sexta-feira, junho 19, 2020

DIREITOS

Prisão de Fabrício Queiroz repercute entre políticos da oposição.


Fabrício Queiroz trabalhou na Assembleia do Rio de Janeiro no gabinete do senador Flávio...

A prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), em um sítio em Atibaia (SP) nesta quinta-feira (18/6), provocou reação entre os políticos que fazem oposição ao governo do presidente Jair Bolsonaro. 

O policial militar aposentado estava em um sítio de propriedade de Frederick Wassef, advogado da família Bolsonaro. Ele não resistiu à prisão, passou por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) e foi levado de helicóptero para o Rio de Janeiro. Dois celulares, documentos e uma quantia em dinheiro foi apreendida na residência.

A prisão é o assunto mais comentado nas redes sociais desde as primeiras horas da manhã no Twitter. O deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP), ex-aliado do presidente Bolsonaro, usou a rede social para comemorar operação que capturou o policial militar aposentado. "Grande dia para a justiça", comentou. 

O deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) também usou seu perfil no microblog para dizer que acredita que Flávio Bolsonaro sabia onde seu ex-assessor estava escondido. “O perdido Queiroz não estava tão perdido assim, só esquecemos de olhar debaixo da asa da família”, escreveu.

Marcelo Freixo (Psol-RJ) acrescentou que Fabrício Queiroz era amigo de Bolsonaro e conhecia todas as relações da família do presidente. “Ele jogava em todas as posições no time da família: ponta de lança na área da milícia, articulador das rachadinhas no gabinete do Flávio, trouxe o matador Adriano da Nóbrega para o elenco e ainda depositou dinheiro na conta da primeira-dama (Michelle Bolsonaro)", disse.

Confira algumas reações de parlamentares da oposição:

Kim Kataguiri 🇧🇷✔@kimpkat

Queiroz acaba de ser preso em São Paulo.

O assessor de Flávio Bolsonaro acusado de rachadinha foi encontrado em um imóvel do advogado do parlamentar, Frederico Wassef, em Atibaia, interior de São Paulo.

Grande dia para a justiça 👍

Arthur do Val - Mamaefalei✔@arthurmoledoval

Calma gente. Queiroz foi preso num imóvel do adv do Flávio mas é só coincidência.

Vamos esperar os tuites da Carla, Bernardo, Allan etc pra gente saber realmente o q o presidente planejou.

Com certeza deve ter uma explicação pra tudo isso. #FechadoComBolsonaro

Randolfe Rodrigues✔@randolfeap

Qual era o esquema? Qual a ligação de Queiroz com a família Bolsonaro? E o caso das rachadinhas? E o laranjal? E o  depósito p/ contas de Michelle Bolsonaro? O Brasil merece saber! A verdade liberta! #FalaQueiroz

Marcelo Freixo✔@MarceloFreixo

Homem de confiança de @jairbolsonaro, Queiroz jogava em todas as posições no time da família: ponta de lança na área da milícia, articulador das rachadinhas no gabinete do Flávio, trouxe o matador Adriano da Nóbrega para o elenco e ainda depositou $$$ na conta da primeira-dama.

Humberto Costa✔@senadorhumberto

Grande dia para a família Bolsonaro. Queiroz sendo preso e saindo no camburão da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Queiroz foi o alvo principal da Operação Anjo.

Talíria Petrone✔@taliriapetrone

Fabrício Queiroz foi preso na casa do advogado de Flávio Bolsonaro. Já sabemos como o clã Bolsonaro vai responder, né? “Não sabia, não quero saber e tenho raiva de quem sabe”. Mas parece que o cerco tá se fechando...

Margarida Salomão✔@JFMargarida ESCÂNDALO

Fabrício Queiroz foi preso em Atibaia, na casa do advogado FREDERICK WASSEF.

O mesmíssimo Frederick que, em setembro do ano passado, MENTIU à jornalista Andréia Sadi, reportando não ser advogado de Queiroz!

Que cheiro fétido!

Sâmia Bomfim✔@samiabomfim

Fabrício Queiroz foi desligado formalmente do gabinete de Flávio Bolsonaro no mesmo dia em que sua filha, Nathália Queiroz, foi desligada do gabinete de Jair Bolsonaro. No mesmo dia. Pra fugir da justiça. O esquema é um só. Adivinhem quem é o chefe! #ContaTudoQueiroz

"Mais uma peça para atacar Bolsonaro", diz Flávio sobre prisão de Queiroz.



O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) se manisfestou nesta quinta-feira, 18, sobre a prisão do ex-assessor Fabrício Queiroz em um imóvel pertencente ao seu advogado, Frederick Wassef, na cidade de Atibaia. Flávio afirmou que vê o caso com tranquilidade e atribuiu a uma perseguição política a investigação aberta contra ele e Queiroz.

“Encaro com tranquilidade os acontecimentos de hoje. A verdade prevalecerá! Mais uma peça foi movimentada no tabuleiro para atacar Bolsonaro. Em 16 anos como deputado no Rio nunca houve uma vírgula contra mim. Bastou o Presidente Bolsonaro se eleger para mudar tudo! O jogo é bruto”, disse o senador no Twitter.

Ex-assessor de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio, Queiroz estava dormindo quando policiais arrombaram a porta do imóvel em que ele estava. Proprietário da chácara onde o ex-assessor foi encontrado, Wassef também é advogado do presidente Jair Bolsonaro.

Flavio Bolsonaro✔@FlavioBolsonaro

Encaro com tranquilidade os acontecimentos de hoje. A verdade prevalecerá! Mais uma peça foi movimentada no tabuleiro para atacar Bolsonaro. Em 16 anos como deputado no Rio nunca houve uma vírgula contra mim.Bastou o Presidente Bolsonaro se eleger para mudar tudo! O jogo é bruto!

Neste momento, Queiroz está a bordo de um helicóptero que deixou São Paulo rumo ao Rio de Janeiro. Ele deve ser encaminhado para o presídio de Benfica, localizado na Zona Norte da cidade.

Amigo de Jair Bolsonaro, o ex-policial militar ganhou notoriedade após o órgão de inteligência financeira do governo – o antigo Coaf, rebatizado de UIF – ter detectado movimentação financeira atípica e incompatível com sua remuneração mensal quando ele trabalhava no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro.

Entre 2014 e 2015, foram movimentados 5,8 milhões de reais. Entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, mais 1,2 milhão de reais. O relatório também registrou que Queiroz depositou 24.000 reais na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro. A reação inicial do presidente foi admitir que era amigo de Queiroz e dizer que o dinheiro repassado a Michele fazia parte do pagamento de um empréstimo que ele havia concedido ao amigo de longa data. O Ministério Público do Rio de Janeiro investiga o caso.

Queiroz foi assessor de Flávio Bolsonaro até outubro de 2018. O ex-policial é suspeito de operar em favor do senador um esquema de “rachadinha”, termo utilizado para designar um ato de corrupção que consiste na devolução de parte dos salários dos servidores ao político para o qual trabalham.

Fabrício Queiroz foi preso na casa do advogado de Bolsonaro e de Flávio.



Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, foi preso na manhã desta quinta-feira, 18, em um imóvel do advogado Frederick Wasseff, em Atibaia, no interior do estado de São Paulo. Wassef atua como defensor de Flávio e também do presidente Jair Bolsonaro.

No momento da prisão, Queiroz estava dormindo e foi surpreendido pelos policiais que arrombaram a porta. Ele disse que está doente e não pode ser preso. Queiroz está sendo encaminhado para o prédio do DHPP, no centro de São Paulo, onde será formalizado o mandado de prisão expedido pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. Queiroz será mandado para o Rio ainda nesta quinta-feira.

A prisão ocorreu em uma operação coordenada a partir de investigações do Ministério Público do Rio com a Polícia Civil. Como mostrou o Radar, os investigadores apreenderam dois aparelhos de celular e muitos documentos que eram guardados por Fabrício Queiroz no imóvel de Atibaia.

O Ministério Público do Rio divulgou uma nota sobre a ação, batizada de Operação Anjo. “Contra outros suspeitos de participação no esquema, o MPRJ obteve na Justiça a decretação de medidas cautelares que incluem busca e apreensão, afastamento da função pública, o comparecimento mensal em Juízo e a proibição de contato com testemunhas. São eles o servidor da Alerj Matheus Azeredo Coutinho; os ex-funcionários da casa legislativa Luiza Paes Souza e Alessandra Esteve Marins; e o advogado Luis Gustavo Botto Maia”, diz o MPRJ.

Amigo do presidente Jair Bolsonaro, o ex-policial militar ganhou notoriedade depois de o órgão de inteligência financeira do governo – o antigo Coaf, rebatizado de UIF – detectar movimentação financeira atípica incompatível com sua remuneração mensal quando trabalhava no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio.

Entre 2014 e 2015, foram 5,8 milhões de reais. Entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, mais 1,2 milhão de reais. O relatório também registrou que Queiroz depositou 24.000 reais na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro. A reação inicial do presidente foi admitir que era amigo de Queiroz e dizer que o dinheiro repassado a Michele fazia parte do pagamento de um empréstimo que o próprio Bolsonaro havia concedido ao amigo de longa data. O Ministério Público do Rio de Janeiro investiga o caso.

Queiroz foi assessor de Flávio Bolsonaro até outubro de 2018. O ex-policial é suspeito de cobrar “rachadinha”, termo utilizado quando parte dos salários dos servidores é descontada. VEJA está tentando contato com a defesa de Queiroz.

Advogado da família Bolsonaro disse duas vezes que não sabia onde estava Queiroz.


Advogado Fred Wassef (à direita, com gravata amarela) participa de evento no dia 17 de junho no Palácio do Planalto, em Brasília

O advogado Frederick Wassef afirmou, em ao menos duas ocasiões no ano passado, desconhecer o paradeiro do ex-assessor Fabrício Queiroz. "Não sei. Não sou advogado dele", afirmou ele em entrevista à GloboNews, em setembro do ano passado. Antes disso, em junho, disse à revista Veja que nem sequer o conhecia. Segundo o delegado da Polícia Civil Osvaldo Nico Gonçalves, o ex-funcionário do gabinete do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) morava numa casa do advogado em Atibaia, no interior de São Paulo, havia um ano.

Wassef é advogado de Flávio no caso, o que levanta a suspeita sobre uma possível troca de informações entre investigados, o que pode representar tentativa de obstrução de Justiça. Em entrevistas, o senador também já afirmou não saber o paradeiro do ex-assessor e chegou a alertar que não mantinha mais contato com Queiroz justamente para que não fosse interpretado como crime.

O advogado, que também representou o presidente Jair Bolsonaro no caso Adélio Bispo, se apresenta como consultor jurídico da família Bolsonaro e é presença constante nos palácios do Planalto e do Alvorada, mas não costuma aparecer nas agendas oficiais do presidente. Nos registros aparecem apenas três encontros no último ano, mas ele esteve ao menos sete vezes nos últimos seis meses com o presidente.

Ontem, Wassef esteve na cerimônia de posse do novo ministro das Comunicações, Fábio Faria. Na semana anterior, ele passou a tarde com o presidente na sede do Executivo e deixou o local por volta das 20h. O motivo do encontro não foi informado.

Outra ocasião em que Wassef esteve com o presidente foi no dia 25 de abril, logo após a demissão do ministro da Justiça Sérgio Moro. Ele foi ao Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência, no mesmo dia em que Bolsonaro discutia a substituição na pasta. O atual chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, que na época tentava assumir o comando da Polícia Federal, também participou do encontro.

Além da família Bolsonaro, Wassef é próximo do secretário especial de comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten. Ainda na pré-campanha presidencial, Wassef apresentou Wajngarten, dono da empresa Controle da Concorrência, nome fantasia da FW Comunicação e Marketing, como um homem capaz de abrir portas em emissoras de televisão.

Wassef conheceu Bolsonaro ainda como deputado federal, em 2016, quando a ideia da candidatura presidencial ainda parecia distante. Depois, na campanha presidencial, o advogado passou a frequentar a casa usada pela equipe de Bolsonaro.

Ele é visto com desconfiança pelos assessores mais próximos de Bolsonaro. O presidente chegou a ser aconselhado a dispensá-lo, mas o modo como agiu justamente no caso Queiroz o garantiu por perto, contam pessoas próximas ao Presidente. O principal momento foi quando Wassef conseguiu suspender no Supremo Tribunal Federal (STF), através de decisão do ministro Dias Toffoli, suspender todas as investigações feitas com base no compartilhamento de dados bancários sem autorização judicial, atendendo ao pedido da defesa de Flávio Bolsonaro.

Em outras ocasiões, Wassef atuou de forma informal na defesa de Jair Bolsonaro e opinou sobre temas jurídicos envolvendo o presidente. No final de maio, em uma das idas ao Planalto, ele afirmou à imprensa que havia um "carnaval" em torno da reunião ministerial do dia 22 de abril, tornada pública por decisão do ministro Ceslo de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), em inquérito que investiga possível interferência do presidente na Polícia Federal.

Luciano Hang distorceu fatos para atacar reportagem do Estadão.



BRASÍLIA - O empresário Luciano Hang distorceu fatos, fez declarações enganosas e disse que vai processar o Estadão ao atacar uma reportagem do jornal que trata de um processo da Receita Federal contra sua empresa, a Havan, por sonegação de tributos.

A reportagem dizia que, entre ressarcimento e multas, a Havan foi autuada no equivalente a R$ 2,5 milhões por sonegação de contribuição previdenciária. Após a publicação, Hang divulgou um vídeo em suas redes sociais para dizer que a reportagem não passava de fake news (notícia mentirosa) e que, se o jornal o tivesse procurado, ficaria sabendo “da verdade”.

Ao contrário do que o empresário disse, o processo administrativo fiscal existe, seu número é 13971.720393/2013-69. E sua empresa foi procurada quatro vezes pela reportagem, para que as informações fossem checadas e ele tivesse a oportunidade de se manifestar. Mas a Havan não quis dar explicações, alegando que não tinha sido notificada.

Nesta quarta-feira, 17, depois da divulgação do vídeo, o jornal voltou a procurar a Havan - pela quinta vez - para perguntar qual era a "fake news" que Luciano Hang encontrou na reportagem e por que, depois de ser procurado quatro vezes, tinha dito no vídeo que sua empresa não tinha sido ouvida pelo jornal. A assessoria de imprensa da Havan apenas respondeu que “não tem nada a declarar”.

Segundo relatórios obtidos pelo Estadão, a Havan deixou de declarar e de recolher devidamente a “contribuição previdenciária patronal”, a “contribuição destinada a terceiros” (Sesc, Senac, Sebrae, Incra e FNDE), os “incidentes sobre a rubrica de folha de pagamento aviso prévio indenizado” e até a contribuição empresarial que deveria recolher por patrocínio a time de um futebol.

No vídeo, Hang e seus diretores jurídico e de contabilidade reconheceram a existência do processo. "É um imposto que estamos discutindo sobre um patrocínio que nós demos num time de futebol", afirmou Luciano Hang. “Sabe o que representa R$ 2,5 milhões para a Havan? Meia hora de faturamento. É nada. Mas eles fazem como se fosse um valor enorme. Se for (devido) eu pago, se não for eu ganho”, disse.

A Havan já foi autuada pela Receita e a turma do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), que funciona como órgão recursal, manteve a autuação por unanimidade. O empresário pode recorrer à Câmara Superior do Carf e à Justiça. 

Não foi a primeira vez que a Receita aplicou punição à Havan. Em 2003, a empresa foi condenada em segundo grau na Justiça comum após a fiscalização apontar sonegação de contribuições, nos anos 1990, da ordem de R$ 10 milhões.

Nenhum comentário:

Postar um comentário