sexta-feira, março 20, 2020

POLÍTICA

Com falas de ‘histeria’, Bolsonaro reduz capital político em meio à pandemia do coronavírus.



Presidente mantém belicismo, não recua de posturas, e aumenta isolamento mesmo em seu próprio núcleo.

O presidente Jair Bolsonaro se cercou de oito auxiliares nesta quarta-feira (18) para, pela primeira vez, ser o protagonista na resposta brasileira ao surto de coronavírus. Seus ministros, técnicos, como ele sempre faz questão de ressaltar, falaram de ações concretas, combate, atuação no campo social e econômico. O mandatário, por sua vez, ensaiou uma mudança de postura ao que se viu nas últimas semanas, mas acabou retornando à sua zona de conforto: o tom bélico e pouco responsável para uma situação de caos em saúde pública. 

A avaliação de todos os lados, internamente no Palácio do Planalto, no Congresso, no Judiciário e até mesmo de alguns governadores é que Bolsonaro está cada vez mais isolado. Os últimos dias, mas em especial as últimas horas, dão demonstrações claras disso. 

Da mesma forma como usou da rede nacional de rádio e televisão não para acalmar e esclarecer sobre o vírus, mas para falar dos protestos do dia 15 na última quinta-feira (12) em pronunciamento, o mandatário voltou a se valer da estrutura pública para interesses pessoais. 

A entrevista coletiva no Palácio do Planalto na tarde de quarta-feira foi transmitida na TV Brasil e no YouTube da emissora. Para incitar seu núcleo, ele disse achar estranho que nenhum órgão de imprensa tivesse mencionado um panelaço a favor (sic) de seu governo, uma resposta aos protestos de mesma ordem contra ele programados para a mesma noite, 30 minutos antes.

Enquanto panelas foram batidas antes e depois do horário aos gritos de “Fora Bolsonaro” em diversas cidades, como São Paulo, Rio, Recife, Belo Horizonte, Fortaleza e Brasília, entre outras, as manifestações a favor foram menores. 

O desgaste vem sendo monitorado de dentro do Planalto com atenção e já chegou à base de apoio. O presidente tem recebido alertas de que o apoio popular a ele pode estar reduzindo. Foi esse um dos motivos que o levou a incitar o povo às ruas no dia 15 de março, o que ele agora nega que tenha feito — em 7 de março, em uma escala em Roraima, quando estava a caminho dos EUA, Bolsonaro fez a convocação. 

Além de chamar as pessoas para um protesto cujos alvos principais eram os outros poderes da República, o presidente quebrou o isolamento ao qual deveria estar submetido e confraternizou com apoiadores. Nesta quarta, não só não deu passo atrás sobre a questão, como ainda reforçou que faria novamente. 

“Vim a esse prédio e cumprimentei brasileiros que estavam aí fora, meus eleitores. Estive do lado sabendo riscos. Nunca abandonarei o povo. Devo lealdade absoluta”, disse, acrescentando mais à frente: “Não se surpreenda se me vir entrando num metrô lotado, numa barca em Niterói. Longe de demagogia ou populismo, estou do lado do povo. (…) Tenho muito orgulho disso”. 

Aliados viram as costas

Seu discurso típico de combate serviu até o momento, quando o País enfrentava uma crise econômica, da qual até já apresentava certos sinais de recuperação, apesar dos infindáveis problemas políticos, em sua maioria, gerados pelo próprio Planalto. 

É a primeira vez em 15 meses de governo, contudo, que a crise não foi gerada pelo próprio clã bolsonarista. Não se trata de afronta às instituições, ou à democracia, mas risco à saúde pública. 

Ao romper o próprio isolamento e confraternizar com sua claque, o presidente teve certeza de que isso repercutiria bem entre seus apoiadores. Pecou. Com saúde não se brinca. 

Diferente das falas de Bolsonaro sobre Emmanuel Macron, Michelle Bachelet, Amazônia, esquerda, conservadorismo, perseguição da imprensa, agora se fala de algo que está muito próximo da vida das pessoas e, cedo ou tarde, baterá à porta de cada um de nós - como já bateu à de três de seus auxiliares e outros 16 integrantes da comitiva que esteve consigo nos Estados Unidos.

Essa ausência de sensibilidade e sensarez fez virem à tona publicamente descontentamentos com seu desempenho até mesmo por parte de seu núcleo próximo.

A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP), que fez campanha fervorosa por Bolsonaro em 2018, por exemplo, agora pede seu afastamento. 

“Quando as autoridades têm o poder e o dever de tomar providências para evitar um resultado danoso, e assim não procedem, elas respondem por esse resultado. Isso é homicídio doloso. Será atribuído ao governador do estado de São Paulo, será atribuído ao presidente da República, principalmente ao presidente da República, porque o que ele fez ontem [cumprimentar apoiadores e tirar selfie com eles] é inadmissível, é injustificável, é indefensável. É um crime contra a saúde pública. Ele desrespeitou a ordem do seu ministro da Saúde.”

O empresário Luciano Hang, dono da Havan, que era rotineiramente visto ao lado do mandatário até mesmo nas lives semanais que Jair Bolsonaro faz às quintas-feiras, fez um apelo em suas redes sociais: “O exemplo tem que vir de cima”.

Têm sido reiteradas as vezes em que Bolsonaro vem tratando o coronavírus como “histeria” e afirmando que as medidas tomadas por muitos chefes de Executivos estaduais estão “superdimensionadas”. 

O governador de São Paulo, João Doria, determinou fechamento de shoppings, e o do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, tem solicitado até que as pessoas evitem ir às praias cariocas e recomenda restrições a funcionamento de bares e restaurantes. Ambos hoje são declaradamente inimigos políticos do presidente. 

Contudo, outros governadores como Mauro Carlesse (Tocantins), Antonio Denarium (Roraima), Marcos Rocha (Rondônia), Mauro Mendes (Mato Grosso), Carlos Moisés (Santa Catarina) e até Ronaldo Caiado (Goiás) e Ratinho Júnior (Paraná), adotaram discursos opostos ao do mandatário.

Caiado, por exemplo, subiu em um carro de som no domingo, no meio de uma manifestação em Goiânia, para pedir que as pessoas fossem para suas casas. Enquanto ele era vaiado, Bolsonaro, que rompeu um isolamento que lhe era estava imposto por protocolos do Ministério da Saúde, estendia a mão e trocava celulares para tirar fotos com eleitores.

Capital político: quanto ainda resta? 

Base aliada nunca foi o forte do governo Bolsonaro, porém, ele ainda contava com certo diálogo com os poderes, apesar dos pesares. No entanto, seus últimos passos têm desmontado as poucas vitórias conseguidas, não por ele, mas por seus ministros como interlocutores seus junto aos parlamentares, sobretudo, as lideranças. 

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), foi duro ao criticar a atitude de Bolsonaro e disse que sua postura de domingo foi um “atentado à saúde pública”. 

Nos últimos três dias, não foram poucas as vezes em que o mandatário mencionou o nome do deputado, sempre com indiretas. Ainda no domingo, em entrevista à CNN Brasil, desafiou-o a ir às ruas e encarar a população. Num gesto de bate e assopra, que também lhe é típico, disse que não agride o Legislativo, e conclamou a ele e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), a conversar. A reunião, marcada para esta quarta às 20h, não ocorreu, ou se deu incompleta.

Da parte de Maia e Alcolumbre sempre houve resistência em comparecer. Desde que Bolsonaro recuou em acordos com o Congresso sobre os vetos ao Orçamento, bateu-se o martelo sobre o que já se vinha conversando há tempos nos bastidores: “Não se pode confiar em nada que o presidente diz”. É a afirmação taxativa de líderes das duas Casas. 

Além disso, desconfiou-se que o horário da reunião seria uma espécie de “armadilha”, já que por volta daquela mesma hora estaria ocorrendo uma manifestação contra o mandatário com o panelaço conclamado nas redes sociais. Ficou combinado, então, 18h30. 

No fim das contas, Maia disse que estaria votando medidas de combate ao coronavírus no plenário da Câmara e não iria comparecer “apenas para tirar fotos”. Já Alcolumbre teve confirmada a suspeita de coronavírus no fim do dia. 

Coube a outro convidado para o encontro, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, a representação dos demais poderes. O magistrado tem sido uma voz “neutra” em momento de crise do Executivo com o Legislativo. Mas nem mesmo ele tem conseguido manter diálogo com Jair Bolsonaro nos últimos tempos. As portas estão fechando para o presidente. 

Panelaços contra Bolsonaro são registrados em São Paulo, Rio e Brasília.



Convocado para a noite desta terça-feira, 17, o panelaço contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi realizado em ao menos doze bairros da capital paulista: Bela Vista, Barra Funda, Campos Elíseos, Consolação, Higienópolis, Jardins, Perdizes, Pinheiros, Pompéia, Praça Roosevelt, Santa Cecília, Vila Madalena e Vila Romana. Também houve registros no Rio de Janeiro e em Brasília.

No domingo, o mandatário ignorou a orientação de ficar em isolamento até refazer testes para o coronavírus e participou de uma manifestação de seus apoiadores em Brasília contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF). Desde então, ele passou a ser criticado nas redes sociais, por políticos e médicos.

Autor do pedido de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff, o jurista Miguel Reale Junior defendeu nesta segunda-feira, em entrevista ao Estado, que Bolsonaro passe por um exame de sanidade mental. Coautora do pedido, a deputada estadual Janaína Paschoal (PSL-SP) afirmou que se arrependeu de ter votado no presidente e disse que ele deveria renunciar.

O ato estava marcado para 20h30, mas só começou em alguns bairros perto das 22h. Inicialmente, o panelaço havia sido convocado para a noite desta quarta-feira, 18. Nos bairro dos Jardins, em São Paulo, as panelas começaram a soar depois das 21h, quando os primeiros relatos de panelaços surgiram nas redes sociais. Ás 22h ainda era possível ouvir panelas isoladas e gritos de "Fora Bolsinaro" e "Fora miliciano". Não se escutava manifestações em defesa do presidente.

Esse tipo de ato permite que as pessoas possam se manifestar enquanto permanecem dentro de suas casas, recomendação das autoridades para tentar reduzir a disseminação do coronavírus. Em 2016, os panelaços se notabilizaram por demonstrar insatisfação contra a então presidente Dilma Rousseff, que sofreu impeachment.

Manifestações contra o presidente Bolsonaro também ocorreram na noite desta terça-feira no bairro de Laranjeiras, na zona sul do Rio, e na Asa Norte, bairro nobre de Brasília.

Um panelaço e gritos com palavras de ordem contra Bolsonaro ocorreram na noite desta terça-feira em vários bairros da zona sul do Rio de Janeiro, como Copacabana, Cosme Velho, Humaitá, Flamengo, Laranjeiras e Glória. Os protestos começaram por volta das 20h30 e às 22h20 ainda havia manifestações em alguns bairros.


Moradores protestam contra o governo de Jair Bolsonaro na Santa Cecília, região central de São Paulo

SP, Rio, Brasília e BH têm panelaços que pedem fora Bolsonaro.



Bairros de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife tiveram na noite desta 3ª feira (17.mar.2020) panelaços em protesto contra o presidente Jair Bolsonaro.

Na capital paulista, foram ouvidos gritos de “fora Bolsonaro” em áreas residenciais de bairros como Pinheiros, Sumaré, Pompeia, Lapa e Vila Madalena (zona oeste); Jardins, Bela Vista, Santa Cecília e Higienópolis (região central).

Também ouviu-se gritos contra o presidente da República em bairros da zona sul do Rio de Janeiro, tal como Copacabana, Gávea e Jardim Botânico; e na Asa Norte, em Brasília. Na capital mineira, houve protestos contra Bolsonaro na região central.

Marca do período pré-impeachment de Dilma Rousseff, iniciado em 2015 e concluído em 2016, os panelaços foram impulsionados na internet por movimentos sociais e representantes da oposição ao governo.

Os protestos estavam marcados para as 20h30 de 4ª feira (18.mar.2020), mas foram antecipados. As hashtags “Acabou Bolsonaro” e “Fora Bolsonaro” eram os assuntos mais comentados no Twitter às 22h45, com cerca de 40.000 menções.


Os apoiadores promoveram a hastag “Respeitem O Presidente” como forma de reação. O assunto foi mencionado em cerca de 37.ooo publicações no Twitter por volta das 23h.

A manifestação desta 3ªcomeçou durante exibição de uma reportagem no Jornal Nacional (TV Globo) sobre o coronavírus. Os gritos contra Bolsonaro são uma reação à atitude do presidente de comparecer a ato contra o Congresso e contra o Judiciário no domingo (15.mar.2020), contrariando recomendação de isolamento do próprio Ministério da Saúde. O presidente havia sido orientado a permanecer distante de contato social depois de ter sido testado para a covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

Nesta 3ª feira (17.mar.2020), a Câmara recebeu o 1º pedido de impeachment contra o presidente. O autor, o deputado distrital Leandro Grass (Rede-DF), citou entre seus argumentos pelo afastamento de Bolsonaro o fato de ele ter endossado manifestações de rua apesar de organizações de saúde terem recomendado que se evite aglomerações.

Além dos gritos, apitos e batidas de panelas, Bolsonaro também foi alvo de críticas e ataques nas redes sociais. Em vídeos que circulam pela web, é possível ver os manifestantes gritarem “fora Bolsonaro” e xingamentos ao presidente. 

Bairros de Brasília, BH, São Paulo e Rio têm panelaço contra Bolsonaro.



Grandes cidades brasileiras registraram panelaço contra o governo do presidente Jair Bolsonaro na noite desta terça-feira (17/3). Moradores de Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília se manifestaram das janelas de casa, gritando 'Fora, Bolsonaro'.  Os protestos ocorrem depois de Bolsonaro falar, mais de uma vez, em 'histeria' em relação ao novo coronavírus.

Em São Paulo, houve registro de manifestações na Pompeia, Vila Madalena, Perdizes, Vila Romana e Água Branca, na zona oeste, Vila Buarque, Bela Vista, República e Santa Cecília, no centro. Na zona sul, foram registrados panelaços no Morumbi. 

Na Pompeia, moradores de casas e prédios residenciais bateram panelas e gritavam "Fora, Bolsonaro" e "Ele, não". Alguns manifestantes também faziam as luzes piscar e outros, barulho com vuvuzelas. Na Vila Madalena e Higienópolis, muitos gritos de "Fora, Bolsonaro" foram relatados. No Rio, houve registro de protestos no Jardim Botânico e Laranjeiras. Em Brasília, na Asa Norte houve muitos gritos de protesto.


BRASILEIROS FAZEM PANELAÇO CONTRA BOLSONARO



Panelaço contra Jair Bolsonaro em mais de 10 cidades



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