sexta-feira, abril 17, 2020

POLÍTICA

Doria diz que Brasil enfrenta ‘Bolsonarovírus’ e defende isolamento social.


O governador eleito de São Paulo, João Doria, durante encontro com o presidente eleito Jair Bolsonaro, no CCBB, em Brasília. 

O impacto da pandemia do coronavírus no Brasil fecha portas, esvazia ruas, enche os corredores dos hospitais e, na política, transformou antigos aliados de campanha em acirrados adversários.

Em entrevista à agência Associated Press (AP), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse que, além do novo coronavírus, o Brasil tem como obstáculo o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), por sua postura contra o isolamento social.

Doria classificou o comportamento do mandatário como  incorreto e irresponsável. “Estamos lutando contra o coronavírus e contra o Bolsonarovírus.”

Isolamento social: “Temos que enfrentar o presidente”

Diante do desafio de garantir o isolamento social na capital paulista e região metropolitana, João Doria defendeu, novamente, a recomendação como principal meio de defesa ao vírus. Em novo ataque a Bolsonaro, associou o relaxamento da quarentena à postura negacionista do presidente.

Segundo medição feita com base no rastreio de celular, a taxa de adesão ao distanciamento chegou a 50% nos últimos dias. Embora a meta seja 70%. “Apesar das instruções negativas que as pessoas recebem do presidente, metade da população (de São Paulo) respeita a quarentena. A resposta da população tem sido boa. Poderia ter sido melhor se não tivéssemos que usar ciência e medicina quase todos os dias para enfrentar suposições”, disse.

Alvo de protestos que exigem a retomada da atividade econômica no estado, Doria lamentou que a postura de Bolsoaro ganhe apoio de grupos contrários ao isolamento. “Temos que enfrentar o presidente e proteger a população. Ouvir e ver pessoas educadas, que estudaram fora do Brasil, defendendo o que está errado e o que é extremo, me entristece. O confronto não é comigo. … É um confronto com a ciência e a medicina de todo o mundo.”

“Ministro da Comunicação”, Carlos Bolsonaro proibiu pai de falar com jornalistas na saída do Palácio da Alvorada.



Outra estratégia do filho do presidente em meio à crise do coronavírus foi intensificar o vínculo de Bolsonaro ao público evangélico

Desde o afastamento do chefe da Secom, Fabio Wajngarten, após contaminação por coronavírus, o vereador Carlos Bolsonaro tem desempenhado o papel de “ministro da comunicação” de Jair Bolsonaro, segundo auxiliares no Planalto. Carlos, que já era visto pelo presidente como um bom estrategista na comunicação, proibiu o pai de falar com a imprensa na porta do Palácio da Alvorada, situação que já se arrasta por duas semanas.

Desde então, Bolsonaro reduziu as declarações na Alvorada e passou fazer pronunciamentos em rede nacional, além visitar pessoalmente locais como farmácias, supermercados e pontos de comércio popular em meio à pandemia do coronavírus.

Outra estratégia do filho do presidente em meio à crise do covid-19 foi intensificar o vínculo de Bolsonaro ao público cristão. Há duas semanas, é constante a presença cada vez mais numerosa de evangélicos e católicos na portaria da Alvorada.

De acordo com reportagem do UOL, a presença do vereador em Brasília foi um pedido do próprio Bolsonaro. Na visão dele, o desempenho do filho nas mídias sociais em defesa do governo ou atacando adversários é um fator importante para manutenção da popularidade do ex-capitão com seu núcleo de apoio.

Câmara dá 30 dias para Bolsonaro apresentar exames pra covid-19.



A Mesa Diretora da Câmara deu prazo de 30 dias para que o presidente Jair Bolsonaro apresente à Casa resultado dos seus exames para covid-19. O requerimento de informações havia sido apresentado pelo deputado Rogério Correia (PT-MG). O Palácio do Planalto ainda não comentou a decisão da Câmara.

Bolsonaro fez os exames para detectar o novo coronavírus em 12 e 17 de março, após voltar de missão oficial nos Estados Unidos. Nas duas ocasiões, o presidente informou, via redes sociais, que os testes deram negativo para a doença, mas não exibiu cópia do resultado. Questionado pelo Estado, disse que a lei garante o sigilo das informações.

O requerimento para que informe a Câmara sobre os resultados foi encaminhado ao ministro Jorge Antônio de Oliveira Francisco, chefe da Secretaria-Geral da Presidência. Caso não responda ou omita informações, tanto o ministro como o presidente poderão incorrer em crime de responsabilidade. Isso porque a lei obriga autoridades do Executivo a prestarem informações solicitadas pela Câmara ou Senado.

Na semana passada, a Presidência da República classificou a documentação dos exames de Bolsonaro como “sigilosos”, se negando a divulgar os resultados por meio de pedidos de informações feitos via Lei de Acesso à Informação.

“Por ser presidente da República, e principalmente por ter nos últimos dias mantido contatos frequentes com aglomerações populares, Bolsonaro precisa informar à população brasileira se tem ou não o novo coronavírus”, afirma o deputado Rogério Correia, que completou: “Essa informação não é de cunho pessoal, mas deve ser de domínio público, pela importância do cargo”.

Ao menos 24 pessoas que acompanharam Bolsonaro na viagem aos Estados Unidos foram diagnosticadas posteriormente com a doença. Entre eles, auxiliares próximos, como o secretário de Comunicação, Fabio Wajngarten, e o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno.

No fim do mês passado, o presidente disse que poderia fazer um novo teste para saber se contraiu o vírus. "Fiz dois testes, talvez faça mais um até, talvez, porque sou uma pessoa que tem contato com muita gente. Recebo orientação médica”, disse ele ao deixar o Palácio da Alvorada no dia 20 de março.

O presidente tem contrariado recomendações do Ministério da Saúde com alguma frequência. No sábado, ao participar da inauguração de um hospital de campanha em Águas Lindas, em Goiás, foi ao encontro de apoiadores que se aglomeravam próximo ao local.

Bolsonaro compartilha vídeo que pede fim do isolamento e traz críticas a Mandetta e Doria.


'Imprensa, vocês estão aqui trabalhando.Tem que ficar em casa, pô. Quarentena, pô', disse o presidente

O presidente Jair Bolsonaro compartilhou nesta quarta-feira, nas redes sociais, vídeo com ataques a medidas de isolamento social adotadas no combate à pandemia da covid-19.

Bolsonaro destacou o título do vídeo "Os sócios da paralisia", publicado originalmente pelo jornalista Guilherme Fiuza, em que é apresentada uma série de críticas ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

No vídeo, Fiuza cita um "show mórbido" e destaca que não existem "mapas" comprovando o efeito mitigador do distanciamento social na prevenção ao novo coronavírus.

"Você está em casa assistindo o governador de São Paulo assumir a paternidade da cloroquina, o ministro da Saúde explicar que traficante também é gente, jornais estrangeiros publicar fotos de covas abertas para dizer que o Brasil não tem mais onde enterrar seus mortos, entre outras referências intrigantes e estridentes sobre o assunto. Se você está paralisado e catatônico é porque já sabe que isso é um show mórbido", afirma Fiuza no início do vídeo.

A referência a Mandetta é uma declaração do ministro, na semana passada, de que para proteger a população que vive em favelas dominadas por criminosas será preciso dialogar. “Como se entra no morro em guerra para retirar uma senhora com sintomas? Saúde não é polícia”, disse Mandetta ao Estado na semana passada.

No vídeo compartilhado por Bolsonaro, o jornalista cita ainda os impactos econômicos do isolamento, com o fechamento de pequenas empresas e previsão de queda 4% no Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil.

As recomendações de isolamento são o principal impasse entre Bolsonaro e Mandetta, que está com o cargo ameaçado desde a semana passada. O ministro já avisou a equipe que deve ser demitido. O presidente defende a retomada da atividades econômicas acompanhada de um isolamento seletivo, voltado apenas para grupos de risco.

MANDETTA: "TROCA NO MINISTÉRIO DEVE SER HOJE OU AMANHÃ"



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