segunda-feira, abril 13, 2020

NOTICIAS DO MUNDO GAY


Pessoas trans ficam em limbo jurídico por medidas de isolamento na América Latina.


Medidas de quarentena pelo coronavírus que dividem homens e mulheres em locais públicos na América Latina colocam pessoas transexuais em um limbo jurídico, disseram grupos de direitos humanos na quinta-feira, citando o caso de uma mulher trans no Panamá multada por sair em um dia reservado para mulheres.

Panamá e Peru promulgaram regras nesta semana ordenando que homens e mulheres só podem sair de casa em dias separados.

O Panamá anunciou o bloqueio por gênero e o presidente do Peru, Martín Vizcarra, anunciou restrições semelhantes, em meio a medidas cada vez mais rigorosas de quarentena para retardar a disseminação do coronavírus.

Vizcarra disse que o decreto tornaria mais fácil para as forças de segurança monitorar a movimentação das pessoas e reforçar a quarentena.

As medidas "levantam bandeiras vermelhas... para pessoas trans, que são vistas pela sociedade como não se enquadrando necessariamente nas categorias tradicionais de homens e mulheres", disse Cristian González Cabrera, pesquisador de direitos LGBT na Human Rights Watch (HRW).

"Apenas dizer que os homens podem sair neste dia e as mulheres naquele dia simplesmente não é suficiente para amenizar seus medos de assédio e discriminação", disse ele à Thomson Reuters Foundation.

O decreto peruano proibiu "qualquer tipo de discriminação" na aplicação da regra, mas as pessoas trans enfrentam preconceitos e obstáculos legais nos dois países.

No Panamá, transexuais só podem mudar legalmente sua identidade de gênero se forem submetidas a cirurgia.

"Estou preocupada com o nível de abuso e vulnerabilidade que homens e mulheres trans estão passando no momento", disse Venus Tejada, uma mulher trans e ativista de direitos no Panamá.

"Voltamos ao tempo de Adão e Eva, onde havia apenas homem e mulher e não havia absolutamente mais nada."

Tejada disse que ao menos quatro pessoas trans foram perseguidas e interrogadas pelo público ou pela polícia no Panamá.

Entre eles, estava Barbara Delgado, uma mulher trans que alegou ter sido detida durante três horas pela polícia e multada em 50 dólares por estar fora na quarta-feira, um dia designado para mulheres.

"Eu me senti péssima", disse Delgado à Fundação. "Eu me senti totalmente quebrada emocionalmente, psicologicamente."

Agora, segundo ela, tem medo de sair.

Delgado também estava na rua fora do horário permitido pelo número do seu cartão de identificação, mas disse que tinha uma carta de autorização de um centro médico onde se voluntaria.

Um porta-voz do Ministério da Saúde do Panamá não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Transexual é queimada viva por grupo de homens na Indonésia.



Uma mulher trans, de 43 anos, foi queimada viva no último domingo (5), na cidade de Jakarta, na Indonésia. Conforme informações da NBC News, cerca de seis homens foram acusados de cometerem o crime.

As primeiras informações dão conta que a moça foi acusada de roubo e, logo em seguida, foi perseguida por um grande grupo de pessoas. Ao alcança-la, a vítima foi coberta por gasolina.

Nesta quarta-feira (8), a polícia de Jakarta conseguiu identificar e prender um dos seis dos suspeitos de cometerem o crime. No entanto, nenhum vai responder pelo homicídio, já que relataram que não havia intenção de matar a mulher.

Vale destacar que a Indonésia ainda é um dos países mais perigosos para ser uma pessoa LGBT. No último ano o Governo do país chegou a proibir que pessoas trans e gays de trabalhar.

“Metade dos leitos de SP para coronavírus foram ocupados em uma semana”, diz secretário.



Edson Aparecido afirma ainda que, mesmo com a instalação de novos leitos, "dados mostram que tudo será ocupado rapidamente”

O secretário da Saúde do município de São Paulo, Edson Aparecido, revelou que 45% dos leitos reservados pela prefeitura da capital paulista para os casos de coronavírus já foram ocupados. Para ele, apesar das novas instalações de leitos, “tudo será ocupado muito rapidamente”.

“Para você ter uma ideia, a gente conseguiu preparar 1662 leitos de baixa e média complexidade para a covid. E (serão) mais de 470 leitos até 14 de abril. Metade do que a gente preparou já está ocupado, 45% ocupado, em uma semana”, contou ao jornal Estado de S.Paulo nesta sexta-feira (10).

“Mesmo com tudo que a gente vai instalar ainda de leitos, os dados mostram que tudo será ocupado muito rapidamente”, acrescentou. “Pelos dados dessa semana, a gente vai ocupar seguramente em um curto espaço de tempo”.

O secretário também expressou preocupação com relação às periferias, onde a doença está de disseminando muito rapidamente. “Está indo em uma velocidade muito grande, maior neste momento na periferia do que no resto da cidade”, explicou.

O estado de São Paulo é o epicentro da doença no país, com 8.216 casos confirmados e 51% das mortes registradas no país, totalizando 540 até esta sexta-feira.

Mesmo com estoques baixos, Ministério da Saúde mantém proibição de doação de sangue por gays.



Mesmo com o grande número de hemocentros pelo país com baixa nos estoques de sangue devido à pandemia de coronavírus, o Ministério da Saúde informou à BBC News Brasil que vai manter as restrições atuais à doação de sangue por gays.

“O Ministério da Saúde informa que as regras estabelecidas na Portaria de Consolidação GM/MS n° 5, de 28/09/2016, que substitui a portaria n° 158/2016, visam, sobretudo, a segurança transfusional, permanecendo inalteradas”, diz a nota enviada à BBC News Brasil. Conforme as normas do Ministério da Saúde, desde 2016, homens que tiveram relações sexuais com outros homens nos 12 meses anteriores à doação não podem doar. Ainda devido a essa norma, o grupo também não pode doar plasma para pacientes infectados com a Covid-19, um novo tipo de tratamento testado.

No entanto, em alguns países, foi iniciado um movimento para flexibilizar as regras após registrarem uma queda acentuada nos estoques de sangue por causa das medidas de isolamento social decretadas para combater o coronavírus. Um dos países a mudar as normas foi os Estados Unidos, onde o veto sempre dividiu opiniões.

Em uma decisão urgente e inédita, o FDA (Food and Drugs Administration, a Anvisa americana) reduziu de 12 para três meses o período em que homens que tiveram relações sexuais com outros homens são considerados inaptos à doação de sangue. “Manter um suprimento adequado de sangue é vital para a saúde pública. Doadores de sangue ajudam pacientes de todas as idades – vítimas de acidentes e queimaduras, pacientes submetidos a cirurgias cardíacas e transplantes de órgãos e aqueles que lutam contra o câncer e outras condições com risco de vida”, afirmou o FDA em seu site.

Pesquisa da vacina contra o HIV é adiada por causa da Covid-19.



Que consigamos parar estes vírus!

O estudo MOSAICO, iniciativa público-privada entre instituições americanas, começaria a testar a vacina contra o HIV no Brasil, porém, teve que ser adiado por causa da pandemia do Sars-CoV-2, o novo coronavírus.

2020 tem sido um ano completamente diferente para todo o mundo por causa da pandemia pela qual estamos passando. Chefes de estado e opinião pública dividem opiniões sobre a quarentena, enquanto de um lado o número de vítimas da Covid-19 aumenta e, do outro, a economia mundial é diariamente afetada.

Porém, o impacto da pandemia nas pesquisas clínicas e no desenvolvimento científico é enorme e tem sido pouco discutido. Por exemplo, recentemente foi anunciada a interrupção da pesquisa que testava uma nova vacina experimental para proteção contra a infecção por HIV.

O estudo MOSAICO, também conhecido como HVTN 706, pretendia incluir 3.800 participantes na Argentina, Brasil, Espanha, Estados Unidos, Itália, México, Peru e Polônia, para receberem a nova vacina. A decisão de parar o estudo foi tomada pois praticamente todos os país participantes do estudo estão sendo severamente afetados pela expansão do Sars-CoV-2, o novo coronavírus.

O MOSAICO é um esforço conjunto público-privado envolvendo os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos EUA, a Rede de Ensaios de Vacinas contra o HIV com sede no Centro de Pesquisa do Câncer Fred Hutchinson, Comando de Desenvolvimento e Pesquisa Médica do Exército dos EUA e Janssen (parte da Johnson & Johnson).

Aqui no Brasil, as inclusões estavam programadas para começar no próximo mês de maio, nas cidades de Belo Horizonte, Curitiba, Manaus, Nova Iguaçu, Rio de Janeiro e São Paulo. Devido à pandemia, ainda não há uma nova data prevista para o início da pesquisa, mas acredita-se que dentro de um mês os coordenadores da pesquisa anunciem uma nova data.

A interrupção de um estudo de vacina contra HIV como este é mais um dos grandes prejuízos para a humanidade causados pela pandemia da Covid-19, pois tudo o que se sabe no mundo da ciência moderna é construído por meio de estudos e pesquisas clínicas,inclusive, alguma podem durar décadas para que sejam finalizadas.

Todos os medicamentos utilizados para tratamento de doenças e vacinas para prevenção contra infecções, precisaram primeiro passar por um longo e rigoroso processo de pesquisa clínica antes de serem prescritos por médicos aos seus pacientes. De um ‘simples’ analgésico a medicamentos utilizados no combate ao câncer.

Este rigoroso protocolo de pesquisa científica existe não só para garantir a segurança daqueles que vão receber a medicação ou a dose da vacina, mas também para que se saiba com certeza se o seu uso trará o efeito desejado.

Um processo como esse pode durar anos, pois, geralmente, ele começa avaliando os efeitos do produto experimental na bancada de um laboratório, numa placa de vidro. Nem sempre o que funciona bem num tubo de ensaio irá repetir sua eficácia na vida real.

As pesquisas científicas que vêm sendo desenvolvidas em torno do HIV, desde a década de 1980, são exemplos perfeitos da complexidade desses processos. Muitos medicamentos e vacinas experimentais para o tratamento e prevenção do HIV falharam em algum ponto do protocolo adotado para estas pesquisas e, por isso, foram abandonados.

Certos medicamentos não tiveram a eficácia esperada nos seres humanos, outros por causarem mais mal do que bem aos seus usuários. Mas a perseverança dos pesquisadores e o rigor científico na condução dos seus estudos são responsáveis hoje pelo vasto arsenal disponível de medicamentos antirretrovirais seguros e eficazes para o tratamento contra o HIV.

Uma vacina capaz de prevenir o HIV, segura e eficaz, também faz muita falta e agora irá demorar ainda mais tempo para se tornar realidade. É preciso entender que pesquisas na área da saúde são assim mesmo. Saber priorizar as decisões que devem ser tomadas é tão importante quanto fazer o diagnóstico ou tratamento correto de uma doença.

É inadmissível que, por pressa ou por falta de uma verdade consolidada, etapas do processo sejam puladas e nem abandonar o rigor científico, senão essas decisões simplesmente podem não trazer os resultados desejados.

Quando temos muitas perguntas importantes sem respostas, é necessário ter atenção, para que se obtenham respostas 100% eficazes, mesmo que negativas. Só a ciência poderá, no seu tempo, determinar quais são os melhores medicamentos e vacinas para cada doença.

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