terça-feira, março 10, 2020

POLÍTICA

Bolsonaro incentiva população a participar das manifestações do dia 15.


Para o presidente, quem tem medo de mobilização popular não serve para ser político.

“Participem, não é um movimento contra o Congresso, contra o Judiciário. É um movimento pró-Brasil”, disse o presidente.

O presidente Jair Bolsonaro convocou — desta vez sem idas e vindas — a população a participar das manifestações previstas para o próximo dia 15.

O ato tem como mira o Congresso Nacional e o STF (Supremo Tribunal Federal), ambos poderes que integrantes do governo têm acusado de atrapalhar a gestão bolsonarista. Bolsonaro, no entanto, afirma que é um movimento pró-Brasil.

“É um movimento espontâneo e o político que tem medo de movimento de rua não serve para ser político. (…) Então participem, não é um movimento contra o Congresso, contra o Judiciário. É um movimento pró-Brasil”.

Para o presidente, quem tem medo de mobilização popular não serve para ser político. Ele acrescentou que “quem diz que é um movimento impopular contra a democracia está mentindo e tem medo de encarar o povo brasileiro”.

O ato marcado para o próximo fim de semana está no centro da crise entre o governo e o Legislativo. O impasse se acirrou quando o ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno, foi flagrado  em um áudio sugerindo ao presidente que “convocasse o povo às ruas contra o Congresso”. 

Ainda no áudio, o ministro do GSI diz que o Parlamento faz “chantagem”. Ele falava sobre o acordo que o governo tentava costurar com deputados e senadores pela manutenção do veto ao dispositivo no Orçamento que deixava a administração de R$ 30 bilhões nas mãos do deputado que relatou a proposta, Domingos Neto (PSD-CE). 

Dias depois, o próprio presidente disparou um vídeo para aliados no qual havia uma convocação ao povo para ir às ruas. O presidente chegou a dizer que o vídeo era de 2015, mas depois recuo e admitiu o vídeo. Ele, porém, nega atrito com parlamentares.

Nova convocação de Bolsonaro para protestos desagrada lideranças partidárias.



SÃO PAULO e BRASÍLIA – A convocação do presidente Jair Bolsonaro a seus seguidores para comparecer à manifestação no dia 15 de março desagradou a lideranças partidárias no Congresso Nacional e governadores da oposição. A oposição vê uma tentativa do governo de criar uma “cortina de fumaça” para o desempenho ainda baixo do crescimento econômico do País.

“Acho que o presidente ao invés de insuflar manifestações deveria estar construindo condições para concentrar os esforços na solução do que realmente interessa”, avalia o líder do DEM na Câmara, Efraim Filho (PB). 

Em Boa Vista, Roraima, o presidente convocou os brasileiros a participar da manifestação e afirmou que o movimento é “espontâneo”. Os atos são tidos como contrários ao Congresso e ao Judiciário, embora isso tenha sido negado pelo presidente, mais cedo. “O político que tem medo de movimento de rua não serve para ser político”, disse Bolsonaro.

O assunto repercutiu nas redes sociais de políticos neste sábado, 7. “Todos sabem que o ato do dia 15 visa constranger o Congresso e o Supremo. A convocação de Bolsonaro para esse evento é fato gravíssimo”, declarou no Twitter o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB).

O senador Major Olímpio (PSL-SP), líder do PSL no Senado, criticou a declaração de Bolsonaro em Roraima. “Esse discurso foi como apagar o fogo com gasolina. O presidente se assumiu como o protagonista principal das manifestações”, disse o parlamentar.

Governo afasta investidor e viraliza ódio, afirma Maia.



São Paulo — A uma semana das manifestações contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), subiu o tom das críticas ao presidenteJair Bolsonaro.

Ao participar de um debate em São Paulo, ontem, Maia disse que o entorno do governo tem uma estrutura para “viralizar o ódio” por meio de fake news e que Bolsonaro afasta investidores ao gerar incertezas sobre seus compromissos com a democracia e o meio ambiente.

“Não temos os recursos e a estrutura que o entorno do governo tem para viralizar tantas fake news como tem sido feito nas últimas semanas”, afirmou o deputado do DEM, durante palestra sobre a agenda parlamentar em 2020 no Instituto Fernando Henrique Cardoso, no centro de São Paulo.

Maia tem sido um dos principais alvos de mensagens contra o Congresso que circulam em redes sociais de apoiadores do governo. Ele buscou outras autoridades e empresários para tentar uma resposta conjunta ao que classifica como escalada autoritária (mais informações nesta página).

Maia abriu seu discurso de ontem dizendo que vivemos uma “contestação das democracias liberais” e que a tecnologia virou um campo de ataque às pessoas. “Nada disso custa pouco. Um robô custa US$ 12 por mês.” Em dezembro, a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), antiga apoiadora de Bolsonaro, afirmou à CPMI das Fake News, que um dos mais ativos grupos de propagadores de notícias falsas e ataques pessoais é o chamado “gabinete do ódio”, integrado por assessores especiais da Presidência. Parlamentares que acompanham os trabalhos da CPMI estimam que uma estrutura deste tipo custaria R$ 1,5 milhão por mês.

Economia

Dois dias após o anúncio do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do ano passado, que frustrou economistas, o presidente da Câmara afirmou que a omissão do governo pode levar ao “estancamento de reformas”. “O governo prometeu muito, mas não entregou. Tinha uma previsão de crescimento de 2,5% e cresceu 1.1%.” O parlamentar criticou, ainda, a demora no envio das propostas do Executivo para as reformas tributária e administrativa.

Segundo ele, a reforma da Previdência “foi abandonada pela equipe do governo”. “Foi o Parlamento quem colocou a pauta e tocou a pauta”, disse. Para Maia, “o Parlamento precisa não só reformar o Estado, mas também reformar os setores” como forma de atrair capital estrangeiro.

Enquanto comentava a economia, Maia lembrou um encontro recente com empresários europeus. Afirmou que investidores de outros países lhe disseram que deixaram de colocar dinheiro no Brasil por causa do presidente Bolsonaro. “O governo gera uma insegurança grande para sociedade e para os investidores. As pessoas estão deixando de investir pela questão do meio ambiente e pela questão democrática.”

Sentado ao lado Maia na palestra, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também criticou o governo. “Quando o presidente não exerce o poder, outras forças exercem. Quando a liderança não exerce o papel de agregação, as coisas não andam”, afirmou o tucano, para quem falta rumo à gestão Bolsonaro. Ao final de seu comentário, FHC teceu elogios ao presidente da Câmara. “Graças a Deus temos lideranças no Congresso. A principal delas está aqui ao meu lado.”

Apesar disso, Maia afirmou que o Congresso não quer ter “um milímetro do que é responsabilidade do Executivo”. “Cria-se conflitos onde não existe em um País com 11 milhões de desempregados. Não podemos discutir uma coisa criada para viralizar o ódio, que é essa questão de parlamentarismo branco”, disse.

Desequilíbrio

O termo parlamentarismo branco foi usado pelo ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, flagrado em uma transmissão nas redes sociais em 18 de fevereiro dizendo que o governo “não pode aceitar esses caras chantagearem a gente o tempo todo”, ao se referir ao Congresso.

A divulgação das declarações do ministro passou a ser utilizada por grupos bolsonaristas para convocar para o ato contra os parlamentares. Em sua fala ontem, Maia disse que Heleno tornou-se o “ministro do desequilíbrio”. “Transformam temas falsos em verdades nas redes sociais para gerar um inimigo contra o governo.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Não é normal país como Brasil crescer 1%, diz secretário do Tesouro.


Junto com o crescimento baixo do País, também teve o anúncio de que o PIB da agropecuária teve o menor alta em três anos.

“Eu não durmo tranquilo, estou muito preocupado, estamos ainda em país com crescimento muito baixo”, diz Mansueto Almeida.

O secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, afirmou nesta quinta-feira (5) que não considera normal país em desenvolvimento como o Brasil crescer 1% ao ano e que, neste cenário, ele mesmo não dorme tranquilo.

“Eu não durmo tranquilo, estou muito preocupado, estamos ainda em país com crescimento muito baixo”, disse Mansueto no Fórum Conjunto Consad/Conseplan, realizado pelos conselhos nacionais de secretários estaduais da Administração e do Planejamento. “Não é normal país em desenvolvimento como o Brasil crescendo 1% ao ano”, acrescentou.

Na véspera, o IBGE divulgou uma alta de 1,1% do PIB em 2019, após expansão de 1,3% registrada tanto em 2018 quando em 2017.

"Não é normal país em desenvolvimento como o Brasil crescendo 1% ao ano."

-Mansueto Almeida

O tom do secretário contrastou com o adotado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que avaliou na véspera que o PIB baixo não era surpresa e que não entendia a comoção com o dado.

Mansueto avaliou que esse crescimento claramente causa frustração em vários segmentos da sociedade e, por isso, é necessário que o país siga comprometido com a agenda de reformas.

Para o secretário, o fraco ritmo de retomada da atividade mostra que está sendo “muito difícil” o Brasil se recuperar da crise de 2015 e 2016. Ele também reconheceu que, adicionando complexidade ao quadro, haverá impacto no crescimento doméstico proveniente da disseminação do surto de coronavírus.

“Agora a gente tem esse problema do crescimento mundial, todos os organismos internacionais estão revisando para baixo o crescimento do mundo. Claro, impacta todo mundo”, afirmou ele.

“No caso do Brasil, a gente tem que continuar no caminho e reforçar ainda mais a necessidade de reformas para melhorar a capacidade do país crescer mais, com crescimento de produtividade”, reiterou.

Caso haja frustração no cálculo das receitas inicialmente previstas na lei orçamentária anual, será necessário fazer contingenciamento, disse.

O governo se debruçará sobre essa questão depois que for finalizada a nova estimativa para o PIB em 2020. Na véspera, o secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida, afirmou à Reuters que o novo percentual será divulgado na próxima quarta-feira, mas não ficará abaixo de 2%, ante o patamar atual de 2,4%.

Dólar alto

Em meio à volatilidade atual do mercado, Mansueto afirmou que não vê disfuncionalidade no mercado de títulos, razão pela qual o Tesouro não está conversando com o Banco Central sobre eventual atuação conjunta, num cenário de dólar acima de R$ 4,60.

Mansueto pontuou ainda que o tema cambial é de competência do BC e que, por isso, não há conversa com a autoridade monetária sobre o assunto.

Questionado sobre a possibilidade de aumento da oferta de títulos no mercado, ele respondeu que, mesmo que a taxa básica de juros caia, não haverá mudança no cronograma de leilões.

“A gente já faz leilão semanal, então já tem toda uma programação e isso independe da questão de juros. Porque uma coisa é juro de curto prazo, então chega um momento que ?e isso é decisão do Banco Central? mesmo que o juro caia, isso não altera em nada o cronograma de leilão do Tesouro”, disse.

Tempo do Congresso

Para Mansueto, o cenário para o debate hoje é diferente e mais favorável, permitindo espaço para que temas como a autonomia do Banco Central sejam discutidos, algo que classificou como impensável quatro ou cinco anos atrás.

“O que não pode é a gente querer fazer debate, querer aprovar coisas de forma desesperada”, disse.

“Algumas pessoas falam: ‘mas o Congresso está atrasando’. O Congresso não está atrasando, o Congresso está debatendo, o Congresso tem o seu ritual, o Congresso tem o seu timing de discutir reformas”, acrescentou.

Mansueto também afirmou que “todo mundo” quer ajuste fiscal, até para que o governo tenha capacidade de aumentar o investimento público.

Nesse sentido, ele pontuou que também não é normal que o Brasil, com uma carga tributária perto de 34% do PIB, tenha um investimento público equivalente a menos de 2,5% do PIB para o setor público consolidado.

Bolsonaro compartilhou convocação de ato para 15 de março. E daí? | #AlexandreGarcia


E O PIB, PRESIDENTE?




                             

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