terça-feira, outubro 22, 2019

POLÍTICA

Partido 99% fiel ao governo, PSL agora ameaça pauta de Bolsonaro.


O presidente Jair Bolsonaro participa de cerimônia na Base Aérea de Brasília; disputa pelo controle político do PSL

BRASÍLIA – A crise entre o presidente Jair Bolsonaro e a cúpula do PSL implodiu o único apoio fiel que o governo tinha na Câmara. Incomodados com a ofensiva do Palácio do Planalto para derrubar o líder da bancada, Delegado Waldir (PSL-GO), deputados do partido ligados ao presidente da sigla, Luciano Bivar (PE), afirmam que passarão a atuar de forma independente, o que significa contrariar os interesses do governo em alguns casos.

Segundo levantamento do Estado utilizando a ferramenta Basômetro, que mede o governismo de deputados e partidos, o PSL é o partido que mais deu suporte às propostas de interesse do governo na Câmara. Parlamentares da sigla votaram com Bolsonaro em 99% das vezes – índice superior a DEM e Novo, que deram 94% dos votos alinhados ao governo.

Entre os temas que os “bivaristas” prometem encampar contrariando interesses do Planalto está a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a prisão após condenação em segunda instância e a defesa das comissões parlamentares de inquérito (CPIs) da Lava Toga e das Fake News.

“Não haverá consenso em todas as pautas com o presidente Bolsonaro, o partido terá seu posicionamento”, afirmou Waldir ao Estado. Segundo ele, o apoio às medidas econômicas, no entanto, está garantido.

Apenas 10 dos 53 deputados do PSL foram 100% fiéis a Bolsonaro
Dos 53 deputados do PSL, apenas dez foram 100% fiéis a Bolsonaro até agora. Na lista estão Waldir e Bivar, principais alvos do presidente. “Vamos apoiar as bandeiras de Bolsonaro na campanha e que defendemos também. Mas, se aparecer algum projeto que diverge do que ele defendeu, vamos votar contra”, afirmou o deputado Charles Evangelista (PSL-MG).

Parlamentares apontam como exemplo propostas que afrouxam o combate à corrupção. Na lista, a transferência do antigo Conselho de Controle de Atividades Financeiros (Coaf) do Ministério da Justiça para o Ministério da Economia. A mudança, que representou uma derrota ao ministro Sérgio Moro, foi aprovada pelo Congresso em junho, com aval do Planalto.

“Quando houver flexibilização daquilo que o Brasil quer, merece e precisa, por óbvio que ninguém contará comigo. Eu não faço jogo, não faço esquema”, afirmou a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), destituída do posto de líder de governo no Congresso anteontem após não endossar uma lista contra Waldir.

Bolsonaro atuou pessoalmente para retirar o atual líder da bancada e emplacar no lugar o filho, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Os pedidos do presidente a deputados para que assinassem um documento de apoio a Eduardo foram gravados e divulgados por bivaristas, o que acirrou a crise entre as duas alas do partido.

O pano de fundo da disputa é o controle do PSL, que se tornou uma superpotência ao receber o maior número de votos para a Câmara no ano passado, na onda do “bolsonarismo”. Apenas neste ano, a legenda deve receber R$ 150 milhões do Fundo Partidário, o maior valor entre as 32 siglas do País.

Entre os deputados que defenderam a permanência de Waldir na liderança, porém, há quem mantenha a fidelidade ao governo. “Meu apoio ao presidente Jair Bolsonaro é incondicional. Neste momento, o Brasil precisa do nosso trabalho e não de picuinhas que não levam a nada”, afirmou a deputada Soraya Manato (PSL-ES).

O deputado Felipe Francischini (PSL-PR), que preside a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), afirma que a postura “independente” já era adotada por ele na condução do colegiado – o mais importante da Câmara.

“Eu já tenho independência na CCJ. Até porque hoje tudo o que eu pautei foi porque eu fui atrás”, afirmou o parlamentar. “E vou continuar assim. Se a insanidade de alguns está ofuscando a vista para um projeto de nação, não vai acontecer isso comigo.”




Nesta semana, em uma reação ao Supremo Tribunal Federal (STF), Fracischini decidiu acelerar a discussão da PEC que prevê a prisão antecipada de réus após condenação em segunda instância. A intenção é se antecipar a uma eventual mudança de entendimento do Supremo, que começou na quinta-feira a julgar três ações sobre o tema.

Embora o governo não tenha se posicionado sobre o assunto, uma postagem anteontem na conta de Bolsonaro no Twitter em defesa da PEC foi apagada. Minutos depois, o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PSC), filho do presidente, admitiu ter sido o autor da publicação no perfil do pai, mas sem autorização. 

O Planalto tem adotado cautela na relação com o STF e, em alguns casos, atuado para evitar que o Congresso tome medidas que visem atingir ministros da Corte. É o caso, por exemplo, da CPI da Lava Toga, que mira no chamado “ativismo judicial” de magistrados. 

O pedido de criação da comissão foi enterrado no Senado com a ajuda do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), primogênito do presidente. /CAMILA TURTELLI, DANIEL WETERMAN, RENATO ONOFRE, VINICIUS PASSARELLI e PAULO BERALDO

Crise no PSL esfria indicação de Eduardo para embaixada nos EUA.



"Se com a ajuda do presidente, do palácio, ele não conseguiu virar líder de um partido, qual a força que terá para ser embaixador?", questiona a deputada Joice Hasselmann.

Há uma semana, depois que a crise no PSL já estava instalada, o presidente Jair Bolsonaro comentou com pessoas próximas que não iria “submeter o menino a esse constrangimento”. O menino e o constrangimento, no caso, se referem ao processo de indicação do filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), à embaixada nos Estados Unidos, que inclui sabatina e votação no Senado. 

A fala, segundo interlocutores do presidente ouvidos pelo HuffPost, significa recuo. “Mas ele não vai dar o braço a torcer publicamente”, disse uma fonte.

Enquanto isso, o trabalho na embaixada em Washington, cargo mais desejado pela diplomacia brasileira, continua sendo exercido por Nestor Forster. Atualmente, ele ocupa o posto de encarregado de negócios, mas já foi cotado como favorito para ser o embaixador. Forster era, inclusive, a escolha do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

Em “banho-maria” há pelo menos três meses, a indicação de Eduardo sofreu revés definitivo com a crise debelada pelo próprio pai no PSL desde a última semana. Senadores passaram a avaliar a sua aprovação, que mesmo entre aliados já era vista como “incógnita”, como difícil.

Já no fim de semana, quando Eduardo Bolsonaro brilhou na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), seus assessores afirmaram ao HuffPost que seus processo para chegar a Washington estava travado.

O balde de água fria veio na quarta (16), quando Jair Bolsonaro liderou uma operação para derrubar o líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO), e substituí-lo pelo filho 03. Porém, nem com a intervenção do presidente, houve maioria.

No Congresso, a análise é de que a ingerência mal-sucedida não só expôs Bolsonaro, fragilizando-o politicamente mais ainda, como derrubou de vez as chances do filho de se alçar ao tão desejado cargo em Washington.

Ex-líder de governo do PSL, a deputada Joice Hasselmann (SP) corrobora a análise que circula nos corredores do Congresso. “Eduardo não conseguiu mostrar força sequer para se tornar líder de um partido, ainda que a estrutura do palácio tenha sido usada chamando alguns deputado. Se com a ajuda do presidente, do palácio, ele não conseguiu virar líder de um partido, qual a força que terá para ser embaixador? Claro que política muda todo dia. Pode ser que amanhã as coisas mudem. Pode ser que amanhã, mas ele saiu bastante enfraquecido dessa disputa”, afirmou a deputada.

7 trechos que resumem o áudio em que Delegado Waldir promete implodir Bolsonaro.



“Eu andei no sol em 246 cidades para defender o nome desse vagabundo”, diz Delegado Waldir sobre Bolsonaro.

Um áudio de nove minutos colocou ainda mais lenha na fogueira que está a situação do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro. Desta vez, o deputado Daniel Silveira (RJ) vazou uma gravação de uma reunião de deputados que se opõem a conduta do presidente. A gravação mostra a irritação do líder da legenda na Câmara dos Deputados, Delegado Waldir (GO).

Waldir se tornou o símbolo da confusão da legenda na quarta-feira (16). Bolsonaro articulou pessoalmente para destituí-lo da liderança da legenda e emplacar o filho, Eduardo (SP). A tentativa foi frustrada. Era necessário ter maioria das assinaturas dos 53 deputados da legenda. Embora tenha conseguido 27 assinaturas, a rubrica da deputada Bia Kicis (DF) não conferiu.

Assim que apresentaram este requerimento, parlamentares da legenda ligados ao Delegado Waldir e a Luciano Bivar (PE) —  presidente do PSL e outro alvo de troca de farpas com Bolsonaro — também apresentaram um requerimento para retornar o posto a Waldir. No fim, quatro parlamentares assinaram as duas listas e a Secretaria-Geral da Mensa da Câmara manteve Waldir na liderança.

Irritado, Bolsonaro tirou a deputada Joice Hasselmann (SP) da liderança de governo. Ela assinou a lista pela manutenção de Waldir.

Desde o início do governo, integrantes do PSL se queixam do relacionamento da legenda com o presidente. No entanto, desde que Bolsonaro disse publicamente que Bivar estava queimado, a crise se acirrou.

O áudio expõe ainda a tentativa de integrantes do PSL fundirem a legenda com o DEM.

Leia os principais trechos do áudio.

1. “Eu vou implodir o presidente. Aí eu mostro a gravação dele. Não tem conversa. Eu implodo ele. Eu sou o cara mais fiel. Acabou, cara. Eu sou o cara mais fiel a esse vagabundo. Eu votei nessa porra. Eu andei no sol em 246 cidades para defender o nome desse vagabundo”, diz o Delegado Waldir.

2. “Cuidado com isso, Waldir”, pontua um deputado. Outro diz: “Calma”.

3. “Os meninos chegaram lá e o presidente disse: ‘Assina se não é meu inimigo.’”, diz uma deputada. Em seguida, o deputado Luiz Lima (PSL-RJ) responde: “Eu não consegui não assinar”.

4. “A gente foi tratado igual cachorro desde que ele venceu as eleições, nunca atendeu a gente porra nenhuma”, diz outro deputado.

5. “Nunca fui tão assediado quanto agora. Nunca o Palácio ligou tanto para mim. Olha, Flávio Bolsonaro… Fiquei importante da noite para o dia. Nada como um dia após o outro”, diz um deputado.

6. “Eu estou tentando segurar essa porra porque eu não quero que aconteça. Se a bancada passar o recado que não está com o partido, eles vão fazer a fusão e vão liberar todo mundo aqui sem levar fundo, sem levar porra nenhuma. E o Democratas vai ficar com o dinheiro de todos vocês aqui”, diz Felipe Franceschini (PSL-PR).

7. “Não tem chance de dar certo com o Palácio porque eles não combinam o jogo com ninguém”, emenda Franceschini.

A íntegra está disponível na página do YouTube do Estadão.

Ala bivarista do PSL quer suspender Eduardo Bolsonaro.



Em mais 1 episódio da briga interna no PSL, a ala bivarista do partido vai mover 1 requerimento pela suspensão do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) da sigla, disse neste domingo (20.out.2019) o deputado Júnior Bozzella (PSL-SP), ao Poder360.

Ligado ao presidente do PSL, Luciano Bivar (PSL-PE), o deputado afirmou que decisões a respeito de Eduardo Bolsonaro, e outros bolsonaristas radicais, já estão em curso e próximas de 1 desfecho.

“É rito normal, natural dos deputados que se sintam ofendidos com ataques de quem agride o partido”, disse Bozella. “Queremos salvar o governo dos filhos do presidente [Jair Bolsonaro]“, afirmou.

Ele disse ainda que a hipótese de expulsão de Eduardo da legenda é possível, e que a radicalização da ala bolsonarista atrapalha a pauta governamental. “Estão paralisando o país, é uma irresponsabilidade“, disse.

GUERRA INTERNA

Na última semana, o presidente Jair Bolsonaro deflagrou uma ofensiva para enfraquecer a ala do partido ligada a Luciano Bivar, no contexto de disputa por mais controle da legenda e do fundo eleitoral.

Os bolsonaristas, então, tentaram destituir o atual líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO), da liderança do partido, e substituí-lo por Eduardo Bolsonaro. A estratégia foi frustrada, e ampliou o racha na legenda e o desgaste do Planalto.

FERIDOS

Com a guerra no partido, a deputada Joice Hasselmann (SP), que foi contra a investida de Bolsonaro e apoiou Bivar, foi destituída da liderança do governo. A ala bivarista se fortaleceu: Carla Zambelli (SP), Filipe Barros (PR), Bibo Nunes (RS), Alê Silva (MG) e Carlos Jordy (RJ) tiveram as atividades parlamentaras suspensas por decisão do partido.


Crise no PSL: Delegado Waldir e Joice Hasselmann se dizem traídos por Bolsonaro




Entenda a maior treta de Bolsonaro com o PSL



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#VeraMagalhães: Bolsonaro é o que sempre foi e não surpreende ninguém




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