sexta-feira, novembro 22, 2019

DIREITOS

Dia da Consciência Negra.




Dia da Consciência Negra é comemorado na data da morte de Zumbi dos Palmares, em 20 de novembro. Ele foi o último líder do maior dos quilombos do período colonial, o Quilombo dos Palmares. A data foi incluída no calendário escolar nacional em 2003 e em 2011 a Lei 12.519 instituiu oficialmente a data como o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.

Mas o que há para ser celebrado neste 20 de Novembro em um país que tem a maior parte de sua população negra e que, ao mesmo tempo, promove, desde o período de colonização e escravidão até os dias de hoje, o genocídio deste grupo étnico?

Um estudo exclusivo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) para o Alma Preta mostra que 61% das vítimas de feminicídio, homicídio motivado pelo fato de a vítima ser mulher, no país são negras. A população negra tem 2,7 mais chances de ser vítima de assassinato do que os brancos, revela outra pesquisa, essa do IBGE, parte do informativo Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil.
Mais que uma data de celebração, o Dia da Consciência Negra é a atual lembrança do assassinato de um homem negro: Zumbi dos Palmares, líder quilombola e símbolo nacional da luta pela liberdade do povo negro.




O quanto avançamos na conquista por igualdade racial nos mais de três séculos que sucederam a morte deste guerreiro? Por que os negros ainda são maioria em praticamente todas as estatísticas negativas do país? Faça um exercício: há quanto tempo você não lê algo positivo sobre a comunidade negra brasileira?

Além de Zumbi, são inúmeros os líderes e personalidades que construíram não apenas a luta por direitos civis desta comunidade, mas a história do Brasil. Seja no campo intelectual, na moda, no esporte, nas artes.

Consciência Negra é também reconhecer que o povo negro não apenas resiste, mas existe brilhantemente em nossa sociedade e exige respeito.

Placa rasgada em exposição sobre racismo é recolocada na Câmara com aviso ao lado.




BRASÍLIA - Após um acordo costurado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), com a bancada da bala e bancada negra, a placa arrancada e rasgada pelo deputado Coronel Tadeu (PSL-SP), de uma exposição sobre racismo na Câmara, foi recolocada em seu lugar.

A imagem foi remendada com pregos e um aviso foi exposto ao seu lado. “A bancada negra sabe que essa charge não representa toda a corporação e respeita os policiais que não corroboram para essas estatísticas e trabalham em prol do povo brasileiro”, diz o recado.

A placa traz uma charge do cartunista Carlos Latuff, em que aparece um policial, com uma arma fumegante na mão, e um rapaz negro estendido no chão, algemado e com a camisa do Brasil. No cartaz, lê-se a frase “o genocídio da população negra”.

O deputado Davi Miranda (PSOL-RJ) disse que era importante manter a placa original, remendada por pregos, para ficar registrado que houve o incidente. “Foi um reconhecimento da nossa resistência e do nosso direito de termos aqui essa placa”, disse a deputada Benedita da Silva (PT-RJ).

O caso provocou polêmica na Câmara ontem e levou partidos de oposição a abrirem representação no Conselho de Ética da Câmara e na Procuradoria Geral da República contra o deputado Coronel Tadeu.


Blogueira ligada ao PSL ataca deputada do PT em frente a cartaz sobre racismo.


A deputada, Maria do Rosario (PT-RS) foi provocada pela blogueira Tamires de Souza da Costa. Na foto, Rosario tenta pegar o celular da blogueira


BRASÍLIA - A deputada Maria do Rosário (PT-RS) foi atacada verbalmente enquanto gravava um vídeo em frente a placa destruída na exposição sobre racismo. A petista exaltava a decisão da Câmara de recolocar o material arrancado, na terça-feira, por um deputado do PSL. A agressora, inicialmente, ironizou a parlamentar e, em seguida, a chamou de "vagabunda".

"Não há lugar seguro para se trabalhar na Câmara. A verdade é que estamos sendo constantemente violentados politicamente. Esse grupo que entrou aqui aqui transformaram este lugar em um ambiente que não é possível fazer esse trabalho. Hoje eu tive os cinco vezes de ataques públicos dentro da casa. É uma violência política", afirmou a deputada.

A agressora foi identificada pela polícia como sendo Tamires de Souza de Costa que mantém canais nas redes sociais onde defende o governo Bolsonaro, ataca a "doutrinação" nas escolas e, principalmente, políticos ligados a partidos de esquerda.

De acordo com o boletim de ocorrência, a deputada estava gravando um vídeo quando foi ofendida por Tamires. A deputada reagiu a agressão chamando um segurança para identificar e retirar a ativista.

O deputado do PSL, Daniel Silveira (RJ), chegou ao local e tentou retirar a agressora, mas Rosário não permitiu e chamou a Polícia Legislativa. Silveira ficou conhecido nas eleições do ano passado ao rasgar uma placa em homenagem a vereadora Marielle Franco, morta assassinada no ano passado.

A Polícia Legislativa da Câmara afirmou que Tamires está proibida de entrar no Congresso Nacional e que um inquérito criminal por injúria foi aberto.

Cartaz

No início da noite desta quarta-feira, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), decidiu recolocar o cartaz que integra a exposição contra racismo realizada na Casa. A charge mostra um homem negro, algemado com a camisa do Brasil. Ao fundo, um policial militar armado.

Ao lado da imagem, foi colocada uma mensagem afirmando que "a bancada negra sabe que essa charge não representa toda a corporação e respeita os policiais que não corroboram para essas estatísticas e trabalham em prol do povo brasileiro". O texto é parte do acordo entre os dois grupos para a volta da charge.

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