segunda-feira, setembro 16, 2019

NOTICIAS DO MUNDO GAY

Presidente da Federação Francesa de Futebol pede que árbitros não parem jogo por canto homofóbico.





O presidente da Federação Francesa de Futebol (FFF), Noel Le Graet, disse que não quer que os árbitros parem os jogos no país em caso de cantos homofóbicos, apesar das novas regras adotadas pela entidade nesta temporada que permitem tais interrupções.

“Parar as partidas não me interessa. É um erro. Pararia um jogo por causa de gritos racistas, pararia uma partida por causa de uma briga ou por causa de incidentes se houver perigo nas arquibancadas, mas não é o mesmo”, disse Le Graët. O dirigente defendeu ainda que funcionários do clubes devem retirar bandeiras homofóbicas das arquibancadas, mas o jogo não deve ser paralisado.

Para Le Graët racismo e homofobia “não são a mesma coisa”. “Comparar racismo a homofobia é errado. Estamos parando várias partidas por gritos homofóbicos. O governo elogia isso, eu não e me preocupa”, continuou. “O futebol não inventou a homofobia, não é algo que os presidentes dos clubes devem resolver só para as câmeras da televisão”.

Vários jogos da Ligue 1 foram brevemente interrompidos pelos árbitros nesta temporada por causa de cantos homofóbicos nas arquibancadas, de acordo com as novas regras que a FFF aplicou nesta temporada. O presidente não tem autoridade para instruir os árbitros a ir contra as novas regras. As regras foram apoiadas publicamente pela ministra do esporte Roxana Maracineanu, que na semana passada disse estar “surpresa” com comentários anteriores de Le Graet de que “muitos jogos” foram interrompidos por causa de incidentes de homofobia.

Brasil articula aliança mundial "pró-família" com governos conservadores.




Brasília costura bancada de “países amigos da família” na ONU e Itamaraty já circulou informação para seus postos. Em evento organizado pelo governo da Hungria, na semana passada, ministra Damares Alves insiste que “agora o Brasil é uma nação pró-família” e convoca governos a se unir à iniciativa.

O governo brasileiro começa a costurar uma aliança de países que defendam posturas conservadoras com o objetivo de influenciar a agenda de direitos humanos. A ideia é de modificar a forma pela qual assuntos como educação sexual e gênero tem sido tratado nos últimos 25 anos na ONU, OMS e outros organismos internacionais, além de “resgatar valores”.

A ofensiva tem sido visto nos bastidores com entusiasmo por alguns. Mas com preocupação por outros governos que temem que tal iniciativa seja um lobby para tentar se contrapor à agenda progressista que, nas últimos décadas, ampliou direitos a minorias no direito internacional, inclusive de grupos LGBT. O projeto ainda é interpretado como um possível ataque contra consensos formados desde a década de 90, fortalecendo os direitos de mulheres e meninas.

Entre delegações estrangeiras, a dúvida que paira é se a iniciativa brasileira terá uma relação com um grupo já existente de países árabes que também se auto-titulam de “defensores da família”. O bloco é liderado pelo Egito e reúne alguns dos regimes mais conservadores do Oriente Médio e do mundo islâmico.

Ancine se curva a Bolsonaro e rescinde apoio a filmes com temas de gays e negros.




Apenas três semanas após a Ancine aprovar a “concessão de apoio financeiro” para que dois filmes nacionais participassem do Festival Internacional de Cinema Queer, a agência mudou de ideia  — e rescindiu o termo de permissão, que dava aos produtores de “Greta” e “Negrum3”, uma ajuda de custo de R$ 4,6 mil para cada um participar do evento que se realiza a partir desta sexta-feira, em Lisboa.

A temática  do dois filmes tem tudo o que Jair Bolsonaro manifestamente não gosta de ver nas telas: negritude e homossexualidade.

*“Negrum3” tem este resumo oficial: “Entre melanina e planetas longínquos, Negrum3 propõe um mergulho na caminhada de jovens negros da cidade de São Paulo. Um filme-ensaio sobre negritude, viadagem e aspirações espaciais dos filhos da diáspora”.

*“Greta”, estrelado por um dos maiores atores do Brasil,  Marco Nanini, foi selecionado para o Festival de Berlim deste ano. No filme, Nanini interpreta um enfermeiro homossexual que é fã ardoroso de Greta Garbo.

A marcha a ré da Ancine no caso destes dois filmes revela que a recente troca de comando na agência — Christian de Castro foi afastado da presidência por força de decisão judicial e Alex Braga assumiu — parece não ter afetado a caminhada da agência para a rota conservadora.

Dráuzio Varella massacra homofóbicos sobre ideologia de gênero.




Nos dias de hoje, demagogos se apropriaram do preconceito social

Mal começamos a entender a diversidade sexual humana, vozes medievais emergiram das catacumbas para inventar a tal “ideologia de gênero”.

Como nunca vi esse termo mencionado em artigos científicos nem nos livros de psicologia ou de qualquer ramo da biologia, fico confuso.

Suponho que se refiram a algum conjunto de ideias reunidas por gente imoral, para convencer crianças e adolescentes a adotar comportamentos homossexuais. Será que devo a heterossexualidade à inexistência dessa malfadada ideologia, nos meus tempos escolares? Caso existisse, eu estaria casado com homem?

Embora disfarcem, o que esses moralistas de botequim defendem é a repressão do comportamento homossexual que, sei lá por que tormentos psicológicos, lhes causa tamanho horror.

Para contextualizar a coluna de hoje, leitor, não falarei de aspectos comportamentais ou culturais, resumirei apenas alguns fenômenos biológicos ligados à sexualidade, uma vez que a diferenciação sexual é fenômeno de altíssima complexidade em que estão envolvidos fatores hormonais, genéticos e celulares.

Até a quinta semana de gestação, o embrião é assexuado. Só a partir da sexta semana é que as gônadas começam a se diferenciar. Se houver desenvolvimento de ovários, eles secretarão predominantemente estrogênios; se forem testículos, a produção predominante será de testosterona. Digo predominante, porque pelo resto da vida homens também produzirão estrogênios; e mulheres, testosterona, embora em pequenas quantidades.

Variações nesse delicado equilíbrio hormonal modificam os caracteres sexuais secundários, a anatomia dos genitais e o comportamento sexual.

Por outro lado, o conceito de que o sexo seria definido pela presença ou ausência do cromossomo Y é uma simplificação. Muitas vezes, os cromossomos sexuais não se distribuem igualmente entre as células do embrião. Da desigualdade, resultam homens com células XX em alguns órgãos e mulheres com cromossomos XY.

Talvez você não saiba, caríssima leitora, que fetos masculinos liberam células-tronco XY que cruzarão a placenta e se alojarão até no cérebro de suas mães, para sempre.




Quando a genética é levada em conta, as fronteiras sexuais ficam ainda mais nebulosas. Há dezenas de genes envolvidos na anatomia e na fisiologia sexual. A multiplicidade de interações entre os dominantes e os recessivos torna mais complexa a diversidade sexual existente entre homens, bem como entre mulheres, e faz surgir áreas de intersecção que tornam problemático para algumas pessoas definir sua sexualidade dentro dos limites impostos pela ordem social.

Como deveríamos então definir o sexo de cada indivíduo? Pelo binário dos cromossomos XX e XY? Pelos genes, pelos hormônios ou pela anatomia genital? O que fazer quando essas características se contrapõem?

Segundo Eric Vilain, diretor do Centro de Biologia Baseada em Gênero, na Universidade da Califórnia: “Na falta de parâmetros biológicos, se você quiser saber o sexo de uma pessoa, o melhor é perguntar para ela”.

Esses conhecimentos passam ao largo de grande parte da população. Para muitos, a homossexualidade é uma opção de gente sem vergonha. Repetem esse absurdo porque são ignorantes, sem a menor noção das raízes biológicas e comportamentais da sexualidade.

O argumento mais elaborado que conseguem usar como justificativa é o de que a homossexualidade não é fenômeno natural. Outra estupidez: relações homossexuais têm sido documentadas pelos etologistas em todas as espécies de mamíferos, e até nas aves, únicos dinossauros que sobreviveram à catástrofe de 62 milhões de anos atrás.

Assim como a heterossexualidade, a homossexualidade se impõe. Não é nem pode ser questão de escolha. É possível controlar o comportamento, mas o desejo sexual é água morro abaixo.

Nos dias assustadores em que vivemos, em que os boçais se orgulham das idiotices que vomitam com ares de sabedoria, vários demagogos se apropriaram do preconceito social, para criar a tal “ideologia de gênero”, com o pretexto de defender a integridade da família brasileira. Partem do princípio de que assim ganharão mais votos, uma vez que os iletrados são maioria num país de baixa escolaridade, infelizmente.

Mandar recolher livros e disputar a primazia do combate a essa ideologia cretina e sem sentido é apenas uma demonstração de arrogância preconceituosa tão a gosto dos pobres de espírito.

Após ofender gays, homem é condenado por LGBTfobia.




Felipe Resende, estudante e ativista da causa LGBT, conseguiu, através da justiça do Rio de Janeiro, a condenação de um homem que proferiu comentários homofóbicos contra ele. Vale frisar que, por maioria no STF, a LGBTfobia foi equiparada ao crime de racismo.

Em relação aos fatos, na ocasião, Felipe celebrava no facebook os votos favoráveis no julgamento da criminalização da homofobia, e foi surpreendido por ofensas advindas do senhor Edson Siqueira.

Na postagem, Edson ofendeu Felipe e gays com palavras como “viado” e “bichona”. Nesse sentido, após ser confrontado, o réu ainda disse que o Felipe “além de viado tinha cara de drogado”.

Nessa direção, após as provas (prints do facebook) acopladas, o réu foi condenado a pagar a título reparatório por danos morais o valor equivalente a dez mil reais. Além do mais, foi explicitado nos autos que discursos de ódio que atentem contra Dignidade da Pessoa Humana não serão tolerados.

A sentença também pode ser vista no Link: https://www.docdroid.net/9y6ls7e/sentenca-condenatoria.pdf

Jovem denuncia que foi estuprado e agredido após participar da Parada LGBTQ+ em Goiânia.




Um jovem de 29 anos denunciou nesta quarta-feira (11/09) que foi estuprado e agredido após a 24ª Parada LGBTQI+ de Goiânia. Ele afirma que teve a cabeça machucada e a roupa rasgada ao ser abordado por um homem, que ele não conseguiu identificar. A Polícia Civil investiga o caso. Com informaçoes do G1.

“Mais uma vez a intolerância, a ignorância e o machismo fazem vítimas. Homofóbicos tirem suas mãos imundas do meu corpo, ele me pertence! #vivo e a luta continua”, desabafou a vítima em uma rede social. Segundo o registro feito no 1º Distrito Policial, o jovem estava caminhando para casa, quando nas proximidades de um colégio no Setor Central, foi forçado por um desconhecido a seguir para umas árvores na calçada de um prédio, onde aconteceu a violência sexual.

De acordo com o que foi relatado pelo jovem na delegacia, o agressor queria que ele fizesse sexo oral e, após recusar, recebeu uma pancada muito forte na cabeça com um pedaço de madeira ou ferro. Mesmo ferida, a vítima relatou que o agressor insistiu e o estuprou. De acordo com o delegado Glaydson Divino, o caso foi registrado inicialmente como estupro, mas as investigações vão apontar se o caso se encaixa também como homofobia, especificada na Lei de Racismo.

“O caso foi registrado como estupro, porque a vítima, inicialmente, não foi agredida pelo fato de ser homossexual, e sim porque se recusou a fazer sexo”, afirmou o delegado em entrevista a G1. Segundo ele, imagens de câmeras de segurança podem auxiliar nas investigações. “Como o caso chegou para a gente nesta tarde, já determinei que uma equipe acompanhe. Vamos tentar imagens de câmeras próximas para identificar o autor”, finalizou.

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