segunda-feira, fevereiro 24, 2020

NOTICIAS DO MUNDO GAY

World Athletics diz que atletas trans não podem ser proibidos de competir em SP.



World Athletics, a federação internacional de atletismo, se pronuncia determinando que nenhum governo do mundo tem autonomia para dizer se atletas transexuais podem ou não participar de uma competição.

Em texto publicado no UOL,  Demétrio Vecchioli diz também que outras federações internacionais seguem o mesmo protocolo, incluindo a União Ciclística Internacional (UCI). O texto surgiu a partir da polêmica da Assembleia Legislativa de São Paulo programar voto de um projeto de lei do deputado Altair Moraes (Republicanos), que determina o sexo biológico como o único critério definidor do gênero dos competidores.

Com isso, fica proibida a atuação de transexuais em equipes que correspondam ao sexo oposto ao de nascimento e, caso alguma federação descumpra a lei, esta será multada em até 50 salários mínimos.

https://observatoriog.bol.uol.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2020/02/31dez2016-milhares-de-corredores-passam-pela-av-paulista-em-sao-paulo-durante-92-edicao-da-corrida-internacional-de-sao-silvestre-1508681078829_v2_900x506.jpg
31.dez.2016 – Milhares de corredores passam pela Av. Paulista em São Paulo durante 92ª edição da corrida internacional de São Silvestre

“O problema é que é consenso histórico no esporte que cabe às federações internacionais determinarem as regras de sua modalidade, o que inclui os critérios de elegibilidade. São conhecidos (e criticados) os casos em que países organizadores de eventos internacionais negaram visto a atletas que tinham o direito de competir. O usual é que esses países percam o direito de organizar competições. É o que pode acontecer com São Paulo, que recebe as principais competições nacionais do atletismo” – diz Vecchioli

Diante de toda a polêmica, o Olhar Olímpico perguntou a já citada World Athletics sobre o assunto, sendo que este respondeu:

“Como os regulamentos se destinam a operar globalmente, regulando as condições de participação em eventos de nível internacional, eles devem ser interpretados e aplicados não por referência às leis nacionais ou locais, mas como um texto independente e autônomo, e de uma maneira que proteja e promova os imperativos identificados acima.”

Isso significa que nenhuma competição de atletismo que esteja vinculada a World Athletics pode proibir a participação de atletas transexuais em seu gênero auto-reconhecido.

Ou seja, se uma lei estadual realiza a proibição, ela estará desrespeitando a regulamentação internacional de atletismo e poderia ser proibida de organizar eventos. Isso significa que São Paulo ficaria sem nenhuma competição profissional.

“Ao defender seu projeto de lei em tribuna na última terça, Moraes citou que cinco estados norte-americanos já proibiram atletas transexuais. Não é verdade. Cinco estados discutem projetos para dificultar a vida de jovens atletas transexuais, retirando verbas públicas de escolas que inscreverem atletas transexuais. Proibir atletas transexuais nunca esteve em questão nos Estados Unidos exatamente porque não se pode interferir nas regras do esporte.” – finaliza o colunista.

Transfóbico é condenado a cinco anos de prisão após incendiar casa de vizinha transexual.



Um homem foi preso após incendiar a casa de uma mulher transexual na cidade de Sheffield, em South Yorkshire, na Inglaterra. Segundo informações da BBC News, Lee Harrison, de 43 anos, perseguia há vítima há meses.

O transfóbico foi condenado por cinco anos após atear fogo na caixa de correio do flat da vítima, que não teve a sua identidade revelada. Para o promotor Robert Sandford, o ato foi motivado “baseado no fato de que [a vítima] estava em processo de transição do sexo masculino para o feminino”. De acordo com a publicação, Lee havia ameaçado a mulher um dia antes do ataque, informando que atearia fogo nela.

Em depoimento, a mulher informou que apenas sua colega de quarto estava em casa no momento do ataque. “Não pude escapar, fiquei presa porque o fogo vinha da porta da frente e a fumaça subia as escadas. Eu realmente acreditava que estava prestes a morrer”, disse a amiga da vítima.

Policial militar relata homofobia em rede social após usar fantasia em bloco de carnaval.



Um policial militar de João Pessoa, na Paraíba, relatou em suas redes sociais que foi vítima de homofobia depois que se fantasiou de dálmata para o tradicional bloco “Virgens de Tambaú”, que sugere aos homens se vestirem de mulher.

Há sete anos na corporação, Elbo Guedes relatou que algumas pessoas pegaram a foto dele fantasiado, em uma rede social, e uniram com outra foto dele fardado de policial militar. As fotos foram compartilhadas em um aplicativo de conversas e espalhadas em vários grupos. “Vocês não vão me reprimir, nós temos o direito de estar onde a gente quiser, onde a gente bem entender, quer vocês queiram ou não. A gente vai estar em todos os lugares”, desabafou o policial militar em seu Instagram.

Em nota ao G1, a Coordenadoria de Comunicação Social da Polícia Militar da Paraíba informou que, “até esta quarta-feira (19/02), a corporação não recebeu nenhum registro oficial nos setores responsáveis para analisar os fatos, que são a ouvidoria e a corregedoria. Como trata-se de situação de ordem pessoal, ou seja, que não foi referente ao serviço do policial militar, a instituição aguarda ser comunicada para trazer um posicionamento”.

“Quem me conhece sabe do meu caráter, sabe o quanto eu respeito a instituição da qual eu faço parte, o quanto eu respeito os meus companheiros de farda, e o quanto eu não faria algo para expor a instituição na qual eu trabalho”, explica.

Jovem gay sofre ataque homofóbico em bloco de Carnaval em São Paulo.



Jovem gay que curtia o bloco de carnaval no centro de São Paulo, Rafael Aquino, de 18 anos, saía de um bloco na última segunda-feira (17) quando foi vítima de um ataque homofóbico brutal e covarde.

“Eu estava na companhia de cinco amigos perto de um ponto de ônibus no centro de São Paulo. Saíamos de um bloco de Carnaval e eu estava de mãos dadas com meu namorado quando um grupo de homens nos cercou. No início, parecia um assalto, mas depois começaram a nos bater”, contou à Marie Claire.

Um dos agressores ainda deu um golpe conhecido como mata-leão em sua amiga e chegou a arrastá-la pela calçada. Outro pegou uma garrafa de bebida e bateu em sua cabeça. Eles tentaram fugir enquanto os agressores arremessavam mais garrafas.

“Fiquei lá sangrando enquanto alguns clientes do bar vieram me ajudar e ligaram para a ambulância. Fiquei 30 minutos esperando e os socorristas justificaram que não conseguiriam me atender no momento, pois havia muitas ocorrências. As viaturas da polícia também não quiseram prestar socorro”, relatou a vítima.

Já fora de perigo de vida, o rapaz também falou à revista sobre o medo de viver sendo LGBT no Brasil, que vale lembrar, é um dos países onde mais se mata LGBTs no mundo. “Meus amigos estão traumatizados. Vemos essas coisas de longe e sempre achamos que nunca vai acontecer com a gente. Infelizmente, nós da população LGBTQ+ vivemos 24 horas em perigo”, afirmou.

Jovem é espancado e relata caso de homofobia no Carnaval de Salvador.


Fernando Almondes, vítima de homfobia no Carnaval de Salvador 

Um jovem gay foi vítima de um ataque homofóbico na noite desta quinta-feira (20), no circuito Barro-Ondina, no Carnaval de Salvador. Ele curtia a pipoca de Claudia Leite no momento da violência.

Através de seu perfil do Instagram, Fernando Almondes compartilhou com seus seguidores o caso e informou que estava curtindo a festa tranquilamente, quando recebeu o empurrão de um vendedor ambulante.

Ainda conforme a vítima, a agressão se iniciou logo após ele tentar reclamar, educadamente, sobre o empurrão. Ao pedir para o agressor não tratá-lo daquela maneira, o homem retrucou com murros e pontapés.

Caído no chão, Fernando chegou a ouvir do ambulante que ele deveria ser morto por ser homossexual: “Sai daqui viado, por isso que eu não gosto de bloco de viado. Viado tem que morrer, que apanhar”.

“Eu sai me arrastando pelo meio das pessoas, eu só queria sumir dalí. Por sorte eu tenho plano de saúde, mas quantas pessoas passam pelo o que eu passei e não têm o direito de sobreviver? Não têm o direito de continuar vivendo, quantas?”, questionou a vítima.

“Essa violência gratuita, esse ódio sendo disseminado dessa maneira não pode continuar impune. Isso não pode continuar acontecendo. Quantos vão ter que morrer para que a gente tenha o direito a vida?”, completou Fernando em outro momento.

Em nota enviada a imprensa, o Governo da Bahia, por meio da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia (SJDHDS), emitiu uma nota informando que “repudia e está prestando apoio ao jovem vítima de LGBTfobia”.

“A Coordenação LGBT da SJDHDS já manteve contato com o jovem e está em articulação com a Superintendência de Prevenção à Violência, da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), para apurar e investigar o autor da violência”, disse.

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