terça-feira, janeiro 14, 2020

POLÍTICA

Após tour pelo Planalto, Geigê emprega sobrinha no Ministério do Turismo.


Geralda Gonçalvez, a Geigê, é recebida pelo presidente Jair Bolsonaro, seu ex-patrão, no Palácio do Planalto: peregrinação por Brasília - 07/01/2020

Em sua edição desta semana, VEJA conta a história de Geralda Gonçalves, uma ex-faxineira radicada há mais de duas décadas nos Estados Unidos que caiu nas graças da família Bolsonaro e se tornou responsável pela indicação de diversas pessoas para cargos de destaque na máquina pública. Geigê, como é conhecida, tornou-se madrinha das indicações de Roberto Alvim, para a Secretaria Especial de Cultura, e de Dante Mantovani, para a Fundação Nacional de Artes (Funarte), entre outros. “Indiquei praticamente oito secretários”, disse ela, conforme a reportagem. “Eu tenho mesmo acesso ao presidente”.

O acesso é de fato amplo, geral e irrestrito.  Na terça-feira 7, Geigê foi recebida pelo presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto e, em outra agenda, pelo ministro da Educação, Abraham Weitraub. Na quarta-feira 8, ela despachou com Alvim e toda a equipe da Cultura. E na quinta-feira 9, e se encontrou com Sergio Moro nas dependências do Ministério da Justiça. Geigê é tão fã do ex-juiz da Lava-Jato que se apresenta nas redes sociais como “Geigê Gonçalves Moro”. Todo o périplo pela Praça dos Três Poderes foi registrado nas redes sociais.


O ministro da Justiça, Sergio Moro, com Geigê: adoção do sobrenome do ex-magistrado – 09/01/2020

A poderosa Geigê só não divulgou o resultado de suas andanças por Brasília. Na quarta-feira 8, o Diário Oficial da União publicou a nomeação de sua sobrinha, Fabiane Aguiar Barbosa, para o cargo de coordenadora-geral do Programa de Cultura do Trabalhador do Ministério do Turismo, com salário previsto de 10,3 mil reais ao mês. O pedido de emprego havia sido feito em novembro. A passadinha no gabinete presidencial destravou o negócio. Fabiane programou o celular para não receber chamadas e não respondeu às mensagens.


A equipe do Ministério da  Cultura, com Roberto Alvim abraçado a Geigê ao fundo: ‘afilhado’ – 08/01/2020

Aliança de Bolsonaro tem, na cúpula, filhos, ex-advogado do PT e funcionários do clã.

Bolsonaro tenta controlar ao máximo o corpo diretivo da nova sigla, depois do racha com o PSL e de diversos ex-aliados que viraram desafetos.

Após problemas com o PSL, presidente escolhe para a direção do novo partido funcionários do Planalto e dos gabinetes dos filhos como tentativa de controle.

Filhos, funcionários do Planalto, pessoas de confiança que trabalham para a família Bolsonaro na Câmara e no Senado. Essa é a base da cúpula do partido que o presidente Jair Bolsonaro trabalha para colocar de pé, o Aliança pelo Brasil.

Bolsonaro comanda a sigla em formação, que tem Flávio Bolsonaro como vice-presidente. O quarto filho do mandatário, Jair Renan, também compõe a estrutura.

Dos outros 11 nomes com direito a voto, há quatro assessores da Presidência e três funcionários ligados à família: o chefe de gabinete de Flávio no Senado, uma assessora parlamentar dele na Casa e um funcionário do gabinete do irmão Eduardo na Câmara dos Deputados. 

Os demais integrantes da cúpula do Aliança pelo Brasil são pessoas próximas: os advogados do presidente Admar Gonzaga e Karina Kufa, e o também advogado Luís Felipe Belmonte, apresentado ao mandatário por Kufa. 

A lei 9.096, que trata de partidos políticos, destaca que as legendas são livres para determinar ”a sua estrutura interna, organização e funcionamento”. No caso de Bolsonaro, fica evidente a tentativa de controlar ao máximo o corpo diretivo da nova sigla, depois do racha com o PSL e de diversos ex-aliados que viraram desafetos.

A direção do Aliança pelo Brasil 

Presidente: Jair Bolsonaro
1º vice-presidente: Flávio Bolsonaro (Sem partido-RJ) - filho do presidente
2º vice-presidente: Luís Felipe Belmonte - aliado
Secretário-geral: Admar Gonzaga - advogado de Bolsonaro
Tesoureira: Karina Kufa - advogada de Bolsonaro
Tesoureiro-adjunto: Marcelo Costa Câmara - assessor especial da Presidência
Demais integrantes da direção:
Jair Renan Valle Bolsonaro - filho do presidente
Joel Novaes da Fonseca - assessor especial do gabinete do presidente
Sergio Rocha Cordeiro - assessor especial da Presidência
Tércio Arnaud Tomaz - assessor especial da Presidência
Miguel Ângelo Braga Grillo - chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro no Senado
Carlos Eduardo Guimarães - assessor de Eduardo Bolsonaro na Câmara 
Lygia Regina de Oliveira Martan - assessora de Flávio Bolsonaro no Senado

*Fonte: Levantamento feito pelo HuffPost com auxílio de fontes do Aliança pelo Brasil 

O Aliança em 2020

O próprio presidente já admitiu publicamente que a legenda não deverá estar pronta a tempo de concorrer ao pleito deste ano, em outubro. Para tal, até abril, o Aliança pelo Brasil precisaria recolher as quase 500 mil assinaturas de apoio (são 491,9 mil), que ainda devem passar pelo crivo do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Até o momento, a sigla tem pouco mais de 120 mil. 

De acordo com a advogada do presidente, Karina Kufa, a militância “tem se movimentado sozinha, formado grupos com a família e os amigos” em um processo natural. Ela afirmou que não é prioridade do Aliança finalizar estruturação até abril. 

Apesar disso, o partido está programando uma série de eventos em 21 capitais, a partir do próximo dia 18, para tentar acelerar as coletas de assinaturas. Serão sete cidades do Nordeste - João Pessoa, Salvador, Natal, Teresina, São Luis, Recife e Aracajú - e outras quatro do Norte do País - Belém, Palmas, Porto Velho e Boa Vista. Haverá atos em vários outros locais que, conforme os organizadores, serão anunciados pelas redes sociais do Aliança. 

Nas lives semanais no Facebook para comentar os assuntos do governo, Bolsonaro pede apoio e agradece aos seguidores as assinaturas que o Aliança já conseguiu. “O interessado que está nos ajudando tem que ir no cartório reconhecer firma. Paga mais ou menos R$ 5. Em alguns casos tem que mandar pelo correio para cá. Custa aí, no fim das contas, custa aí quase R$ 10. Pesa muito para quem está na ponta da linha, mas a gente agradece a colaboração de vocês. Para fazermos um novo partido para disputarmos as eleições de 2022, um partido nosso, do Brasil”, disse na última quinta (9). 

A ideia é que ele grave vídeos para alguns dos eventos programados e esteja presente em parte deles.

Porém, com ou sem Aliança neste ano, a tendência de Bolsonaro é não apoiar muito candidatos no pleito municipal deste ano, diz Kufa.

“Várias pessoas que foram eleitas em razão da popularidade dele hoje o criticam sem fundamento nenhum, inventam histórias na CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) das Fake News. Para quê criar um inimigo? Para quê fortalecer uma pessoa que não merece?”, disse a advogada ao HuffPost. 

Quem é quem na cúpula do Aliança pelo Brasil 



1 - Jair Bolsonaro: presidente do Aliança

O presidente da República tem 64 anos, é capitão reformado do Exército e foi deputado por sete mandatos. Em seu primeiro ano de governo, lidou com problemas com o Congresso, a ausência de uma base de apoio no Legislativo, e uma guerra interna no partido pelo qual se elegeu, o PSL, que o levou a se desfiliar, em novembro, lançando o Aliança pelo Brasil. 

Apesar de ter dito em 2018, durante a campanha eleitoral, ser contra reeleição, já deixou claro diversas vezes que pretende concorrer em 2022. Com o partido nas mãos, poderá determinar como lhe convier os nomes para concorrer em cada local do País - um dos motivos de discórdia no PSL. 




2 - Flávio Bolsonaro: 1º vice-presidente do Aliança

O primogênito do mandatário, eleito senador em 2018, é alvo de investigações de um suposto esquema de “rachadinha” em seu antigo gabinete de deputado estadual. Depois que o STF (Supremo Tribunal Federal) derrubou a liminar do presidente da Corte, Dias Toffoli, que paralisou por quatro meses investigações que utilizavam dados de órgãos de controle, o Ministério Público do Rio de Janeiro retomou a devassa em inquérito contra ele. 

Como 1º vice-presidente do Aliança, Flávio já chegou a ser mais cobrado em sua participação no partido por bolsonaristas. Mais discreto dos filhos do presidente nas redes sociais, surpreendeu ao publicar um vídeo se defendendo e atacando o juiz e vinculando vazamentos de seu caso no MP do Rio ao governador carioca, Wilson Witzel. É a retórica que vem sendo adotada pela família desde o caso do porteiro que ligou o nome de Jair Bolsonaro à morte da vereadora Marielle Franco (PSOL). 



3 - Luís Felipe Belmonte: 2º vice-presidente do Aliança

Terceiro na escala de importância no partido, Belmonte, por incrível que pareça, é recém-conhecido da família. Teve seu primeiro encontro com o mandatário só em novembro, levado pelos advogados Admar e Karina. Ele já defendeu figuras polêmicas no cenário político, como o ex-senador Luiz Estevão.

Atualmente, é suplente do senador Izalci Lucas (PSDB-DF), mas desfiliou-se do PSDB justamente para poder atuar pelo Aliança. Sua esposa, Paula Belmonte, é deputada pelo Cidadania. 



4 - Admar Gonzaga: Secretário-geral do Aliança

Hoje um dos braços direitos do presidente, o advogado Admar Gonzaga já defendeu opositores de Bolsonaro. Em 1998, ele advogou para a campanha a reeleição de Fernando Henrique Cardoso e, em 2010, para a campanha de Dilma Rousseff. 

Foi a petista que o alçou ao seu primeiro biênio como ministro substituto no TSE na vaga do ex-ministro Henrique Neves. Em 2017, Gonzaga tornou-se membro efetivo do tribunal pelas mãos do ex-presidente Michel Temer. Em junho daquele ano, votou pela absolvição da cassação da chapa Dilma-Temer. 

Gonzaga foi peça fundamental nas articulações de bastidor no auge da crise entre o mandatário e sua antiga legenda, o PSL.

Também em 2017, ele foi acusado pela ex-mulher Élida Souza Matos de agressão, o que o fez desistir, no ano passado, de ser reconduzido ao TSE. A PGR (Procuradoria-Geral da República) o denunciou ao STF à época por lesão corporal. O caso agora está na primeira instância, em Brasília. 



5 - Karina Kufa: Tesoureira do Aliança

A advogada se aproximou do clã Bolsonaro na campanha de 2018, quando assumiu a responsabilidade pela prestação de contas da campanha do presidente e de Eduardo à Câmara. 

Depois da eleição, ela fechou um contrato de R$ 40 mil com o PSL, e passou ainda a atuar como advogada pessoal de Bolsonaro. Começou a ganhar pontos também com as lideranças evangélicas. 



6 - Jair Renan: vogal

O quarto filho do presidente, que até então mantinha-se distante da política, foi instado pelo pai a assumir um lugar no Aliança pelo Brasil. Aos 22 anos, ainda na faculdade, o jovem curte games na internet. Bem menos ativo nas redes que os irmãos, tem quase 21 mil seguidores no Twitter e 178 mil no Instagram. 

Sua vaga chama “vogal”. É um posto do comando do partido também com direito a voto. Espera-se dele que traga simpatizantes e apoiadores para a sigla do pai. 

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