sexta-feira, fevereiro 28, 2020

POLÍTICA

Bolsonaro fala em ‘mensagens de cunho pessoal’ mas não rechaça pauta contra Congresso.


Frame do vídeo divulgado pelo presidente pelo WhatsApp e que convoca para manifestação no dia 15 de março.

Presidente compartilhou pelo WhatsApp vídeo convocando para manifestação contrária ao Congresso. Apoiadores dizem agora que ato é somente "pró-Bolsonaro".

O presidente Jair Bolsonaro respondeu, pelo Twitter, na manhã desta quarta (26) à reportagem do jornal Estado de S. Paulo, que revelou que ele enviou por WhatsApp vídeos convocando para uma manifestação contra o Congresso. Bolsonaro disse ter “dezenas de amigos” com quem “troca mensagens de cunho pessoal”.

“Tenho 35Mi de seguidores em minhas mídias sociais, c/ notícias não divulgadas por parte da imprensa tradicional. No Whatsapp, algumas dezenas de amigos onde trocamos mensagens de cunho pessoal. Qualquer ilação fora desse contexto são tentativas rasteiras de tumultuar a República”, escreveu.

Bolsonaro, contudo, não falou nada sobre uma das pautas alegadas para a manifestação do dia 15 de março ser “Fora Maia e Alcolumbre”, os presidentes das duas casas do Congresso. Há ainda quem divulgue a manifestação pedindo o fechamento do Congresso e do STF (Supremo Tribunal Federal). 

Nem ele e nem o general Augusto Heleno, ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), cuja fala captada pelo Globo na transmissão de uma reunião ao vivo pela internet incendiou ainda mais os posts de convocação da manifestação.

“Nós não podemos aceitar esses caras [do Congresso] chantagearem a gente o tempo todo. Foda-se”, disse o ministro-chefe do GSI. 

No vídeo que Bolsonaro enviou pelo celular, segundo a colunista do Estado de S. Paulo Vera Magalhães, não há críticas diretas ao Congresso, ou menção a fechá-lo. Mas fala em “rejeitar os inimigos do Brasil”.

Em tom dramático e com trechos em preto e branco que mostram o momento em que Bolsonaro leva uma facada na campanha de 2018 e sua recuperação no hospital, o vídeo fala que o hoje presidente “quase morreu por nós” e pede “apoio nas ruas”.

O Planalto, em nenhum momento até agora, rejeitou a parte da pauta da manifestação contrária ao Congresso e em tom golpista. 

Coube ao general Santos Cruz, que já deixou o governo, classificar de “irresponsável” montagens com imagens de Heleno, do vice-presidente, Hamilton Mourão e de outros militares do governo, que falam que “os generais aguardam as ordens do povo” e pedem “Fora Maia e Alcolumbre”. 

“Exército - instituição de Estado, defesa da pátria e garantia dos poderes constitucionais, da lei e da ordem. Não confundir o Exército com alguns assuntos temporários. O uso de imagens de generais é grotesco”, escreveu o ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência.




Após a reportagem publicada pelo Estado de S. Paulo, a Folha de S. Paulo confirmou com o ex-deputado federal Alberto Fraga (DF) que Bolsonaro enviou vídeo de convocação para a manifestação pelo celular.

“Eu recebi um vídeo, ele [presidente] me encaminhou. Mas não foi ele que fez o vídeo. Confesso que não entendi assim [como um incentivo]. Ele nunca fez esse tipo de pedido. Quem está fazendo isso são os bolsonarianos pelas redes sociais. Para mim, mesmo, ele não falou absolutamente nada”, disse Fraga, que é amigo pessoal do presidente, à Folha.

A reação de políticos foi imediata. Os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, no entanto, preferiram não se manifestar pelas redes sociais.

Bolsonaro compartilha vídeo de ato anti-Congresso por WhatsApp, segundo jornal.



O trailer tem pouco mais de 1 minuto e começa com o hino nacional seguido de imagens de Bolsonaro no dia do atentado a faca em Juiz de Fora.

O presidente Jair Bolsonaro compartilhou nesta terça-feira (25) por meio do seu celular pessoal um vídeo em que convoca a população a comparecer às manifestações no dia 15 de março em que faz críticas ao Congresso Nacional.

De acordo com a jornalista Vera Magalhães, do Estadão, o vídeo tem tom dramático e traz cenas do atentado que o presidente sofreu em 2018 na cidade de Juiz de Fora.

Segundo a narrativa, Bolsonaro “quase morreu” em defesa do País e agora precisa do apoio popular para defendê-lo. 

A mensagem compartilhada pelo presidente circulou no aplicativo WhatsApp. No texto, enviado juntamente com o vídeo, Bolsonaro escreveu: “O Brasil é nosso, não dos políticos de sempre”.

O trailer tem pouco mais de 1 minuto e começa com o hino nacional seguido de imagens de Bolsonaro. 

Nas redes sociais, cartazes do ato do dia 15 demonstram apoio ao governo e pedem atitudes contra o Congresso.


MBC – Movimento Brasil Conservador
@EuSouMBC
 ATENÇÃO:

Dia 15 de março de 2020,

MANIFESTAÇÕES
EM TODO O BRASIL!

Pauta única:

Em defesa do Presidente
Jair Messias Bolsonaro!

Não aceitaremos a imposição de um "Parlamentarismo branco" e tampouco manobras espúrias da Esquerda!#SomosTodosBolsonaro
14,9 mil
21:20 - 19 de fev de 2020

Em outros panfletos, há fotos do general Augusto Heleno, do vice-presidente Hamilton Mourão e de outros militares que estariam contra Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, e Davi Alcolumbre, do Senado.

Diante da convocatória, o General Santos Cruz usou o Twitter para criticar as mensagens. “Confundir o Exército com alguns assuntos temporários de governo, partidos políticos e pessoas é usar de má fé, mentir, enganar a população”, escreveu.


IRRESPONSABILIDADE
Exército Brasileiro - instituição de Estado, defesa da pátria e garantia dos poderes constitucionais, da lei e da ordem. Confundir o Exército com alguns assuntos temporários de governo, partidos políticos e pessoas é usar de má fé, mentir, enganar a população. pic.twitter.com/C89Uvt8gU0
— General Santos Cruz (@GenSantosCruz) February 24, 2020

Outros políticos também reagiram a conduta do presidente. Em mensagem na rede social, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que o País enfrenta “uma crise institucional de consequências gravíssimas”. 

Fernando Henrique Cardoso
@FHC

A ser verdade, como parece, que o próprio Pr tuitou convocando uma manifestação contra o Congresso ( a democracia) estamos com uma crise institucional de consequências gravíssimas. Calar seria concordar. Melhor gritar enquanto de tem voz, mesmo no Carnaval, com poucos ouvindo.
— Fernando Henrique Cardoso (@FHC) February 25, 2020

'Se houvesse bomba H no Congresso você acha que o povo choraria?', diz Eduardo Bolsonaro.



Carlos Bolsonaro também fez postagem em que minimiza convocação de militares para atos em apoio ao pai e contra o Congresso.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) sugeriu, em seu Twitter, que o povo brasileiro não iria achar ruim se uma bomba atômica fosse atirada contra o Congresso Nacional - do qual ele faz parte. “Se houvesse uma bomba H no Congresso você realmente acha que o povo choraria?”, escreveu o filho do presidente na tarde desta quarta-feira (26), respondendo à jornalista Vera Magalhães. 

Também Carlos se manifestou nas redes, da mesma forma, em uma reação à jornalista, sobre os protestos convocados para o dia 15 de março. Foi Magalhães quem publicou a primeira notícia sobre o compartilhamento, por Jair Bolsonaro, de um dos vídeos convocando para as manifestações por WhatsApp. Uma das pautas da marcha é “Fora Maia e Alcolumbre”.

O filho 02 chama de “mau caratismo” um post em que a jornalista cobra do vice-presidente, general Hamilton Mourão, uma resposta sobre uma das postagens que tem circulado nas redes sociais na qual se afirma que “os generais aguardam as ordens do povo”. 

As mensagens vêm em meio à polêmica sobre vídeos compartilhados pelo pai, o presidente Jair Bolsonaro, convocando para manifestações em 15 de março. Embora não haja uma menção direta, nos vídeos, a ataques ao Congresso e ao Judiciário ou à participação de militares, nas redes sociais, o tom é outro, bem mais elevado por parte de bolsonaristas e aliados. 

O presidente até veio ao Twitter esta manhã afirmar que as mensagens que trocou são de cunho pessoal. Não negou porém o teor, nem minimizou o que se tem dito nas redes. 

Longe de ter início com o compartilhamento dos vídeos, a tensão entre o Executivo e os demais poderes está elevada desde semana passada, quando o jornal O Globo revelou que o general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, afirmou que o Congresso faz “chantagem” com o governo.

Também nesta quarta, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), um dos principais alvos das manifestações, usou o seu Twitter para criticar de forma indireta Bolsonaro por seu apoio ao ato. 

“Somos nós, autoridades, que temos de dar o exemplo de respeito às instituições e à ordem constitucional”, afirmou o deputado, que continuou em seguida: “Acima de tudo e de todos está o respeito às instituições democráticas.”

Maia critica tensão e pede ‘respeito às instituições democráticas’.



Presidente da Câmara é um dos principais alvos das manifestações convocadas por bolsonaristas para 15 de março.

Um dos principais alvos das manifestações convocadas para o dia 15 de março, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), usou o seu Twitter no início da tarde desta quarta-feira (26) para criticar de forma indireta Jair Bolsonaro por seu apoio ao ato. 

“Somos nós, autoridades, que temos de dar o exemplo de respeito às instituições e à ordem constitucional”, afirmou o deputado, que continuou em seguida: “Acima de tudo e de todos está o respeito às instituições democráticas.”

Bolsonaro compartilhou ao menos dois vídeos pelo WhatsApp em que há convocação para os atos do dia 15. Em um deles, revelado pela colunista Vera Magalhães, há imagens de quando o mandatário foi alvo de uma facada, em dezembro de 2018, e de sua recuperação em seguida. 

Seguem-se diversas mensagens, como “ele foi chamado a lutar por nós”, “ele comprou briga por nós”, “ele desafiou os poderosos por nós”, “ele quase morreu por nós”, além de menções de que ele é vítima de calúnias e enfrenta a esquerda. Por fim, a convocação para a manifestação: “Vamos mostrar que apoiamos Bolsonaro e rejeitamos os inimigos do Brasil”. 

O outro, confirmado pela Folha de S.Paulo, tem imagens de manifestações em frente ao Congresso, e já começa com a fala: “o que esperar do futuro se não tomarmos de volta o nosso Brasil?”. 

Em nenhum dos dois fala-se diretamente sobre ataques ao Congresso e aos demais dos Poderes. Contudo, nas redes circulam diversas postagens de grupos bolsonaristas com esse tom. 

Mais cedo, o presidente usou suas redes sociais para responder as críticas que vem recebendo e disse que os vídeos compartilhados tratam-se de “troca de mensagens de cunho pessoal”. “Tenho 35Mi de seguidores em minhas mídias sociais, c/ notícias não divulgadas por parte da imprensa tradicional. No Whatsapp, algumas dezenas de amigos onde trocamos mensagens de cunho pessoal. Qualquer ilação fora desse contexto são tentativas rasteiras de tumultuar a República”, escreveu. 

Bolsonaro, contudo, não falou nada sobre as pautas alegadas para a manifestação do dia 15 de março ser “Fora Maia e Alcolumbre”, os presidentes das duas casas do Congresso. Há ainda quem divulgue a manifestação pedindo o fechamento do Congresso e do STF (Supremo Tribunal Federal). 


Bolsonaro divulga vídeo em que convoca para manifestações dia 15



Pannunzio comenta vídeo de Bolsonaro que convoca atos contra o Congresso e STF



ENTRE O IMPEACHMENT E O GOLPE


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