terça-feira, março 24, 2020

POLÍTICA

“Não adianta eu falar ‘fiquem calmos'”, diz Bolsonaro sobre pandemia.



Na noite desta sexta 21, Jair Bolsonaro deu uma entrevista ao Programa do Ratinho, no SBT. Por quase meia hora, os dois adotaram um tom de conversa entre amigos estimulado pelo apresentador, conhecido apoiador do presidente.

Em meio ao coronavírus, Bolsonaro, já criticado por sua postura em relação à pandemia, voltou a citar “histeria“. “Não adianta eu falar ‘fiquem calmos’, ou ‘esperem uma guerra’. Primeiro porque eu estou me violentando. Eu não quero histeria porque isso atrapalha”, disse. “Tem certos chefes de estado por aí, até prefeitos, já falando em decretar interdição de aeroporto, fechando shoppings… É inadmissível isso”, disse, alfinetando os governos de São Paulo e Rio, comandado por seus adversários. “Pode ter um ser humano aguardando um fígado que viria lá de Fortaleza aqui para Brasília, e não vem mais. Vai morrer esse cara porque fecharam o aeroporto. Isso é uma histeria.”

Ao ser perguntado sobre a rixa com João Doria e Wilson Witzel, Bolsonaro afirmou que o primeiro se elegeu usando o nome dele e o segundo “colou” no seu filho durante a campanha. Ele afirmou que ambos viraram seus “inimigos” por estarem de olho na Presidência. “Uma dica pra quem quer ser reeleito: não fique obcecado esperando eleição.” Segundo ele, não é “atacando os outros” que se consegue votos.

Ainda sobre o vírus, Bolsonaro disse: “Vão morrer alguns. Sim, vão morrer (…) Mas não podemos deixar esse clima todo que está aí. Prejudica a economia”, reclamou. “A chuva está vindo aí, você vai se molhar, agora se você botar uma capinha aqui, tudo bem, passa, agora se você entrar em parafuso, você vai morrer afogado embaixo da chuva.”

Bolsonaro minimiza coronavírus novamente e critica fechamento de igrejas e templos.


"Não pode o prefeito ou o governador dizer que não vai mais ter culto, missa", disse Bolsonaro.

"Para dar satisfação para eleitorado, governadores tomam providências absurdas, fechando igrejas, o último refúgio das pessoas", disse, no programa do Ratinho.

O presidente Jair Bolsonaro voltou a minimizar uma das principais medidas de contenção do coronavírus: evitar aglomerações. Em entrevista concedida ao Programa do Ratinho, no SBT, na noite desta sexta-feira (20), o mandatário criticou governadores que estão suspendendo cultos e missas como forma de combate ao avanço do vírus. 

“Vejo no Brasil, para dar satisfação para eleitorado, governadores e até prefeitos que tomam providências absurdas, fechando shoppings e até igrejas, o último refúgio das pessoas. O pastor, o padre tem consciência das pessoas. Não pode o prefeito ou o governador dizer que não vai mais ter culto, missa”, disse o presidente. 

Bolsonaro estava fazendo uma referência indireta a um de seus maiores rivais políticos, João Doria, governador de São Paulo, que anunciou o fechamento de igrejas e templos religiosos pelos próximos 60 dias na quinta (19). 

Acontece que mesmo aliados do mandatário, como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, também tem se valido desta mesma providência para tentar barrar a disseminação do vírus. Além de Goiás, pelo menos em algumas cidades do Espírito Santo e no Distrito Federal também há determinação neste sentido. 

Tem sido uma constante do presidente a minimização do alcance do coronavírus, que já havia atingido quase mil pessoas no País e matado 11 até a noite desta sexta. Palavra comumente usada por ele para tratar de coronavírus, “histeria” foi utilizada três vezes nos 49 minutos em que ele conversou com o apresentador Ratinho. 

Bolsonaro tem defendido que limitar a circulação de pessoas e fechar locais vai atingir em cheio a economia e as pessoas que vivem na informalidade. Diz que, enquanto chefe de estado, tem obrigação de passar um tom de tranquilidade e evitar o pânico. 

“Vão morrer alguns com o vírus. Sim, vai acontecer. Lamento. Agora, não podemos criar esse clima todo que está ai. Prejudica a economia, a pessoa que vive na informalidade. (...) Vamos passar por isso. Você vai se molhar. Mas se entrar em parafuso, você vai morrer afogado debaixo da chuva”, afirmou.

Witzel diz que governo federal está a 'passos de tartaruga' e 'faz política' com coronavírus.


Governador tornou-se rival de Bolsonaro em meio às investigações do caso Flávio Bolsonaro. 

Em entrevista à GloboNews nesta sexta (20), governador do Rio respondeu às críticas de Bolsonaro; Para presidente, governadores têm tomado medidas 'extremadas'.

Criticado quase que diariamente pelo presidente Jair Bolsonaro, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, disse em entrevista à GloboNews nesta sexta-feira (20) que o governo federal tem “feito política” com a pandemia do coronavírus. 

“Eu peço, pelo amor de Deus. Não é hora de fazer política. É hora de falar na sobrevivência das pessoas. Se não fizermos dessa forma, vamos começar a contabilizar mortos, como infelizmente começamos a contabilizar. O governo federal precisa entender que os estados precisam de socorro e precisa fazer alguma coisa”, disse Witzel em resposta ao questionamento sobre ataques de Bolsonaro a um decreto que editou na quinta (19) restringindo o acesso ao Rio por via terrestre e aérea. 

Questionado se seu decreto não era uma forma de “fazer política”, Wilson Witzel negou e disse que o Rio chegou em um estágio “drástico de saúde coletiva”. “Foi para não haver responsabilização de seus agentes por omissão. Enquanto os estados estão desesperados e a mil por hora para conter o vírus, o governo federal está a passos de tartaruga. Fiz o decreto e dei ciência das medidas que serão realizadas. É preciso acabar com essas atitudes antidemocráticas e conversar com os governadores”. 

Nesta manhã, em frente ao Palácio da Alvorada, o presidente voltou a dizer que as medidas que vêm sendo adotadas por alguns governadores são “extremadas” e, como de costume, mencionou o Rio de Janeiro, sem citar o nome do governador. “Fechar aeroportos… Não compete a eles fechar aeroporto, rodovias, shopping, feiras, etc. O comércio para, o pessoal não tem o que comer. Em alguns casos o vírus mata sim, mas muitos mortos terão sem comida”, afirmou Bolsonaro. 

Na entrevista, Witzel lamentou ainda a falta de diálogo com o governo federal e mencionou uma carta enviada pelos chefes dos Executivos estaduais na quinta. “Ontem á tarde tentei contato com ministro da Infraestrutura [Tarcísio Gomes]. A secretária atendeu e disse que ele retornaria. Estou esperando retorno até agora. É muito difícil assim.”

Na carta enviada, os governadores fazem uma série de solicitações, entre elas, repasse de recursos e ampliação do prazo para pagar dívidas.

Witzel fez campanha para o mandatário ao lado do primogênito do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ), mas tornou-se um dos seus principais rivais à medida que começaram a avançar as investigações do Ministério Público do estado sobre o caso da “rachadinha” sobre o filho do presidente. A partir de então, Bolsonaro começou a acusar o ex-aliado de interferir no assunto. 

O coronavírus chegou ao Brasil no dia 25 de fevereiro e somente nesta segunda (16) o presidente Jair Bolsonaro determinou a instalação de um gabinete de crise interministerial, sob coordenação da Casa Civil, do general Walter Braga Netto. Ele repetiu várias vezes que havia uma “histeria” sobre o alastramento do coronavírus.

Esta manhã, o presidente voltou a afirmar que era inevitável que o Brasil passasse pelo surto de coronavírus. 

'No final de abril nosso sistema de saúde entra em colapso', alerta ministro da Saúde.



Luiz Henrique Mandetta disse que governo irá tentar evitar esse cenário.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, alertou, nesta sexta-feira (20), que até o final de abril o sistema de saúde brasileiro pode entrar em colapso provocado pela pandemia do novo coronavírus. A frase dita ao lado do presidente Jair Bolsonaro em uma videoconferência com empresários representa um agravamento no tom adotado até agora pelo integrante do primeiro escalão da Esplanada dos Minsitérios.

“Claramente, no final de abril nosso sistema de saúde entra em colapso. Colapso é quando você tem dinheiro, mas não tem onde entrar [nos hospitais]”, afirmou, Mandetta. O ministro disse que quer evitar esse cenário. “A gente está modelando para ver se trabalhamos com algumas interrupções, segurando o máximo dos idosos, que são quem leva ao colapso do sistema”, afirmou. 

A previsão do ministério é de um aumento rápido de casos em abril, maio e junho e uma queda da curva de infecção só em setembro, “desde que a gente construa a chamada imunidade em mais de 50% das pessoas”, segundo Mandetta.

Em coletiva à imprensa um pouco mais tarde, porém, modulou o tom. “Eu estava explicando para eles [empresários] o que é colapso no sistema. Tumulto, emergências superlotadas, isso existe em todo o mundo. Temos um sistema forte, com capilaridade nacional. Se não fizéssemos nada, não aumentássemos a nossa capacidade, esse sistema do jeito que está, ainda aguardaria 30 dias”.

Em seguida, destacou medidas que vêm sendo colocadas em prática pelo governo, como ativação de leitos de UTI e ainda reclamou: “Pinçar uma frase e dizer: essa é a manchete do dia... Podemos ter vários graus de problema e trabalhar com todos.”

Nesta sexta, o ministro também afirmou que o governo federal vai facilitar a liberação de R$ 10 bilhões aos planos de saúde para que as operadoras usem parte do dinheiro para comprar equipamentos e reforçar leitos. O objetivo é não sobrecarregar ainda mais o SUS (Sistema Único de Saúde).

Os recursos fazem parte do fundo garantidor do sistema, vinculado à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), e servem como uma garantia caso haja comprometimento nas atividades dos planos. Segundo Mandetta, 20% desse valor poderá ser usado em ações como construção de hospitais e compra de equipamento.

Há 621 casos confirmados e 6 mortes em todo o País, segundo balanço divulgado pelo ministério nesta quinta-feira (19). O número de infectados era de 428 na quarta-feira. Foi um aumento de 45% dos casos em apenas um dia. Os dados não incluem mortes e infecções nas últimas 24 horas. O total de óbitos já chega a 11.

De acordo com a pasta, o Brasil tem “transmissão sustentada” da doença em ao menos 6 estados: São Paulo, Pernambuco, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre. Quando se fala em transmissão comunitária, significa que não é mais possível saber a cadeia de transmissão do vírus.“À exceção da região Amazônica, todas as outras regiões têm aumentos sistemáticos [de casos da doença] em bloco”, disse o ministro da Saúde, nesta quinta.

Entre as medidas já adotadas pelo governo federal estão a ampliação do horário de funcionamento dos postos do programa Saúde na Hora, que ficam abertos até 22h; contratação de mais 5.811 médicos e distribui kits de testes nos estados.

Em São Paulo, cerca de 2 mil leitos hospitalares serão montados e adaptados no Estádio do Pacaembu e no Parque do Anhembi para atender possíveis demandas de atendimento devido ao surto de coronavírus.

Mesmo com a alta capacidade de disseminação do novo coronavírus, em cerca de 80% dos casos de contaminação, os sintomas aparecem de forma leve. Menos de 5% dos casos evoluem para um quadro grave. A principal preocupação é com idosos e pessoas com doenças crônicas. Em infectados com menos de 50 anos, a taxa de mortalidade é de menos de 1%.

Mandetta vive delicado equilíbrio entre discurso técnico e dizer o que agrada Bolsonaro.


Em coletiva de imprensa, Mandetta se refere a Bolsonaro como o “grande timoneiro desse barco”. 

Ministro da Saúde despertou ciúme no presidente por protagonismo, mas especialmente após aparecer ao lado de João Doria.

Médico de formação, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, vive hoje um delicado equilíbrio entre manter o discurso pragmático no momento de crise com a pandemia de coronavírus, e não desagradar o presidente Jair Bolsonaro, que já demonstrou internamente ciúme com o protagonismo que o subordinado assumiu nos últimos dias. 

O mal-estar vem desde a semana passada, quando Mandetta apareceu ao lado do governador de São Paulo, João Doria, opositor político de Bolsonaro, e se intensificou no fim de semana, quando o ministro falou a alguns órgãos de imprensa que a orientação sobre evitar aglomerações era “não” para todo mundo. 

Não à toa, na última quarta (18), quando se sentou ao lado do chefe na coletiva de imprensa no Palácio do Planalto e falou sobre o vírus, Mandetta adotou um tom mais político do que o tecnicismo que vinha imprimindo em suas falas nos pronunciamentos no Ministério da Saúde e chegou a dizer que o mandatário é o “grande timoneiro desse barco”. 

O primeiro escalado por Bolsonaro para falar na ocasião foi o presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antonio Barra Torres, e Mandetta foi deixado por último. Isso, por si só, já foi considerado por auxiliares um sinal do descontentamento do presidente com o ministro da Saúde. 

A fala de Mandetta foi recheada de gestos ao chefe, em que ele evitou mencionar diretamente a postura de Bolsonaro de três dias antes, quando o mandatário rompeu o isolamento e cumprimentou apoiadores que se manifestavam em frente ao Palácio do Planalto. 

O ministro afirmou inclusive que, “naquele domingo, a gente viu as praias do Rio lotadas, o Leblon lotado, São Paulo lotado”, destacando que as pessoas que compareceram aos protestos não foram as únicas a se reunirem, apesar das recomendações de evitar aglomerações. 

“Todo mundo começa a enxergar coletivamente. É típico de epidemias que as coisas se deem assim. É típico que, na sociedade como um todo, a gente vá gradativamente vendo a sinalização dos casos. O Brasil é um continente, não estamos falando de um País pequenininho”, disse o ministro. 

Minutos antes, Bolsonaro havia afirmado que não hesitaria em entrar em um “metrô lotado em São Paulo, numa barca em Niterói”. “Não se surpreenda se me vir entrando num metrô lotado, numa barca em Niterói. Longe de demagogia ou populismo, estou do lado do povo. (…) Tenho muito orgulho disso”, afirmou ao ser questionado se havia se arrependido de ter ido ao encontro de seus apoiadores do último domingo (15). 


Ministro foi o último a falar na coletiva de quarta-feira, no Palácio do Planalto, e fez várias deferências ao chefe. 

O Mandetta técnico

Embora se tenha visto na quarta um Mandetta tentando agradar o chefe, no dia seguinte, já se notou um ministro de volta às suas funções, na coletiva de imprensa remota, com perguntas feitas por um grupo de WhatsApp e transmitida pelas redes do ministério. Ele endossou mais uma vez, nesta quinta (19), a importância do isolamento, e destacou que o trabalho de sua equipe, como técnica e à frente da crise, é seguir trabalhando. 

“Se eu ficar doente, sairei em quarentena, trabalhando via web. Caso não possa trabalhar, tem três pessoas atrás de cada um de nós”, apontando para cada um de seus secretários.

Além disso, o ministro anunciou a intensificação de medidas de isolamento no caso da doença. Questões como essas vinham sendo minimizadas por Bolsonaro, para quem o coronavírus é “superdimensionado”. 

Interlocutores no Planalto acreditam que, embora Bolsonaro tenha afirmado que não há nenhum problema com o ministro, à medida que os elogios a Mandetta aumentam, o desgosto do chefe com ele também. Uma fonte palaciana destacou que esses dois quesitos “andam juntos”, quando se trata da personalidade do presidente. 

Foi neste contexto, inclusive, que se criou o comitê de crise interministerial, sob o comando da Casa Civil, do general Walter Braga Netto, na segunda (16). Até então, tudo sobre coronavírus estava nas mãos do Ministério da Saúde. 

Do outro lado, aliados do ministro defenderam que ele saísse do governo no domingo mesmo, assim que Bolsonaro cumprimentou e abraçou apoiadores, num claro desrespeito não apenas às orientações do Ministério da Saúde, de órgãos internacionais, mas do próprio Mandetta. 


O que fala Bolsonaro vs. Os números do coronavírus no Brasil



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Bolsonaro vs Coronavírus



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