sexta-feira, março 27, 2020

POLÍTICA

Bastidores: Pronunciamento de Bolsonaro foi feito com ajuda de Carlos e 'gabinete do ódio'.


O presidente Jair Bolsonaro em pronunciamento nesta terça-feira, 24

O pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro na noite desta terça-feira, 24, pegou de surpresa integrantes do Palácio do Planalto. O discurso, em que pediu ofim do “confinamento em massa” diante da escalada da pandemia do coronavírus, foi preparado no gabinete do presidente com a participação de poucas pessoas e em segredo. O vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), considerado o mais radical do clã, participou da elaboração do texto.

Também estavam presentes, segundo o Estado apurou, integrantes do “gabinete do ódio”, onde atuam assessores responsáveis pelas redes sociais pessoais do presidente e ligados a Carlos.

Até o final da tarde, poucos auxiliares sabiam que Bolsonaro preparava uma declaração em cadeia de rádio e televisão. A decisão de falar à nação foi tomada após as reuniões com os governadores do Sul e do Centro-Oeste. A gravação foi feita à tarde.

O presidente vinha sendo elogiado dentro do próprio governo por se abrir ao diálogo com os governadores e sinalizar uma mudança de postura sobre os efeitos da covid-19, que já matou 46 pessoas no país. O pronunciamento, no entanto, surpreendeu negativamente auxiliares do Planalto que viram um retrocesso na posição de Bolsonaro.

Na fala, o presidente defendeu a reabertura do comércio e das escolas. Segundo ele, a imprensa foi responsável por passar à população uma “sensação de pavor” e potencializou o “cenário de histeria.”


O presidente disse ainda que, caso contraísse o coronavírus, ele não sentiria nenhum efeito por ter "histórico de atleta". Bolsonaro viajou aos Estados Unidos com ao menos 23 pessoas que tiveram diagnóstico positivo para a doença. Há duas semanas, o Estado pede os resultados dos seus exames para covid-19, mas não obtém resposta.

Durante o pronunciamento, Bolsonaro foi alvo de panelaços em ao menos dez capitais. Após o discursos, as críticas ao presidente estiveram entre os assuntos mais comentados do Twitter.

O pronunciamento de Bolsonaro tem semelhanças com a narrativa adotada por seus filhos e apoiadores nas redes sociais. No discurso, há uma referência ao médico Dráuzio Varella, que passou a ser alvo dos bolsonaristas.

“No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho, como bem disse aquele conhecido médico daquela conhecida televisão”, disse Bolsonaro sem citar a TV Globo, onde Dráuzio apresenta quadros sobre saúde no “Fantástico.”

No final de semana, apoiadores do presidente, incluindo seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ), e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, postaram um vídeo gravado em janeiro pelo médico falando sobre o coronavírus. Na época, não havia casos de covid-19 no Brasil. As postagens foram apagadas do Twitter por violar regras da rede social.

O discurso também fez ataques à imprensa e voltou a citar a cloroquina, remédio que ainda não tem a eficácia contra a nova doença, a covid-19.

STF decide contra Bolsonaro e libera governadores a restringirem locomoção.



O ministro Marco Aurelio Mello, do Supremo Tribunal Federal, falou ainda sobre a importância da restrição da locomoção diante da pandemia da covid-10

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio Mello estabeleceu, em decisão liminar (provisória) proferida nesta 3ª feira (24.mar.2020), que governadores e prefeitos têm autonomia para determinar restrições à locomoção das pessoas em Estados e municípios. Eis a íntegra da decisão (190 KB).

A decisão atendeu parcialmente a uma ação movida pelo PDT que questionou a  Medida Provisória 926/2020, editada pelo presidente Jair Bolsonaro na última 6ª feira (20.mar.2020), que estabelece que somente as agências reguladoras federais poderiam editar restrições à locomoção.

A medida provisória ia contra as determinações que foram realizadas desde o início de março pelos governos do Rio de Janeiro, Paraná e Maranhão, que estabeleceram a suspensão do transporte interestadual de passageiros, por meio de decreto, para conter a propagação do novo coronavírus.

Na ação, o PDT argumentou que a medida seria inconstitucional pelo fato da Constituição Federal estabelece que saúde é atribuição comum da União, dos Estados e dos municípios. No entanto, o ministro considerou a MP constitucional.

Na decisão, Marco Aurélio afirmou que o texto da MP não impede Estados e prefeitura de atuar. “O que nela se contém – repita-se à exaustão – não afasta a competência concorrente, em termos de saúde, dos Estados e Municípios”, disse. “A disciplina decorrente da Medida Provisória nº 926/2020 não afasta a tomada de providências normativas e administrativas pelos Estados, Distrito Federal e Municípios.”

Segundo o ministro, apesar da autonomia dos governadores sobre o tema, as medidas também podem ser tomadas pelo governo federal. Marco Aurélio ainda reconheceu a importância das restrições de locomoção considerando que diante da pandemia do coronavírus deve-se “ter a visão voltada ao coletivo”.

“Vê-se que a medida provisória, ante quadro revelador de urgência e necessidade de disciplina, foi editada com a finalidade de mitigar-se a crise internacional que chegou ao Brasil, muito embora no território brasileiro ainda esteja, segundo alguns técnicos, embrionária. Há de ter-se a visão voltada ao coletivo, ou seja, à saúde pública, mostrando-se interessados todos os cidadãos”, afirmou.

FHC diz que “é melhor o fim de Bolsonaro do que do povo” com coronavírus.



O ex-presidenteFernando Henrique Cardoso (PSDB) criticou o pronunciamento de Jair Bolsonaro (sem partido) sobre o novo coronavírus feito na noite desta terça-feira (24). Por meio do Twitter, ele pediu que o atual líder do país se cale e pare de repetir “opiniões desastradas”.

“Eu não ia voltar ao tema, mas o presidente repetiu opiniões desastradas sobre a pandemia. O momento é grave, não cabe politizar, mas opor-se aos infectologistas passa dos limites. Se não calar, estará preparando o fim. E é melhor o dele que de todo o povo. Melhor é que se emende e cale”, escreveu FHC em seu perfil do Twitter.

Na segunda-feira (23), Fernando Henrique já havia feito comentários sobre a pandemia de covid-19 e qual deveria ser a postura dos líderes do Brasil.

“Não basta pensar na economia, tem de pensar nas pessoas também. Eu sei que é difícil. Não cobro por aquilo que eu sei que o preço é muito alto. Não cobro de ninguém, mas acho que é o momento para nós todos entendermos que temos de dar as mãos uns aos outros”, afirmou FHC.

Para o ex-presidente, neste momento é preciso pensar em primeiro lugar nos mais vulneráveis, que são as pessoas mais velhas e com baixa renda. “Quando são velhos e pobres e quando são só pobres, a dificuldade é maior. Mas não é só, muita gente precisa de emprego e de alguma maneira manter a economia funcionando, até que ponto?”, declarou.

FHC afirmou ainda que, muitas vezes, aquilo que provoca indignação tem uma razão de ser. “Não digo isso como quem queira absolver os erros daqueles que comandam. Há muitos erros, eu sei, não é o momento. O momento agora é de nós vermos o imediato, e o imediato é ficar em casa, tratar de ver se é possível, aqueles que puderem, trabalhar mesmo que seja de casa. Se não for de casa, continuar trabalhando e ter bom senso, saber que as coisas mudam e passam”, disse.

Caiado rompe com Bolsonaro após pronunciamento: “Ignorância não é virtude”.



 Ronaldo Caiado (DEM), governador de Goiás, fez duras críticas à forma como o presidente Jair Bolsonaro tem administrado a crise do coronavírus

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), ampliou o isolamento político do presidente Jair Bolsonaro em meio ao combate à pandemia do coronavírus. Médico de formação, Caiado rompeu com o agora ex-aliado e demonstrou indignação com o pronunciamento que o presidente convocou na noite de terça-feira, 24, para atacar a imprensa e as medidas restritivas adotadas pelos gestores estaduais.

Caiado afirmou que Bolsonaro foi “irresponsável” e criticou duramente os termos “gripezinha” e “resfriadinho”, usados pelo presidente para classificar os sintomas do coronavírus. A doença já matou 46 pessoas no Brasil e mais de 19.000 em todo o mundo.

“Tanto na política como na vida, a ignorância não é uma virtude”, disse Caiado, em entrevista coletiva no Palácio das Esmeraldas. A frase usada pelo governador faz referência a uma fala de 2016 do ex-presidente americano Barack Obama contra o populismo manifestado pelo então candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump. Bolsonaro copia o estilo de governar do atual mandatário dos EUA e emula diversos posicionamentos de Trump na crise, como críticas ao isolamento social e o consequente prejuízo econômico que o combate ao vírus causará.


Eliane Cantanhêde comenta discurso de Jair Bolsonaro


Pronunciamento de Bolsonaro foi elaborado com ajuda de Carlos Bolsonaro e do Gabinete do ódio.


Quanto o 'gabinete do ódio' pode comprometer a família Bolsonaro?


BOLSONARO É ALVO DE PANELAÇOS DURANTE PRONUNCIAMENTO SOBRE O CORONAVÍRUS


Nenhum comentário:

Postar um comentário