e pediu por uma renovação da atual classe teatral brasileira. Veja, abaixo, a publicação:



O post repercutiu nas redes sociais e diversos artistas e outras personalidades notórias saíram em defesa da atriz. Com a hashtag #SomosTodosFernanda, que foi criada em resposta aos comentários de Alvim, os posts de apoio surfaram pelo feed das redes. Instituições como o Memorial da América Latina e a Associação dos Produtores de Teatro (APTR) também repudiaram as declarações. 

Leia, abaixo, a nota divulgada pela Associação dos Produtores de Teatro (APTR):

“A APTR repudia veementemente as declarações do diretor de Artes Cênicas da Funarte, Sr. Roberto Alvim, em suas redes sociais, onde classifica o não diálogo com a classe artística como uma ‘guerra irrevogável’.

Com a mesma intensidade, repudiamos a classificação da fala de dona Fernanda Montenegro como infantil, mentirosa e canalha. É absolutamente inadmissível que uma atriz com a sua trajetória seja atacada em seu livre exercício de expressão.

Desde que o mundo é mundo, as identidades de todos os povos são construídas através de símbolos, plenos de significados, originando histórias transmitidas de geração em geração. Por este motivo, quando o objetivo é destruir algo, o alvo é sempre o sagrado, o simbólico ou aquilo de maior valor afetivo.

Como cidadão, o Sr. Roberto Alvim pode expressar opinião, independentemente do campo social, cultural e ideológico. Já como gestor público de relevância nacional – ou seja, representando o país como um todo – o mesmo deveria atentar-se à natureza do seu cargo, pautando-se pelo respeito à classe que representa e aos profissionais consagrados por sua atuação. Cuidar da cultura como um importante setor para a economia e a formação de um país trata-se de um exercício diário, ético e respeitoso. O mesmo se aplica ao cuidado que deveria ser adotado ao se referir a uma atriz como Fernanda Montenegro, um símbolo da identidade nacional, com reconhecimento em todo o mundo.

Persistiremos na busca pelo diálogo, pela liberdade de expressão, pelo afeto ao fazer artístico e cultural de nosso país. Tudo isso de forma civilizada e com total respeito à diversidade.”

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