segunda-feira, outubro 28, 2019

NOTICIAS DO MUNDO GAY

Capital da Colômbia elege lésbica como prefeita pela primeira vez na história.


Claudia López, eleita prefeita de Bogotá, ao comparecer às urnas neste domingo, 27.

A ex-senadora Claudia López foi eleita prefeita de Bogotá, capital da Colômbia, nas eleições regionais do país neste domingo (27). Pela primeira vez, a cidade terá uma mulher lésbica no comando da prefeitura.

López obteve cerca de 35% dos voto, indica apuração da rede colombiana Caracol. É uma vantagem apertada para o segundo colocado, Carlos Fernando Galán Pachon, que obteve 32,48%. Não há segundo turno.

Segurança e combate à corrupção

Formada em finanças, López se elegeu pela Aliança Verde – um movimento ecologista da Colômbia – com forte discurso contra corrupção. Na campanha, ela prometeu assumir o comando da polícia caso eleita para enfrentar o problema da criminalidade em Bogotá.

O cargo de prefeita de Bogotá é chamado pela imprensa colombiana de segundo mais importante do país, atrás somente do presidente – ocupado atualmente por Iván Duque.

Travestis e Transexuais poderão usar nome social no Amazonas.



A partir deste mês, travestis e transexuais terão o direito ao uso do nome social nos órgãos e entidades da administração pública do Estado. A garantia foi sancionada pelo Governo do Amazonas no dia 4 de outubro, por meio da Lei nº 4.946.

Conforme a lei, entende-se por nome social aquele pelo qual a pessoa travesti ou transexual prefira ser chamada no dia a dia, como se reconhece e é identificada no meio social. O campo “nome social” deve aparecer nos registros de informação, cadastros, programas, serviços, fichas de formulários, prontuários e congêneres dos órgãos e entidades da administração pública.

Para a funcionária pública Maria do Rio, de 23 anos, a garantia do nome social para pessoas trans e travestis é um direito à saúde que vai abrir portas em todos os setores da sociedade. “Hoje, a principal causa das pessoas trans não estarem na escola, não estarem trabalhando, não estarem nos hospitais e em serviços de cidadania é o desrespeito ao nome, porque chegamos em um lugar e as pessoas automaticamente negam a nossa existência. O nome social é a primeira forma de começar a falar do assunto, uma maneira mais gentil e pedagógica de tentar educar as pessoas sobre a importância do respeito e da valorização do ser humano”, afirma Maria, que assumiu a identidade feminina aos 16 anos, ao G1.

“Para existir, é preciso muita coragem porque, em todos os espaços que eu entro, eu sou a primeira pessoa travesti que ocupa um espaço novo e, toda vez, eu faço questão de mostrar que a lei existe. Meu objetivo é esse: ocupar novos espaços e mostrar para as pessoas que eu mereço estar ali e que outras pessoas, como eu, também devem estar”, destaca Maria do Rio.

Jornalista do Bom Dia Bahia surra homofóbico com argumentos e sensatez ao vivo.


Depois de noticiar o crime de tentativa de homicídio motivado por homofobia em Salvador, Jessica Senra fez um desabafo indignado.

É um dever buscar formas de combater a violência gratuita”. Assim, Jéssica Senra, apresentadora da afiliada da Globo na Bahia, começa a apontar, em entrevista ao BHAZ, os principais motivos do comentário de grande repercussão, feito por ela, na edição dessa quarta-feira (23) do Bom Dia Bahia.

Depois de noticiar o crime de tentativa de homicídio motivado por homofobia e registrado no fim de semana na região metropolitana de Salvador, Senra fez um desabafo indignado. “Na cabeça do homofóbico, beijar e fazer carinho ofende. Mas, agredir e tentar matar não ofende?”, questionou. “É uma coisa absolutamente irracional!”, rechaçou.

Os comentários se referiam ao absurdo caso do homem que levou quatro tiros depois de beijar outro rapaz em um bar. A apresentadora seguiu, ao vivo, com o discurso contundente contra a homofobia e conectou o ódio por homossexuais ao machismo e à misoginia, que é a aversão ao feminino. “O machismo oprime. Oprime mulheres, porque parte da ideia de que os homens são superiores às mulheres e que estas devem se submeter a eles”, destaca.

A jornalista prossegue: “A homofobia é isto: é ignorância, falta de qualquer lógica. Tem a ver com o machismo. Percebam que muitos homossexuais são chamados de ‘mulherzinha’, como se isso fosse ofensivo, como se ser mulher fosse uma ofensa. Por isso, a gente diz que o combate ao machismo precisa ser de absolutamente toda a sociedade” elabora a apresentadora.

Para Senra, estar conectado às questões da sociedade, é papel do jornalismo, o que ela sempre busca cumprir com seu posicionamento. “Comento não só de homofobia, mas também de racismo, misoginia, machismo. É um dever nosso provocar reflexões”, disse.

Ela entende sua posição na mídia como um privilégio, que faz questão de utilizar para dar voz aos grupos oprimidos. “No caso dos homossexuais, por exemplo, muitos que se manifestam se colocam em risco. Quem tem esse espaço de privilégio, tem que falar”, defende a jornalista.

Em seu Instagram, a apresentadora disse que não pretendia explicar todas as nuances da homofobia, mas que não podia perder a oportunidade de falar ao grande público sobre o assunto. “Diante de um caso absurdo de um jovem agredido e baleado porque trocava carícias e beijava o companheiro, não pude me furtar de chamar a atenção para a barbaridade desse ato”, comentou.

Não faltaram elogios à atitude da jornalista. A grande maioria dos usuários enalteceu Jéssica nas redes sociais, mas alguns questionaram as falas. “Tanto homossexuais, quanto heterossexuais tem que respeitar o direito do próximo”, comentou um usuário no Instagram. A jornalista respondeu que fazer carinho e beijar em público, não ferem o direito de absolutamente ninguém.

Por homofobia, Assaí Atacadista terá que pagar R$ 30 mil a ex-funcionário.



O Tribunal Superior do Trabalho (TST) condenou a rede de supermercados Assaí Atacadista a indenizar um ex-funcionário vítima de homofobia no local de trabalho com R$ 30 mil.

Na ação, Udson da Silva Mafra, que é abertamente homossexual, relata que sofria constantemente com piadas internas, que inicialmente começaram de forma discreta e terminaram mais agressivas.

Segundo o rapaz, o motivo do bullying seria a sua voz, que não seria grave o suficiente para os padrões normativos masculinos. Além disso, ele afirma que também era chamado de nomes como “viadinho” e “bicha”. O caso se iniciou no ano de 2014.

“Eu entrei na empresa e comecei a ver os murmurinhos. Eu era chamado de viadinho, fresco e bicha o tempo todo. Em um primeiro momento, de forma sutil. Certa vez, no vestiário, um superior hierárquico me chamou de coisas horríveis. As pessoas não conseguiam dissociar minha voz fina da minha sexualidade, o que me fazia muito mal”, relatou ele ao site Metrópoles.

A rede de supermercados já havia recorrido e foi condenada em 1º e 2º grau, restando apenas a decisão do TRT. Durante a leitura dos autos, a advogada Cíntia Cecílio, atual presidente da Comissão de Diversidade Sexual da OAB/DF, afirmou que a situação pelo qual vítima passou fere a dignidade da pessoa humana.

Em nota enviada à imprensa no início do ano, quando saiu uma das condenações, a rede Assaí afirmou “que repudia veementemente qualquer ato discriminatório e as situações relatadas pelo ex-colaborador“. Além disso, a empresa afirma que trabalha com campanhas para reduzir a discriminação no ambiente corporativo.

Durante a decisão, a advogada também lembrou que se o caso tivesse ocorrido na atualidade, os colegas de trabalho que praticaram bullying contra Udson poderiam responder por crime de racismo. Já que desde junho deste ano foi aprovado pelo Superior Tribunal Federal (STF), a lei contra LGBTfobia.

‘Me chamar de viado não é ofensa. Tomar 4 tiros sim’, diz homem baleado por homofobia na Bahia.


Marcelo Macedo levou 4 tiros após beijar outro rapaz em um bar na cidade de Camaçari, na Bahia.


Em relato forte, Marcelo Macedo comentou o caso nas redes sociais nesta sexta-feira (25), cinco dias após o crime. Ele segue internado sem previsão de alta. Suspeitos estão soltos.

O baiano que foi agredido e levou 4 tiros após beijar um ficante em um bar da cidade de Camaçari, na região metropolitana de Salvador, comentou o caso nas redes sociais pela primeira vez nesta sexta-feira (25), cinco dias após o crime. [Confira relato na íntegra ao fim da reportagem]

Em um texto com declarações fortes, Marcelo Macedo reforçou o medo que havia relatado em entrevistas e lamentou o fato de os três suspeitos do crime ainda estarem soltos e terem as identidades preservadas pela polícia durante as investigações.

“Não sei como será quando sair daqui. Temo pelos meus familiares. Estamos assustados em saber que quem atentou contra a minha vida está solto por aí, sua cara não está estampada em todos os jornais estando tão vulnerável como eu me encontro agora, botando a cabeça no travesseiro deitado na cama da sua casa e dormindo todos os dias tranquilamente”.

“Me chamar de ‘viado’ não é ofensa. Tomar 4 tiros sim. Uma dor irreparável, além de física, emocional e psicológica. Não sei como será de agora em diante, não sei se serei mais o mesmo. Esse medo que estou sentindo irei carregar até o fim dos meus dias. Só peço proteção para mim e toda a minha família. Orem por mim!”.

Na publicação, o baiano também fez um balanço do que tem vivido enquanto aguarda alta médica no Hospital Geral de Camaçari (HGC).

“Dormi e acordei em uma cama de hospital, e só sabia chorar, achei que tivesse morto e desfrutava do paraíso. Não lembrava de muita coisa. Ao abrir os olhos e me dar conta do que estava acontecendo, entrei em estado de choque, mas por incrível que pareça, o hospital é o meu lar agora, é o lugar onde me sinto seguro, protegido, em paz”.




“É difícil acreditar que as pessoas são agredidas tão cruelmente e de maneira tão covarde pelo simples fato de demonstrar afeto. É triste. Dói. Estou despedaçado. Eu amo a minha cidade, nasci e me criei aqui. Nem no meu pior pesadelo eu imaginei que um dia pudesse ser tão violentado. Ver a morte de perto é assustador. Nos paralisa”.
O crime ocorreu na noite do último domingo (20). Antes do ataque começar, a vítima foi questionada “se não tinha vergonha de fazer isso na frente de pais de família”.

Marcelo Macedo levou um tiro no braço e três no abdômen. Após uma cirurgia, ele tem estado estável de saúde, mas não há previsão de alta.

O caso está sob investigação da Delegacia de Camaçari. Três homens, incluindo um policial militar, são suspeitos do crime. Os nomes deles não foram divulgados para, segundo a polícia, não atrapalhar as investigações.

Em nota divulgada na quinta-feira, a Polícia Civil informou que os três já foram ouvidos pela delegada Thais Siqueira, titular do município, porém não detalhou se eles foram detidos após o depoimento.

Segundo a Polícia Civil, o caso só será comentado pela delegada após o final das investigações.

Procuramos a Polícia Militar para saber a situação do policial suspeito de envolvimento no crime na quinta-feira, mas não obteve retorno até esta publicação.

Confira o relato de Marcelo completo:
Vivi um verdadeiro filme de terror nos últimos dias. Por isso quero iniciar agradecendo todos os meus amigos por me carregarem no colo. É difícil acreditar que as pessoas são agredidas tão cruelmente e de maneira tão covarde pelo simples fato de demonstrar afeto. É triste. Dói. Estou despedaçado. Eu amo a minha cidade, nasci e me criei aqui. Nem no meu pior pesadelo eu imaginei que um dia pudesse ser tão violentado. Ver a morte de perto é assustador. Nos paralisa. Sou jovem, tenho uma família, uma vida inteira pela frente e por um milagre de Deus hoje estou vivo, mas quase tive meus sonhos interrompidos de maneira tão vil. O que me dá força para escrever pra vocês é a gratidão pelos meus amigos, sem eles e sem a todos que me mandaram mensagens de carinho e afeto, não sei se conseguiria. Mas o que me encoraja também é o medo. Só quem já perdeu um familiar ou um amigo conhece essa dor, só quem já esteve de cara com a morte sabe o que estou falando e pode mensurar um pouco do que estou sentindo agora.

Dormi e acordei em uma cama de hospital, e só sabia chorar, achei que tivesse morto e desfrutava do paraíso. Não lembrava de muita coisa. Ao abrir os olhos e me dar conta do que estava acontecendo, entrei em estado de choque, mas por incrível que pareça, o hospital é o meu lar agora, é o lugar onde me sinto seguro, protegido, em paz. Não sei como será quando sair daqui. Temo pelos meus familiares. Estamos assustados em saber que quem atentou contra a minha vida está solto por aí, sua cara não está estampada em todos os jornais estando tão vulnerável como eu me encontro agora, botando a cabeça no travesseiro deitado na cama da sua casa e dormindo todos os dias tranquilamente. Me chamar de “viado” não é ofensa. Tomar 4 tiros sim. Uma dor irreparável, além de física, emocional e psicológica. Não sei como será de agora em diante, não sei se serei mais o mesmo. Esse medo que estou sentindo, irei carregar até o fim dos meus dias. Só peço proteção para mim e toda a minha família. Orem por mim!

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