sexta-feira, fevereiro 28, 2020

DIREITOS

Jornalista Vera Magalhães, do ‘Estado’, é alvo de ataques nas redes sociais.



Após ter revelado nessa terça-feira (25) que o presidente Jair Bolsonaro havia usado seu celular pessoal para compartilhar um vídeo convocando a população para manifestações contra o Congresso Nacional,a jornalista Vera Magalhães, do ‘Estado’, passou a ser alvo de ataques nas redes sociais.

Uma conta falsa em nome da jornalista foi criada no WhatsApp e mensagens fraudadas foram distribuídas em outras redes sociais. Além disso, houve compartilhamento de uma cobrança de 2015 do colégio onde estudam os filhos de Vera, expondo, dessa forma, a família da jornalista, de acordo com informações do próprio ‘Estado’.

Divulgar este tipo de informação pessoal é um constrangimento e, embora possa não ser considerado uma ameaça do ponto de vista jurídico, é obviamente uma forma de ameaçar a jornalista. A divulgação de documentos é um método clássico de ameaçar ou incentivar alguém a atentar contra uma pessoa. Do ponto de vista da Abraji, é mais um ataque dos apoiadores do presidente contra jornalista. Pela recorrência, isso está se tornando uma questão crítica”, disse o presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Marcelo Träsel, ao ‘Estado’.

No Twitter, a deputada Carla Zambelli (PSL-SP), que é da base de apoio do presidente Bolsonaro no Congresso, classificou os ataques à Vera como algo ‘abominável’.

Regina Duarte apaga um dos posts de apoio à manifestação anti-Congresso.



A atriz Regina Duarte, futura secretária especial da Cultura, apagou um dos posts que publicou na noite de terça-feira, 25, no Instagram, em que convocava seus mais de 2,2 milhões de seguidores para a manifestação do dia 15 de março "em defesa do governo e contra o Congresso Nacional".

Ela tinha feito duas publicações na sequência. A primeira era a mesma que aparecia na mensagem enviada por Bolsonaro para seus contatos e que, depois de revelada pela jornalista Vera Magalhães, do Estado, gerou um amplo debate acerca da ameaça à democracia. Essa imagem ainda está no perfil da atriz e diz: "15 de março. Gen Heleno/Cap Bolsonaro. O Brasil é nosso, não dos políticos de sempre".

Regina Duarte deletou a segunda publicação. Ela era aberta com esse mesmo texto da anterior, mas trazia uma segunda, e ainda mais polêmica, mensagem. Estava escrito: "O presidente Jair Bolsonaro está disparando de seu celular pessoal um vídeo em tom dramático que mostra a facada que sofreu em 2018 em Juiz de Fora para dizer que 'quase morreu' para defender o País e agora precisa que as pessoas vão às ruas no dia 15 de março para defendê-lo. O ato do dia 15 de março está sendo convocado por movimentos de direita em defesa do governo e contra o Congresso".

Postagem de Regina Duarte sobre manifestação de 15 de março

Regina Duarte deve tomar posse na Secretaria Especial da Cultura na próxima semana, quando já deve ter montado sua equipe.

Frota entrará com pedido de impeachment de Bolsonaro.



Ex-aliado do governo, o deputado federal Alexandre Frota (PSDB-SP) pedirá o impeachment de Jair Bolsonaro por crime de responsabilidade, de acordo com informações da coluna de Guilherme Amado, da revista Época.

Ele teria feito o pedido a advogados após uma denúncia da jornalista Vera Magalhães de que o presidente da República teria incitado a população contra o Congresso Nacional e o STF.

“Eu acabo de solicitar a uma junta de advogados que, diante dos fatos, ameaças e do disparo do vídeo do celular dele. Vou entrar com o impeachment, vou assinar. Bolsonaro prometeu que sempre lutaria pela democracia. Mentiroso. Ele está abrindo uma crise institucional”, disse Frota.

Na noite desta terça-feira, 25, o jornal Estadão noticiou que Bolsonaro divulgou um vídeo em que convoca a população para um ato contra o Congresso. Segundo o ex-deputado federal Alberto Fragam, o presidente “encaminhou o vídeo”, mas não estava convocando as pessoas para a manifestação. “Ele sabe que não é conveniente fazer isso, mas não tem como evitar que as pessoas façam”, disse.

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