terça-feira, maio 12, 2020

HOMOSSEXUALIDADE

Fui traído. Devo dar uma segunda chance?



Você planejou uma vida inteira com ele.

Encarou de frente a sua sexualidade, enfrentou família, sociedade, os vizinhos homofóbicos. Saiu da rotina de solteiro, assumiu novas responsabilidades.

Encerrou de vez a conta nos aplicativos, tirou o santo Antônio do castigo na geladeira e mergulhou de cabeça nessa relação.

Sonhou com a compra da primeira casa juntos. Com o casamento. Com viagens incríveis ao redor do mundo. E até com a possibilidade de adotar uma criança.

Eis que, num belo dia, chega a bomba:

Você descobre que aquele homão da porra acaba de te meter um belo par de cornos, contrariando todos os seus planos…

Tá aí um assunto delicado:

Traição.

O que fazer depois de descobrir uma? Como agir? Vale a pena dar uma segunda chance?

É sobre isso que falaremos neste artigo.

Mas, afinal, o que é traição?

Antes de mais nada, é preciso esclarecer conceitos.

Traição, resumidamente, é o rompimento de um acordo.

Isso quer dizer que, simplesmente, envolve a quebra de algo que foi combinado entre as partes envolvidas. E traição não precisa ser, necessariamente, sexual: ela pode ser financeira, moral e assim por diante.

Vale salientar que, o que para uma pessoa pode ser um indício de chifre, para outra pode ser uma bobagem.

Tem gente que considera que olhadas mais frequentes já entram para a lista da deslealdade. Outros afirmam que, se o fato não foi consumado, então não há pulada de cerca, mesmo já tendo rolado flertes, conversinhas, olhadas e até approach direto.

Há quem não se importe se o parceiro ou parceira beije outra pessoa. Há quem não se ligue se tiver sexo, desde que não haja afeto.

Enfim, a linha que define a traição não é muito clara. Vai variar conforme a pessoa, a época, o país…

Por isso o diálogo é tão importante, para que os dois tenham plena consciência do que podem ou não fazer.

Pode adicionar desconhecidos nas redes sociais? Pode admirar e elogiar alguém atraente? Pode flertar? Pode fazer sexo virtual?

São muitas as variantes, e todas devem ser discutidas.

Mas, independente dos critérios, uma coisa podemos considerar fato:

Existe um sentimento de traição, com o qual é bastante difícil de se lidar.

Quando você percebe que a pessoa com quem construiu uma relação cruza essa barreira, o peito aperta, a boca seca, o coração fica em pedações e mil memórias vêm à cabeça.

Você sente que perdeu tempo. Que foi enganado. Que viveu algo que nunca existiu.

Sente raiva. Tristeza. Saudade. Culpa.

Tudo num mesmo combo dos infernos, que só sabe explicar quem já passou por essa situação.

A culpa NÃO é sua!

E por falar nesses sentimentos, a culpa geralmente é um dos primeiros que tiram o sono de quem foi traído.

Mas eu posso afirmar:

Ela NÃO é sua!

Eu sei que agora você pode estar pensando que não foi bom o bastante para o seu parceiro. Que não é atraente o bastante, que não se dedicou o suficiente ao companheiro e por aí vai.

E isso tudo pode ser verdade, sim. Você pode ter pisado na bola com ele, sim.

Mesmo assim, nenhuma das suas cagadas te torna culpado por uma decisão que ELE tomou.

Veja bem:

Por mais insuficiente que talvez você tenha sido, foi uma escolha do seu boy procurar outra pessoa.

Afinal, ele tinha outras opções:

Ele poderia ter tentado o diálogo. Poderia ter exposto todas as suas insatisfações para você. E, claro, poderia ter terminado o relacionamento, sem a necessidade de te enganar.

Mas ele PREFERIU trair.

Portanto, não se vitimize por decisão que não foi sua.

A vingança não vai mudar o que aconteceu

Esclarecido isso, também sou obrigada a te falar que nenhuma vingança vai curar as suas dores emocionais e apagar as cicatrizes do que aconteceu.

Aliás, tá aí um dos desejos mais traiçoeiros que existem. 

Sabe por quê?

Porque, no momento que você se vinga, você se coloca no mesmo nível de quem te fez mal.

Ver o outro sofrendo pode até trazer um prazer momentâneo, mas não se engane:

Isso não coloca uma pedra no fato. Muito pelo contrário, pode até tornar a história mais forte e presente dentro de você.

Expor a infidelidade aos amigos, colocar vídeos íntimos na internet, partir pra violência física, retribuir na mesma moeda… Nenhuma dessas atitudes é louvável e algumas são, inclusive, crime, passível de processo.

Se você  tiver que voltar só para fazer o seu parceiro sofrer pela traição, pela vingança, então você estará prejudicando não só a ele, como também a si mesmo.

Desista agora mesmo dessa ideia. Ok?

Vale a pena dar uma segunda chance?

Agora, sim, vem a pergunta do milhão: vale a pena dar uma segunda chance?

E, rufem os tambores, a resposta é…

Depende.

Exatamente.

Eu seria muito radical se afirmasse que uma segunda chance nunca funciona.

Existem casos e casos.

É perfeitamente possível que a relação saia melhor de uma situação assim, com mais honestidade entre o casal. Principalmente se essa experiência for usada como impulso para o crescimento e amadurecimento dos dois.

Assim como, em outros relacionamentos, a quebra de confiança é uma ruptura que não consegue se reestabelecer jamais.

Existem situações e situações. Existem pessoas e pessoas.

Desculpa, mas não posso te dar respostas prontas do que você deve ou não fazer.

Porque a vida é sua. E só você sabe dizer o que é melhor para ela.

Inclusive, o melhor que você tem a fazer neste momento é se afastar da opinião das outras pessoas, respirar fundo, e pensar sozinho.

Apenas você pode fazer um balanço verdadeiro do que tem de bom e ruim no seu relacionamento.  

O que eu posso, sim, é te fazer refletir com boas perguntas.

E a primeira delas é:

Então, aí vão elas:

Por que você perdoaria? É carência ou é amor?
Faz sentido continuar essa relação?
Os motivos que levaram a essa traição foram resolvidos? As pessoas mudaram? A situação mudou?
Você consegue imaginar um futuro legal ao lado dele?
Você nota sinceridade e arrependimento nos olhos dele?
Você está REALMENTE disposto a perdoar?
Seu coração é capaz de deixar a mágoa de lado e aceitá-lo braços abertos, ou sempre vai ter uma ferida doendo lá no fundo?
Você conseguirá ser feliz ao seu lado de novo?
E não menos importante:

Estamos falando da segunda chance MEEESMO?

Você já deve ter escutado por aí que errar é humano. Mas repetir o erro é burrice.

Perdoou uma vez? Legal.

Precisou perdoar de novo? Ow-ow!

É melhor ficar com os dois pés e as duas mãos bem atrás.

Você está disposto a zerar o passado?

Seja como for, você precisa estar realmente estar disposto a perdoar, caso contrário melhor nem tentar.

Por isso eu insisto:

Você acha que consegue lidar com o peso da traição? Acha que consegue manter um relacionamento saudável sabendo da infidelidade dele?

Se você sente que o ama e ele demonstra sério desejo de mudar, perdoe!

Mas esteja ciente de que será preciso passar uma borracha (de verdade) no que aconteceu e começar uma vida nova.

Agora, se você acha que não conseguirá conviver com essa desconfiança, sempre achando que ele vai aprontar de novo, então parta para outra.

Eu tô falando muito sério.

Se for para perdoar pra ficar perturbado o tempo inteiro, pra ficar em níveis de ansiedade absurdos e dormir toda noite chorando, acabe de uma vez, ok?

Um comentário:

  1. Assunto polêmico, este em ??
    Vai dar muito pano pra manga...
    Mas, "traição" é sempre uma traição.
    Neste "caso" não existe ...cada caso é um caso.
    Existem sim vários fatores...o que o levaram a trair.
    Mas antes, colocassem as cartas na mesa.
    Uma boa conversa, as vezes ajuda.
    Mas, isto já é um outro assunto.
    Caso, acontecesse comigo, eu "não"
    daria uma segunda chance.
    Jamais!!!.
    Porque??
    Por que dor de barriga não dá uma vez só.
    Por tanto, toda a vez que o bofe, mijar fora do penico, eu me sentiria na obrigação de perdoar.
    E se tem uma coisa que eu não tenho
    vocação, é para chifrudo.
    Se não daqui a pouco, meu chifre não passaria mais nem no arco da ponte.
    Ele, que seja feliz, vai procurar seu caminho, bem longe de mim.
    Cada um no seu quadrado...
    Beijinho no ombro pra ele.
    A fila anda.
    Por mais que doa, tentaria tocar minha vida em frente.
    Sozinho!!!
    Antes só, do que mal acompanhado.

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