terça-feira, abril 14, 2020

POLÍTICA

Em reunião reservada, Alcolumbre diz que o governo Bolsonaro ‘acabou’.



Nos últimos dias, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tem coordenado uma série de reuniões políticas para discutir os rumos do governo e a atuação do presidente Jair Bolsonaro diante da pandemia do novo coronavírus. Foram rodadas de conversas com líderes partidários, ministros de tribunais e com a cúpula do Senado para debater a postura do Palácio do Planalto e a falta de articulação política e sustentação partidária de bolsonaristas no Congresso. Conforme relato de interlocutores a VEJA, apesar do protagonismo de Maia, coube ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), verbalizar a avaliação mais dura sobre o governo Bolsonaro. Em um desses encontros, na residência oficial da presidência da Câmara dos Deputados, Alcolumbre disse que “o governo acabou”. “A diferença é saber se ele chega a 2022”, disse ele, segundo autoridades presentes na reunião.

Por ora não há movimentos concretos para o andamento de um processo de impeachment contra o presidente – a popularidade de presidente ainda está na casa dos 30%, embora 51% dos brasileiros, conforme recente pesquisa Datafolha, acreditam que Bolsonaro mais atrapalha que ajuda no enfrentamento à Covid-19. Ainda assim, a avaliação da cúpula do Congresso e de parlamentares influentes é a de que o governo terá de recolher escombros nos próximos anos, sem perspectiva concreta de tocar reformas estruturantes ou projetos de segurança pública, duas das principais vitrines de Jair Bolsonaro. Para um futuro governo, congressistas começaram a discutir, sob reserva, a hipótese de semipresidencialismo.

“Governo de traíras”: Plano de Terra e Onyx contra Mandetta repercute no Congresso.


Bolsonaro, Osmar Terra e Onyx Lorenzon

Parlamentares criticaram a fritura promovida pelo ministro e pelo ex-ministro que está de olho no cargo de Mandetta

A revelação por parte da CNN Brasil de um diálogo entre o ex-ministro da Cidadania, Osmar Terra, e o atual chefe da pasta, Onyx Lorenzoni, sobre o ministro da Saúde, Henrique Mandetta, ganhou holofotes no Congresso Nacional nesta quinta-feira (9). Os dois aparecem “fritando” Mandetta.

“Em um vazamento de áudio, o líder do Governo na Câmara, louco para assumir o Ministério da Saúde, e o ministro da Cidadania, do mesmo partido de Mandetta, fritam descaradamente o colega. A ordem é cortar a cabeça dele. Vergonha de um governo de traíras!”, criticou o senador Humberto Costa (PT-PE).

O deputado federal André Figueiredo (PDT-CE), líder do PDT na Câmara, avaliou o caso como “enforcados querendo mais um na forca”. “A CNN Brasil divulga diálogo entre Onyx Lorenzoni , que já foi rifado da Casa Civil e Osmar Terra rifado do Ministerio para onde Onyx foi , conspirando contra o Ministro Mandetta”, tuitou.

Na conversa, Onyx afirma que Mandetta “não tem compromisso com nada que o Bolsonaro está fazendo” e que deveria ter demitido o ministro. Terra, cotado para ocupar a pasta em caso de demissão de Mandetta, afirmou que o ministro deveria “se adaptar ao discurso do Bolsonaro” e que ele “se acha”.

“Segue a molecagem oficial do Planalto. Molecagem essa também feita às custas do dinheiro público, às custas de impostos e tarifas pagas pelo cidadão e pela cidadã brasileira. Pirralhos na presidência”, disse a deputada federal Margarida Salomão (PT-MG).

'Gera um ruído péssimo', diz líder do DEM sobre Onyx apoiar saída de Mandetta.



"Gera um ruído péssimo, já que todos tínhamos nos mobilizado para dar suporte ao Mandetta na crise da pandemia", diz Efraim Filho.

O vazamento de uma conversa em que o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, apoia a saída do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, do governo, causou mal estar no DEM, partido ao qual os dois são filiados. O presidente Jair Bolsonaro ameaça há semanas demitir o titular da Saúde em meio à pandemia do novo coronavírus.

De acordo com a CNN, Lorenzoni, e o deputado federal Osmar Terra conversaram na manhã desta quinta-feira (9) sobre a substituição de Mandetta. “Ele (Mandetta) não tem compromisso com nada que o Bolsonaro está fazendo”, disse o democrata, de acordo com a emissora de TV.

No diálogo com um dos cotados para a pasta da Saúde, Onyx também defende que Bolsonaro tivesse demitido Mandetta no início da semana e criticou o discurso feito pelo correligionário na última segunda-feira (6), o “dia do fico” do ortopedista.

Conquistar a simpatia de Onyx foi fundamental para Mandetta ser chamado para o governo, em 2018.

Em nota, o líder do DEM na Câmara dos Deputados, Efraim Filho (DEM-PB), afirmou que a conversa abala o partido. ″É um episódio que impacta na bancada do Democratas. Gera um ruído péssimo, já que todos tínhamos nos mobilizado para dar suporte ao Mandetta na crise da Pandemia. E assim continuaremos. Se trata um diálogo pessoal que não nos cabe avaliar a conduta de cada um. A bancada vai olhar pra frente e focar no trabalho para salvar vidas e empregos”, disse.


"Gera um ruído péssimo, já que todos tínhamos nos mobilizado para dar suporte ao Mandetta na crise da pandemia", diz Efraim Filho.

Nesta quarta-feira (8), o presidente falou pela primeira vez após o vaivém na demissão do ministro da Saúde. Em entrevista à Band, disse que está tudo acertado entre os dois. “Até em casa, a gente tem problema muitas vezes com a esposa, com o esposo, né? É comum acontecer no momento em que todo mundo está estressado de tanto trabalho, eu estou, ele está. Mas foi tudo acertado, sem problema nenhum, segue a vida”, disse.

No domingo (5), o presidente havia indiretamente ameaçado o ministro de demissão. Ele afirmou que “algumas pessoas” do governo “viraram estrelas e falam pelos cotovelos”, acrescentou ainda que não teme “usar a caneta contra eles”. Dias antes, na quinta (2), Bolsonaro havia afirmado que Mandetta deveria ter “mais humildade” e que nenhum de seus ministros é “indemissível”.

A expectativa na segunda era da demissão de Mandetta — o que quase aconteceu. Bolsonaro, porém, cedeu a pressão política e o ministro ficou. Apenas nesta quarta os dois conversaram sozinhos a portas fechadas.

Após o encontro, o ministro da Saúde baixou o tom contra o presidente. Afirmou que Bolsonaro entende que há situações complexas para o uso da cloroquina. A prescrição do medicamento é um dos pontos de tensão entre os dois.

Em entrevista coletiva, ao falar sobre o uso da cloroquina no combate ao coronavírus, Mandetta disse: “Quem comanda esse time é o presidente Bolsonaro”. O ministro falou claramente que os problemas entre ele e o presidente foram públicos, mas minimizou a crise.

Na segunda, quando anunciou que permaneceria no ministério, Mandetta disse esperar ter paz para continuar a trabalhar com ciência e técnica. “Vamos fazer pela ciência. Não vamos perder o foco. Ciência, disciplina, planejamento, foco. Esses barulhos que vêm ao lado, esquece”, disse.

Bolsonaro é escrachado de novo em Brasília ao ir numa farmácia.


Outra saidinha anterior de Bolsonaro a uma padaria também rendeu vaias e xingamentos.

O presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido-RJ) já não consegue andar mais nas ruas sem ser vaiado pela população. Ao sair para ir a uma farmácia, nesta sexta-feira (10), em Brasília, o presidente foi escrachado mais uma vez.

Nesta quinta-feira, outra saidinha de Bolsonaro também rendeu vaias e xingamentos. Bolsonaro visitou uma padaria em Brasília.

Muitos gritos de “Fora”, “Vai pra casa”, panelaços, vaias e xingamentos puderam ser ouvidos durante o passeio do presidente. O ex-capitão voltou a furar o isolamento para “testar sua popularidade”.

Eduardo Bolsonaro usa desembargador de Santos para atacar Doria: “Estamos numa ditadura”.



Em vídeo, o desembargador Ivan Sartori diz que o isolamento social é pior do que a ditadura militar de 1964 e que cabe a Bolsonaro decidir as políticas contra o coronavírus

“Nossa liberdade de ir e vir já não existe. Manifestação de pensamento… Já vem logo um jornaleco a serviço do prefeito desqualificar as pessoas que são contra o entendimento dele, como já aconteceu aqui em Santos”, afirma o desembargador.

Em seguida, Sartori diz que o isolamento social é pior do que a ditadura militar de 1964. “Pessoas já não podem caminhar no calçadão, na praia, idosos são abordados caminhando pelas ruas, as vezes de forma truculenta. Gente, nosso pânico tá permitindo que esses oportunistas implantem controle social, implantem uma ditadura como nunca se viu, nem antes no regime militar”, continua.

Joice Hasselmann critica Carla Zambelli: “Quando a burrice é medida em anos-luz…”



Zambelli tentou atacar o "médico de Lula" Miguel Srougi, que fez críticas a Bolsonaro em uma entrevista, com um boletim médico do ex-presidente assinado por Roberto Kalil Filho.

A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) foi às redes sociais na noite desta quinta-feira (9) para criticar a deputada bolsonarista Carla Zambelli, do mesmo partido, por ter tentado atacar o urologista Miguel Srougi com argumentos inválidos.

Zambelli respondeu no Twitter a uma reportagem do UOL em que Srougi diz que o presidente Jair Bolsonaro “se sensibilizou com o apelo de grandes empresas e menosprezou vidas” na pandemia do coronavírus.

“O médico do Lula? Ah, tá. Dane-se o que esse petista disse”, respondeu Carla. A deputada então tentou atacar o urologista com um boletim médico do Hospital Sírio-Libanês sobre Lula. O documento, no entanto, estava assinado por Srougi e Roberto Kalil Filho, o mesmo médico que Bolsonaro citou como exemplo na prescrição da cloroquina a seus pacientes.

No Twitter, Joice aproveitou a confusão da deputada para atacá-la. “Quando a burrice é medida a ANOS-LUZ…”, escreveu. As duas deputadas eram aliadas no PSL, mas passaram a discutir depois que Bolsonaro saiu do partido.




O Grande Debate: A conversa entre Onyx e Terra sobre o ministro Mandetta




Em reunião com Maia, Alcolumbre diz que governo Bolsonaro "acabou".




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