terça-feira, maio 26, 2020

POLÍTICA

Mensagens trocadas com Moro reforçam versão de interferência de Bolsonaro na Polícia Federal.


Presidente disse ao então ministro que o diretor-geral da PF na época, Maurício Valeixo, seria demitido, de acordo com reportagem do Estadão.

Uma troca de mensagens entre o presidente Jair Bolsonaro e o então ministro da Justiça, Sergio Moro, reforça a versão de que o chefe do Executivo tentou interferir na Polícia Federal. De acordo com reportagem do jornal O Estado de São Paulo, três horas antes da reunião ministerial de 22 de abril, Bolsonaro comunicou a Moro que o então diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, seria demitido. Bolsonaro alega que falava de sua segurança pessoal quando exigiu substituições, no vídeo que veio a público na última sexta-feira (22).

Segundo o jornal, em mensagem enviada pelo WhatsApp às 6h26 de 22 de abril, o presidente escreveu “Moro, Valeixo sai esta semana”. “Está decidido”, continuou ele, em outra mensagem enviada na sequência. “Você pode dizer apenas a forma. A pedido ou ex oficio” (sic). As mensagens obtidas pelo Estadão constam do inquérito do STF (Supremo Tribunal Federal) que apura se Bolsonaro interferiu na Polícia Federal para ter acesso a informações de investigações sigilosas contra amigos e familiares, conforme acusação do ex-ministro da Justiça.

O vídeo da reunião ministerial, iniciada às 10h do mesmo dia, é uma das provas anexadas ao inquérito aberto pelo ministro Celso de Mello, do STF, a partir de pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras, após a saída de Sergio Moro do governo. 

Na reunião, Bolsonaro afirma, olhando para Moro:  “Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui! E isso acabou. Eu não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meu (sic), porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui pra brincadeira”.


"Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui pra brincadeira”. disse Bolsonaro em reunião ministerial.

O presidente tem afirmado que a frase se referia à segurança pessoal no Rio, e não à PF. Ele também alega que Valeixo pediu para ser demitido, o que provaria que não houve interferência, de acordo com Bolsonaro. Em depoimento no inquérito, em 11 de maio, Valeixo afirmou que não pediu para ser exonerado.

Em depoimento em 2 de maio, no mesmo inquérito, Moro afirmou que e Bolsonaro ameaçou de demissão os ministros que não seguissem as ordens de interferência. O ex-ministro afirma que a substituição de ministro a que o presidente se referia era no Ministério da Justiça e Segurança Pública, responsável pela Polícia Federal.

No ano passado, o presidente já havia tentado intervir na substituição da Superintendência da Polícia Federal do Rio de Janeiro. “Se ele [Moro] resolver mudar, vai ter que falar comigo. Quem manda sou eu”, disse Bolsonaro, em agosto, sobre a ida de Carlos Henrique Oliveira de Pernambuco para a superintendência do Rio. Na época, ele tentava emplacar Alexandre Saraiva, superintendente no Amazonas. 

Após a exoneração de Maurício Valeixo por Bolsonaro e o desembarque de Moro do governo, o presidente tentou nomear Alexandre Ramagem, amigo dos filhos, para o comando da corporação, mas foi impedido pelo STF.

Assumiu o posto Rolando Alexandre de Souza, cujo primeiro ato foi retirar Carlos Henrique Oliveira da superintendência da PF do Rio. A justificativa foi a promoção de Oliveira para a secretaria-executiva da corporação, o cargo número 2 da PF, mas que não lida com investigações.

Sem Oliveira, o comando da PF no Rio foi dado ao delegado Tácio Muzzi. Para policiais federais, a escolha de Muzzi diminui temor de interferência política.

Bolsonaro se convida para ir à PGR e tem encontro com Augusto Aras.



O presidente Jair Bolsonaro foi na manhã desta 2ª feira (25.mai.2020) à PGR (Procuradoria Geral da República). A visita foi logo depois da solenidade de posse online do subprocurador-geral da República, Carlos Alberto Vilhena, no cargo de procurador federal dos Direitos do Cidadão.

A cerimônia constava na agenda do presidente Bolsonaro, que acompanhou a live do Palácio do Planalto, em Brasília.

No fim da solenidade, o procurador-geral Augusto Aras questionou se Bolsonaro gostaria de falar algo. O presidente, então, pede para ir pessoalmente à sede da PGR apertar a mão do novo subprocurador.

“Se me permite a ousadia, se me convidar, eu vou agora aí apertar a mão do nosso novo colegiado maravilhoso da Procuradoria Geral da República”, disse Bolsonaro. “Estaremos esperando Vossa Excelência com a alegria de sempre”, respondeu o PGR.

Bolsonaro foi então à procuradoria e cumprimentou todas as pessoas que estiveram na posse, inclusive Augusto Aras. A visita durou 15 minutos.

O presidente é investigado em 1 inquérito corre sob os cuidados da PGR e apura suspeita de interferência na Polícia Federal. A investigação baseia-se em acusações feitas pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro ao deixar o cargo.

Imprensa francesa diz que Bolsonaro é "ditador incompetente" e "volta a dar show".


A imprensa francesa repercute nesta segunda-feira (25) o agravamento da crise sanitária no Brasil e a decisão do presidente Donald Trump de proibir a entrada no território americano de viajantes provenientes do Brasil, por conta do crescimento dos casos da Covid-19. A insistência de Bolsonaro em andar na contramão do mundo fez o jornalista especialista em geopolítica Bernard Guetta chamar o presidente brasileiro de "ditador incompetente", no canal de TV France 5.

"Dada a progressão da pandemia no Brasil, a decisão de Trump é um grande golpe para Jair Bolsonaro, um dos aliados mais próximos do presidente americano", diz a publicação Courier International.

O site Huffington Post, o jornal Le Monde e o canal de TV LCI destacam que apesar de o Brasil ter se tornado o segundo país em casos de coronavírus no mundo, com mais de 363 mil infectados e quase 23 mil mortos, Bolsonaro voltou a se exibir neste domingo (24) com seus apoiadores, em Brasília, abraçando pessoas sem respeitar o distanciamento social preconizado para evitar o contágio.

"O país dele é de longe o mais afetado pela Covid-19 na América do Sul. Apesar disso, Bolsonaro continua a minimizar o impacto do vírus. Ele participou de uma manifestação com seus simpatizantes, desrespeitando as regras sanitárias, de distanciamento físico e foi logo tirando a máscara", critica reportagem do canal LCI.

Como o presidente dos Estados Unidos, Bolsonaro minimiza a pandemia de coronavírus, comparando a doença a uma “gripezinha” e argumentando que medidas de contenção prejudicam desnecessariamente a maior economia da América Latina, lembra o Huffington Post.

"Show"

O jornal Le Parisien diz que Bolsonaro "voltou a dar seu show", ao retirar a máscara e abraçar seguidores. O diário lembra que Bolsonaro é alvo de uma "investigação explosiva", que busca apurar "ingerência" na Polícia Federal. O diário explica que os agentes de segurança do presidente usavam máscaras, mas o chefe de Estado retirou a dele para "trocar apertos de mãos, posar para fotografias e até carregar uma criança", menosprezando as regras sanitárias de distanciamento social, critica o Le Parisien.

"Ao mesmo tempo, a decisão de Donald Trump de proibir a entrada de viajantes do Brasil nos Estados Unidos causou muitas reações", acrescenta o jornal, assinalando que as atitudes de Bolsonaro têm sido criticadas no país, principalmente a forma como ele administra a crise da saúde", destaca a reportagem.

ANÁLISE: Os vídeos de Bolsonaro e a interferência na PF



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