sexta-feira, fevereiro 07, 2020

POLÍTICA

PF vai investigar suspeita de corrupção de chefe da Secom.

Empresa de Fabio Wajngarten tem contratos com ao menos cinco empresas que recebem verba do governo.

Inquérito também vai apurar acusações de favorecimento de interesses privados contra Fabio Wajngarten.

A Polícia Federal atendeu o pedido do Ministério Público Federal em Brasília e vai investigar o chefe da Secom (Secretaria de Comunicação), Fabio Wajngarten. Ele é suspeito de práticas de corrupção passiva, peculato (desvio de recursos públicos) e advocacia administrativa (patrocinar interesses privados na administração pública, valendo-se da condição de servidor).

O inquérito, de acordo com a Folha de S.Paulo, correrá em sigilo. No último dia 15, o jornal noticiou que Wajgarten é o principal sócio da FW Comunicação e Marketing (tem 95% das cotas e sua mãe, os outros 5%), que fornece estudos de mídias para TVs e agências.

A empresa tem contratos com ao menos cinco empresas que recebem do governo, entre elas, a Band e a Record, cujas participações na verba publicitária da Secom vêm crescendo, segundo o jornal.

Nesta terça-feira (4), a Folha noticiou que o chefe da Secom omitiu da Comissão de Ética Pública da Presidência informações sobre seus vínculos no mundo empresarial. Em maio do ano passado, quando assumiu o cargo no governo, ele respondeu, em um questionário de oito páginas, que não exerceu atividades econômicas ou profissionais, nos 12 meses anteriores à ocupação do cargo, em área ou matéria relacionada às suas atribuições públicas.

Ele é sócio da FW desde 2003 e só deixou oficialmente de ser seu administrador em 15 de março de 2019. Wajngarten também negou que exerceria, concomitantemente ao cargo na Presidência, “atividade ensejadora de potencial choque entre o público e o privado” e respondeu que não tinha parente, até o terceiro grau, que atuava, era sócio ou empregado de pessoa jurídica da mesma área ou matéria relativa às atribuições do cargo.

A Folha também noticiou que Wajgarten priorizou uma agência de publicidade que tem contrato com a sua empresa no direcionamento das verbas publicitárias do governo. A agência Artplan recebeu R$ 70 milhões entre 12 de abril e 31 de dezembro de 2019, 36% mais do que o pago no mesmo período do ano anterior (R$ 51,5 milhões).

Antes, a agência mais contemplada com a verba de propaganda era a Calia Y2. A empresa pertence ao irmão de Elsinho Mouco, marqueteiro do ex-presidente Michel Temer. Ele não tinha cargo na comunicação do governo, mas era um conselheiro para essa área.

A Secom, em nota, reconheceu que a Artplan foi a agência que mais recebeu verba do governo, mas negou que tenha sido pelo fato de ela ser cliente da empresa de Wajngarten. O presidente Jair Bolsonaro tem afirmado que mantém o chefe da Secom no cargo por não ter visto “até agora” nada de errado na sua atuação.

Rixas internas são mais eficientes do que a oposição para minar governo Bolsonaro.

Equipe inicial de ministros de Jair Bolsonaro, que assumiu em janeiro de 2019. Já saíram Bebianno (Secretaria-Geral da Presidência), Santos Cruz (Secretaria de Governo) e Vélez (Educação).

Disputas entre diferentes grupos também afetaram governo Dilma, mas uso das redes sociais na gestão Bolsonaro eleva crises a patamar de 'reality show'.

Um escândalo a cada semana. Ministro e chefes de pastas se revezando em crises acompanhadas em tempo real pelas redes sociais. Em 13 meses, o governo Bolsonaro levou a um outro patamar as rixas internas que sempre estiveram presentes na Esplanada e reforçou a impressão de que seus grupos rivais são mais eficientes em minar o governo do que a própria oposição.

A mais recente crise no governo, com foco na Casa Civil e no ministro Onyx Lorenzoni, é um exemplo clássico de turbulência criada “de dentro pra fora”.

O esvaziamento completo da Casa Civil, com a transferência do PPI (Programa de Parceria de Investimentos) para o Ministério da Economia - a pasta já havia perdido no ano passado articulação política e Assuntos Jurídicos - foi anunciado por Bolsonaro no Twitter na manhã da última quinta (30). 

Nos bastidores, a avaliação é de que Onyx, que é alvo de um “bombardeio interno” e também de descontentamento de Bolsonaro com o andamento de seu trabalho à frente da Casa Civil, “saiu de férias no momento errado” e “virou a bola da vez”. 

No governo Bolsonaro, mais comum do que ouvir que há trabalho em equipe é escutar discursos de “trapaças”. Quem circula pelo Planalto, acostumou-se com histórias sobre mal entendidos entre integrantes, ciúmes da aproximação de alguns com Bolsonaro, brigas pela paternidade de propostas, desarticulação. Foi justamente o que colocou Onyx na corda bamba em que está agora. 

De tempos em tempos, as rixas desembocam em crises que mostram que o governo é hoje seu maior inimigo. Durante o ano legislativo de 2019, por exemplo, era comum a avaliação, nos corredores do Congresso, de que “a oposição nem precisa mais existir” e de que o governo cria suas próprias crises sozinho.

Contribui para esse pacote o comportamento de “fritura”, que se tornou o “modus operandi” do presidente quando quer se “desfazer” de algum de seus subordinados, e que vem acompanhado de ataques em massa nas redes sociais. O clã bolsonarista, liderado por Carlos e Eduardo Bolsonaro, auxilia no desgaste dos auxiliares que estão no alvo do pai.

O movimento que ajudou o presidente a chegar ao poder também contribuiu para acirrar disputas internas, desgastes e ampliar períodos de instabilidade política.  

"O governo da Dilma [Rousseff] já era exposto - sem muito uso de rede social, mas, mesmo assim, a gente via, pelo comportamento do Congresso, que o PT muitas vezes tinha uma postura de animosidade em relação a ela. Hoje, com o Bolsonaro, que tem um governo muito ancorado nas redes, essas rixas internas estão muito mais claras. Aí a gente fica acompanhando em tempo real, como se fosse um reality".

-Thiago Aragão, da Arko Advice

“De dentro pra fora”

O primeiro caso marcante desse combo ocorreu em fevereiro do ano passado, com Gustavo Bebianno, que ocupava a Secretaria-Geral da Presidência. O ex-presidente do PSL e Carlos Bolsonaro tinham uma relação conturbada desde a época da transição, quando o 03, que cuidou das redes sociais do pai na campanha eleitoral e almejava uma vaga fixa na equipe de governo, foi impedido, a conselho do ex-ministro, de assumir um cargo. A mágoa ficou, mas a conta também veio. 

Foi o início de uma série de casos de “fritura” nas redes sociais. Quem suportou mais tempo no cargo sendo alvo de ataques dos filhos e de olavistas foi o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, da Secretaria de Governo. Foram dois meses de bombardeios até ele ser substituído pelo general Luiz Eduardo Ramos. 

Mais uma crise surgida “de dentro” foi a indicação de Eduardo Bolsonaro para a Embaixada do Brasil dos Estados Unidos. Por três meses, o governo enfrentou críticas pelo fato de o presidente ter enviado o nome do filho para a embaixada brasileira, para a qual são raras as indicações pessoais dos presidentes. Desde 1966, apenas diplomatas de carreira haviam assumido o posto em Washington. Ao expor outro problema interno, porém, Jair Bolsonaro encontrou uma saída “diplomática” para a questão. 

O que se chamou de “crise do PSL”, que levou à saída do presidente da legenda pela qual foi eleito e à corrida pela criação de seu partido, o Aliança pelo Brasil, teve início pelas mãos do próprio mandatário. Na manhã de 8 de outubro de 2019, Bolsonaro afirmou a um apoiador que o gravava na porta do Palácio da Alvorada que esquecesse o PSL e que o presidente da sigla, Luciano Bivar, estava “queimado pra caramba”. 

A partir dali, uma guerra interna se instaurou, tanto no Congresso - com bancada rachada, guerra de listas pela liderança da legenda na Câmara (e foi assim que se solucionou a questão “Eduardo embaixador”) e até discursos agressivos de ambos os lados -, quanto nas redes sociais, com acusações de uma parte a outra. Sem deixar de mencionar as convocações à CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) das Fake News. Tudo isto por conta de uma fala de menos de 10 segundos do próprio presidente. 

Os constantes desentendimentos de Bolsonaro com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, também entram na conta das crises que começaram de dentro pra fora. No último ano, teve bronca pública e indireta, esvaziamento da pasta, tentativa de troca no comando da Polícia Federal e mais de uma ameaça de demissão. 

O último episódio também foi desencadeado via redes sociais, após uma reunião transmitida em uma live no Facebook, na qual o presidente falou em dividir a pasta do ex-juiz. Segundo os dois, a questão está superada, mas, nos bastidores, as rusgas não foram “saradas”. 

Outro ponto de tensão envolve o ministro da Educação, Abraham Weintraub, que se tornou um ícone nas redes sociais para os bolsonaristas mais aguerridos. Na última semana, os filhos e aliados de Bolsonaro têm empreendido uma cruzada em defesa do ministro, frente às pressões nas redes sociais e de integrantes do governo e do Congresso para que o presidente o demita.

Na noite de sexta (31), Bolsonaro postou uma foto com o chefe do MEC, numa indicação de que não deve atender aos anseios de tirar Weintraub. Mas com as incertezas em torno da Casa Civil, que o próprio mandatário desencadeou com outra postagem, na quinta, interlocutores destacam que a próxima semana pode “reservar surpresas”. 

Da esquerda para a direita, general Augusto Heleno (GSI), Santos Cruz (ex-Secretaria de Governo), Gustavo Bebianno (ex-Secretaria Geral), Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e o presidente.

Governo do BBB

Nesses 13 meses de governo, de acordo com levantamento do Estadão, o presidente demitiu três ministros, dezenas de secretários e ao menos 16 presidentes de órgãos federais, sendo o mais recente deles, na última semana, o do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social), Renato Vieira. Praticamente nenhum deles passou ileso aos métodos bolsonaristas. 

O diretor da Consultoria Arko Advice, Thiago Aragão, lembra que “rixa interna é comum e sempre existiu em vários governos”. Para ele, o que é diferente é o grau de exposição desses conflitos.

“O governo da Dilma [Rousseff] já era exposto - sem muito uso de rede social, mas, mesmo assim, a gente via, pelo comportamento do Congresso, que o PT muitas vezes tinha uma postura de animosidade em relação a ela. Hoje, com o Bolsonaro, que tem um governo muito ancorado nas redes, essas rixas internas estão muito mais claras. Aí a gente fica acompanhando em tempo real, como se fosse um reality”, destaca o consultor, que também é pesquisador do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês). 

A instabilidade que, mais do que sentida pela população, é acompanhada minuto a minuto, acabou tendo impacto sobre os índices de aprovação de Bolsonaro. 

Pesquisa DataFolha mostrou que o mandatário chegou ao fim do 1º ano de gestão com uma avaliação pior que Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Lula (PT) e Dilma (PT). 

Enquanto 30% da população aprovaram seu primeiro ano de governo, seus antecessores ficaram assim: FHC (41%), Lula (42%) e Dilma (59%). 

Dilma demitiu sete ministros no 1º ano

Ao longo de sua gestão, Dilma também enfrentou inúmeras crises. Tanto que acabou alvo de um processo de impeachment. O que difere, avalia-se, é o modo como surgiram os impasses. Enquanto a gestão Bolsonaro “cria problemas para si”, como afirmou uma fonte do próprio Planalto, isso não acontecia em governo anteriores, que “fugiam a todo custo de qualquer tipo de problema”. 

Só no primeiro ano de seu governo, em 2011, Dilma demitiu sete de seus ministros, seis deles por acusações de corrupção. Saíram Antonio Palocci (Casa Civil), Pedro Novais (Turismo), Alfredo Nascimento (Transportes), Nelson Jobim (Defesa), Wagner Rossi (Agricultura), Orlando Silva (Esportes) e Carlos Lupi (Trabalho).

A partir de 2014, a Operação Lava Jato começou a investigar grandes desvios de dinheiro envolvendo empreiteiros, a Petrobras e políticos. Isso fez a popularidade da presidente cair vertiginosamente e contribuiu de forma considerável, ao lado da economia em queda, para as articulações em torno do impeachment que se concretizou dois anos depois. 

Na relação com o Congresso, Dilma inicialmente se aproveitou do capital político do ex-presidente Lula. Contudo, com o passar do tempo, as reclamações dos congressistas sobre sua inabilidade política tomaram espaço. Em muitos momentos, ela se viu abandonada pelo próprio partido no Legislativo. 

Ministério Público Federal pede inquérito contra chefe da Secom do governo


BOLSONARO MANTÉM CHEFE DA SECOM NO CARGO E VOLTA A ATACAR A FOLHA | UOL TRENDS


Propina na Secom?


Peculato - Arts 312 e 313 do CP (Facilitando o Direito Penal)


Corrupção Passiva e Corrupção Ativa (Facilitando o Direito Penal)


2 comentários:

  1. Your blog is a great one ! Thanks you for your job. Could we exchange our links ?


    http://gaypornsky.com

    ResponderExcluir
  2. Hello, welcome!
    I will forward your request to the blog administrator. Thank you!

    ResponderExcluir