sexta-feira, dezembro 20, 2019

POLÍTICA

Busca e apreensão do MP-RJ incluiu loja de Flávio Bolsonaro.


O MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) cumpriu nesta 4ª feira (18.dez.2019) mandado de busca e apreensão em uma loja do senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ). O filho mais velho do presidente detém 50% do estabelecimento, que integra uma franquia de chocolates.

A operação é 1 desdobramento da investigação sobre lavagem de dinheiro e peculato (desvio de dinheiro público) no âmbito do antigo gabinete de Flávio, quando era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio (2003 a 2019). Foram cumpridos 24 mandados no total.

Frederick Wassef, advogado do Senador, declarou que a defesa só irá se manifestar quando tive acesso à medida cautelar que originou a ação. Ele acrescenta que “não irão encontrar nada” que comprometa seu cliente. Eis a íntegra da nota divulgada à imprensa:

“Recebemos a informação sobre as novas diligências com surpresa, mas com total tranquilidade. Até o momento, a defesa não teve acesso a medida cautelar que autorizou as investigações e, apenas após ter acesso a esses documentos, será possível se manifestar. Confirmo que a empresa do meu cliente foi invadida, mas garanto que não irão encontrar nada que o comprometa. O que sabemos até o momento, pela imprensa, é que a operação pode ter extrapolado os limites da cautelar, alcançando pessoas e objetos que não estão ligados ao caso”.

Entre outros alvos da operação estão endereços de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio, e parentes de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro.

Queiroz é investigado após constatação de movimentações bancárias atípicas em suas contas. Relatório do antigo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras, hoje Unidade de Inteligência Financeira) apresentou a movimentação de R$ 1,2 milhão de 2016 a 2017. Os pagamentos recebidos por Queiroz eram em datas próximas da folha de pagamento dos funcionários do gabinete, o que leva a suspeita de devolução de parte do salário, a chamada rachadinha.

Em maio deste ano, a força-tarefa da operação obteve na Justiça a quebra dos sigilos fiscal e bancário de 96 pessoas e empresas para investigação. O caso ficou parado de julho até novembro. O MP-RJ aguardava posicionamento do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a legalidade do compartilhamento dessas informações sem autorização judicial. O STF aprovou no mês passado a tese a favor dessa colaboração. Logo após a decisão do STF, o MP-RJ emitiu nota sobre o tema.

ALVOS

Abaixo, saiba os nomes dos 9 parentes de Ana Cristina Siqueira Valle investigados e que foram lotados no gabinete de Flávio de 2003 a 2019:

José Procópio Valle, ex-sogro de Bolsonaro;
Andrea Siqueira Valle, ex-cunhada de Bolsonaro;
Francisco Diniz, primo de Ana;
Daniela Gomes, prima de Ana;
Juliana Vargas, prima de Ana;
Guilherme dos Santos Hudson, tio de Ana;
Ana Maria Siqueira Hudson, tia de Ana;
Maria José de Siqueira e Silva, tia de Ana;
Marina Siqueira Diniz, tia de Ana.

OUTRO LADO

Em nota, o advogado Paulo Klein, que representa Queiroz, afirmou que está tranquilo. Eis a íntegra:

“A defesa de Fabrício Queiroz recebe a informação a respeito da recente medida de busca apreensão com tranquilidade e ao mesmo tempo surpresa, pois absolutamente desnecessária, uma vez que ele sempre colaborou com as investigações, já tendo, inclusive, apresentado todos os esclarecimentos à respeito dos fatos. Ademais, surpreende que mesmo o MP reconhecendo que o juízo de primeira instância seria incompetente para processar e julgar qualquer pedido relacionado ao ex-deputado o tenha feito e obtido a referida decisão, repita-se, de forma absolutamente desnecessária.”

Oposição comemora mandados de busca em endereços ligados a Queiroz.




Parlamentares de oposição comemoraram o cumprimento dos mandados de busca e apreensão na manhã desta quarta-feira, 18, em endereços ligados a Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do RJ. “Até que enfim acharam o endereço do Queiroz e começaram a investigar”, escreveu o vice-presidente nacional do PT e deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) pelas redes sociais.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou que “a hora de prestar contas chegou”. “O povo merece respostas sobre Queiroz, Flávio Bolsonaro e qualquer ligação do presidente da República com os supostos esquemas investigados. Aguardamos atentos”, disse. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher de Jair Bolsonaro.

Queiroz é o pivô de uma investigação que quer apurar a existência de um esquema de “rachadinha” no gabinete de Flávio Bolsonaro enquanto ele era deputado estadual no Rio de Janeiro. Agentes estiveram em endereços ligados a parentes do ex-assessor na Zona Oeste do Rio e a familiares de Ana Cristina Siqueira Valle.

Em dezembro do ano passado, foi revelado um relatório do Coaf que mostrava movimentações atípicas de 1,2 milhão de reais feitas por Queiroz. O ex-assessor não foi prestar depoimento na sede do Ministério Público do Rio de Janeiro alegando “inesperada crise de saúde”. Reportagem de VEJA revelou o paradeiro de Queiroz, que está fora dos holofotes janeiro.

“Mais de um ano após a primeira tentativa de se ouvir o Fabrício Queiroz e após ele faltar a vários depoimentos, realizam uma operação para investigar o esquema que parece ter Flávio Bolsonaro no centro. Vamos acompanhar e cobrar!”, afirmou o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) pelas redes sociais.

O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) criticou a demora nas investigações. “O fantasma Fabrício Queiroz vai rondar o Planalto por muito tempo. Há mais de um ano ficaram públicas as suspeitas, tempo que Queiroz flana por aí, falta a depoimentos e não é incomodado. Se a justiça é para todos, que responda a família Bolsonaro”, disse.

Até a publicação desta reportagem, nenhum membro da família Bolsonaro havia se pronunciado sobre a operação. Em nota, a defesa de Queiroz afirmou que recebeu a informação com “tranquilidade”, mas com “surpresa, pois é absolutamente desnecessária”.

Investigação

Queiroz é suspeito de ser o operador do esquema conhecido como “rachadinha”, quando trabalhou no gabinete de Flávio entre 2007 a 2018. Ao longo de 2016, o ex-assessor movimentou 1,2 milhão de reais em sua conta bancária, com uma série de saques e depósitos fracionados considerados atípicos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Queiroz e Flávio são alvos do MP-RJ, cujas investigações chegaram a ser suspensas pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, em uma decisão que atingiu todos os procedimentos baseadas no compartilhamento de dados bancários e fiscais sem autorização do Poder Judiciário. O STF reverteu esta medida e deu sinal verde para as apurações no final do mês passado.

Flávio Bolsonaro recorre ao STF após busca e apreensão do MP do Rio.

Flávio Bolsonaro é investigado por suposto esquema de desvio de recursos de salário de servidores da época em que era deputado estadual fluminense.


O habeas corpus foi distribuído no STF para o ministro Gilmar Mendes relatar, segundo dados do andamento processual.

A defesa do senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) entrou com um habeas corpus no STF horas depois de uma loja do parlamentar ter sido um dos alvos de mandado de busca e apreensão em operação comandada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, na quarta-feira (18), para investigar um suposto esquema de desvio de recursos de salário de servidores da época em que era deputado estadual fluminense.

O recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) questiona decisão anterior do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que permitia na época a continuidade de investigações contra Flávio e outros pelo esquema da rachadinha. Não é possível saber o teor do habeas corpus ao Supremo, porque está sob segredo de Justiça.

O habeas corpus foi distribuído no STF para o ministro Gilmar Mendes relatar, segundo dados do andamento processual. A escolha, por prevenção, ocorreu porque o ministro foi relator de uma reclamação em que a defesa de Flávio Bolsonaro questionava o fato de, mesmo com uma liminar dada em julho pelo presidente do STF, Dias Toffoli, para suspender investigações contra o senador por contar com relatórios do Coaf, o MP do Rio continuava as apurações.

No final de setembro, o ministro do STF deu uma segunda liminar reforçando a suspensão das investigações contra Flávio Bolsonaro. Essas duas decisões liminares só foram derrubadas no mês passado após o plenário do Supremo ter liberado qualquer tipo de apuração que contenha relatórios do Coaf.


QUEIROZ AINDA VAI DERRUBAR OS BOLSONAROS!!!



Irmã de milicianos teria assinado cheques em nome de Flávio Bolsonaro




Um comentário:

  1. Não bastou a "Vazajato" para desmascarar o Moro e o Dalangnol; bastará uma denúncia do Ministério Público e talvez uma condenação do Judiciário para desmascarar os Bolsonaros? Tenho minhas dúvidas, porque o gado é persistente...

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