terça-feira, abril 14, 2020

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CE: Médica contrária ao isolamento social morre vítima do coronavírus.



A médica Lúcia Dantas Abrantes, de 66 anos, morreu na tarde da última sexta-feira, 10, vítima do novo coronavírus, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Iguatu, no Ceará. A profissional de saúde já havia se manifestado contra às medidas de isolamento social.

A médica, que participou de uma carreata contra o isolamento social em Fortaleza, começou a apresentar sintomas da covid-19 ao retornar para a cidade que morava, Iguatu. Lúcia fez o exame para a doença e testou positivo, ela chegou a ficar internada por dez dias em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), e na semana passada seu estado de saúde agravou. Ela acabou não resistindo à infecção no pulmão.

Em suas redes sociais, a médica chegou a dizer que: “Existem vírus muito mais potentes e que matam muito mais (H1N1 por exemplo) e ninguém está nem aí para eles. Por que será?”. Após sua morte, todas as publicações relacionadas ao coronavírus foram apagadas.

A médica Lúcia Abrantes trabalhava na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Sítio Gadelha, na zona rural de Iguatu. A profissional também dava plantões no Hospital Municipal de Quixelô e no Hospital Regional de Iguatu. “Era uma profissional dedicada, sempre alegre e espontânea”, descreveu o secretário de Saúde de Iguatu, Georgy Xavier.

O prefeito de Iguatu Ednaldo Lavor, decretou luto oficial e divulgou nota de pesar pelo falecimento da médica. “Sempre foi uma profissional atenciosa e dedicada, cumpridora com entusiasmo de seus serviços. Apresentamos o nosso pesar à família e lamentamos mais essa morte por Covid-19”.



A líderes religiosos, Bolsonaro diz que coronavírus 'está começando a ir embora'.



BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro disse neste domingo, 12, durante uma celebração de Páscoa com líderes religiosos, que o novo coronavírus "está começando a ir embora". De acordo com o Ministério da Saúde, porém, a situação mais crítica, ao menos em São Paulo e no Rio de Janeiro, deve ser vivenciada apenas no final de abril e no início de maio.

"Tenho dito desde o começo, há 40 dias. Temos dois problemas pela frente, o vírus e o desemprego. Quarenta dias depois, parece que está começando a ir embora a questão do vírus, mas está chegando e batendo forte o desemprego", afirmou o presidente, ao final da celebração, realizada por videoconferência.

Até este domingo, 1.223 pessoas perderam a vida no Brasil por conta da covid-19. Ao todo, são 22.169 casos confirmados até o momento. "Devemos lutar contra essas duas coisas (o vírus e o desemprego). Obviamente, sempre lutamos crendo, acreditando em Deus acima de tudo. Vamos vencer esses obstáculos. Não serão fáceis, mas chegaremos lá", completou o presidente.

Procurado pela reportagem, o Ministério da Saúde não comentou as declarações de Bolsonaro.

Ao encerrar a celebração, Bolsonaro lembrou o atentado que sofreu em 2018, durante a campanha eleitoral. Definiu o episódio como um milagre que o permitiu vivenciar um outro, a vitória na eleição presidencial.

O presidente participou da celebração de Páscoa com os religiosos do Palácio da Alvorada. Prestigiaram a videoconferência 21 representantes da Igreja Católica, de igrejas evangélicas e da comunidade judaica, além da empresária e escritora Íris Abravanel, que foi a mediadora da conferência. Ela é casada com o apresentador de TV Silvio Santos.

Orações. Nas duas horas e 20 minutos de transmissão, os religiosos fizeram orações contra a pandemia e pela recuperação da economia nacional.

"Quanto a esse coronavírus, que está atacando, oramos agora em nome de Jesus Cristo. E nós amarramos esse principado, essa potestade maligna... que está infectando o povo do mundo todo. E daqui damos a benção e dizemos: demônio, você está amarrado em nome do senhor Jesus!", disse o missionário RR Soares, da Igreja Internacional da Graça.

O rabino Leib Rojtenberg, da Beit Chabad de Brasília, por sua vez, afirmou que o momento exige que as pessoas abram mão de ir às ruas, uma posição que contraria o tom de discurso adotado por Bolsonaro. A recomendação para que as pessoas fiquem em casa é a principal estratégia da maior parte dos especialistas para que a velocidade de contágio seja reduzida.

"A mão de Deus conseguiu entrar e colocar todos nós na mesma situação, dentro de casa. Claro que toda mudança é para o bem. Devemos receber essa lição com bons olhos, celebrarmos a liberdade. E liberdade não é só sair na rua, coisa que devemos nos abster nesses dias. Mas sim de expressão, harmonia, compaixão, solidariedade. Individualidades devem ser deixadas de lado", disse.

O presidente Bolsonaro tem deixado de lado a orientação de isolamento. Na sexta-feira e no sábado, ele foi ao encontro de apoiadores, que se aglomeraram para cumprimentá-lo.

Também convidado para a celebração, o padre católico Reginaldo Manzotti pediu orações para que a classe política se una no combate à pandemia. "Rezemos pelo nosso presidente, pelos governadores, pelos prefeitos. Rezemos para que a classe política se una com discernimento e sabedoria", disse.

Em meio ao avanço da doença no Brasil, Bolsonaro e governadores têm rivalizado sobre o grau de isolamento social necessário para conter o novo coronavírus e sobre o uso da cloroquina para tratar pessoas infectadas. A divergência resultou até no rompimento do presidente com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), um de seus principais aliados.

Por outro lado, o pastor Silas Malafaia criticou o que chamou de "profetas do caos". "Lógico, toda morte é uma tragédia. Não estamos aqui fazendo jogos de números, de morte. Mas a verdade é que há um espírito de pânico e medo colocado na população por interesses escusos e interesses políticos", declarou.

Ao abrir a celebração, o presidente, sem mencionar a crise, afirmou que o país precisa saber o que está acontecendo, mas sem pânico. "Cada vez mais precisamos da verdade. O país precisa ser informado do que realmente está acontecendo. Não através do panico, mas através de mensagens de paz, de conforto. Cada um se preparar para a realidade", frisou.

Presente. Antes de se reunir com os líderes religiosos, o presidente recebeu uma imagem de Santa Paulina, a primeira religiosa brasileira canonizada pela Igreja Católica. O presente foi dado pelo deputado Rogério Peninha Mendonça (MDB-SC), natural de Nova Trento, cidade catarinense que tem a santa como padroeira.

"Ele está bem preocupado com a situação do desemprego", disse o parlamentar à reportagem após a visita./COLABOROU DANIEL WETERMAN

Coronavírus: durante quarentena, manifestantes fazem buzinaço em São Paulo.



Após o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), prorrogar a quarentena no estado até o dia 22 de abril, apoiadores do presidenteJair Bolsonaro (sem partido), foram às ruas da capital paulista — de carro — neste sábado, 11, para protestar contra as medidas de isolamento social tomadas pela administração estadual como forma de combate à pandemia do coronavírus.

O protesto foi convocado pelo WhatsApp e começou em frente ao Ginásio do Ibirapuera, local que irá abrigar o terceiro hospital de campanha da capital paulista e seguiu até a Avenida Paulista. 

Em determinado momento, a manifestação chegou a bloquear a passagens de ambulâncias pela via.  Diversos registros foram feitos pelas redes sociais.

O estado de São Paulo concentra o maior número de casos e óbitos da Covid-19 no país. Segundo dados do Ministério da Saúde, foram reportados 8.419 mortes e 560 mortes. O país tem, ao todo, 20.727 casos e 1.124 óbitos. 

Segundo o governo do Estado, cerca de 57% da população do estado está respeitando medidas de isolamento social. A medição é feita por georreferenciamento mediante a sinal de celular. Porém, o número está abaixo do percentual considerado ideal pela administração, de 70%. Na última sexta-feira, Doria afirmou que, caso os paulistas não passem a respeitar mais o distanciamento social, o governo estadual e a prefeitura de São Paulo vão endurecer medidas, com a aplicação de multas e até mesmo prisão.

Questionada sobre a manifestação que tomou diversas vias da cidade, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) afirmou que a Polícia Militar acompanhou o ato e que não houve incidentes. “ A instituição orienta o público sobre  as recomendações estabelecidas no Decreto nº 64.881, para que a circulação de pessoas se limite ao exercício de atividades essenciais, como de alimentação e de saúde”, disse a pasta em nota.

Silas Malafaia diz ser ‘vergonha’ decisão de desembargador sobre cultos.



A Justiça do Rio de Janeiro determinou que o pastor Silas Malafaia não realize cultos em suas igrejas, a Assembleia de Deus Vitória em Cristo. A decisão do desembargador Agostinho Teixeira ocorreu na última quinta-feira, 9. O magistrado acolheu um pedido do Ministério Público estadual e estabeleceu uma multa de R$ 10 mil em caso de descumprimento. Em entrevista exclusiva a VEJA, Malafaia afirma ser “absurda” e uma “vergonha” a proibição. O religioso alega que, desde 19 de março, não abre mais as portas dos templos aos fiéis para evitar aglomeração em meio à pandemia de coronavírus.

“É (uma decisão) absurda. Ninguém pode ser processado duas vezes”, ressaltou Silas Malafaia. “É uma vergonha. O processo foi redistribuído. O desembargador não teve nem o trabalho de ver que já havia uma decisão”, completou o pastor, lembrando que o seu advogado só conseguiu acesso à decisão na tarde desta sexta-feira.

Malafaia refere-se ao pedido inicial do Ministério Público à Justiça fluminense para o fechamento das igrejas dele. O juiz de plantão Marcello de Sá Baptista negou a suspensão dos cultos, como mostrou VEJA em 20 de março. O MP, então, recorreu. Segundo a justificativa de Baptista, o governo do estado, à época, não tinha “determinado a interrupção” e o Legislativo “não criou uma lei neste sentido”. No mês passado, no entanto, o governador Wilson Witzel publicou decreto suspendendo eventos e atividades com a presença de público.

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Mesmo com a decisão do juiz  Marcello de Sá Baptista, Silas Malafaia anunciou, em vídeo divulgado em uma rede social, que faria os cultos pela internet, mas manteria os templos abertos. Antes da polêmica, o pastor estava realizando cultos mesmo com os casos de Covid-19. No estado do Rio, a Assembleia de Deus Vitória em Cristo conta com 70 templos. Só na sede principal, na Penha, Zona Norte, a capacidade é para 6.580 fiéis.

A nova decisão do desembargador Agostinho Teixeira diz: “Penso que, nesse estado de crise, sem precedentes, as igrejas também devam suspender as suas atividades presenciais, resguardando assim a saúde e o direito fundamental à vida”. Ele cita ainda decreto do presidente Jair Bolsonaro que inclui igrejas como serviços essenciais. Mas destaca ter levado em consideração a manifestação do Supremo Tribunal Federal (STF), que reconheceu a competência dos governos estaduais em adotar medidas restritivas.

‘Bolsonaro assassino’: ruas em São Paulo amanhecem com pixações.


As manifestações de vandalismo foram vistas em 3 pontos da capital paulista

Algumas ruas da cidade de São Paulo amanheceram nesta 6ª feira (10.abr.2020) com pixações contra o presidente da República, Jair Bolsonaro. A mensagem “Bolsonaro assassino” foi vista em pelo menos 3 pontos da marginal Pinheiros.

Os autores do vandalismo ainda foram identificados. As imagens foram reproduzidas nas redes sociais. Eis os protestos:


Críticas ao governo

Opositores do presidente Jair Bolsonaro vem criticando fortemente a maneira com que o governo federal vem lidando com a pandemia da covid-19. O mandatário já se manifestou de maneira contrária a algumas medidas de isolamento social, adotada por diversos países e replicadas na maioria dos Estados do Brasil, incluindo São Paulo, sob o comando do governador João Doria (PSDB).

Bolsonaro tem sido alvo de panelaços frequentes nas maiores cidades do país. Os protestos costumam ser realizados quando o presidente vai a TV fazer pronunciamentos sobre o surto do coronavírus no Brasil.

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