sexta-feira, setembro 20, 2019

MINHA VIDA GAY

Gays falam sobre héteros que procuram eles em aplicativos de pegação.




“Já saí com héteros e homens casados. Alguns eram sinceros, outros, não”

Alexandre Garcia de Oliveira, 32, conta já ter se relacionado com homens com esse perfil. Para o advogado, que é gay assumido –assim como os outros entrevistados deste texto– muitas dessas pessoas usam o aplicativo porque têm medo de encarar a sociedade e assumir seus desejos.

“Já estive com pessoas que falaram ‘estou a fim de experimentar, nunca fiz’ e na hora H, sendo ativo ou passivo, mandou superbem, o que deixava claro que aquela não era a primeira experiência dele. Outros com quem saí diziam ‘ah, é só sexo, marcamos um outro dia’ e depois do futebol com os amigos passavam na minha casa”.




“Entendi que esses caras não são hetero de forma alguma”.


O cabeleireiro Fernando de Almeida Armelline, 29, é mais direto ao relatar as experiências que teve. Ele e o companheiro, com quem está junto há quatro anos, recorrem aos apps de relacionamento para procurar outros caras. “Muitos procuram homossexuais para satisfazer o desejo por sexo anal, que, segundo eles, as mulheres não fazem. Uns criam perfil sem mostrar o rosto, outros  junto com namoradas, mulheres ou amigas”, conta.

“Aconteceu de um casal heterossexual que nos procurou porque era desejo da esposa, um lance de voyeur mesmo, ver o marido com outro homem. De início eu não queria, pois ia ter uma mulher entre nós, e achei que não me sentiria confortável com a situação. Acabei topando. Chegando lá percebi que a vontade de estar ali não era da mulher, mas, sim, do cara. Ele curtia mesmo ser passivo”.

Depois dessa experiência, que terminou com o homem entrando em contato para se encontrar com o casal gay, sem a presença da esposa, Armelline concluiu que essa pessoa vivia um casamento de fachada, assim como outros que conheceu na ferramenta. “Muitos desses homens, além de usarem apps de relacionamento, procuram saunas e clubes de swing. Nós frequentamos esses locais e tem muitos que se dizem heterossexuais ali”.




“Nunca tive medo da mulher de um deles vir até mim”

William Cury, 24, vê nas relações que homens casados estabelecem com gays algo parecido com aqueles que buscam mulheres para serem suas amantes. “Se avaliar bem o cara tem uma família, mulher, filhos. É a mesma coisa, no sentido de ter alguém para satisfazer o desejo sexual dele. Se for uma travesti ou trans feminina, é provável que esse hétero se sinta muito à vontade, porque na cabeça dele será uma relação com uma mulher na qual ele terá a liberdade de realizar seus desejos”, acredita ele.

“Tinha 18 anos e encontrei o Pedro* — que tinha uns 42 — no app e já foi rolando sexo. Ficamos quatro anos assim, nos relacionando de forma casual. Aos poucos fui descobrindo a sua história, que era casado e tinha dois filhos. Muitas vezes nos encontramos na casa dele e a mulher estava no andar de cima. Nunca perguntei diretamente se ela sabia, mas ele dava vários indícios — como a precaução para que ela não nos visse juntos — de que a esposa dele não imaginava essa situação”.

O artista conta que circunstâncias como essa são comuns. “Em outra ocasião, conversei com um rapaz no app e quando chegou no apartamento dele fomos para um quartinho. Perguntei se alguém mais estava lá e ele respondeu que a mulher estava dormindo e pediu para termos cuidado para não acordá-la. Depois que rolou, mandou uma mensagem dizendo ‘tchau, obrigado. Até mais’ e me bloqueou”.

Cury afirma que é tão comum homens que saem com outros homens e não se identificam como gays que até foi criado um termo para esse tipo de relação: brotheragem. A expressão, que vem do inglês e foi abrasileirada, se refere a um relacionamento íntimo, sexual ou não, entre dois homens. Há casos em que não há penetração, apenas sexo oral, dormir de conchinha ou coisas do tipo.

“Atualmente não rola mais com o Pedro. Naquela época era uma aventura. O mundo gay é muito colocado nessa situação, que é um meio fácil de conseguir sexo e vamos preenchendo todas as lacunas de nossa vida com isso. Já senti tristeza por eles, já os olhei com raiva, mas, hoje, tenho consciência que eles aceitaram a condição em que vivem. Em vez de olhar e pensar que quanto mais velhos, mais donos de si, eles estão totalmente ao léu com o que acontece com a própria vida. É como se dissessem ‘eu tenho uma família, abdicar de tudo agora vai dar muito trabalho. Deixa assim mesmo'”.

Este clipe mostra que LGBTs podem ser dignos de amor -- e também ter sua própria fé.


"Quando eu finalmente me aceitei, aceitando inclusive minha criatividade, foi como se tivesse sido aberta uma válvula de emoções”, contou Trey Pearson, que, em 2016, falou publicamente sobre sua sexualidade.


O cantor e compositor, Trey Person, que é gay, disse que seu vídeo quer levar esperança às pessoas LGBT que lutam para expressar sua fé.

Quando Trey Pearson planejou o videoclipe de sua canção Hey Jesus, ele tinha um único objetivo: “reunir em um só pacote todas as emoções” que sentia como jovem gay em uma família cristã fundamentalista dos Estados Unidos.

“Foi o menor tempo que já levei para escrever uma canção. Depois que ficou pronta, passei horas deitado no chão da sala de casa chorando”, disse ao HuffPost US. Atualmente, ele vive em Ohio. Durante 20 anos, ele foi vocalista da banda de rock cristão Everyday Sunday. “É altamente liberador conseguir escrever e cantar sobre minhas próprias emoções e sexualidade.”




Lançado no final de agosto deste ano, o vídeo de “Hey Jesus”, que pode ser visto acima, mostra Pearson curtindo um momento de ternura na cama com um companheiro. Essas cenas íntimas são entremeadas com imagens de uma drag queen e de um garoto em um campo esportivo que se juntam ele para cantar.

Por mais que os personagens possam se sentir isolados, todos estão unidos na determinação de viver autenticamente como pessoas LGBT que têm fé.

“Muitos adultos LGBT nos Estados Unidos vieram de famílias conservadoras evangélicas ou católicas”, afirmou Pearson. “Eu quis que o vídeo mostrasse um pouco como é crescer com lavagem cerebral, convencido a achar que há algo de errado com você, sendo esse algo uma coisa que afeta tantas pessoas.”

Hey Jesus está no primeiro EP solo de Pearson, batizado de Love is Love. (Amor é amor, em tradução para o português). A coletânea de sete canções, que inclui a faixa titular e o single previamente lançado Silver Horizon, representa toda a gama de emoções vividas pelo cantor desde que ele falou publicamente sobre sua sexualidade em carta aberta a seus fãs. Depoimento foi publicado na (614) Magazine.

Mas a trajetória que Pearson seguiu até conseguir viver autenticamente não deixou de ter percalços. Em 2016 ele e seus colegas do Everyday Sunday foram cortados da programação do Joshua Fest, na Califórnia ? um festival de música cristã “para o público familiar” promovido semanas depois de ele “sair do armário”. Mesmo assim, Trey não lamenta o episódio.

“Eu sempre usei minha arte para tentar expressar minhas emoções. Quando eu finalmente me aceitei, aceitando inclusive minha criatividade, foi como se uma válvula de emoções tivesse aberto”, contou. “Tenho tanta coisa sobre a qual escrever desde que me assumi para mim mesmo, neste processo de viver minha jornada e vivenciar tantas partes da vida que eu não tinha vivido antes.”

"Espero que haja jovens que sentem que não merecem ser amados e que, quando se deparam com essa canção, descobrem que não estão sós e que são dignos de ser amados exatamente do jeito que são."

-Trey Pearson, cantor e compositor

Ao mesmo tempo que Hey Jesus está sendo lançado, Pearson está voltando ao estúdio de gravação com planos de lançar músicas novas mais tarde este ano e no início de 2020. Também está trabalhando sobre seu primeiro livro, que descreve como “um livro de memórias de minha jornada à autoaceitação”.

A reação do público ao clipe de Hey Jesus vem sendo quase totalmente positiva até agora. Quanto às pessoas que talvez não sejam imediatamente receptivas à mensagem da canção, Pearson quer acreditar que a canção e o vídeo as leve a “abrir o coração” de uma maneira pequena, mas importante.

“Espero que levem esperança às pessoas”, ele disse. “Espero que haja jovens que sentem que não merecem ser amados e que, quando se deparam com essa canção, descobrem que não estão sós e que são dignos de ser amados exatamente do jeito que são.”


2 comentários:

  1. Ja estamos indo pra 2020 e a necessidade de rotular o individuo pela sua sexualidade ainda continua obrigatoriamente. O que não era pra ser uma cobrança principalmente pra quem vive no mundo queer e sabe como é triste ter um rotulo quando historicamente ele vem carregado de preconceito e estereótipos. Deixa o casado q curte sair com um cara de vez em qd em paz. Para de dizer q ele está "desperdiçando" a vida dele pq nenhum relacionamento é 100% desperdício e muito menos 100% satisfação. O q mais tem é cara atras de casado, com tara em casado, em transar com o casal ao mesmo tempo. Ou seja tem espaço pra todos. Se não é sua praia, só diz um sinto muito e parta pra outra mas pare de rotular e achar q o outro está errado só pq ele não encaixou no seu perfil de principe encantado do séc XVIII

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    1. Mas na hora da luta pelos direitos, os casados nao vao defender os LGBTs, e sao geralmente os primeiros a apoiar governos q sao contra LGBTs ou como vc diz QUEER. A maioria dos casados tem muito mais preconceito com os queers do q os gays masculinos assumidos. Isso se reflete por os mesmos naos aceitarem sua propria sexualidade, seja sendo o q forem, fora q estao tirando a chance de uma mulher ter um homem q as ame e seja 100% pra elas. Esses sao os mesmos q depois dos 60 anos se revelam gays, e suas esposas ficam tristes por terem tido uma vida de mentiras. Se querem trai-las, entao q se assumam ou contem a verdade pra elas. É ridiculo vc defender quem magoa e rouba a vida de uma pessoa apenas por nao ter coragem pra assumir sua propria sexualidade.

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