sexta-feira, janeiro 03, 2020

HOMOSSEXUALIDADE

Meus pais não me aceitam. O que fazer?



"Você é uma vergonha

"Você está sendo egoísta, pensando só em você!

"Que decepção! O meu único filho homem baitola!

"Você vai ser infeliz assim!

"Isso não é o que a gente imaginou para você…

E a lista segue…

Já perdi as contas de quantos desabafos como esses eu recebi – e continuo recebendo – ao longo dos últimos anos.

O papo é sempre o mesmo:

Meus pais são extremamente conservadores, são religiosos, não me aceitam, me falam coisas horríveis e por aí vai.

Confesso que, no início, eu morria de raiva dessas famílias cada vez que lia algo assim. Minha vontade era encher esse povo de verdades, de sacudir a cabeça, de dizer “Hello, bando de ignorantes! Estamos em pleno século XXI e vocês ainda não entenderam que o amor é livre?”.

Mas, com o tempo, eu fui aprendendo a ser empática.

Fui entendendo que o processo de aceitação pode ser mais longo mesmo para algumas pessoas e que, infelizmente, tudo que foge do comportamento “normal”  esperado choca.

Pense na escravidão, por exemplo. Por mais absurdo e escroto que seja imaginar um mundo com escravos hoje, um dia isso já foi normal. Estranho era ver um negro na sociedade.

Um dia já foi errado mulher estudar, trabalhar, ter uma carreira.

Um dia já foi motivo de cadeia consumir maconha (hoje muitos países já legalizaram o seu uso). Um dia era inimaginável trocar de sexo, hoje essa cirurgia está ficando cada vez mais acessível.

O que eu quero dizer é que, por mais que a mente fechada de alguns indigne, antes de julgarmos essas famílias, devemos analisar a cultura e o contexto em que elas foram criadas.

Não é por maldade, nem falta de amor, que alguns têm a reação que têm com relação à homossexualidade. 

Muitos, simplesmente, cresceram com a crença  de que ser gay é errado. É imoral. É algo que Deus não aceita. É receita garantida para doenças e infelicidade….

Então, fica muito difícil abandonar esses pensamentos limitantes e aceitar um filho como gay assim de uma hora para a outra.

É claro que isso não justifica as palavras duras, muito menos torna a opinião deles certa. De maneira alguma!

Mas explica o porquê você deve ter paciência, se esse for o seu caso, e não levar uma rejeição para o lado pessoal.

Além do mais, esteja ciente de que, de certa forma, você acaba de mudar a vida dos seus pais para sempre.

Sim! Muito antes de você nascer, eles já começaram a criar  um montão de expectativas quando descobriram o sexo do bebê.

Por isso, mesmo para os pais mais open minded, essa notícia não deixa de ser um choque. Afinal de contas, ela pode representar o fim de muitos sonhos.

Talvez os seus pais sonhassem com você casando na igreja com uma esposa maravilhosa e tendo filhos também maravilhosos. E, muito embora tudo isso ainda seja possível, eles precisarão de algum tempo para aceitar que a esposa será esposo e o filho será adotado.

Seja empático.

Lembre-se que você demorou meses, talvez até anos, para reconhecer, processar e lidar com sua orientação sexual.

Entenda que talvez os seus pais precisem desse mesmo tempo (ou até mais).

Não será fácil. Eles vão encontrar dificuldades para assimilar a novidade.  Por isso, não espere que as coisas se resolvam do dia para a noite.

É NECESSÁRIO SER ACEITO PELA FAMÍLIA PARA SER FELIZ?

Essa exata pergunta eu recebi de um seguidor/leitor lá no instagram (que, por sinal, se você não segue ainda, corre lá no @conquistouoficial).

Minha resposta:

Necessário não é! Afinal, como depositar a razão da sua felicidade em algo que está fora do seu controle?

Infelizmente, você não tem o poder de fazer a sua família te aceitar.

Mas o que, sim, você pode – e deve – fazer todo santo dia é controlar a maneira que você vai reagir e lidar com a não aceitação da sua família.

Desista de mudar os pensamentos e atitudes dos outros. Mude os seus.

EMPODERE-SE e esteja blindado a tudo aquilo que não corresponde às suas verdades.

COMO LIDAR COM A NÃO ACEITAÇÃO?

E como você se empodera?

Aqui o que fazer nessa situação:

Esteja tranquilo e confiante da sua decisão

O primeiro passo é ter a tranquilidade de que você está fazendo a escolha certa. 

E, quando eu digo escolha, não me refiro à orientação sexual, porque essa, obviamente, você não escolheu…

Me refiro à escolha de ser feliz. A escolha de honrar os seus desejos e lutar pelos seus sonhos. 

E isso é, sim, uma decisão que você toma todos os dias!

Se respeite

É preciso que você entenda os limites da sua família, mas, principalmente, é preciso que você saiba os seus limites. Que você se respeite o suficiente para entender onde termina o direito dos seus pais e onde começa o seu.

Se sua família se recusa, mesmo depois de muitas tentativas e paciência sua, a te aceitar e te amar como gay, não abra mão da sua realização e felicidade pessoal para agradá-los.

Quem está errado não é você, são eles.

Você é perfeito, é lindo, é maravilhoso exatamente assim. São eles quem devem mudar, não você.

Por isso, não desista de quem você é. NUNCA!

Se independentize

Aos que tem como conquistar independência financeira, façam isso. É mais fácil administrar sua própria vida se você mesmo puder pagar por ela.

Busque ajuda

Se as agressões verbais forem muitas e constantes demais ou, pior, se chegar à agressão física por parte de seus pais ou de qualquer outro familiar, é hora de buscar ajuda de fora. 

Seja algum membro da família a quem você possa recorrer, amigos que possam lhe dar apoio, ou alguma ONG de proteção e apoio a LGBTs…

Lembre-se que em sua cidade (ou nas proximidades dela) existem pessoas que podem te ajudar e te dar os direcionamentos que você precisa. 

Você não precisa sofrer sozinho!

Se afaste e construa a sua própria rede de apoio

Construa novos laços de amizade, amor e compreensão. Passe algum tempo com pessoas LGBT+ ou amigas dos LGBT+ e lembre-se de todo o apoio que tem por aí, ao invés de concentrar-se nas opiniões de ignorantes que tentam te colocar para baixo.

Se você pretende seguir o seu plano de viver uma vida autêntica, você deve estar disposto a dizer adeus a eles, pelo menos por enquanto.

Claro que você estará livre para continuar mantendo o contato, nem que seja para dizer que você os ama. Porém, entenda que eles também estarão livres para desligar o telefone na sua cara…

Cortar o cordão umbilical ou livrar-se da barra da saia materna no início pode parecer assustador, mas, em alguns casos, é o primeiro passo para um caminho muito mais autêntico e feliz.

Muitos filhos de pais muito religiosos precisam sair de perto deles, ainda que isso doa para caramba. Mas a maioria descobre que, com o tempo, eles se arrependem e encontram uma maneira de reconciliar a fé na qual acreditam com o fato de ter um filho gay.

MANTENHA A CALMA: DIAS MELHORES VIRÃO!

Não é papo de amiga otimista, é uma realidade que acontece para a maioria.

Acredite: a tendência é que as coisas melhorem com o tempo.

Seja porque seus pais aprenderam a aceitar, seja porque o que eles fazem ou falam já não te fere mais tanto, seja porque você já se distanciou de vez deles ou seja porque vocês já aprenderam a lidar com as limitações uns dos outros.

Dê tempo ao tempo.

Enquanto isso, seja verdadeiro consigo mesmo e se lembre de que a vida é uma só. Viver bem é uma responsabilidade só sua.

Siga o seu coração. Viva tudo o que você tem vontade de viver.

Quando eles (família) estiverem preparados para participar dessa parte da sua vida, te procurarão.

Um comentário:

  1. Não dizem que ...
    Pai e mãe a gnt não
    escolhe, simplesmente
    ACEITA!!!
    Para com os filhos,
    as regras deveriam ser as mesmas.
    Eles, já nós deram a vida,
    o cordão umbilical já
    foi cortado.
    Portanto tente viver
    a sua vida, do seu jeito,
    a seu modo.
    Vc, não foi o primeiro e
    jamais será o último.
    Um filho deveria ser julgado
    pelo seu caráter e nunca pela sua
    opção sexual.
    Mas, infelizmente hj
    em dia, isto ainda
    acontece!!!
    Fazer se o k né??
    Felicidades.

    ResponderExcluir