quinta-feira, maio 07, 2020

NOTÍCIAS DO MUNDO GAY

Bento XVI compara casamento gay a “anticristo” em nova biografia.



O papa emérito Bento XVI, conhecido por declarações anti-LGBT, afirma em nova biografia que opositores desejam calar sua voz e compara o casamento homoafetivo ao “anticristo”. A biografia autorizada foi publicada nesta segunda-feira (4) na Alemanha.

O alemão Joseph Ratzinger, 93 anos, alega ser vítima de uma “distorção maligna da realidade” na biografia chamada “Bento XVI – Uma Vida” que inclui várias entrevistas com trechos publicados pela imprensa alemã e pela agência de notícias DPA.

O Papa Bento XVI tem posicionamento muito diferente de seu sucessor Papa Francisco, que sempre se posicionou positivamente às lutas de populações LGBTQIA+ por igualdade e respeito.

Segundo o portal Estado de Minas, Bento XVI se viu envolvido em uma polêmica quando seu secretário particular foi afastado após publicação de um livro assinado pelo papa emérito e o cardeal ultraconservador Robert Sarah, no qual defendiam o celibato dos padres, um tema muito polêmico na Igreja.

Na biografia publicada nesta segunda-feira, Bento XVI reitera a oposição ao casamento gay, afirmando que vê neste a obra do “anticristo”, uma força maléfica que busca substituir Jesus Cristo.

“Há um século seria considerado absurdo falar sobre casamento homossexual. Hoje, quem se opõe a ele é excomungado da sociedade. Acontece a mesma coisa com o aborto e a criação de vida humana em laboratório”, completa.

“A sociedade moderna está formulando um credo ao anticristo que supõe a excomunhão da sociedade quando alguém se opõe”, insistiu Bento XVI. De acordo com o papa emérito, “a verdadeira ameaça para a Igreja é a ditadura mundial de ideologias que se pretendem humanistas”.

Papa Francisco tem ajudado grupo de travestis com doações de dinheiro e cestas básicas em Roma.



Impossibilitadas de trabalhar desde que as estradas foram fechadas, um grupo de profissionais do sexo transexuais buscaram auxílio e receberam resposta do próprio Papa. Dom Andrea Conocchia, pároco de Torvaianica, em Roma, confirmou ao jornal italiano Il Messaggero.

“Obviamente, eu ajudei, entendi que elas estavam mal e não fiz muitas perguntas”, disse o pároco, que ajudou com cestas básicas durante o isolamento social. A história se espalhou e o grupo aumentou para cerca de 10 travestis e transexuais. Foi, então, que Dom Andrea decidiu falar com Vaticano. “Como eram quase todos brasileiras, colombianas e argentinas, sugeri que enviassem uma mensagem ao Papa. Elas escreveram e eu entreguei ao cardeal Krajewski, que conheço há algum tempo. Obviamente, avisei-o dizendo que eram pequenas cartas protocolares, em espanhol, assinadas com pequenos corações”, disse ele ao jornal italiano.

Dias depois, Francico respondeu dizendo que ficou sensibilizado com a situação. Além da carta, o papa enviou uma ajuda financeira do departamento da Curia Romana voltado a ações beneficentes. Através de Krajewski, a pequena comunidade trans enviou um áudio em espanhol agradecendo a Francisco: “Muito obrigado ao Papa Francisco. Deus te abençoe, obrigado por tudo. Mil bênçãos. Que a Virgem te proteja.”

Demitida por ser lésbica, policial vence ex-chefe homofóbico em eleições para cargo de xerife.



Uma mulher abertamente lésbica venceu a corrida contra seu oponente – e ex-chefe – em uma eleição para decidir o candidato democrata que concorrerá ao cargo xerife do condado de Hamilton, em novembro. Charmaine McGuffey, de 62 anos, derrotou o atual xerife, Jim Neil, de 61 anos, e agora enfrentará o republicano Bruce Hoffbauer nas eleições gerais.

Na impressionante vitória contra o duas vezes titular, McGuffey recebeu aproximadamente 70% dos votos. “Estou absolutamente emocionada”, disse ela em entrevista à emissora de televisão local WCPO. “O que fez a diferença é a mensagem que tenho. A mensagem de que sou um líder forte, a mensagem de que adoto a reforma da justiça criminal”. O Partido Democrata do condado endossou McGuffey sobre Neil, que enfureceu muitos democratas depois de participar de um comício político de Donald Trump, em 2016. “No final, [os eleitores] perceberam que meus valores são muito diferentes dos valores de Jim Neil”, disse ela. “Meus valores estão muito bem alinhados com os valores democratas”.

A policial trabalhou no condado de Hamilton por mais de três décadas. Em 2017, McGuffey acabou sendo demitida por Neil, alegando que a policial criou um ambiente de trabalho hostil, uma justificativa que ela discorda categoricamente. Mais tarde, a policial processou seu ex-chefe, afirmando que ela foi demitida por ser lésbica e por levantar preocupações sobre o uso da força e do assédio a mulheres policiais e detentas.

Mulher trans põe fogo no próprio corpo em protesto à saúde pública durante epidemia.



Em protesto contra o tratamento da saúde pública em relação à população trans durante a pandemia do novo coronavírus, mulher trans põe fogo no próprio corpo.

Madona Kiparoidze atendeu fogo em si mesma, em frente à prefeitura de Tbilisi, capital da Geórgia, na ultima quinta-feira, 30/04. De acordo com o site ‘Planet Transgender’, ela foi perseguida pela polícia, que removeu suas roupas em chamas e depois a prendeu.

Depois de detida, ela gritou: “sou uma mulher trans e estou me incendiando porque o governo da Geórgia não se importa comigo”. Logo após ser detida, Madona foi levada ao hospital e não corre risco de vida, apesar das queimaduras.

O governo da Geórgia só legitima uma pessoa trans após ter passado por cirurgia de redesignação de gênero, que costumam ser muito caras e, muitas vezes, desnecessárias para algumas pessoas trans. Isso faz com que grande parte da população trans tenha muita dificuldade em encontrar um emprego, além da discriminação de uma forma geral.

Tamaz Sozashvili, cofundador do ‘Tbilisi Pride’, escreveu em seu perfil no Twitter: “Hoje, uma mulher trans tentou cometer suicídio em frente à prefeitura de Tbilisi para protestar contra a imobilidade e a ignorância do governo da Geórgia em relação às pessoas trans durante a crise da COVID-19”.

Homens gays do Marrocos têm perfis em aplicativos de paquera expostos durante confinamento.



No Marrocos, homens gays que têm perfis em aplicativos de paquera tiveram suas fotos vazadas na internet nas últimas semanas, de acordo com grupos ativistas do país. Há uma campanha para revelar homens árabes LGBTQI+ no país, que levanta preocupações sobre a vulnerabilidade de quem usa os apps. É importante ressaltar que no Marrocos, a homossexualidade é ilegal.

Segundo o grupo ativista Nassawiyat, alguns homens foram enganados e enviaram imagens íntimas para pessoas que fingiam ser parceiros em potencial.Essas fotos então foram divulgadas na internet. “Esses homens estão sendo chantageados. Com o confinamento do coronavírus, muitos deles não têm para onde ir”, disse um porta-voz da organização à agência Reuters. Os desenvolvedores dos aplicativos estão sendo pressionados a proteger a identidade de usuários em países como a Arábia Saudita, onde sexo gay é punível até mesmo com pena de morte.



A modelo marroquina, Sofia Taloni, começou com a campanha e pediu para que seus seguidores baixassem aplicativos de paquera para localizar homens gays. “Esses aplicativos vão mostrar as pessoas próximas a você. Ele pode te mostrar seu marido no seu quarto, pode te mostrar seu filho no banheiro”, afirma. A conta da modelo nas redes sociais foi suspensa.

Um porta-voz do Facebook afirmou que “nós desabilitamos contas de pessoas do Instagram e do Facebook e tomamos outros passos para remover conteúdo como esse”. Outro aplicativo, o Hornet, usou moderadores da comunidade para sinalizar perfis e algoritmos maliciosos para garantir a autenticidade de seus usuários. Já o Grindr, um dos aplicativos mais famosos, permite que os países de alto risco, como o Marrocos, tenham alguns dispositivos que impedem que se faça imagem da tela e apagam automaticamente segundo após serem compartilhados com terceiros.

“Ao sabermos dos relatórios preocupantes no Marrocos, respondemos rapidamente com mensagens de aviso no dialeto marroquino de árabe e francês para informar nossos usuários a tomarem cuidado extra neste momento”, disse um porta-voz do aplicativo.

Cientistas desenvolvem injeção anual experimental no tratamento do HIV.



Cientistas desenvolvem injeção experimental para o tratamento de HIV nos EUA. A novidade do teste é que a injeção deverá ser aplicada apenas uma vez ao ano, segundo informações da revista especializada Nature Materials.

O primeiro medicamento antirretroviral com duração de um ano ainda está em fase de testes, mas os pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Nebraska (CMUN) diz que o tratamento tem grande potencial no tratamento e adesão do paciente.

A equipe liderada por Benson Edagwa e Howard Gendelman pretende eliminar os problemas que a medicação diária traz como, por exemplo, esquecimento de dose, permitindo o escape viral e, consequente falha terapêutica.

O medicamento também pode ser essencial na luta contra a transmissão do HIV, visto que uma pessoa que vive com HIV e está em tratamento antirretroviral eficaz, sua carga viral é indetectável, portanto intransmissível, mesmo através do ato sexual sem preservativo.

“Este desenvolvimento farmacêutico tem o potencial de não apenas tratar, mas também prevenir a transmissão viral. Isso certamente pode ser um marco terapêutico”, disse Howard Gendelman.

A nova apresentação é testada com o antirretroviral Cabotegravir (CAB), que já é estudado no tratamento de PrEP de longa duração, no formato de uma injeção bimensal, em diferentes países, incluindo o Brasil.

Segundo a publicação, a equipe de pesquisa da CMUN conseguiu converter quimicamente o CAB em ‘nano cristais’, permitindo assim que ele seja liberado lentamente no organismo.

Hospital é condenado a pagar R$ 10 mil a transexual identificada como homem.



O Hospital Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre foi condenado pela 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul a pagar R$ 10 mil a título de danos morais a uma paciente transgênero.

Segundo informações do Conjur, a acusante embora tenha registro de nascimento com nome masculino, apresenta-se socialmente como mulher, possuindo identidade com nome social feminino.

No dia da consulta médica, quando chamada pela atendente do médico pelo nome civil, disse que se sentiu humilhada e discriminada, pois seu nome social não constava no prontuário médica, apenas refletia o registro civil.

Alvo de risos e deboches por parte de dois médicos, ela resolveu se queixar na direção da Santa Casa. Acompanhada do secretário-coordenador de Diversidade Sexual e Gênero do Município de Porto Alegre, Dani Boeira.

No primeiro grau, a juíza Keila Silene Tortelli, da 1ª Vara Cível do Foro Central de Porto Alegre, julgou procedente a ação indenizatória, que tramitou sob segredo de justiça. Para a juíza, os fatos que geraram o abalo extrapatrimonial foram confirmados por depoimentos de terceiros.

Nome social no prontuário

Hospital que ignora o gênero de paciente transexual, tratando-o pelo nome civil em vez do nome social, fere direitos de personalidade assegurados no artigo 5º da Constituição (intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas). Logo, tem o dever de indenizá-lo, como prevê o artigo 927 do Código Civil.

No segundo grau, a relatora da apelação no TJ-RS, desembargadora Isabel Dias Almeida, afirmou que o simples fato da autora não ser tratada pelo gênero feminino — quando a aparência dizia tudo — já é capaz de gerar abalo à dignidade, ensejando o dever de indenizar.

Para a desembargadora, o hospital é condenado por falta de clareza no prontuário que gerou situação desagradável e desnecessária até a data da audiência judicial. Na cerimônia, os prepostos da parte ré ainda se referiam à autora pelo gênero masculino “ele”.

“Logo, resta verificada a falha na prestação de serviço operada pela parte ré [artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor], todo o usuário do sistema de saúde tem o direito a um atendimento humanizado e acolhedor, sendo que o direito rudimentar da autora, uso do nome social da pessoa travesti ou transexual, restou violado”, escreveu no acórdão, lavrado na sessão de 6 de abril.

Um comentário:

  1. É só olhar para as expressões faciais do Bento XVI para perceber que são duras, frias, carrancudas, refletindo uma vida sem amor, esperança, fé, acolhimento, carinho e empatia. Não à toa o ditado: "a boca fala do que está cheio o coração"...

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