terça-feira, dezembro 03, 2019

POLÍTICA

Filiado ao PSDB, Bebianno diz que Bolsonaro põe democracia em risco.


Gustavo Bebianno, ex-braço direito de Jair Bolsonaro, participa de cerimônia de filiação ao PSDB no Rio de Janeiro acompanhado do governador de São Paulo, João Doria.

RIO — Ex-ministro do governo de Jair Bolsonaro e ex-líder do PSL, o advogado Gustavo Bebianno afirmou neste domingo, 1º, que a democracia no Brasil se encontra em risco por causa da postura do presidente da República. “O momento político que atravessamos hoje é grave, gravíssimo, nossa democracia está em risco”, disse Bebianno em evento no Rio que marcou sua filiação ao PSDB e contou com a presença do governador de São Paulo, João Doria. “Tudo que o presidente quer é um pretexto para a adoção de medidas autoritárias.” 

Segundo a análise de Bebianno, o País vive um ambiente de “instabilidade política e econômica” provocado pelo “grau de loucura e irresponsabilidade capitaneado pelo próprio presidente”. O ex-aliado político de Bolsonaro criticou o autoritarismo do governo, sobretudo pelas recentes menções ao AI-5 feitas pelo ministro da economia, Paulo Guedes, e pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro.

Para Bebianno, a fala de Paulo Guedes sobre o AI-5 foi desastrada e pode ter sido fruto de um erro. “A outra hipótese é que tenha sido um ato falho dele, de tanto ouvir essa conversa no Palácio do Planalto”, disse. “Vejo os fanfarrões de boate querendo brigar, mas eles não têm ideia das consequências de uma briga, sangue, morte. O Brasil não precisa disso. Temos que defender nossa democracia.”

Bebianno disse que a decisão do presidente de excluir o jornal Folha de S.Paulo de licitação do Palácio do Planalto abre caminho para um pedido de impeachment. “Essa atitude demonstra que ele faz tudo aquilo que acusa seus oponentes de fazer, é um absurdo”, afirmou. “Ele está afrontando um princípio básico da Constituição que é a liberdade de imprensa e a própria democracia. Abre um flanco enorme para responder a um processo de impeachment.”

Antes, em discurso, Bebianno já tinha tomado a defesa do que chamou de “imprensa tradicional”. Segundo ele, a imprensa pode cometer erros, como todo mundo, mas ela é crucial para a democracia.

Bebianno não poupou críticas a Bolsonaro e a seus filhos Eduardo e Carlos, que chamou de “debiloides”. “O governo é uma fábrica de problemas”, disse Bebianno. “O presidente não tem nenhum interesse pelo social, pela cultura, pela saúde, por nada daquilo que é importante para o País; ele pensa única e exclusivamente em sua reeleição.”

O Presidente da República, Jair Bolsonaro, posa com o então Secretaria Geral da Presidencia, Gustavo Bebianno, durante cerimonia de posse no Palácio do Planalto, em Brasilia, no dia 01º de janeiro de 2019.

Para Bebianno, a postura de Jair Bolsonaro após a eleição o surpreendeu. “Foi uma surpresa que ele permitisse que os dois filhos debiloides dele, pode botar aí, debiloides, assumissem um protagonismo tamanho na República brasileira”, afirmou, se referindo a Eduardo e Carlos. “São duas pessoas que não têm a menor expressão, nem intelectual nem política; dois seres inexpressivos, abaixo da crítica, que estão comandando as diretrizes do país de forma oficiosa.”

Bebianno só poupou, parcialmente, o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ). “Não digo que ele é preparado porque nenhum dos três é”, ressalvou. “Mas é o único da família que tenta ponderar, arrefecer os ânimos; testemunhei várias vezes suas tentativas de baixar o tom do pai, enquanto os outros dois, o nenê 02 e o nenê 03, ficavam insuflando o pai a fazer bobagem.”

O governador João Doria disse, em discurso, que Bebianno agora “está no caminho certo”, mas que seu passado “não foi um erro, mas sim um aprendizado”.

“Bebianno traz força e experiência para contribuir com o projeto do novo PSDB”, disse Dória. “O PSDB está no centro democrático, pode receber quem tem pensamentos mais à esquerda ou mais à direita, só não adota extremismos.”

Primeiro ministro a cair

Bebianno foi o primeiro ministro a perder o cargo no governo Bolsonaro. Ele deixou a Secretaria-Geral da Presidência após desentendimentos com a família do presidente. Carlos Bolsonaro chamou Bebianno de "mentiroso" após o então ministro conceder entrevista dizendo que não estava isolado no Planalto em razão de denúncias de participação em esquema de candidaturas laranjas do PSL para desviar recursos do Fundo Eleitoral, em 2018. Bebianno presidia a sigla durante as eleições.

Na tentativa de minimizar a crise, o ministro afirmou que falara três vezes com Bolsonaro, que estava internado no Hospital Albert Einstein, recuperando-se de uma cirurgia para reconstrução do trânsito intestinal. Carlos Bolsonaro desmentiu a declaração pelo Twitter, divulgando áudios do presidente, que endossou a atitude do filho horas depois. A briga culminou na demissão de Bebianno.

Acusação sem provas contra DiCaprio gera críticas e piadas contra Bolsonaro.


Bolsonaro acusou DiCaprio e a ONG WWF de financiarem queimadas criminosas no Brasil, sem mostrar provas. Eles negam.

A acusação que Jair Bolsonaro fez ao ator americano e ambientalista Leonardo DiCaprio levou o presidente brasileiro a ocupar espaço na imprensa internacional. A declaração também virou motivo de críticas e piadas nas redes sociais.

Em transmissão ao vivo em rede social, Bolsonaro acusou DiCaprio e a ONG WWF de financiarem queimadas criminosas no Brasil.

"O pessoal da ONG, o que eles fizeram? O que é mais fácil? Botar fogo no mato. Tira foto, filma, a ONG faz campanha contra o Brasil, entra em contato com o Leonardo DiCaprio, e então o Leonardo DiCaprio doa US$ 500 mil para essa ONG. Uma parte foi para o pessoal que estava tocando fogo, tá certo? Leonardo DiCaprio tá colaborando aí com a queimada na Amazônia, assim não dá", disse.

DiCaprio rebateu a acusação do presidente Jair Bolsonaro de que ele teria financiado queimadas criminosas no Brasil. Ele disse que "embora certamente mereçam apoio", ele não financia as organizações "que estão atualmente sob ataque".

"O futuro desses ecossistemas insubstituíveis está em jogo e tenho orgulho de fazer parte dos grupos que os protegem", afirmou o ator, que também elogiou "o povo do Brasil que trabalha para salvar seu patrimônio natural e cultural".

A ONG WWF também declarou que não recebeu doações do ator.


Jornal The Guardian diz que Bolsonaro acusou DiCaprio 'falsamente' de destruir floresta brasileira.

A declaração de Bolsonaro foi publicada por jornais de diversos países. O britânico The Guardian e o americano The New York Times divulgaram reportagens na sexta-feira (29) em que afirmam que a acusação de Bolsonaro contra DiCaprio foi falsa.

O francês Le Figaro também publicou reportagem sobre o assunto, que menciona inclusive as imagens de DiCaprio com um lança-chamas no filme Era Uma Vez Em... Hollywood.

A repercussão internacional levou o presidente a falar novamente sobre o ator. "Quando eu falei que há suspeitas de ONGs, o que a imprensa fez comigo? Agora, o Leonardo DiCaprio é um cara legal, não é? Dando dinheiro para tacar fogo na Amazônia", disse a apoiadores.

Redes sociais

Apoiadores do presidente usaram as redes sociais para reforçar a crítica feita por Bolsonaro. Filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro escreveu no Twitter, também sem mostrar provas, que DiCaprio doou US$ 300 mil para "a ONG que tocou fogo na Amazônia".

https://twitter.com/BolsonaroSP/status/1200038467176189958

Já o líder da oposição no Senado, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), usou as redes sociais para criticar a gestão e a posutra de Bolsonaro.

"Quanto desespero! O omisso e incompetente presidente, responsável pelo desmonte ambiental sem precedentes no país, culpa até Dicaprio mas não responsabiliza sua gestão que é incapaz de dar um passo sem destruir algo. Parece piada!", escreveu o parlamentar.

No entanto, o que chamou atenção na internet foram as montagens que circularam com imagens do ator incendiando florestas com um lança-chamas.

O ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, publicou uma imagem em que aparece ao lado de DiCaprio e escreveu: "Juro que nesse dia ele não me disse nada sobre esse negócio de incêndio", com a hashtag "#tozoando".

Alter do chão

Na fala em que acusou DiCaprio, o presidente fazia referência a uma operação da Polícia Civil do Pará que prendeu quatro voluntários da Brigada de Incêndio de Alter do Chão e apreendeu documentos da organização não-governamental Projeto Saúde e Alegria (PSA), que tem gerado protestos de ativistas, entidades indígenas e grupos que atuam na Floresta Amazônica.

A Brigada de Alter do Chão é um grupo de voluntários formado em 2018 pelo Instituto Aquífero Alter do Chão para ajudar no combate às queimadas na floresta e que atua em parceria com o Corpo de Bombeiros. Já a ONG PSA, fundada por médicos, atua há 30 anos na floresta fornecendo ajuda e serviços de saúde para a população local.

A WWF refutou as acusações e disse que não recebeu doações de Leonardo DiCaprio

As prisões e a busca e apreensão na sede da ONG fizeram da parte de Operação Fogo de Sairé, lançada pela polícia para investigar incêndios em Alter do Chão. A Polícia Civil pediu a prisão preventiva dos voluntários e os acusa de iniciar focos de incêndio para depois combatê-los e arrecadar fundos enviados por entidades internacionais.

A detenção dos brigadistas gerou mobilização de grupos indígenas, movimentos sociais e ativistas pelo meio ambiente, que dizem que as prisões tiveram motivação política e são uma tentativa de criminalizar as ONGs, em meio à tensões fundiárias e pressões imobiliárias crescentes na região — que é valorizada por ser um dos principais destinos turísticos da Amazônia.

Leonardo DiCaprio rebate acusação de Bolsonaro sobre incêndios na Amazônia.

O futuro desses ecossistemas insubstituíveis está em jogo e tenho orgulho de fazer parte dos grupos que os protegem', disse DiCaprio

O ator americano e ambientalista Leonardo DiCaprio rebateu a acusação do presidente Jair Bolsonaro de que ele teria financiado queimadas criminosas no Brasil.

Em comunicado, DiCaprio disse que "embora certamente mereçam apoio", ele não financia as organizações "que estão atualmente sob ataque".

"O futuro desses ecossistemas insubstituíveis está em jogo e tenho orgulho de fazer parte dos grupos que os protegem", disse.

O ator também elogiou "o povo do Brasil que trabalha para salvar seu patrimônio natural e cultural".

Em transmissão ao vivo em rede social, Bolsonaro acusou DiCaprio e a ONG WWF de financiarem queimadas criminosas no Brasil.

"O pessoal da ONG, o que eles fizeram? O que é mais fácil? Botar fogo no mato. Tira foto, filma, a ONG faz campanha contra o Brasil, entra em contato com o Leonardo DiCaprio, e então o Leonardo DiCaprio doa US$ 500 mil para essa ONG. Uma parte foi para o pessoal que estava tocando fogo, tá certo? Leonardo DiCaprio tá colaborando aí com a queimada na Amazônia, assim não dá", disse.

O presidente fazia referência a uma operação da Polícia Civil do Pará que prendeu quatro voluntários da Brigada de Incêndio de Alter do Chão e apreendeu documentos da organização não-governamental Projeto Saúde e Alegria (PSA), que tem gerado protestos de ativistas, entidades indígenas e grupos que atuam na Floresta Amazônica.

A Brigada de Alter do Chão é um grupo de voluntários formado em 2018 pelo Instituto Aquífero Alter do Chão para ajudar no combate às queimadas na floresta e que atua em parceria com o Corpo de Bombeiros. Já a ONG PSA, fundada por médicos, atua há 30 anos na floresta fornecendo ajuda e serviços de saúde para a população local.

Na sexta-feira (29), Bolsonaro voltou a acusar o ator americano de colaborar com indêndios criminosos no Brasil: "O Leonardo DiCaprio é um cara legal, não é? Dando dinheiro para tacar fogo na Amazônia", disse.

A ONG WWF também disse que não recebeu doações do ator.


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